Trigêmeos
31 Capitulo 31 - continuação do 28
Notas iniciais
– Estou perdoado? _ Afasta os cabelos úmidos do rosto dela. – Só queríamos tornar a decisão mais fácil para você.
– O sorteio foi real. _ Diz erguendo o lençol para cobrir-se ao se sentar. – Dante deixou os papeis desdobrados em cima da minha cama e vi que tinha sido real.
– Eu sei. Ele me falou. _ Senta-se também. – Ele podia ter me dito antes, no entanto.
– Sabe como ele é. _ Ri.
– Sei.
– Você não quer ser escolhido. _ Afirma mais que pergunta.
– Já fui casado, prefiro que escolha um de meus irmãos. _ Admite. – Já pensou em alguma coisa para o casamento?
– Quero que seja meu padrinho. Mas sem madrinha. _ Completa fazendo uma careta.
– Como quiser. _ Diz divertido. – Mas e a festa? Lua de mel?
– Ainda não pensei. _ Suspira desanimada. – Como seria a lua de mel?
– Parecida com o que acabamos de fazer. _ Diz malicioso, ganhando um travesseiro como resposta. – Estaremos todos lá.
– Pensei que... _ Começa a dizer, desviando seus olhos dos dele.
– Fosse ficar só com o escolhido. _ Completa por ela. – Somos um pacote, pense assim. _ Sugere. – Um irá representar todos, mas apenas no casamento. _ Explica. – Em todo o resto estaremos juntos. Sempre estaremos juntos.
– Isso é tão difícil, Dan. _ Diz Thais em um gemido angustiado.
– Um erro em nossa proposta, insistência do Daniel. _ Se aproxima, abraçando-a. – Oferecemos a nós três, mas a obrigamos a escolher. _ Acaricia as costas dela, tentando passar segurança e conforta-la. – Não é justo, mas é necessário. Entende isso?
– Sim. _ Assente contra o ombro dele. – Só preciso de tempo.
– Tome seu tempo.
– Também vou precisar de coragem para tomar essa decisão. _ Murmura.
– Você estar conosco já é uma prova de que você tem muita coragem. _ Brinca. – Coragem de sobra.
***
– Um sorteio? Vocês fizeram um sorteio? _ Diz Daniel, estremecendo ao tentar conter sua raiva. – Sem me consultar e sem eu saber.
– Só queríamos facilitar as coisas para ela, Daniel. _ Explica Danilo tentando acalma-lo.
– E eu fui sorteado. _ Se afasta dos irmãos, fechando sua mão em um punho. – Ela vai casar comigo porque eu fui sorteado.
– Ela não disse que vai se casar com você. _ Diz Dante, indiferente a irritação do irmão. – Thais não aceitou o sorteio.
– Ainda bem que ela não aceitou! _ Respira fundo, tentando se acalmar. – Se ela tivesse aceitado, teríamos um problema.
– Só queremos tirar esse peso dela, é uma decisão que ela não tinha que tomar.
– Danilo tem razão, ela não precisa escolher entre nós.
– Mas não é para ela escolher entre nós!
– É claro que é, Daniel. _ Insiste Danilo. – Ela tem que escolher um para se casar e tem medo de não ter os outros ou de magoar um de nós.
– Não devíamos ter proposto a escolha.
– E o que sugerem? _ Pergunta debochado. – Outro sorteio?
– Se for necessário. _ Provoca Dante.
– Não. _ Diz Danilo repreensivo. – Vamos resolver isso de forma sensata, entre nós.
– Isso é impossível e você sabe.
– Acho que podemos chegar a um acordo. _ Insiste Danilo. – Eu não quero me casar de novo.
– Ótimo, um candidato a menos. _ Revira os olhos. – Por favor, Danilo, acha mesmo que isso vai dá certo? _ Pergunta Dante.
– Não vai se nenhum de vocês dois tentar.
– Tudo bem, vamos tentar.
– Eu quero me casar com ela. _ Diz Daniel.
– Dante?
– Eu não me importo em casar com ela.
– Certo, tente ser um pouco menos vago agora.
– Esqueçam. _ Diz Daniel, dando as costas aos irmãos.
– Daniel, aonde você vai? _ Pergunta Danilo indo atrás dele. – Daniel.
– Vou resolver isso. _ Diz sem se deter.
– Como?
– Vocês vão ver.
***
Thais acordou consciente de que um corpo quente estava as suas costas. Não recordava ter companhia quando se deitou. Afastou-se para poder se virar, mas só conseguiu ter seu corpo apertado em um abraço forte e puxado mais contra o peito masculino. Sentiu como se acomodava contra ela devagar para não desperta-la. O cuidado, o toque terno...
– Daniel?
– Desculpe-me, não queria acorda-la.
– Esta tudo bem?
– Sim, só estou com saudade de ficar assim com você. _ Murmura. – Tem nos evitado.
– Não tenho evitado vocês.
– Não nos procura mais, sempre temos que vir aqui, atrás de você.
– Vocês colocaram uma decisão importante na minha mão, preciso pensar, só isso.
– Eu sei, me desculpe por insistir nisso.
– Entendo sua necessidade e espero que você entenda minha hesitação.
– Eu entendo.
– Soube que brigou com seus irmãos.
– Não foi uma briga, apenas um desentendimento. Contive minha vontade de esmurra-los até que perdessem a consciência.
– Imagino que tenha sido bem difícil.
– Foi, muito difícil, mas eles me ajudaram a ver o peso que coloquei sobre você.
– Dan...
– Não precisa dizer nada, eu já encontrei uma solução.
– É mesmo?
– Sim, vamos sair esse sábado.
– Aonde vamos?
– Fiz uma reserva para nós naquele restaurante que você foi com o Danilo.
– Por que esse restaurante? Pretende me seduzir, como fez Danilo naquela noite?
– Talvez. _ Diz divertido.
– Você com planos secretos? Isso é um pouco preocupante.
– Só vou fazer o que você e meus irmãos querem que eu faça.
– E o que seria?
– Você vai descobrir quando chegar lá.
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