Triangle
2 II-Am I in Heaven?
Dormi pessimamente mal.
Passei a noite tendo pesadelos sobre a morte da minha mãe, onde ela morria de diversas formas e eu não conseguia salvá-la. Era como se eu estivesse paralisada no tempo.
Eu não podia me mexer nem falar nada e as palavras não ditas me sufocavam.
Levantei-me dirigindo ao banheiro. Necessitava de um banho quente e demorado pra poder relaxar.
Quarenta minutos foi o tempo que eu fiquei naquela banheira, imersa em água e em pensamentos. Quando tirei a tampa do ralo da banheira esperava que a água levasse embora meus medos e angústias. Vesti minha roupa e fui tomar meu café da manhã . Liguei a TV enquanto abria a geladeira tentando achar algo que me agradasse e, felizmente, achei um suco de laranja e um daqueles X-Burguers que vão no microondas. Servi um copo de suco e coloquei o sanduíche no microondas. Enquanto bebia o suco passeava pelos canais da televisão procurando algo interessante, quando vi um noticiário que falava sobre uma série de desaparecimentos e uma morte em Dakota do Sul, próximo de Sioux Falls. Tudo indicava que era um caso e como eu estava indo pra lá nada mais justo do que dar uma olhada.
Terminei meu café, juntei minhas coisas e logo ouvi o telefone tocar.
—Alô?
—Bom dia, meu anjo! Você já está vindo?
—Oi, Bobby! Meus planos foram alterados. Eu estava planejando ir direto pra aí, mas acho que temos um possível caso aí perto, então resolvi dar uma olhada.
—Os desaparecimentos misteriosos e a morte bizarra?
—Exatamente!
—Então tudo bem! Tome cuidado e se precisar de alguma coisa liga, eu vou estar aqui te esperando.
—Okay! Não faça nada legal sem mim, ok?
Pude ouvir sua risada do outro lado do telefone e não contive meu sorriso.
—Okay, meu amor. Tchau!
—Tchau!
Desliguei o telefone e peguei minhas coisas. Saí me despedindo mentalmente daquele lugar, decidida a seguir em frente. Subi na minha bebê e arranquei com ela.
⌛️
Após passar na delegacia pra saber mais coisas sobre o caso, me dirigi para a casa em que o corpo de um dos desaparecidos foi encontrado. Estacionei minha moto do lado de fora e a cobri com uma lona azul velha que achei no canto do quintal. Era melhor me prevenir caso alguém decidisse aparecer na casa.
A porta da casa estava trancada e cercada com fitas da polícia, mas com rapidez (e com o kit de arrombamento) a abri e logo adentrei a casa. Dava meus passos com calma e de forma silenciosa, observando tudo ao meu redor tentando, desde já, descobrir o que estava por trás dos desaparecimentos. A roupa de agente do FBI que tive que vestir me atrapalhava de me locomover pela casa, então, optei por tirar os saltos e largar em um canto qualquer da casa. Estava indo pro segundo andar quando ouvi um barulho e vozes cochichando.
—Acho que temos um possível caso perto de Siouxs Falls, Sam.
—Deixa eu dar uma olhada-Entreguei o jornal nas mãos dele e dei um gole na minha cerveja-Parece mesmo um dos nossos, acho que vale apena checar. Depois de darmos uma olhada podíamos dar um pulo no Bobby, você sabe, descansar um pouco.
—Ótima ideia, Sammy! Vamos, se sairmos agora chegamos lá em uma hora, mais ou menos.
—Tá esperando o que?
—Sim senhora, mamãe!
—Idiota!
—Vadia!
⌛️
Dirigi até o local onde o cadáver de um dos desaparecidos havia sido encontrado e estacionei atrás da casa. Eu e Sam pegamos as coisas na mala e fomos em direção a casa.
—Destranca logo isso, Sam!-Disse impaciente. Não via a hora de ir pra casa do Bobby descansar.
—Calma, Dean!-Ele abaixou e quando apoiou na porta ela abriu-A porta já está aberta, Dean. Acho que alguém ou algo chegou antes da gente.
—É mesmo, capitão óbvio? Pega a arma e vamos entrar sem fazer barulho.- Nos armamos e entramos silenciosamente, vasculhando o lugar com os olhos procurando por algo ou por alguém.
—Dean? Acho melhor nos separarmos. Você olha o segundo andar e eu olho aqui em baixo.
—Ok, Sammy.
—Dean?
—Oi.
—É SAM!
—Ok, Sammy.
Ele suspirou, rolou os olhos e então nos separamos. Enquanto subia as escadas podia jurar que havia ouvido passos, por isso, prossegui mais atento, procurando em cada canto do segundo andar. Quando entrei no último quarto senti uma movimentação atrás de mim, me virei rapidamente a tempo de ver algo ruivo me atingindo com alguma coisa na cabeça.
Fiquei abaixada no topo da escada, pensando no que faria. Não sabia se eram humanos ou alguma criatura bizarra e, por via das dúvidas, resolvi pegar alguma coisa pra me defender. Entrei em um quarto em busca de qualquer objeto duro o suficiente para fazer estrago e, infelizmente, só achei um candelabro. Estava saindo do quarto quando ouvi o barulho de passos subindo a escada, voltei pra dentro, esperando pelo ser que estava ali passar pela porta. Quando ele entrou não pensei em nada, só dei com o candelabro na cabeça dele e o observei cair. Ao ver seu corpo estirado no chão pude perceber que parecia um ser humano (e muito bonito diga-se de passagem). Uma sensação de que aquele rosto não me era estranho me atingiu e eu optei por ignora-la e o deixei ali caído. Fui em busca do outro, afinal, eu havia ouvido duas vozes.
Desci as escadas e fui na ponta dos pés até a sala, onde fui interrompida por alguém me segurando por trás.
—O que é você e aonde está meu irmão?-O cara alto que me segurava me perguntou com uma voz grave de cantor de rock.
—Bem, eu sou uma americana que paga os impostos e que gostaria que você, seja lá que criatura seja, me largasse. Está começando a me machucar e eu não ajo bem quando to com dor.-Falei irritada.
—Espera... Você acha que eu sou alguma coisa sobrenatural?-Ele me perguntou afrouxando um pouco as mãos.
—Eu tenho quase certeza! Caçadores não costumam errar!
—Você é caçadora?-Ele disse me soltando. Me virei para ele e a sensação de não estranhamento me atingiu de novo.
—Sim, eu sou.-Assenti com a cabeça ainda tentando me lembrar da onde eu conhecia aquele rosto.
—Eu também! Estamos todos em um grande mal entendido aqui. Eu sou um ser humano e você também! Estamos aqui com o mesmo propósito, achar o que está sequestrando e matando essas pessoas, certo?-Ele disse processando tudo o que acontecia.
—Certo... Pelo menos é o que parece.- Falei com os olhos ainda fixados no rosto dele. O que custava meu cérebro ajudar a lembrar da onde eu conhecia eles?
—Bem, aonde está meu irmão?
—Ohh! Eu...é...ele...ele está lá em cima... Digamos que eu "acidentalmente" bati com um candelabro na cabeça dele e ele apagou, mas ele já deve esta retornando a consciência-Gaguejei e me direcionei as escadas.
—Ele apaga com facilidade.-Afirmou e me seguiu.
—Deu pra perceber!- Trocamos um sorriso e logo estávamos no topo da escada. Quando entramos no quarto ele ainda estava caído no chão-Bem, ele é mais fraco do que eu imaginava... Já sei!-Peguei meu cantil com vodka dentro do bolso do meu blazer. O grandão ria enquanto eu abria o cantil e o levava até o nariz do loiro caído no chão. Logo ele começou a tossir e a piscar o olho lentamente, se sentou e ficou me olhando.
—Eu estou no céu?-Ele disse enquanto tentava encostar na minhas pernas.
—Ei! Ei! Fica longe das minhas pernas! E não, você não está no céu, na verdade, você está bem longe disso-Disse e me afastei dando espaço pro grandão passar e ajudar o outro a levantar.
—Dean, você foi atingido na cabeça por um candelabro e apagou-O grandão estava, claramente, achando aquela situação engraçada, ajudou o loiro a se levantar com um sorriso estampado no rosto.
Pera aí! Dean? Dean Winchester? Isso! Sam e Dean Winchester!
—É claro!!-Pensei alto demais.
—Você é louca ou o que?-Dean perguntou sendo irônico.
—Vocês são Dean e Sam! Os caras que quase começaram o apocalipse!- Exclamei feliz por finalmente ter me lembrado.
—Nós somos famosos viu, Sam?-Dean estampava no rosto um sorriso convencido.
—Sim vocês são, mas não é por isso que eu sei quem vocês são. Eu sou amiga do Bobby e ele vive falando de vocês!
—Espera, Bobby Singer?-Foi a vez de Sam se pronunciar.
—Sim, Bobby Singer! Ele era meio que meu padrasto, quase casou com a minha mãe.-Esclareci.
—O Bobby podia contar essas coisas pra gente, né?-Dean disse apontando pra mim.
—Obrigada por me coisificar.- Sorri ironicamente para Dean.
—Qual o seu nome, ruiva?- Sam interrompeu-Estamos conversando e até agora não sabemos o seu nome.
—Diana.
—Posso te chamar de Di?-Dean indagou.
—Na verdade todos chamam, então, pode sim.
—Odeio chamar os outros pelo nome.-Ele afirmou fazendo biquinho e deixando o quarto.
Nós três saímos do quarto e nos direcionamos pra saída da casa.
—Ele é sempre louco assim mesmo.-Sam falou perto do meu ouvido e eu me assustei com a proximidade.
—Também já percebi isso.-Continuamos o nosso caminho pelo quintal da casa até que o Dean parou.
—Você vai pra onde, Di? Podemos te dar uma carona até em casa, se quiser.-O loiro disse.
—Na verdade eu vou passar um tempo com o Bobby. Estava indo pra lá.- Vi a feição de supresa aparecer no rosto dele e logo depois foi substituída por uma maliciosa.
—Que coincidência nós também!-Ele abriu um sorriso pra mim.
—Vai querer a carona, ruiva?-Sam perguntou pegando a bolsa do meu ombro. Peguei-a de volta e respondi.
—Não, obrigado!Podem ir na frente, eu ainda vou trocar de roupa e pegar minha moto, eu vou nela e a gente se encontra lá.
—Ahh você tem uma moto! Então tudo bem, tchau ruiva.-Sam caminhava de costas enquanto falava comigo.
—Tchau, gata!-Dean gritou sumindo enquanto ia pra atrás da casa, onde o carro deles deveria estar escondido.
—Tchau, meninos!-Me despedi e voltei pra dentro da casa.
Me troquei rapidamente e deixei a casa da forma que estava quando cheguei nela. Coloquei o candelabro no lugar e limpei as minhas digitais e as dos meninos de todos os lugares onde eu lembrava de termos tocado. Quando acabei, tranquei a porta e fui pegar minha bebê.
Montei na minha moto acelerando em direção á casa do Bobby.
⌛️
Eu e Sam chegamos na casa do Bobby e decidimos esperar do lado de fora pela Diana. Não queríamos ter o trabalho de explicar duas vezes como conhecemos ela.
Diana...tá aí um nome que eu não vou esquecer facilmente. Com uma dona com toda aquela beleza como eu poderia esquecer? A dona daquele nome era ruiva dos olhos verdes e tinha o corpo todo trabalhado em curvas perfeitas... Isso é meio que impossível de se esquecer.
—Ela é linda, né?-Fui tirado dos meus pensamentos pela pergunta do Sam.
—Linda é pouco pra ela! Ela é praticamente perfeita. Eu juro cara, já tentei achar algum defeito mas até agora não tem nenhum. Aquilo sim é uma prova de que Deus existe. Quem além dele poderia criar uma pessoa tão...-Fui interrompido por um barulho de moto.
De longe eu pude avistar seus cabelos ruivos ao vento. Ela estava montada em cima de uma Harley-Davidson vermelha que combinava com sua madeixas e eu, sinceramente, não sabia se prestava atenção na moto ou na dona dela.
—Puta merda! Que gata!-Sam exclamou enquanto ela descia da moto. Diana usava uma camiseta cinza do ACDC, uma saia vinho, coturnos e Ray Ban. Estilo é a palavra. Me aproximei da moto querendo falar alguma coisa, mas estava sem palavras.
—Puta merda! Isso é uma Harley-Davidson?-Perguntei extasiado tentando disfarçar o que, ou melhor, quem realmente estava me deixando daquele jeito.
—Sim! Em ferro e puro estilo.-Ela disse toda orgulhosa do veículo, pegando o capacete e se direcionando rumo a casa do Bobby.
—Você conseguiu ficar ainda mais bonita, ruiva-Sam disse com cara de bobo. Diferente de mim ele não parecia se importar em disfarçar. Pelo visto eu não era o único com uma queda pela dona das madeixas ruivas.
—Awn! Obrigada, Sam! São seus...-Ela deixou a frase incompleta e parou de caminhar-Ai Meu Deus! Isso por acaso é um Impala 67?
Oh senhor Jesus! Ela conhecia sobre carros. Isso é muito pro meu coração.
Ela se direcionou pro meu bebê e começou a alisá-lo.
—Motor V8 327 4 Barrell, potência de 275bhp e transmissão automático 3-SPD. É o carro dos sonhos! Simplesmente perfeito.-Ela falava deslumbrada enquanto minhas pupilas dilatavam e minha queda por ela crescia.
—Então você gosta de carros, ruiva?-Sam disse surpreso com o que tinha ouvido assim como eu.
—Eu AMO carros! Esse aqui então... Sou uma fã dos clássicos-Ela disse alisando o carro novamente.
—E você continua ficando cada vez melhor.-Ela corou com a minha fala ficando, claramente, sem graça.-Já vi que seremos grandes amigos, Di.- Coloquei um dos braços no ombro dela e fomos caminhando pra porta da casa do Bobby.
Esse seria um final de semana interessante.
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