Era manhã. Scout se revirou na cama ao sentir os raios de sol em sua cara e se virou na cama, procurando Anya para abraçar, mas a garota não estava ali. Quando ele percebeu que sua namorada não estava ali, ele se levantou, revirou o quarto, olhou o banheiro e percebeu a porta aberta. Anya havia levantado mais cedo do que ele. Após colocar o boné e o headset, ele foi descendo as escadas correndo, procurando Anya, vendo que não havia ninguém no refeitório, até Demoman sair da cozinha. Ele foi até o colega, que estava usando um avental de cozinheiro e levava uma grande panela.

– Demo! — o homem olhou para ele — Cadê o pessoal? Sniper, Miss Pauling, Anya?

– Bom, Soldier roubou três potes da cozinha e usou para ter mais café do que todos — ele estava relembrando da manhã — Pyro só ficou olhando para todos, Sniper e Medic fugiram do refeitório assim que viram o café, Engineer foi na cozinha, pegou uma lata de cerveja e foi embora, Heavy pegou o sanduíche na geladeira e voltou para o quarto e Spy desapareceu, mas eu senti que tinha algo assombrando a cozinha.

– Ok, e a Anya? Você viu ela?

– Ela estava com a Miss Pauling. Parece que alguém a chamou em uma das salas de reunião.

Scout estava saindo, quando observou o café. Parecia uma ambrosia queimada. Ele voltou e ficou ao lado de Demoman, que mexia o conteúdo da panela com uma colher de metal.

– Hã... Posso... Posso provar?

– Claro!

Ele tirou uma colher do bolso e entregou a Scout, que pegou um pouco da comida. Assim que colocou a comida na boca, parecia que Pyro havia a queimado toda e ainda com gosto de cerveja. Ele devolve a colher para Demoman e vai saindo devagar.

– Você gostou?

– Sim... Sim... Estava... Estava ótimo! — ele estava quase querendo chorar — Continue assim, Demo.

Assim que ele saiu do refeitório, ele cuspiu toda a comida em uma lata de lixo mais próxima e respirou ar puro.

– Preciso encontrar minha bebida para tirar esse gosto horrível da boca!

Ainda querendo encontrar Anya, ele se lembrou dos lugares em que ela costumava ir, enquanto a equipe estava na batalha ou por apenas ajudar os mercenários. A oficina de Engineer era um desses lugares, já que a garota havia herdado a inteligência de Engineer, ambos agora trabalhavam juntos, como se fossem velhos colegas. Subindo as escadas, Scout encontrou Miss Pauling andando pelo corredor, sem que ela o visse. Ele correu até a assistente e cutucou suas costas.

– Oh, bom dia, Scout. Soube que você mentiu para Anya ontem a noite.

– Ela já te contou?

– Ela é minha melhor amiga e me conta tudo. Mesmo que ela precise ler a mente de certas pessoas para saber o que realmente está acontecendo.

– Ok, me desculpe. Mas cadê ela?

– Ela estava na sala de reuniões no 4ª andar. Maykon chegou cedo de Teufort e queria a ver rapidamente.

Scout parou e pensou.

– Maykon? Aquele maldito?

– Scout!

Desde que eles haviam finalmente derrotado Gray em Teufort, Scout nunca mais havia ouvido ninguém falar em Maykon. Parecia que Anya havia finalmente aceitado que Scout era o amor de sua vida e Maykon apenas um amigo que apareceu para a ajudar quando se afastou da equipe em Coal Town. Mas pelo jeito, ele ainda não havia desistido de Anya.

– Os dois estão sozinhos?

– Claro. Ele disse que era urgente.

Ele enlouqueceu. Anya e Maykon juntos na mesma sala? Nem pensar. Após ter aquele sonho onde Maykon empurrava Anya para a cratera, ele não iria deixar sua namorada sozinha com aquele cara. Sem pensar duas vezes, Scout saiu correndo para o 4ª andar e parou assim que ouviu uma conversa, ouvindo a voz de sua namorada.

– Sério? Para mim?

– Claro. Eu voltei para minha casa e consegui arrumar minhas coisas. Encontrei isso e talvez achei que seria melhor lhe dar.

Um silêncio ficou no ar, enquanto Scout ficava mais nervoso. Anya parecia ter ficado espantada ao ver algo.

– Maykon! É lindo!

– Era da minha mãe.

– Sua mãe?

– É.

– Não... Não, eu não posso aceitar.

– Nada disso, é seu agora.

– Mas era da sua mãe!

– Marloon não daria isso para a namorada dele, então não teria sentido deixar lá para criar mofo. Eu fiz algumas modificações, arrumei um pouco o pingente, Marloon me ajudou a arrumar. Aqui, eu te ajudo.

– Obrigada.

Scout perdeu a paciência e entrou correndo para dentro da sala, vendo Anya e Maykon, sentado em frente a uma mesa, com uma pequena caixa vermelha em cima do móvel.

– Com licença — disse Scout.

Ambos se viraram e se levantaram quando ouviram Scout. Ele observou o seu nêmeses, ainda não entendendo porque Anya gostava dele.

– Estou interrompendo algo? — perguntou Scout.

– É claro que não — ela olhou para os dois — Maykon, lembra do Scout? Scout, Maykon, Maykon, Scout.

– Sim, eu me lembro dele — disse Maykon — Seu namorado, não é?

– Ainda bem que você sabe — disse Scout.

– Me desculpe pelo Scout — disse Anya, olhando feio para Scout.

– Não se preocupe — disse Maykon.

– Hã... Você precisa ir agora ou quer ficar para o almoço? — perguntou Anya.

– Eu realmente preciso ir — disse Maykon — A viagem até Teufort é longa e preciso voltar lá cedo.

– Tudo bem, eu te levo até a saída — disse Anya.

Maykon pegou a mochila em baixo da mesa, a colocou nas costas e os dois saíram da sala, até Scout puxar o casaco vermelho de Anya. Ela pára e Maykon se vira ao perceber que os passos haviam cessado.

– Eu vou com vocês — disse Scout.

– Não, não vai — disse Anya — Eu te conheço, então você vai ficar aqui.

– Mas Anya...

– Fica aqui — disse Anya.

Ela o olhou rapidamente e volta a andar com Maykon, descendo as escadas, deixando Scout enciumado e nervoso. Os dois continuam a andar, descendo as escadas, enquanto Maykon olha Anya.

– Você mudou, Anya.

– O que te faz pensar isso?

– Posso não ser um robô que pode absorver mentes e as ler, mas eu te conheço. Fiquei ao seu lado o tempo bastante para te conhecer bem.

– Em menos de um ano você conseguiu me conhecer bastante?

– Marloon é meu irmão gêmeo e nem eu o conheço direito. Tirando meus pais, você é a única pessoa que eu conheço bem.

– Trabalhar para a Administradora e os meus tios é mudar?

– Não é isso que eu estou falando. O RED te fez mudar para melhor.

Anya o olhou, sorrindo e os dois chegam no térreo, que era o saguão de entrada para a base. A garota abre uma das portas, onde mostra o estacionamento fora do prédio, tendo a van do RED e outra de Sniper, o carro de Miss Pauling e outro da Administradora, e vários outros carros que deveriam ser dos mercenários. Maykon saiu do lugar, se virou e ficou olhando Anya, que se apoiou na porta.

– Você encontrou seu irmão?

– Ele está em Dustbowl. Eu disse para ele ir embora, porque agora parece que um criminoso famoso chegou lá.

– Criminoso? Quem?

– Um tal de Ivan alguma coisa.

Anya parou e fixou o olhar em Maykon.

– Ivan? — ela pensou novamente — Ivan Kovaski?

– Sim... Sim! Acho que é esse mesmo. Como você sabe?

– Em uma das minhas caçadas eu passei por Dustbowl e... E... E ouvi sobre um cara com esse nome.

– Bom... O Marloon disse que não vai sair de lá e que ele pode se virar sozinho. Então parece que não vou ver ele até o ano que vem.

Anya suspirou e ficou pensando no nada, até Maykon estava suficientemente próximo dela para que Scout atirar nele com a espingarda na cabeça e felizmente... Ele não estava lá para saber e fazer isto. Maykon pega a mão de Anya, fazendo a garota notar as várias cicatrizes que haviam pelo braço.

– O que aconteceu com você?

Ele riu.

– Não temos um médico igual ao seu em Teufort — olhando para o braço — Ser caçador de recompensas resulta nisto.

– Mas eu também já fui e não tive isso.

– Não minta, Anya.

A garota ficou paralisada. Ele realmente a conhecia melhor do que Scout.

– Como está fazendo para esconder a cicatriz de todos, inclusive do seu namorado?

– Não importa agora. Esse trabalho vai te matar algum dia. Você poderia vir trabalhar aqui comigo.

– Eu vejo como o Scout reage quando eu estou perto de você. Isso não iria dar certo. Eu acabaria com uma faca nas minhas costas.

Ambos riram e se olharam. Fazia tempo que os dois não ficavam sozinhos, juntos.

– Bom, eu tenho que ir — ele beijou a mão de Anya — É sempre ótimo a ver novamente, Anya.

– Igualmente, Maykon.

Maykon entrou em um dos carros, largou a mochila no banco do passageiro e foi embora de Pipeline, passando pelo portão feito de canos. Anya o observou indo embora até que ela não conseguisse mais o ver na estrada. E... Scout continua a procurar por Anya pelos corredores da base. Mesmo que ele tivesse a encontrado antes, ela havia levado Maykon para a saída e depois Scout a perdeu de vista. Ele pára assim que ouve um barulho de algo sendo soldado. Era da oficina de Engineer.

– Sim, acho isso aqui serve — Scout conseguiu ouvir a voz de Engineer.

Ele foi caminhando pelo corredor, encontrando a porta aberta e Engineer e Anya em frente a bancada, soldando uma parte quebrada do teleportador. Engineer estava apenas ao lado de Anya, observando como a garota estava fazendo o trabalho e ambos usavam a máscaras de soldas.

– Isso não vai soldar o resto do teleportador — disse Anya — O metal está muito velho.

– Danificado! Ele está danificado! — disse Engineer — Não admito que você chame minhas construções de velhas!

– Então, há quanto tempo você construiu pela primeira vez o teleportador? — perguntou Anya.

Engineer suspirou negativamente.

– Acho que uns nove anos — disse Engineer.

Scout entra na oficina, vendo o lugar lotado de coisas. Haviam várias correntes pelo teto, prateleiras de metal vermelho pelo lugar, várias sentinelas e fornecedores desativados, vários diagramas pelas paredes e um violão em cima de uma das mesas. Ele deu um assovio, mostrando que estava impressionado.

– Nossa — disse Scout.

Anya e Engineer tiram as máscaras, vendo quem havia entrado no lugar.

– Ah, é só o Scout — disse Engineer.

– Gostei do lugar — disse Scout.

– Nunca tinha entrado aqui? — perguntou Anya.

– Eu nunca consigo entrar nas oficinas dele — disse Scout — Ele diz que é perigoso para mim. Queria ter um lugar assim para mim.

– Bom, se você soubesse fazer algo além de pular e correr — disse Engineer — Você tem o ginásio.

– Todo mundo usa aquele lugar! — disse Scout — Heavy tem a própria academia, você tem a oficina, Medic tem a enfermaria e o próprio escritório e o Spy tem a sala para fumantes! A Anya, inclusive, vai em quase todos!

– A culpa não é minha que eu tenho quase todas as suas habilidades! — disse Anya.

– Ok, me deixe terminar o trabalho, Anya — disse Engineer, rindo — Podem brigar fora da minha oficina.

– Olha que eu tenho a chave — disse Anya — Eu posso entrar aqui e... E... E... E roubar seu violão.

– Nem se atreva! — disse Engineer.

Ambos riram, enquanto Anya joga a máscara em cima de uma mesa e entrega a tocha de soldagem à Engineer. O mercenário coloca a máscara novamente e volta a soldar, enquanto o casal sai da oficina, descendo as escadas.

– O que o Maykon te entregou? Antes de eu chegar na sala, ele te deu algo.

Anya puxou a manga do casaco no braço direito, mostrando no pulso uma pulseira azul com alguns fios dourados enrolados e um pingente em formato de um diamante de cristal.

– Maykon disse que era da mãe dele. E como nem o irmão dele iria gostar, ele decidiu me dar. Não é linda?

– É, é sim — sarcasticamente.

Anya colocou a manga no lugar e observou seu namorado. Ela entendeu o tom de sarcasmo na voz dele.

– Scout, se quer ser estraga prazeres, eu sugiro que vá conversar com o Soldier, porque ele é especialista nisso. O que era tão importante para você me tirar do trabalho com o Engie?

– Quer ir para o apartamento no Sábado a noite? O Sniper disse que vai passar lá, então, ele nos dá uma carona.

– Claro! Voltamos Segunda de manhã.

– Ok, eu falo com o Sniper então.

– Sua mãe não está lá, não é?

– Não, ela foi embora semana passada.

– Ótimo.

Scout parou e Anya foi indo em direção a outra escada.

– Anya.

A garota parou e olhou seu namorado.

– Me desculpe. Me desculpe por ser tão ciumento. Maykon te ajudou muito quando você foi embora de Coal Town e eu não dou valor a isso.

Anya o observou e sorriu, indo abraçar seu namorado. Scout se lembrou de tudo o que havia acontecido nos três anos e retribuiu o abraço, mais forte. Eles estavam juntos à um ano, depois de ela ter fugido, ser sequestrada e ser usada como fonte para um robô gigante e Scout não abria mão de nenhum momento com ela.

– Você está se desculpando por ser ciumento? Quem é você e o que fez com o meu Scout?

Os dois riram e continuaram abraçados.

– As pessoas mudam.

– Ok, eu preciso ir. Miss Pauling queria me encontrar no escritório assim que o Engie me liberasse da oficina.

O casal se beijou e Anya saiu de perto de Scout, descendo as escadas. Scout apenas esperou que Anya já estivesse fora de seu campo de visão e foi andando para a outra escada, querendo falar com Sniper. E... Era uma batalha de RED contra o BLU em Dustbowl. Enquanto Engineer e Pyro cuidavam da sentinela no último ponto de controle, Heavy, Soldier e Medic estavam na linha de frente, Demoman jogava suas granadas para tudo quando era lugar, Sniper estava em cima de um dos prédios atirando e Spy deveria estar no primeiro ponto de controle, mas ele nem tinha o visto. Scout estava em frente ao ponto de controle, atirando no BLU, quando enxerga um Spy do BLU passando ao lado de Heavy e não lhe deu backstab, e sim foi indo em direção a sala de spawn. Após ver que ninguém havia visto o Spy, ele recarrega a arma e vai ao lado de Engineer.

– Engie, tinha um Spy do BLU atravessando o campo de batalha — disse Scout — Ele foi em direção a sala do spawn.

– Eu não tenho tempo para isso, garoto — disse Engineer — Desde que ele não venha aqui, isso não é problema meu.

Scout percebeu que Engineer estava agitado, batendo sem parar na sentinela. Parecia que a batalha estava sendo mais agitada do que de costume. O mercenário entende que nenhum de seus colegas estava se importando com o Spy invasor e decide ele mesmo ir atrás dele. Scout segue o Spy até a sala do spawn e o encontra já de faca na mão, indo dar um backstab em Anya, que estava arrumando algo no painel de avisos.

– Anya, cuidado!

Mas sua namorada não o ouviu. Ele corre até ela, mas é tarde demais. A faca estava nas costas de Anya, após o seu grito quando a garota caiu, olhando para seu namorado. O Spy puxa a faca das costas de Anya e olha para Scout, tirando sua máscara. Era Maykon.

– Tarde demais, Scout — disse Maykon — Você vai a perder... E vai me ver junto dela.

Continua...