Trilha Sonora

17 Capítulo 16 - Versace on the floor


Notas iniciais
SURPRESAA!! Não, isso não é um engano. Não, isso não é um aviso de que abandonei a fic disfarçado de um lembrete de que um novo capítulo foi postado. Isso é, de fato, um NOVO CAPÍTULO! E eu sei o quanto vocês esperaram por ele. Ok, esse capítulo foi escrito e reescrito diversas vezes. Ainda sim, não sei se ficou do jeito que eu gostaria. Mas eu não podia adiar esse momento mais ainda. Eu li cada comentário de vocês e eles me inspiraram e me motivaram. Obrigada por isso, seus lindos! E aqui está. O capítulo, com o momento que vocês sempre quiseram e esperaram. Espero e gostem <3

O caminho até a casa de Harry foi uma tortura.

A minha respiração estava irregular e notei que a dele ainda estava ofegante quando finalmente estacionamos na sua garagem. Ele encarou o console do carro e se livrou do cinto de segurança sem pressa alguma, enquanto eu fazia o mesmo com o meu.

-Chegamos. -Anunciou, embora não fosse necessário.

-Chegamos. -Repeti, e ele me olhou.

Em outros tempos, o nervosismos talvez comandasse minhas ações e até mesmo repreenderia alguns desejos. Mas era Harry ao meu lado. O que estava prestes a acontecer já dominava meus pensamentos e alguns sonhos já havia anos. A expectativa, ou melhor, a agonia que eu sentia sim poderia ser um problema, mas quando ele segurou minha mão, fazendo um carinho no dorso, não dei mais ouvidos a nada. Todos os meus pensamentos foram varridos para um quarto e silenciados, porque tudo o que consegui focar, a partir dali, foi no toque dele na minha pele.

E, por vezes, na ausência dele também, como quando tivemos que nos separar ao descer do carro.

A casa estava silenciosa e completamente escura quando entramos. James e Lily já estavam provavelmente dormindo, então nos esforçamos para não fazer muito barulho. Mas naquela hora da noite o trânsito estava muito tranquilo, então chegamos bem rápido até ali, de modo que a adrenalina dos nossos beijos no carro ainda estava viva em nossas veias. Claro que não conseguimos ficar afastados por muito tempo.

Assim que adentramos pela porta da cozinha, Harry me puxou para um outro beijo. Pareceu natural, na verdade. Suas roupas ainda estavam úmidas, mas sua mão na minha cintura, costas e cabelo faziam um caminho quente em minha pele.

-Harry… -Suspirei, quando seus beijos desceram pelo meu pescoço ao mesmo tempo em que ele me fazia andar de costas na direção da sala, onde se encontravam as escadas que nos levaria ao corredor de acesso ao seu quarto.

Nossas respirações e suspiros pareciam altos demais no meio da madrugada silenciosa. Ele pareceu notar aquilo.

-Não acorde a casa inteira, Sapinha. -Brincou, me fazendo rir.

-Ouch! Se você não nos matar antes. -Respondi, assim que suas mãos pararam sem cerimônia em minha bunda e me ergueram em seu colo, minhas pernas abraçando seu tronco automaticamente enquanto ele subia as escadas com a cabeça ainda enterrada em meu pescoço.

Como ele subiu todos os degraus sem nos derrubar, nenhum de nós saberia dizer. A atenção de Harry não se desviou da mim em nenhum momento, e eu estava muito distraída com suas carícias e com o desejo que irradiava do centro do meu ser por todo o meu corpo para pensar em qualquer outra coisa que não fosse ele.

Pude sentir, no entanto, quando paramos de andar; quando seus beijos acelerados se tornaram mais cálidos e quando minhas costas enfim encontraram uma parede maciça para se apoiar. Isso deu mais liberdade para as mãos de Harry, já que uma saiu de meu traseiro para puxar o restante da minha blusa de dentro da minha saia jeans. Sua mão, que voltou a se esgueirar por baixo do tecido, não subiu diretamente para onde eu almejava que ela fosse novamente. Ela ficou brincando em cima das minhas costelas, me causando arrepios.

Harry se afastou um pouco de mim e me encarou sério, seus olhos selvagens, os óculos tortos, os cabelos bagunçados, completamente perfeito. Foi quando percebi onde estávamos e sorri, um pouco de alívio.

-O que foi, Sapinha? -Quis saber ele, curioso com o meu riso. Sua voz rouca e um tanto ofegante seria a minha perdição. -No que tá pensando?

-Que ainda bem que entramos no quarto certo. -Falei, arrancando um riso dele em resposta. A forma como seu corpo tremeu entrelaçado ao meu foi completamente deliciosa.

-Tenho que admitir que conseguir chegar até aqui foi o maior desafio da minha vida. E a culpa é sua, claro.

-Minha? Por que só minha? -Perguntei, enquanto eu voltava a firmar meus pés no chão e nos afastávamos do que descobri não ser uma parede, mas sim sua porta onde ele havia me impressado. Harry a trancou e ligou seu abaju bem ao lado, de modo que o quarto antes escuro ficou com uma luz totalmente agradável.

Acompanhei seus pequenos passos de perto, porque ele entrelaçou nossos dedos, como se recusasse a se afastar de mim.

-Porque você tem habitado meus sonhos nos últimos dias. -Respondeu ele, e agradeci pela pouca iluminação, porque embora fôssemos próximos, senti minhas bochechas esquentarem e de repente tive bastante consciência de onde estávamos e do que estava prestes a acontecer.

Eu não estava nervosa, mas, novamente, uma espécie de ansiedade começou a se apoderar de mim. Quanto tempo desejei por aquilo?

-É mesmo?

-Ok. Talvez há um pouco mais de tempo. -Revelou ele, e levantei as sobrancelhas, sorrindo encantada com sua resposta.

-Harry… Com a irmânzinha do seu melhor amigo? Um dos pecados mais graves, eu diria.

-Então eu tenho uma passagem reservada direto para o inferno. Tem ideia de quantas vezes eu quis atravessar a tela do celular, Gin? -Indagou ele, ainda sorrindo, mas havia seriedade nas suas palavras. Seus olhos passeavam pelos meus lábios, minhas íris, por todo o meu rosto.

-Sim, eu tenho. -Respondi, soltando suas mãos e me aproximando mais de seu corpo quente. A pergunta muda soltava de seus olhos enquanto eu, delicadamente, retirava seus óculos e os largava na mesinha ao lado, sem me desviar de seu olhar. -Porque eu quis o mesmo também. Muito.

Seus dedos contornaram meus lábios, como se quisesse gravar o formato deles. Ele parecia estar hipnotizado com algum detalhe do meu rosto do mesmo modo que eu admirava seus olhos incrivelmente verdes tão de perto.

-Eu imaginei isso, esse momento, muitas vezes, de diversas formas, Gin. -Disse Harry, seus dedos agora brincando com a gola molhada da minha camisa.

-Então porque não me mostra?

Ele sorriu enviesado com a minha pergunta atrevida e sua boca encontrou a minha novamente, como se não aguentasse ficar longe muito tempo. Seus beijo foi lento, no entanto, porque sabiamos que a noite seria longa e que, diferente de outros momentos, não seriamos interrompidos. Também não havia motivo para ter pressa, embora eu estivesse muito ansiosa para sentir seu toque em certos lugares.

Quando o ar faltou, Harry desceu com beijos quentes por meu pescoço, e suas mãos em minha cintura levantaram lentamente minha blusa. Tivemos que nos afastar para que eu pudesse me livrar finalmente daquela peça. Ela ainda estava úmida pela chuva que haviamos pegado, de modo que sua mão quente na minha pele gelada me fez suspirar.

Desejando sentir mais da pele dele, não demorei para me livrar de sua blusa também e o contato que aquilo causou pareceu acelerar mais o ritmo que tudo estava indo. Seus beijos ficaram mais urgentes e não segurei o desejo de chupar um pouco mais forte a curva de seu pescoço.

Não havia hesitação, porque não tínhamos dúvida do que queríamos. Não havia vergonha, não só por sermos adultos, mas porque, depois de todas as nossas conversas, beijos e amassos, o sexo parecia um caminho natural entre nós. A única dúvida que pairava na minha mente era sobre o futuro, porque eu definitivamente não queria que aquilo terminasse. Esse pensamento viria depois e talvez se tornasse mais forte. Mas naquele momento, ele não era obstáculo para nada.

Embora nossos corações batessem acelerados e nossas respirações ofegantes preenchessem o quarto, Harry fez questão de apreciar lentamente cada pedacinho de mim. Foi uma tortura deliciosa vê-lo tirar minha saia e meias e beijar o caminho que o tecido fez até o chão. Foi uma tortura ainda maior quando, logo depois, sua mão quente fez o caminho inverso pelo meu corpo e brincou com o tecido da minha calcinha. Suspirei seu nome quando uma leve mordida em minha coxa me obrigou a segurar em seus ombros para não cair.

Senti o sorrisinho presunçoso se formar em seus lábios enquanto sua boca passava por meu umbigo em direção ao meu busto, definitivamente apreciando os efeitos que ele estava me causando. Depois, foi minha vez de sorrir vitoriosa quando meus dedos se livraram do seu cinto, abriram sua calça jeans e o empurrei até que ele caísse, um pouco surpreso, sentado em sua cama para que eu pudesse puxar a peça e nos livrar definitivamente daquela barreira.

-Sou todo seu, Sapinha. -Brincou ele, enquanto me olhava sedento.

-Cala a boca. -Respondi, sem muita paciência para provocações, não quando eu finalmente estava prestes a me livrar da agonia que tomara meu corpo todas as vezes que ele me provocova através de suas mensagens.

-Ok, entendi. Então, você gosta de palavras sujas também? -quis saber ele, levantando as sobrancelhas quando eu me juntei a ele no meio do colchão e deixei escapar um palavrão, meu corpo em cima do seu.

-Gosto de fazer o que eu quero. -Respondi, marcando o fim da conversa, porque sua resposta foi agarrar meus quadris e apertar meu bumbum quando me movi propositalmente em seu colo.

Foi fácil descobrir do que o outro gostava. Talvez porque já havíamos tido algumas conversas em que os dois falaram e revelaram demais. Ou simplesmente fosse porque estávamos muito sedentos para explorar o corpo um do outro, sobretudo quando nos livramos das últimas peças de roupa que nos separavam. Seus dedos se mostraram, mais uma vez, habilidosos, sua língua se provou ser exigente e seus dentes me faziam vibrar por dentro todas as vezes em que arranhavam de leve a pele sensível dos meus seios.

Foi um desafio, porém, não fazer muito barulho, principalmente quando nossas atenções ficaram concentradas em pontos específicos de nossos corpos, sentindo na boca o gosto um do outro. Harry me fez chegar no ápice primeiro, sem, contudo, ter se unido a mim ainda. Aquilo não me satisfez, porque eu ainda queria senti-lo o mais perto possível que poderíamos ficar.

Meus dedos trêmulos o ajudaram a vestir o preservativo e quando ele finalmente se uniu a mim da forma mais primitiva que existe, gememos em uníssono, sorrindo quase que de alívio.

Os primeiros movimentos foram lentos, lânguidos, nossos corpos se adaptando um ao outro. Depois, a necessidade e desejo governou nosso ritmo. Não pude distinguir com exatidão as frases que Harry sussurrava em meu ouvido, mas atendíamos de pronto os pedidos de mais e os elogios que escapavam em meio a gemidos toda vez que uma posição formava o encaixe ainda mais perfeito entre a gente.

Nossa primeira vez não foi exatamente carinhosa. O desejo acumulado não permitiu que fosse, e eu tampouco queria isso. Seu toque era firme na curva do meu quadril e na minha coxa enquanto ele comandava o ritmo. As estocadas começavam lentas até atingirem um ritmo frenético. Me levavam para o céu toda vez que eu pedia mais forte ou mais fundo, e ele sempre atendia, sempre se superava. Quando me virei de costas para ele, num pedido mudo, ele atendeu sem hesitar, como se fosse um filhotinho obedecendo seu dono.

Sua mão puxou meu cabelo, me fazendo ter certeza de que, assim como eu, ele já havia imaginado aquele momento entre nós, exatamente naquela posição. A cada toque mais firme de sua mão que me fazia tremer e intensificar meus movimentos, vinha um beijo cálido e gentil na minha pele. Era o equilíbrio perfeito, embora eu não estivesse muito para gentilezas naquela primeira hora.

Gozamos juntos enquanto Harry sussurrava meu nome junto a palavras deliciosamente sujas em meu ouvido, as estocadas mais curtas porém profundas de um jeito que mudaria toda a minha vida. E embora fosse a segunda vez que ele me fazia atingir o ápice naquela noite, meu corpo pareceu levar horas para parar de tremer, como se eu estivesse finalmente libertando todo o desejo que eu reprimi durante todos aqueles anos.

Foram apenas alguns minutos para que nos recuperassemos daquela primeira rodada. Harry me aconchegou em seu peito, nossas pernas entrelaçadas. Não me importei com o quão despudoradamente meu prazer escorria por minhas pernas, e ele tampouco. Sorri enquanto ele tirava alguns fios do meu cabelo grudados na minha testa por conta do suor. O movimento atraiu a atenção de seus olhos, fazendo com que sua boca capturasse a minha num beijo quase inocente se não fosse pela nossa conveniente falta de roupa.

Ele se virou de frente para mim, puxando delicadamente minha coxa para se encaixar em seu quadril. Eu já queria mais e me surpreendi com o quão rápido Harry poderia se recuperar.

Aquela segunda vez, ao contrário da primeira, foi lenta e recheada de carinhos. Ele deixou com que eu comandasse o ritmo delicioso daquela dança e pude prestar mais atenção nas suas feições de prazer enquanto encarava os movimentos dos meus seios e em como ele mordia o lábio enquanto segurava firme o cabelo em minha nuca. Aquele pequeno movimento só fazia com que eu afundasse mais meus joelhos no colchão, numa tentativa de acolhe-lo por inteiro. Seus dedos apertavam minha bunda e escorrevagam para meu ponto mais sensível para brincar com aquele pequeno botão molhado. Suas expressões me tiravam o fôlego; eu me sentia a mulher mais promíscua da face da terra e amei a sensação. Incapaz de ficar longe do gosto dele, me inclinei novamente na direção da sua boca, para que eu mesma pudesse morder seu lábio inferior.

Depois deixei com que ele conduzisse o ritmo, mas ele não parecia ter muita pressa, como se quisesse prolongar aquilo o máximo que conseguisse, ou simplesmente desejasse me torturar. Gozamos mais uma vez naquela noite, de modo que, quando finalmente caímos esgotados em meio aos lençóis, voltar para casa nem passou pela minha cabeça. Nos desgrudar não era uma opção, não quando havia a possibilidade de acordar depois e repetir a dose.

-Não sei se vou conseguir me desgrudar de você, Sapinha. -Sussurrou ele, acariciando minha bochecha. Estavamos deitados de frente um para o outro, ainda nus. Roupas nunca foram tão desnecessárias. Lá fora, a madrugada já estava alta, mas tudo o que importava era o que estava acontecendo dentro daquele quarto.

-Então não faça isso. -Respondi, sentindo minha palpebra já pesada ao receber aquele carinho que parecia inocente demais considerando onde seus dedos estavam minutos antes.

Minha perna ainda descansava em seu quadril e eu não achava que conseguria move-la dali tão cedo.

Ele sorriu e me deu um beijo no nariz e outro nos lábios, antes de me puxar contra seu peito e cair no sono.

No outro dia, minha mente despertou, mas demorei a abrir os olhos, temendo que toda a noite anterior não tivesse passado de um sonho. Mas as dores musculares que eu sentia, parte por conta das horas em pé em razão do show, e outras por outras razões muito mais deliciosas, me fizeram lembrar que tudo fora real.

As cócegas em meu ombro me deram a certeza para encarar a realidade que, pela primeira vez, era infinitamente melhor que os sonhos que povoaram minha cabeça nos últimos meses. Gemi em protesto, mas não era exatamente uma reclamação. O carinho era gostoso demais, excitante demais, e eu estava tão perfeitamente aconchegada na cama, com uma presença quente em minhas costas que me abraçava pela barriga, que demorou para que eu vencesse a batalha contra minhas pálpebras e abrisse meus olhos.

-Desculpa acordar você, Sapinha — A voz de Harry estava mais rouca do que o normal, típico de quem acabara de passar muitas horas sem falar.

-Hummm…. Você por acaso não dormiu? -Perguntei, meio manhosa, ainda apreciando suas carícias em meu ombro nu. Seu corpo todo acordou quando eu me movi para ficar de costas na cama e poder encará-lo.

Ele estava sem óculos, os cabelos ainda mais desgrenhados. Completamente perfeito.

-Como uma pedra. Mas dormir me parece um desperdício de tempo com você aqui. -Respondeu, entrelaçando suas pernas novamente na minha. Sua mão livre pela posição bricava com os ossos da minha clavícula.

Havia uma fresta de luz do sol escapando pelas cortinas da janela que refletiam diretamente nos olhos dele. Num gesto involuntário, ergui uma das mãos e tirei uma das mechas de seu cabelo que estavam quase atrapalhando a visão daquelas duas bolas verdes perfeitas.

-Bom dia… -Sussurrei, completamente vulnerável. Rezei para que seus dedos tão próximos do meu peito não conseguissem notar meu coração acelerado.

-Ótimo dia, Sapinha. -Disse ele, me dando um selinho cálido. -Me diga, quais são os seus planos para o dia de hoje?

-Não planejei nada. Talvez, reviver o show de ontem incontáveis vezes.

-Passa o dia comigo... -Pediu ele, um pouco sério dessa vez, seus olhos não conseguiam decidir entre os meus próprios e minha boca.

-Hum…. E o que faríamos o dia todo, posso saber?

-Tenho algumas ideias… -Disse ele, afundando o rosto no meu pescoço e dando uma lambida lá.

Harry sabia mesmo como me despertar.

-Como eu posso ter tido você a noite inteirinha e ainda querer mais? -Perguntou ele, enquanto seus dedos antes na minha clavícula desceram sem cerimônia para um dos meus seios, admirando com os olhos enquanto seus dedos brincavam com a pele sensível.

Ele encarava aquela parte do meu corpo como algo quase sagrado. Vê-lo quase babando me excitou.

-Você é linda pra caralho, Sapinha. -Falou ele, me beijando verdadeiramente desde quando acordamos.

A conversa não demorou muito. Seus lábios tomaram outros rumos e acabei gozando duas vezes naquela manhã: uma em sua boca e outra no chuveiro, enquanto ele se afundava tão deliciosamente em mim numa posição que deixava meus seios espremidos no azulejo das paredes enquanto suas mãos guiavam meu quadril de encontro ao dele, os dedos brincando com o meu clitóris.

A lembrança da parede úmida e gelada do banheiro contra os meus seios ainda me causava arrepios quando decidimos ser sociáveis com outras pessoas além de nós, embora nenhum estivesse muito disposto a compartilhar atenção com terceiros. Mas Lily e James já estavam na cozinha quando descemos.

Me senti estúpida por esquecer que aquela casa era deles e que encontrá-los ali não deveria ser nenhuma surpresa, principalmente num final de semana. Harry não pareceu constrangido, mas eu, vestindo uma blusa dele com a minha saia ainda úmida pela chuva de ontem, queria cavar uma cova no chão e me jogar nela quando os olhos de Lily nos flagraram e ficaram imediatamente arregalados.

-Gin! -Falou Lily, piscando algumas vezes, como se não acreditasse no que via.

James, até então muito distraído com algo que lia em seu celular enquanto bebia um pouco de café, desviou os olhos pela primeira vez da tela luminosa e nos encarou. Ele tentou disfarçar, mas pude ver ele quase se engasgando.

-Bom dia, família! -Falou Harry, feliz e nada abalado.

Eu poderia socá-lo.

-Bom dia, querido. -Respondeu Lily, recebendo de bom grado o beijo do filho em uma de suas bochechas.

-Bom dia. -Falei, tentando soar natural, embora eu sentisse minhas bochechas quentes.

-Querida, que surpresa adorável tê-la essa manhã. Sentem para tomar café! -Disse ela, tentando soar com naturalidade. Do outro lado da mesa, James tentava sem sucesso disfarçar o riso.

Estávamos famintos e fugir não era uma opção. Além do mais, era óbvio que eu havia passado a noite ali, não tinha como tentar negar. O fato de estar usando a blusa de Harry já era um indício óbvio, mas a cara satisfeita dele gritava em letras garrafais “transei a noite toda e gostei pra caralho”.

Merda.

O repreendi com o olhar, mas ele nem pareceu se importar. Ao invés disso, puxou uma das cadeiras da mesa para eu sentar e depois deixou um beijo na minha cabeça antes de se juntar a nós.

-Aproveitaram a noite? -Indagou James.

Deixei a faca que havia acabado de pegar cair na mesa ao mesmo tempo em que Lily chutou o marido por baixo do móvel. Era a porra do momento mais constrangedor da minha vida!

-Estou falando do show, é claro. -Se justificou, rapidamente.

-É claro. -Lily se apressou em endossá-lo.

Eu nem precisava encarar um espelho pra saber que minhas bochechas agora atingiam o mesmo tom vermelho que os meus cabelos.

-Foi espetacular, pai. Os caras são bons. -Disse Harry, esticando a mão para pegar um pão, parecendo alheio a tudo fora da sua pequena bolha de felicidade.

-Choveu bastante ontem a noite. Pelo visto não atrapalhou em nada o espetáculo. -Comentou Lily. Em sua frente, James ainda reclamava do chute que levara por baixo da mesa.

-O show já tinha terminado. A chuva acabou nos pegando antes que chegassemos no carro. -Resolvi embarcar na conversa e agir naturalmente, embora minhas bochechas precisassem de mais tempo para retornar à sua coloração normal.

O restante do café transcorreu sem mais comentários constrangedores, embora cada comentário de James fosse acompanhado de perto pelos olhares da esposa. Eles nos perguntaram mais sobre o show e a empolgação de relembrar a noite anterior tomou conta de nós, me fazendo relaxar. Eu já frequentara aquela casa tantas vezes nos últimos anos que foi fácil deixar a vergonha de lado, mesmo sabendo que James e Lily tinham consciência do que havia rolado entre Harry e eu.

Só que não tínhamos feito nada errado. Foi um lembrete feito a mim mesma que me ajudou a seguir com a conversa e agir naturalmente. É claro que ninguém tem sexo casual e conta para os pais, mas eu não sabia bem o quão casual aquilo era. Também não tínhamos razão para definir alguma coisa naquele momento, especialmente nossa relação. Na verdade, não passou pela minha cabeça — e eu podia apostar que pela de Harry também não — rotular nossa dinâmica. O único detalhe que eu não esquecia era que nosso tempo era limitado, então tudo o que eu queria era passar o maior espaço de tempo com ele antes que um oceano voltasse a ficar entre nós.

Depois do café, subimos de volta para o quarto de Harry. Resmunguei um palavrão ao pegar minha blusa e constatar que ela ainda estava muito úmida. Eu estava disposta a enfrentar a agonia do tecido gelado na minha pele só para não ter que aguentar os olhares curiosos se eu chegasse na minha casa com uma blusa diferente da minha, mas Harry entrou no aposento com uma muda de roupas secas e me entregou.

-Dona Lily mandou pra você. -Disse ele, me dando um beijo na bochecha.

-Ah… obrigada. -Respondi, meio sem jeito.

-Não precisa ficar com vergonha, Sapinha.

-É um pouco tarde pra isso.

-Não foi nenhuma surpresa pra eles.

Sua resposta me fez levantar as sobrancelhas.

-Então sou apenas mais uma que você apresenta no café da manhã? Ok, Don Juan. -Respondi, embora sorrisse.

-Quis dizer que eles sabiam sobre nós. -Explicou, tão natural quanto a luz do dia. Eu, no entanto, continuei confusa.

-Como assim?

-Eu meio que contei pra eles… sobre a gente. -Respondeu Harry, agora um pouco sem graça.

-O que você falou exatamente? -Quis saber, porque não pude controlar minha curiosidade.

Harry me olhou e sorriu de lado. Ele estava fofo parecendo envergonhado, o que era totalmente novo pra mim. Nunca tinha o visto daquela forma, porque Harry sempre fora desinibido demais, seguro demais e pragmático demais. Saber que ainda tinha partes suas para desvendar era absolutamente adorável.

-Antes de vir para casa… Eu, hum, contei que estávamos conversando. Você conhece o papai, ele não deixa passar nada. O maior fofoqueiro que essa cidade já viu. Além do mais, ele notou nossa interação no dia da minha despedida.

Lembrei do amasso que trocamos na sua cozinha naquele dia e de todos os olhares também. O fato de Rony não ter notado nada naquela noite me fez achar que nossa atração fosse alheia a todo o resto (exceto para Hermione, claro), mas pelo visto eu estava errada e meu irmão era um grande tapado.

-E Lily…?

-Espera ter netos na semana que vem. -Falou, e peguei uma almofada para jogar em sua direção diante do sorriso matreiro que surgiu em seus lábios. -Ei! É o maior sonho da Sra Potter, não me castigue pela minha mãe se iludir tão facilmente.

-A culpa é sua. Se tivesse me lembrado que eles estavam em casa, eu não teria descido vestindo essa blusa. -Falei, fazendo bico.

-Verdade. Descer sem ela seria muito mais interessante. -Apontou ele, maliciosamente.

Consegui alcançar outra almofada para jogar na sua direção, mas ele desviou facilmente dela enquanto gargalhava e se aproximava o suficiente para me abraçar pela cintura.

-Acho que nós dois nos distraímos bastante no banho para lembrar de qualquer outra coisa, Sapinha. -Falou ele, brincando com uma mecha do meu cabelo. -Me desculpe, eu não queria fazer você ficar sem graça na frente dos meus pais.

-Você parecia bem confortável lá em baixo. -Acusei, abraçando seu pescoço.

-Ah, não se preocupe. Eu já ouvi muitos comentários do meu pai. Ele diz que nunca me viu tão apaixonado.

O seu comentário me pegou de surpresa e meu sorriso vacilou por um momento. Não pude me conter e a pergunta voou da minha boca antes que eu pudesse evitar:

-E você está?

-O que? -Perguntou ele, agora fazendo carinho nos meus braços, parecendo um pouco distraído com algum ponto entre meu queixo e minha boca.

-Apaixonado.

Harry encarou meus olhos e sorriu, levando suas mãos para meu rosto, fazendo carinho no meu cabelo e levando uma mecha dele para atrás da minha orelha. Meu coração, por outro lado, agora batia acelerado em antecipação a sua resposta, que não demorou muito mais.

-Pra caralho, Gin. -Disse Harry, agora sério. -Já tem algum tempo. Talvez desde antes de eu ir.

Sorri, absolutamente encantada. É claro que eu me sentia da mesma forma, mas beijá-lo foi a necessidade que me tomou antes que eu pudesse verbalizar qualquer coisa.

Sua língua se entrelaçou na minha e uma de suas mãos foi parar na minha nuca enquanto a outra descia pelas minhas costas, me causando arrepios. As minhas tomaram os mesmos caminhos em direção ao seu cabelo para bagunçá-los ainda mais.

Tentei transmitir tudo naquele beijo, para deixar claro que eu me sentia da mesma forma, que eu o queria desde quando o encarei pela primeira vez vestida de camisola com sapinhos; desde quando seus dedos deslizaram pelas marcas que o sol e meu biquíni deixaram no meu colo; e muito mais durante nossos momentos antes dele se mudar para outro país.

A distância poderia gritar em algum momento e poderíamos estar até condenados, mas eu não me importava. Eu já estava sedenta por ele e, mesmo com a plena ciência de que James e Lily ocupavam o andar de baixo dessa vez, transamos novamente naquele dia. Lento e deliciosamente. Seus dedos beliscavam meus mamilos, sua língua lambia meu pescoço e sua boca falava o quanto eu era linda, o quanto ele esperava se afogar em mim pelo restante da década.

Suas mãos agarraram minha bunda e minhas pernas entrelaçaram seu quadril no sexo mais delicioso da minha vida. Talvez fosse a emoção pelas palavras dele momentos antes ou talvez fosse apenas nossa química perfeita. Seus gemidos eram meu estímulo de modo que gozamos ao mesmo tempo, completamente conectados.

Quando voltamos a nos vestir, pareceu natural descer as escadas com nossas mãos entrelaçadas. Éramos o típico casal apaixonado dentro de uma bolha e nem mesmo o olhar emburrado de Rony na nossa direção quando chegamos na minha casa foi capaz de espocá-la.

Eu não sabia exatamente qual era o plano para aquele dia, a não ser ficarmos juntos. Meus pais haviam viajado naquele fim de semana, então Harry, Rony, Hermione e eu passamos a tarde vendo filme. A noite, nos arrumamos e fomos a um karaokê, porque Harry insistiu que sempre quis me levar em um desde quando começamos a trocar músicas durante nossas mensagens.

A bebida alcoólica nos deixou mais do que animados para perder a vergonha na frente de estranhos. Cantei Sweet Child O’Mine com Rony, Madonna com Hermione e Taylor Swift com Harry. Luna chegou mais tarde para nos acompanhar, o que tornou tudo ainda mais perfeito.

-Temos que ter uma conversa logo logo sobre a noite passada, não acha? -Perguntou Hermione, quando foi a vez dos homens arriscarem Red Hot Chili Peppers no karaokê. Minha cunhada me encarava com um olhar acusador e um sorriso nada inocente nos lábios, enquanto, com um canudo, mexia sua bebida alcóolica em uma das mãos.

-Você ainda tem dúvidas sobre o que aconteceu? -Perguntou Luna, me olhando como se o fato de ter transado diversas vezes com Harry nas últimas 24h estivesse escrito na minha testa.

-Está tão óbvio assim? -Quis saber, embora eu não estivesse muito preocupada.

-Bem, vocês já se engoliam com os olhos antes, então… -Disse Hermione, me fazendo gargalhar.

-Você e Rony também parecem bem alinhados. -Observou Luna, apontando para minha cunhada encarando meu irmão. Ela soltou um suspiro, como se estivesse revivendo algum momento muito prazeroso.

-Seu irmão é tão incrível, Gin. -Disse ela, claramente apaixonada.

-Pelo visto, ele concorda com você -Observei, vendo meu irmão piscar para Hermione, exalando autoestima. -E acho que logo vai requerer reviver certos… momentos.

-Estou contando com isso. -Falou Hermione, nos fazendo gargalhar outra vez.

Nossa conversa não durou muito, porque Harry e Rony logo retornaram à mesa cheia de curiosidade sobre o que estávamos falando. Luna começou a flertar com alguem da mesa vizinha, mas eu estava mutio entretida com Harry para distinguir se o alvo da minha amiga era uma moça de cabelos encaracolado ou o rapaz magricela ao seu lado.

Os três próximos dias que vieram não foram muito diferentes. Havia meu trabalho no jornal, mas quando saía de lá, eu passava quase todo o tempo com Harry. Dona Molly com certeza notou nossa proximidade e me olhava constantemente, como se esperasse que eu contasse algo, mas eu sabia que o que quer que ela tivesse a dizer, viria acompanhado de algum aviso, de modo que eu apenas adiava qualquer conversa. Harry e eu não haviamos conversado sobre o fato dele ter que voltar para os EUA já na próxima semana, mas isso parecia querer nos trazer para a realidade o tempo todo, seja no sofrimento antecipado de seus pais por terem que ficar logo logo distante do filho, seja pela sua mala no canto do seu quarto, que me olhou toda as vezes que eu entrei no aposento, como um lembrete constante de que a nossa felicidade não duraria para sempre e que em algum momento eu teria que enfrentar alguns pensamentos intrusivos.

Faltando dois dias para sua viagem, porém, uma conversa de Harry com James veio como um tapa na cara, me acordando do torpor em que eu me encontrava desde o show. Estávamos ao redor da piscina das casa dos Potter. Pai e filho tomavam conta da churrasqueira. Rony fingia ajudar, mas mais beliscava a comida do que qualquer outra coisa. Lily, Hermione e eu, no entanto, aproveitávamos o dia de sol nas espreguiçadeiras.

-Você já decidiu o que vai fazer? -Perguntou James ao filho. Estavam de frente para a churrasqueira, então não notaram quando me aproximei para me servir de mais refresco. Não era minha intenção ouvir a conversa, mas foi inevitável.

-Não. -Disse Harry, com um suspiro.

-É uma proposta e tanto, filho. -Comentou James. -Significa que você tá mandando muito bem por lá.

-Só que ter que ficar mais tempo longe não tava nos meus planos… -Respondeu Harry, virando-se em direção a piscina e finalmente notando minha proximidade.

Ele me olhou e ficou óbvio que eu tinha ouvido o que ele dissera.

-Gin…-Começou, mas não parecia o momento certo para ter aquela conversa. Eu poderia adiá-la por mais algum tempo, certo?

-Espero vocês na piscina. -Comentei. Tentei disfarçar o incômodo que suas palavras me causaram, no entanto, e sorri na sua direção antes de voltar para perto das meninas.

Senti seu olhar o tempo todo na minha direção, mas tentei fingir normalidade, embora eu sentisse meu estomago, sem dúvida, mais pesado.

Todas as incertezas que eu estava ignorando surgiram como fogos de artifícios no céu de fim de ano. E aquela bolha de felicidade, de dias felizes demais para parecerem reais, foi atingida pela ponta de uma faca afiada. Era a hora de ser racional e eu não sabia para onde aquilo nos levaria. Essa era a dúvida que mais me assustava. Porque eu sempre soube que tínhamos pouco tempo e que talvez a estadia temporária dele nos EUA se tornasse permanente.

Ainda sim, eu não sabia se estava pronta para vê-lo partir.


Notas finais
Não me matem por esse final, ok? TS não é minha fic favorita, foi um desafio em diversos momentos escreve-la. Mas vocês me incentivam constantemente e, agora, sinto certo orgulho dela. Não tenho previsão para o próximo capítulo, mas sou movida por comentários, então arraseeeeem com eles, ok? hahahaa Obrigada por cada comentário lindo que vocês dedicam para a fic. E por continuarem aqui, mesmo depois de tanto tempo. TS está no fim. E pretendo terminá-la, até porque, tem outra fic no forninho que quero muito postar antes do natal. É isso, lindos. Grande beijo!!!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.