Trilhando Feridas

1 Capítulo Unico


TRILHANDO FERIDAS

Olhou para a chupeta cinzenta que carregava, aquela não deveria ser a sua. Irritou-se. Por que deixara Colonnello tomar o lugar dela? Sentiu as lágrimas escorrem por seu rosto. Odiava Colonnello.

Apertou forte a chupeta. “Eu deveria estar com a azul”. Ainda se lembrava vivamente como Colonnello a seguira, tomara seu lugar na maldição dos Arcobalenos e passara a ser o portador da chupeta da chuva. Seu antigo pupílo, seu atrevido e desobediente pupílo. Mas era inegável que ele era bastante forte e letal.

- Ele não deveria ter feito aquilo...

Ele havia seguido o grupo dos escolhidos. Ela sabia porque ele estava lá mesmo que não quisesse acreditar nas motivações dele. Mas ele nunca disse realmente que a amava. Ela nunca dera espaço para isso. Mas ele estava lá para protegê-la, ampará-la, impedi-la de sofrer. Mesmo que para isso tivesse que abrir mão de sua evolução.

Quando percebeu que ele a seguia, mandou-o embora.

- O que você faz aqui? – odiava como Colonnello era desobediente e cabeça dura, mas isso ela também era.

- Queria saber o que estava fazendo, kora. –disse ele, como se seguir os outros fosse a coisa mais corriqueira do mundo.

- E desde quando eu lhe devo satisfação? – gritou, enfurecida.

Colonnello não respondeu, apenas a encarou profundamente. Passou a mão pelos cabelos loiros bagunçadose então desviou o olhar.

- Você quer que eu vá embora? – perguntou em tom decepcionado.

-Mas é claro! Não era para você estar aqui. – realmente estava enfurecida.

- Mas quem são essas pessoas? Eu não as conheço, kora. –disse, espiando por cima do ombro de Lal.

- O quê? – quem Colonnello pensava que era? Agora queria regular com quem ela andava. – Saia daqui!!!

Mesmo mandando-o embora, ele ainda seguiu o grupo e no momento oportuno tomara seu lugar. Lal nunca soube se Colonnello sabia o futuro que estava abraçando quando tomou seu lugar como amaldiçoado.

- Você será sempre um bebê. – disse, quando o olhou tristemente, após a maldição.

- Mas você também é, kora. – disse ele, estudando-a curiosamente. – Mas você poderá crescer de novo. – disse, feliz.

Agora estava morto, ela não pode protegê-lo. Ele estava morto unicamente porque tomara o lugar dela.

- Eu é quem deveria estar morta. – disse, olhando para o chão.

Mas não tinha muito o que fazer, ela era só uma arcobaleno incompleta. Fraca, sem poderes suficientes para proteger a si mesmo. Como protegeria seu antigo aluno?

- Por que você deixou ele te matar? – gritou alucinada, batendo as mãos violentamente no chão, como se esperasse que Colonnello pudesse responde-la.

Lembrou-se de 10 anos atrás. Quando reencontrara Colonello, quando ela ainda tinha a forma de um bebê.

- Essa sua ingenuidade vai te matar. – disse, de forma autoritária.

- Não importa o que aconteça, eu sempre vou viver. – respondeu o militar de forma suave. – Se não alguém vai ficar brava, kora.

- Quem vai ficar brava? Se manca! – disse, corando violentamente.

Estava deitada no chão do quarto, coberta de lágrimas. Esmurrava o chão desconsolada.

- Ele prometeu que iria viver! – gritou, desvairadamente. Como ele perdera aquela luta? Ela o treinara. Conhecia suas habilidades, mas também conhecia sua ingenuidade. Ingenuidade que o mataria.

Colonnello nunca levara as coisas a sério, nem mesmo suas batalhas. Não sabia como ele havia morrido, mas sabia que fora pelas mãos de Ginger Bread. O mágico. Ela teria sua vingança. Mas como o faria? Ela estava morrendo. O non-trinissete a afetava menos do que um arcobaleno completo, mas mesmo assim ela estava morrendo. Quanto tempo seu corpo aguentaria, ela não sabia. Nem mesmo se ela teria forças suficientes para enfrentar o mágico, mas ela teria sua vingança. Vingaria a morte de Colonnello.

Encolheu-se no gelado do chão de seu solitário quarto. Não conseguia lembrar-se exatamente quando fora a última vez que vira Colonnello. Sentia falta dele. Da sua coragem, força e ingenuidade. De como sempre havia um sorriso para ela, mesmo quando estava furiosa gritando com ele.

Apertou a chupeta contra o peito. Tentou controlar as lágrimas e voltar à sua sanidade. Ela era uma mulher do exército, treinada para ser forte e autoritária. Ele estava morto e agora não era hora para ser fraca e indefesa, ter pena de si mesma. Ela nunca fora assim, não seria agora, que as coisas estavam muito piores.

Sentou-se no chão, ajeitou os cabelos azulados e olhou mais uma vez para sua chupeta. Era uma arcobaleno afinal, mesmo que incompleta. Secou as últimas lágrimas e pensou em Colonnello.Talvez morrer não fosse tão ruim, poderia finalmenterevê-lo. Ele provavelmente viria buscá-la, era tão intrometido que se meteria até em sua morte.Sorriu. Não odiava Colonnello, afinal.

Levantou-se e foi até a cozinha, fazia muito tempo que ela não se alimentava. Kyoko e Haru haviam deixado um prato pronto para ela, como faziam todos os dias. Mas Lal passou pela mesa e foi até a fruteira próxima à pia. Olhou-a demoradamente, e escolheu uma maçã bem vermelha. Voltou à mesa e colocou a fruta à sua frente. Puxou o prato que as meninas haviam feito e começou a fazer a refeição.

- Bom apetite, Colonnello. – disse encarando a maçã. Voltou os olhos para seu prato...

- Kora.

Controlou a vontade de levantar os olhos e ver se ele estava lá. Não era tão crédula assim, ouvira a voz apenas em sua própria cabeça. Sorriu discretamente, Colonnello era um intrometido, com certeza estava ali.

Notas finais
* os koras do Colonnello são irritantes!
* admito que não sou muito fã do casal, mas a ideia me veio assim, num estalo e eu tive que escrever.
* agradeço à minha amiga, Muguerça Burton, pela ideia do parágrafo final.
* por favor deixem reviews, eu adoro escrever sobre KHR, e gostaria de saber a opinião de vocês.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!