Treze dias

2 Capitulo 2


Notas iniciais
Oi gente, mais um capitulo... espero que vocês gostem

Peguei o celular para ver as horas, eu tinha pouco mais de 20 minutos para deixar tudo perfeito para receber Rony Weasley… ainda não estou acreditando... só faz um favor para você mesma Hermione, não chore, não grite, não tropeçe, mantenha a calma e o profissionalismo de sempre. Eu repetia quase como num mantra.

Após ter deixado a bagagem no local apropriado, entrei no avião e comecei a fazer o check list de tudo, dez minutos depois estava tudo pronto para recebê-lo.

—Bom dia. — Cumprimentei o piloto e o co piloto assim que entraram no avião e seguiram para a cabine.

Logo em seguida escutei muito barulho do lado de fora, de verdade, parecia que tinha umas dez pessoas vindo. Não demorou muito para aparecer na porta da aeronave. Era ele, todo lindo.. Rony Weasley... senti meu estômago dar voltas, mas mantive a postura profissional de sempre.

Ele tinha o cabelo bagunçado, vestia uma regata que deixava evidente seus braços musculosos, usava óculos escuros e estava com uma garrafa de whisky na mão e um cigarro na outra. Com ele haviam quatro mulheres, tipo piriguete, todas tinham seios fartos (ok provavelmente silicone), mas o bumbum era grande e empinado, o famoso bumbum na nuca, tinham cabelos compridos e usavam vestidos mega curto. Era uma negra, duas loiras e uma morena. Confesso, me senti um patinho feio. Mas enfim, sou comissária de bordo e não acompanhante de luxo. Foco Hermione!

Aguardei eles entrarem e se acomodarem nas poltronas, as acompanhantes pareciam urubu em cima da carniça. Todos riam muito alto, elas soltavam gritinhos extremamente irritantes, e dividiam a mesma garrafa de whisky, revezando as goladas. Era nítida a embriaguez de todos. Minutos se passaram e antes de fechar a porta do avião entrou um homem, baixinho, gordinho e usava terno, aparentava ter uns 60 anos, creio ser o empresário do Rony.

—Bom dia senhores passageiros, meu nome é Hermione e eu serei a comissária de bordo deste voo. Qualquer coisa que precisarem estarei a disposição. O voo partirá em 5 minutos. Peço que as senhoras e os senhores se acomodem nas devidas poltronas e afivelem o cinto. — Disse usando o viva voz.

—Meu cinto já está afivelado. — Disse rindo a acompanhante morena que estava sentada no colo do Rony. Os braços dele estava em volta da sua cintura. Que ridícula!

Fingi não me incomodar e continuei com o procedimento padrão de voo. Fazendo todos os gestos necessários para deixar o passageiro ciente em caso de emergência, mas eles estavam tão bêbados e empolgados com a bagunça que duvido que entenderam alguma coisa. Eu me senti um fantasma no meio deles, ninguém sequer olhou para mim, parecia que eu nem estava ali. De verdade, o cara pode até ser um bom cantor, ter músicas boas, ser bonito, gostoso, charmoso, mas como pessoa, estou vendo que ele é só mais um perdido no meio a fama. Enfim, finalizei com tenham todos um bom voo.

Como eu já esperava, ninguém fez nada do que eu pedi, então me vi obrigada a ir até eles e pedir gentilmente para se acomodarem e afivelar a porra do cinto. Calma Hermione não se estressa, seja profissional.

—Com licença senhoras, por gentileza, acomodem-se nas poltronas e afivelem os cintos, é para a segurança de vocês, o avião vai decolar.

—Segurança pra mim é Jontex — Disse uma das meninas debochando de mim.

—Haha eu prefiro sem. — Disse rindo a morena que estava no colo do Rony.

—Senhora, não poderemos partir enquanto todos não tiverem em seus lugares. — Insisti

—Hermione, esse é seu nome né? — Não acredito, era o Rony falando comigo… ai Jesus me ajuda.

—Sim, em que posso ajudar? — Ajudar??? Quem precisa de ajuda sou eu, pensei comigo mesma

—Você está muito tensa, precisa relaxar, deixa eu tirar essa tensão. Quer um gole ou uma tragada? Perguntou ele.

Nessa hora queimei de raiva, minha vontade era de apagar aquele cigarro de maconha na testa dele, que ridículo. Tentei manter a compostura e retruquei.

—Não, a única coisa que quero, é que vocês fiquem em seus lugares. — Respondi ríspida olhando fixamente em seus olhos.

—Calma minha gente… desculpem o mau jeito Hermione… Meninas por favor, vamos cada uma para sua poltrona como nos foi orientado. — Disse o senhor gentilmente, cinco minutos depois já estávamos no ar.

Dentro do avião parecia uma festa open bar, Rony cantava enquanto as meninas dançavam, toda hora alguém me chamava e pedia uma garrafinha de vodka, whisky ou tequila. Peguei discretamente meu celular e vi que não era nem 9:00 da manhã, como aquele povo conseguia beber daquela forma? Uma das acompanhantes do Rony passou correndo e foi ao banheiro, acredito que vomitar.

O cheiro de cigarro de maconha dentro do avião estava insuportável, eu já estava chapada por tabela.

Tirando a “festa”, o voo estava tranquilo, sem nenhuma turbulência, e para minha sorte, não demorou muito para todos pegarem no sono. Deviam ter virado a noite bebendo, chega uma hora que o corpo não aguenta.

Estava quieto dentro do avião, quando percebo Rony se levantando aparentemente tonto, perdido em seus passos.

—Pois não senhor, em que posso ajudar? — Perguntei secamente me aproximando dele

—Banheiro — Respondeu ainda grogue.

— É por ali senhor, final do corredor a direita. — Respondi indicando o caminho e me segurando para não vomitar com o cheiro que ele exalava.

Não sou santa, gosto de cerveja, já fiquei bêbada e confesso que na adolescência até baseado eu já experimentei. Mas é diferente, não sou famosa, não tenho público, não tenho uma imagem a zelar, logo quando a gente vê um artista famoso em uma situação assim fica difícil não julgar. Nessa altura do campeonato o tesão que eu sentia por ele tinha ido por água abaixo.

Voltei para minha poltrona e fiquei aguardando Rony sair do banheiro, talvez ele quisesse um café para curar a ressaca e disfarçar aquele cheiro horrível. Quando senti uma sacudida forte, instintivamente segurei nos braços da poltrona, meu coração disparou. Olhei para frente e percebi que o movimento acordou as meninas e o empresário. De repente outra sacudida, acho que entramos em uma área de turbulência. Então peguei o telefone viva voz e tranquilamente pedi para que todos colocassem os cintos e mantivessem a calma.

—Atenção senhoras e senhores aqui é o comandante, estamos passando por uma forte turbulência. Peço que fiquem em seus lugares até a turbulência passar.

Olhei para todos e percebi que uma das meninas estava com dificuldade de afivelar o cinto, mesmo com o avião balançando fui ajudá-la. A moça estava morrendo de medo, tentei acalmá-la mas creio ter sido em vão. Lembrei que Rony tinha ido ao banheiro e quando olhei pro fundo do avião, vi ele no corredor tentando se equilibrar. O avião estava sacudindo muito forte, mal conseguia ficar em pé sem me apoiar em alguma coisa. Senti o avião se inclinar para frente, de repente as máscaras cairam, as luzes se apagaram, o avião estava perdendo altitude e naquele momento eu sabia. Estavamos caindo.

—Coloquem as máscaras. — Eu falava o mais alto que podia.

Com muita dificuldade cheguei próximo de onde Rony estava, estiquei meu braço e consegui trazê-lo até mim. Sentamos nas primeiras poltronas que vimos, afivelei meu cinto, coloquei minha máscara e fiz sinal para que ele fizesse o mesmo. O silêncio de pouco tempo atrás foi substituído por gritos de pânico e desespero, infelizmente naquele momento eu não poderia fazer mais nada por ninguém, o medo tomou conta de mim.

De repente, ouvi um barulho muito grande na lataria do avião, e um jato de vento cortante passou pelo meu corpo, havia uma fenda enorme na lateral da aeronave. Quanto mais perdíamos altitude mais ela se rompia, o barulho do vento era insuportavelmente alto. Olhei para Rony e vi em seus olhos o mesmo medo que certamente ele via nos meus, o cenário era de verdadeiro terror e desespero. A fenda começou a tragar tudo que estava solto dentro do avião. Eu sabia que ali seria o fim.

O avião continuou perdendo altitude e consequentemente a fenda foi se abrindo até se transformar em um enorme buraco. As poltronas que estavam próximas da abertura se desprenderam do chão e foram arremessadas brutalmente para fora. De repente uma das meninas, foi puxada para fora do avião, parecia uma boneca, aconteceu tudo muito rápido. Por mais que fui treinada para esse tipo de situação, nunca achei que de fato algum dia pudesse passar por algo parecido.

Fechei meus olhos e pensei em minha família, uma retrospectiva rápida passou em minha mente. Infelizmente não vou cumprir a promessa que fiz pra minha irmãzinha, não levarei nada para ela dessa vez. Senhor meu Deus, nesse momento de desespero peço, por favor, não nos deixe sentir dor. — Rezei em silêncio, um pouco antes de sentir uma pancada na cabeça e perder a consciência.

Notas finais
Aguenta coração... Será que nossos amores sobreviveram?