Trilogia Badlands - O Útimo Inimigo
3 Estão atrás de nós!
Scout dá um salto da cama, nervoso e novamente com o coração disparado, e ainda acordando Anya. A garota estava sonolenta, sem entender o que estava acontecendo.
– Scout, o que houve?
O mercenário olha para sua namorada e em seguida ao seu redor. Era seu apartamento, onde continuava a ser noite e o lugar estava calmo, nem mesmo com algum som de fora do lugar.
– Scout?
Ele se acalma e olha para Anya.
– Eu... Eu...
– Outro pesadelo?
Ele entendeu que não poderia esconder isso de Anya, mesmo que ele quisesse.
– Sim — ele colocou as mãos no rosto, se jogando para os travesseiros — Só que dessa vez foi pior.
Anya o observa, enquanto seu namorado joga as mãos na cama e a olha.
– O que eu faço?
– Porque está me perguntando? É o seu pensamento. Você precisa o controlar.
– Como? Para você é fácil falar, você consegue controlar seus pensamentos.
– Eu sou metade robô, mas isso não quer dizer que eu consiga controlar meus sonhos.
Scout a observou, ainda tentando esquecer seu pesadelo. Os olhos azuis de robô olhavam para ele, diferente de tudo o que ele já havia sentido.
– Vem cá.
Ela o puxou pela barriga, o abraçando.
– Melhor?
– Um pouco, sim.
O mercenário pegou a mão de sua namorada e conseguiu voltar a dormir. E... Um dos homens dá um soco em Maykon. Ele estava amarrado a uma cadeira, já sangrando em boa parte do rosto. Um dos homens fala algo em alguma língua que ele não faz ideia de que seja.
– Eu não entendi nada — disse Maykon.
O homem soca novamente Maykon e fala novamente algo na mesma língua.
– Eu não entendo vocês — disse Maykon.
O homem o soca novamente. Maykon sente o gosto de sangue pela boca, que vinha de seu nariz, já estando com a visão um pouco distorcida e o homem fala algo novamente.
– De novo, eu não tenho a menor ideia do que você disse — disse Maykon.
O homem prepara o punho para o socar novamente, mas outro homem entra na sala, falando alguma coisa que faz os outros homens se afastarem de Maykon. Era Ivan. Ele levava uma maleta prateada e a coloca em cima da mesa, onde havia vários papéis dentro. Enquanto ele revira a maleta, Maykon observa o lugar melhor, conseguindo retomar a consciência.
– Você... Você fala a minha língua? — perguntou Maykon.
– Falo. Inglês, francês, alemão, espanhol, português, italiano, holandês e russo, que é minha língua natal.
– Russo?
Ivan pega uma foto e puxa a cadeira da mesa, a levando em frente a Maykon.
– Você é Ivan Kovaski?
– Acertou novamente.
– Eu não fiz nada para você. Porque fazer isso?
– Tem razão, você não fez nada. Mas... Uma certa amiga sua fez.
Ele mostra a foto de Anya para Maykon.
– Ela matou meu pai. Tenho certeza de que você conhece Anya Mann, porque, de acordo com meus informantes, vocês dois trabalharam juntos à um ano e eu quero que você me diga onde ela está, porque eu vou matar ela.
– Matar ela? Você é louco. Anya é minha melhor amiga, eu nunca entregaria ela. Procure outro para torturar.
– Me deixe melhorar essa ideia na sua cabeça.
Ivan tira uma chave inglesa do bolso e a bate na cara de Maykon.
– Vamos tentar novamente — Maykon recupera os sentidos e olha para Ivan — Você vai me dizer onde está sua amiga.
– Ou o que?
– Simples. Eu quebro sua cara, pedaço por pedaço e você vai sentindo como é bom ser estraçalhado, até que resolva me contar onde ela está.
– Então faça isso. Eu não entrego minha amiga por nada.
– Última chance.
Ele bate novamente em Maykon, que lhe provoca uma forte dor no nariz. Ele havia acabado de o quebrar. Estando com a respiração dificultada, ele sentia que estava prestes a morrer, até que Ivan joga a chave inglesa longe, perto de seus capangas.
– Eu não quero te matar, Maykon. Pelo contrário, você é um bom homem e eu pretendo te levar para a enfermaria quando esse interrogatório acabar. Eu realmente não preciso de você, mas precisa me dizer onde ela está Anya ou eu não terei opção, terei que torturar cada cidadão de Dustbowl. Pelo o que eu sei, ela e o time RED já vieram aqui e possivelmente algum deles pode saber onde ela está. Então? O que me diz?
Maykon olha a foto de Anya, se lembrando de tudo o que os dois amigos já haviam passado. Ele gostava dela sim, mesmo que Scout tentasse ao máximo separar os dois. Mas ele não poderia arriscar a vida dos cidadãos de Dustbowl pelo amor que ele tinha por Anya. Ele não era esse tipo de pessoa. Mas tinha algo errado. E... Scout havia recém se levantado, procurando algo na geladeira. Após acordar na madrugada por causa de seu pesadelo e fazer Anya se preocupar, ele conseguiu dormir assim que sua namorada havia o abraçado. Parecia que Maykon agora era o perigo de tudo, já que os dois pesadelos que ele tivera foram com ele matando Anya, que era improvável, mas possível na mente de Scout. Ele encontra uma garrafa de leite e quando fecha a geladeira, alguém bate na porta do apartamento.
– São recém nove da manhã — disse Scout.
O mercenário coloca a garrafa em cima do balcão, vai até a porta e a abre, revelando Sniper e Pyro.
– Ei gente — disse Scout — O que foi? São recém nove da manhã.
– Cadê a Anya? — perguntou Sniper.
– Dormindo, porque? — perguntou Scout.
– Acorda ela, por favor — disse Sniper — É uma emergência.
E... Scout e Anya entraram na sala, onde Sniper e Pyro estavam sentados no sofá. Ambos se levantam rapidamente assim que veem o casal.
– O que foi, gente? — perguntou Anya — Scout disse que era urgente.
Pyro: Anya, desculpe por ter te acordado.
– Esquece isso, pai — disse Anya — O que houve?
Sniper e Pyro se olham.
– Anya, o Maykon foi sequestrado — disse Sniper.
– O que? — perguntou Anya, surpresa — Porque?
– Não sabemos — disse Sniper — A Administradora nos contou que assim que o Maykon saiu da base uns dias atrás, alguns caras vestindo um terno preto pararam ele e o levaram para uma van. Ela viu tudo nas câmeras que estão escondidas ao redor da base.
Parecendo ter levado um tiro, Anya se senta em uma das cadeiras da mesa, sem ter nenhuma reação. Scout ainda não gostava dele, mas o sequestrar já era demais. Ele entendia Anya e ficou um pouco triste por sua namorada. O mercenário colocou a mão em seu ombro, que Anya colocou a sua mão por cima.
– Quem foi? — perguntou Scout — Quem sequestrou ele?
– Um tal de Ivan Kovaski — disse Sniper — Um novo criminoso que tomou conta de Dustbowl.
Anya parou e olhou para Sniper, sabendo do que se tratava.
– Ivan? — perguntou Anya — Não pode ser.
– Você conhece ele? — perguntou Scout.
– Sim, mas eu... Eu... Eu conheci apenas pelo nome — mentiu — Quando eu e o Maykon estávamos em Dustbowl, ouvimos... Sei lá... Acho que era o pai dele... Que ele dominava Dustbowl...
– Redmond e Blutarch sabem disso? — perguntou Scout.
– De acordo com Miss Pauling, não — disse Sniper.
Pyro ouve um som de um carro parando, se afasta da equipe e vai para a janela, vendo que uma van pára em frente ao prédio e vários homens de terno saem do veículo.
Pyro: Hã... Gente?
A equipe pára ao ouvir Pyro.
– Pai, o que foi? — perguntou Anya.
Pyro: Temos companhia.
Pyro se afasta, deixando a equipe ir até a janela e olhar quem havia chegado. Um dos homens de terno abre as portas de trás da van, tirando várias maletas, as abrindo e tirando várias armas que a equipe nem conhecia... Talvez Engineer conhecesse.
– São os homens do Ivan — disse Sniper.
– Estão atrás de mim — disse Anya.
– O que? — perguntou Scout — Porque?
– Longa história — disse Anya — Sniper, como vocês vieram?
– Na van do RED — disse Sniper.
– Anya, porque você acha que eles estão atrás de você? — perguntou Scout.
– Eu não acho, tenho certeza — disse Anya — Peguem as armas e vamos voltar para Pipeline, rápido.
Scout agarrou os ombros de Anya.
– Anya! — disse Scout — Porque você acha que eles estão atrás de você?
– Scout, eu prometo contar tudo, mas se não quiser morrer fora da base, eu sugiro que me ouça — disse Anya.
Ele suspirou e olhou para a janela, mostrando que os homens haviam pegado as armas e já estavam indo na direção do apartamento. E... Alguém vai chutando a porta da frente. Após dar mais uns chutes, a porta cai no chão, revelando os homens de terno.
– Revirem todo o lugar, procurem até em baixo da cama se precisarem — disse um dos homens — Encontrem a garota e quem mais estiver aqui.
Anya estava em baixo da mesa com Pyro e observou os homens entrarem na sala de estar. Ela puxa o seu rifle para mais perto, já que ele estava quase a mostra dos homens e Pyro a puxa mais para trás quando percebe que um dos homens havia parado em sua frente. O homem observa o lugar, observando as caixas que haviam na sala, que estavam com uma escrita de caneta preta, escrito: “Itens promocionais”. A mesa era pequena e os dois iriam aparecer uma hora ou outra. O homem tira os óculos escuros, coloca dentro do terno e puxa uma das cadeiras, fazendo que Pyro se encolhesse mais.
– Marco, encontrou algo? — perguntou o homem.
– Nada ainda, o lugar está vazio — gritou Marco, de outro lugar da casa — Se eles saíram, faz pouco tempo.
– É claro que eles não saíram, idiotas. Eles fugiram e não devem estar muito longe!
– Quer ir descer as escadas e tentar os encontrar?
– Um de vocês fica aqui. Os outros me sigam!
Alguns homens saíram e o que estava em frente a mesa continuou, para a infelicidade de Anya e Pyro. Anya avistou Scout e Sniper saírem do armário, sorrateiramente, enquanto o homem se virou para a janela e ainda não havia percebido a dupla em baixo da mesa. Anya agarra o rifle e vai saindo da mesa, devagar, até que Pyro a segura pelo braço, mexendo com a cabeça negativamente, para que ela não fosse. Ele a soltou e Anya se levanta, apontando o rifle para a cabeça do homem, que do nada se vira, observando a garota e o rifle . Ela atira e o homem cai no chão e o mesmo tempo, os outros homens, que estavam na escada do apartamento, ouvem um som de tiro e param.
– Ouviram isso?
– Isso foi um tiro.
– Eu sabia que eles ainda não tinham ido.
– Rápido!
Os homens começam a subir as escadas novamente, enquanto a equipe sai correndo do apartamento.
– Rápido, pela outra escada! — disse Scout.
Scout correu para o outro lado com a equipe os seguindo e os outros homem chegam ao apartamento, vendo o seu colega morto no chão.
– Maldição!
– Eles não podem ter ido longe.
– Eles não pegaram o elevador.
– Esse lugar tem outra escada?
Um deles olha para o outro lado do corredor.
– Eu acho que tem.
Eles começam a correr para o outro lado, enquanto a equipe desce, correndo, as escadas. Ao chegar no saguão de entrada, eles correm para o estacionamento, vendo a van do RED, cheia de marcas de balas, queimaduras, algumas agulhas presas, parecia que granadas, foguetes e stickybombs haviam explodido ali e pintada metade vermelha metade branca. Enquanto eles vão correndo, Sniper vai tirando a chave da van do bolso e os homens acabam tropeçando, caindo todos juntos no chão do saguão. A equipe chega a van, Sniper coloca a chave na ignição dá a partida, bem na hora que os homens saem do saguão e veem a equipe fugindo pelo portão.
– Eles estão fugindo!
– Rápido, para a van!
Os homens vão correndo para fora das cercas do apartamento, enquanto a van do RED já estava na estrada em direção a Pipeline.
Pyro: Essa foi por pouco!
– Eu acho que eles vão nos seguir! — disse Sniper.
– Isso é certo — disse Anya — Todos estão bem?
– Ok Anya, agora você precisa dizer porque acha que os homens desse tal de Ivan estão atrás de você — disse Scout.
– Ano passado, eu fui encarregada de matar um chefe do crime em Dustbowl, que estava fazendo papel de ditador na cidade — disse Anya — Eu invadi a base dele, o matei e descobri que ele era Stefan Kovaski.
– Deixa eu adivinhar... Era o pai do Ivan? — perguntou Sniper, olhando para a estrada.
– Exato — disse Anya.
– Eu não acredito nisso, Anya! — disse Scout — Você mentiu para nós?
– Isso não foi nada demais — disse Anya — Quer que eu diga quantas vezes você mentiu para mim esse ano?
Scout suspirou, se ajeitando na cadeira do carona, enquanto Sniper observava Anya e Pyro, pelo espelho retrovisor, se sentarem nos bancos de trás.
– Anya, sem querer ofender — disse Sniper, sem tirar os olhos da estrada — Mas acho que omitir fatos importantes, como esses, que inclui você ter matado um chefe do crime e que agora, o filho dele está atrás de nós, e só Deus sabe porque é muito mais importante do que o Scout te esconder uns sonhos que ele teve.
Scout se levanta rapidamente, animado.
– Isso! Adorei! Obrigado, Sniper! — disse Scout — E você ainda leu minha mente!
– Eu não tinha culpa que você não me falava — disse Anya — E não eram apenas esses sonhos, quantas vezes você mentiu para mim sobre a sua mãe estar no apartamento?
– Ah não! — disse Scout — Não coloca minha mãe nisso!
Pyro abre uma das janelas, olhando que a van dos homens já estava os seguindo.
Pyro: Hã... Sniper?
– Fale, companheiro — disse Sniper, olhando para a estrada.
Pyro: Eles chegaram.
Sniper olha o espelhinho ao lado da van, percebendo a van dos homens de Ivan.
– Legal, temos companhia — disse Sniper, tentando olhar para o espelho e dirigir — Anya, Pyro... Agora é com vocês.
– Abre o teto solar, pai — disse Anya.
Pyro olha para o teto, desliza a portinhola para o lado, dando espaço para que um deles ficasse ali e atirasse.
– Eu atiro, você fica ai em baixo e me dá munição — disse Anya.
Pyro: Entendi.
Anya puxou o rifle de baixo do banco, colocou para fora da van e mirou na van dos homens de Ivan. Sniper pisou no acelerador enquanto Anya começou a atirar no motorista da van, que conseguia desviar.
– Estão atirando em nós!
– É a garota que estamos atrás!
– As armas estão no banco de trás, peguem elas e comecem a atirar! Mas não matem ela, Ivan quer ela viva!
Alguns dos homens pegaram as armas, abriram as janelas e ficaram atirando em Anya, também algumas vezes tentando acertar Sniper.
– Eles estão atirando na gente agora! — gritou Anya, mirando.
– Eu percebi! — disse Sniper, olhando para a estrada.
Sniper começa a manobrar a van para que os homens de Ivan não conseguissem acertar Anya, mas não dá muito certo. A garota deixa cair o rifle para dentro da van, quando um dos homens acerta um tiro no braço dela.
– Maldição! — disse Anya.
Pyro agarra o rifle no ar, assim que percebe que algo havia caído.
Pyro: Ela foi baleada.
– Anya, desça agora! — disse Scout.
– Não vou não! — disse Anya.
Ela puxa o rifle das mãos de Pyro e mesmo com dificuldade de mira, ela consegue acertar o motorista da van dos homens.
– Na mosca! — disse Anya.
A van dos homens perde o controle sem o seu motorista e acaba saindo da estrada, indo parar no deserto, enquanto Anya desce do teto solar e joga o rifle para baixo do banco, apertando o ombro com sangue escorrendo. Scout olha para trás, vendo que sua namorada estava sangrando.
– Ela herdou minha habilidade com o rifle! — disse Sniper, orgulhoso — Que orgulho! Mesmo com o braço machucado, ela continuou a atirar!
– Você não está ajudando, Sniper! — disse Scout.
O mercenário resmungou algo e voltou a olhar para estrada.
– Meu Deus, Anya — disse Scout — Você poderia ter se matado!
– Eu estou viva, não estou? — perguntou Anya. Ela solta um fraco grito quando Pyro abre o lugar do tiro — Calma ai, pai.
Pyro: Estou tentando ver como está! Fique quieta!
– Tem um kit de cura em baixo de um dos bancos — disse Sniper, olhando para a estrada — Medic deixa em cada van, caso haja um tiroteio e alguém saia machucado. Só coloque um curativo até chegarmos em Pipeline e Medic dá um jeito nisso.
Pyro olha por baixo de cada banco, encontrando uma caixa pequena, a abre, tira algumas ataduras e esparadrapos e depois enrolou no ombro de Anya.
Continua...
Fale com o autor