Trilogia Aventuras 02: AFA - A Nova Aventura
10 Epílogo
Notas iniciais
— EPÍLOGO —
Luiz aterrissou sobre um carpete grosso e velho, dentro de uma sala pequena cheia de moveis antigos e desgastados. Sua transformação demoníaca havia regredido, de modo que agora ele estava com aparência humana outra vez, mas suas roupas estavam rasgadas e cheias de manchas de sangue por toda parte. Confuso com o local estranho onde estava, Luiz olhava ao redor, pensando na hipótese de que estivesse morto, até que uma voz masculina distorcida, que ele reconhecia bem, lhe chamou:
— Luiz, então o seu verdadeiro objetivo hoje era buscar vingança contra os que feriram o seu ego inflamado no passado, não é?
O jovem vilão se virou e encarou um cachorro da raça rottweiler que se aproximou dele com olhos emanando um brilho cor de fogo.
— Você... você me resgatou?
— Sim! — respondeu o comparsa misterioso, sua voz saindo telepaticamente do animal. — Eu estive observando-o silenciosamente enquanto você encarava seus inimigos e revelava seu patético plano de vingança que tramara esse tempo todo escondido de mim. Sorte a sua eu tê-lo resgatado nos últimos instantes, mas por causa de sua imprudência, agora seus inimigos sabem que você está vivo e que ainda é uma ameaça.
— Se esteve todo esse maldito tempo me observando, então por que raios não me ajudou?! Poderíamos ter vencido juntos aqueles vermes patéticos! — Luiz se levantou do chão e caminhou até o animal com sua cara vermelha de puro ódio.
— Baixe seu tom de voz comigo, seu tolo! Alguém que subestima seus inimigos e ainda deixa o seu ego e o seu poder falarem mais alto diante de uma batalha, para mim não passa de uma criança irresponsável e mimada. Você nem ao menos se deu conta dos tipos de mudança que se abateram sobre sua magia... Você nem mesmo conhece a si mesmo!
Luiz continuou a se estressar ainda mais com a repreensão.
— Você fala da minha irresponsabilidade, mas não olha para si mesmo, não é? Como posso confiar e contar todos os meus planos e ideias para alguém que se esconde atrás de animais e manda um adolescente fazer seu trabalho sujo por ele? Estou farto desses seus joguinhos misteriosos! Nem mesmo eu, que sou seu aliado, te conheço; mas parece que seus inimigos o conhecem muito bem, como aquela vaca magricela de cabelos loiros que apareceu e ajudou aquele bando de idiotas a me vencer!
O cachorro caminhou até uma porta metálica larga e depois olhou para Luiz.
— Talvez você esteja certo em alguns detalhes. Você se mostrou um aliado confiável durante esse tempo em que trabalhamos juntos. Acho que já está na hora de eu revelar-lhe minha identidade. — Ele cruzou a porta, mas Luiz permaneceu parado. — Acompanhe-me! Ah, e seja bem vindo a uma das minhas muitas residências secretas dentro de Sobral.
Luiz se acalmou e seguiu o comparsa. Ele entrou num gigantesco salão oval com grandes quadros nas paredes e um grande caixão posicionado no centro, dentro de um hexagrama decorado com palavras numa linguagem irreconhecível.
— De quem é essa armadura fodona? — perguntou Luiz, admirando a grande armadura negra dentro do caixão.
— Era minha. Eu a utilizei muitas eras passadas, quando perdi meu corpo e tomei uma forma semi espiritual. — O cachorro se aproximou de um grande quadro e convidou Luiz a se aproximar.
— Esse quadro... eu conheço essa história — revelou Luiz com admiração.
— Sim, você conhece. Mas ela não é uma mera história contada em livros. Ela é real! E eu sou o principal nome que causou medo àqueles povos nos tempos antigos.
— Opa! — Luiz gargalhou. — Está me dizendo que você é... Não, não pode ser! Isso é piada, não é?
— Não, não é. Tudo aquilo, ou pelo menos parte do que foi contado nos livros, é verdadeiro. O autor dessa narrativa foi utilizado sem que soubesse, por forças superiores para contar essas histórias antigas e esquecidas, pois o Inimigo que ameaçou todos os povos daquele tempo, ameaçava reencarnar numa forma humana na atualidade, e se fazia necessário advertir os humanos do que estava por vir; mas infelizmente a narrativa não foi levada a sério, vista apenas como mais uma grande obra dentro da Literatura.
— Forma humana? Então, você já teve um corpo humano atualmente?
— Sim, o corpo em que reencarnei, mas ele foi destruído há três anos. Meu nome sempre foi muito temido no passado e eu era uma figura ardilosa e sagaz em meus planos, mas quando reencarnei, herdei muitos defeitos humanos e perdi parte de minhas memórias originais, além de que meus poderes não são tão grandiosos como antigamente. Por causa desses fatores, minha imprudência e desconhecimento das coisas levaram-me ao fracasso, exatamente como o que acontecerá com você, se não tomar cuidado.
A figura misteriosa se calou quando Luiz começou a caminhar pela sala, olhando os demais quadros nas paredes, um a um, pensativo; então o rapaz parou novamente diante da armadura e a observou mais uma vez.
— Muito bem — falou Luiz, olhando para o rottweiler —, conte-me sua história, desde os tempos antigos, até o corpo em que esteve hospedado três anos atrás, depois fale-me sobre as mudanças que minha magia sofreu, pois nem eu entendo que transformação e elevação de poderes foram aqueles que surgiram de forma tão repentina. Quero saber tudo o que for preciso, antes de seguirmos adiante com nossos planos futuros.
O animal se aproximou um pouco de Luiz e depois se sentou no chão, seu olhar ainda vislumbrando novamente a imagem do grande quadro que mostrara ao rapaz momentos antes: uma terra negra, devastada pela ação de criaturas horrendas que caminhavam com suas armaduras escuras e espadas em mãos em direção ao campo de batalha; atrás desses demônios, uma grande torre se erguia, apontando para o céu obscurecido pela fumaça tóxica que vinha das forjas daqueles seres abissais; e no alto da grande torre, um grande olho de fogo observava tudo atentamente, paciente e inexpressivo.
— Vejamos... eu sempre fui conhecido por vários nomes nos tempos antigos; alguns chamavam-me de Gorthaur, outros me conheciam como A Grande Sombra, mas um dos nomes que tive que mais marcou o terror dos povos antigos era...
O passado do comparsa misterioso começa a ser revelado...
O que há reservado para o futuro?
FIM!
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