Treze dias
13 Capitulo 13
Enquanto ouvia Rony falar, meu coração foi amolecendo e toda raiva que eu estava sentindo sumiu. Eu realmente não podia julgar seu comportamento, não era justo.
—Mas e depois que você viu o vídeo, o que aconteceu?
—O Emerson simplesmente falou: -Não disse que ela era uma vadia.
Eu fiquei sem controle Hermione, uma raiva tão grande tomou conta de mim, que parti para cima dele e comecei a soca-lo sem parar. Nunca havia batido em ninguém, nem eu sabia que tinha tanta força. Entramos em luta corporal, até que Michel um dos meus seguranças entrou no quarto e apartou a luta.
—Você é um cretino Emerson, eu vou te matar — Eu gritava feito louco Hermione, eu estava fora de mim.
—Me matar? Quem você pensa que é seu moleque metido? Você só existe porque eu te criei, eu sou teu dono. Você não é ninguém, sem mim você não é ninguém. — Quanto mais Emerson falava mais raiva eu sentia dele.
—Seu desgraçado eu te mato — Continuei gritando.
—Mata nada… eu fiz um favor pra você, eu te disse desde o começo que essa Rebeca não valia nada e as provas estão aí.
— Sabe Hermione, eu vi nos olhos do Emerson uma satisfação tão grande, parecia que ele estava se divertindo ao me ver daquele jeito, e aquilo me enfureceu mais ainda.
—Então porque você continuou com ele Rony?
—Porque se eu rompesse o contrato com ele, eu teria que pagar uma multa absurdamente alta. Sem contar que era ele que tomava contas das minhas finanças, tudo que eu precisava eu pedia pra ele. Sem perceber Hermione, vendi minha alma pro capeta. Depois disso eu prometi pra mim mesmo que não me envolveria afetivamente com mais ninguém. Vivo cercado por pessoas que eu não sei se são meus amigos de verdade, então decidi ser superficial e viver o personagem. Foi por isso que quando o vi morto, é claro deu aquele baque, mas depois fiquei pensando em tudo que ele me fez passar e realmente eu não senti sua morte. Na verdade eu fiquei aliviado, me senti livre. Será que isso me faz ser uma pessoa ruim?
Por um momento fiquei refletindo a pergunta dele. O que de fato faz uma pessoa ser ruim?
—Rony, infelizmente você está perguntando para a pessoa errada. — Ele olhou pra mim confuso, criei coragem e continuei — Minha infância não foi muito boa, morávamos de aluguel por isso vivíamos nos mudando. Meu pai bebia muito e sempre foi machista e nunca deixou minha mãe trabalhar. Passamos muitas necessidades e às vezes quando minha mãe precisava de dinheiro ela tinha que se humilhar pra ele. Hoje não é assim mais não, ele parou de beber, vive bem com a minha mãe e tal. Mas eu cresci vendo isso e hoje eu só penso em trabalho, nunca na minha vida vou passar pelas humilhações que ela passou. Eu lutei pra ser comissária de bordo, mal paro em casa, minha vida é voar.
Eu tenho uma irmãzinha de três anos, eu a amo tanto e eu sei que ela sente minha falta. Ano passado e este ano eu estava trabalhando no seu aniversário, tento recompensá-la com presentes que trago dos países onde vou mas eu sei que não é a mesma coisa. Também não passei natal e nem ano novo com minha família, preferi trabalhar. Na realidade já tem um tempo que não passo um final de semana com eles, eu sei que eles sentem minha falta. Não me vejo ser uma pessoa ambiciosa, mas não quero ter a mesma vida que minha mãe teve, não quero depender de homem e nem ser humilhada por falta de dinheiro. Será que isso me faz ser uma pessoa ruim? — retribui a mesma pergunta mas ele não respondeu. Ficamos em silencio por alguns segundos.
—Sua cobra esfriou. — Disse Rony quebrando o silêncio.
—Não tem problemas, com a fome que eu to acho que comeria ela até crua.- Disse sorrindo.
—Espera aí que tenho uma coisa aqui.
Ele começou a revirar a bolsa que estava com ele e tirou uma garrafinha de vodka.
—Não acredito que você ainda tem.
—A última... tome vamos dividir.
Dei a primeira golada e devolvi para o Rony, depois que terminamos nosso “banquete” deitei para descansar, enquanto Rony ficou do lado de fora sentado próximo a fogueira olhando para o céu. Fiquei imaginando o que estava passando em sua cabeça até que peguei no sono.
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