Treze dias

10 Capitulo 10


Não acredito que ele conseguiu achar comida, até que ele não é tão inútil quanto pensei. Dizia pra mim mesma a cada mordida que dava na fruta.

Meu dedo continuava latejando de dor, percebi minha mão inteira inchada mas naquele momento o que mais importava era matar a fome que eu estava sentindo.

—Aonde você achou essas frutas? — Perguntei ao Rony entre uma mordida e outra.

—Numa árvore ali atrás. — Disse apontado.

—Você salvou nossas vidas. — Sorri e continuei — Dá pra pegar mais?

—Então… foi bem difícil pegar essas, mas posso tentar subir na árvore mais uma vez pra pegar mais um pouco para a viagem.

Terminamos de comer, apagamos a fogueira e fomos pegar mais frutas, Rony foi fantástico e muito corajoso subindo naquela árvore, fiquei impressionada. Com as bolsas cheia de frutas agora nossa preocupação era achar água.

Continuamos andando e andando e andando... a paisagem era sempre a mesma. Com a bateria um pouco mais recarregada senti que deu pra andar mais que no dia anterior. Meu dedo continuava incomodando mas resolvi nem desfazer o curativo, afinal não ia ter com que limpar mesmo.

—E aí Rony, me conta um pouco como é essa vida de artista. — Perguntei pra quebrar o silêncio.

—É ótima, tenho tudo que quero e posso comprar tudo que quero. Não existe sensação melhor — Respondeu ele enquanto abria caminho pela mata.

—E você sempre quis ser cantor? — Eu estava curiosa

—Na verdade não, eu nem pensava nisso. Emerson me viu cantando uma vez num karaokê e aí, vc sabe né. Papo vai, papo vem… ele é… quer dizer... era um empresário bem conhecido no ramo da música, me lançou e eu estourei com minha música.

—Sortudo você hein.

—Pois é — Respondeu ele sem muita importância.

—E você é da onde? quer dizer, quem era você antes da fama? Por que tipo... você fala português muito bem, mas foi lançado nos estados Unidos. Então… você é Brasileiro?

—Caramba, não sabia que estava no programa da Oprah Winfrey. — Respondeu sorrindo e eu corei, fiquei envergonhada, acho que meu lado fã estava falando por mim naquele momento.

—Shiiiiiiuuuuu. — Rony pediu silêncio.

—O que foi? — Disse sussurrando.

—Escuta — Ele também respondeu sussurrando.

Fomos nos aproximando lentamente em direção ao barulho, quando nos deparamos com uma onça pintada se deliciando em um pobre bicho, pelo estado que ele se encontrava era impossível de identificar o que era.

Meu corpo todo estremeceu, se aquela onça visse a gente ali, já era, estávamos mortos.

—Vamos sai daqui Rony — Sussurrei e ele concordou.

Calmamente demos passos para trás e aos poucos fomos nos afastando até que eu pisei em uma galho seco de árvore. Na hora a onça levantou a cabeça astutamente. Gelei… já era, vamos morrer. Rony fez sinal para ficarmos parados e em silêncio, a onça ficou alguns segundos com a cabeça erguida mas depois voltou ao seu banquete e nós nos afastando lentamente até chegar a uma distância segura.

—Nossa achei que fossemos morrer agora. — Respirei aliviada

—Eu também.- Rony concordou.

Já estava ficando tarde, minhas pernas não aguentavam mais andar… eu estava cansada.

—Rony, vamos parar, logo vai escurecer.

—Vamos sim, estou cansado já.

Acendemos a fogueira e ficamos ali esperando a noite chegar