Trente jours avec elle

9 Vous voulez être embrassée


Com um suspiro Jane , estendeu um dos vestidos novos sobre a cama para decidir qual usaria . Depois de decidir o modelo que era um vestido sexy, todo trabalhado em renda e seda. Colo e ombros ficariam expostos, bem como as costas, porque o modelo era tomara-que-caia. Ao experimentá-lo na loja, a vendedora percebera sua indecisão por causa da muita exposição do corpo e trouxera um bolero branco de pelo, bem ao jeito de uma cidade fria que nem paris, de mangas longas, aberto na frente, deixando apenas uma curva sedutora dos seios exposta.

Não sabia se devia colocar o vestido novo ou o antigo pretinho que sempre usava quando saía com Maura.

Jane colocou o vestido e minutos depois, ouviu a porta do seu quarto abrir, Jane reconheceu o som dos passos de Maura que entrou no quarto e parou na frente de Jane olhando o vestido com um brilho no olhar. Jane surpreendeu-se ao perceber dor no olhar da amiga. Por que um olhar triste ao ver a amiga vestida para sair ?

—Vai usar este vestido, para o seu encontro com Jean ? — perguntou com frieza.

—Ainda não decidi , talvez eu deva usar o meu vestido preto...

— Jean vai amar – Falou Maura com uma expressão triste

Maura a olhou e Jane sentiu uma pontada no coração ao perceber o olhar sem emoção que percorreu seu corpo e rosto. Reparou que Maura escondia seus sentimentos ao correr o olhar pelo vestido da amiga sera que Maura esta com ciúmes?

Maura não fez nenhum comentário sobre sua aparência. Em silencio saiu do quarto.

As noves horas Jean Pierre veio buscar Jane , que o esperou do lado de fora da casa de Maura ela queria evitar mais atritos com a loira.

Sentiu-se estranha sentada ao lado dele na BMW esportiva. Sempre saía com Maura desde que chegara ali .

—Aonde vamos? — perguntou, desanimada. Jean mencionou o nome de um dos restaurante mais exclusivo de Paris.

—A comida é ótima. Até para quem está sem apetite...

—Então já esteve lá?

—Algumas vezes.


Paris 21:30: Petit Palais by Olivier

Chegaram ao restaurante e Jean conduziu-a até ao hall luxuoso. O ambiente era requintado, Jane poderia jurar que apenas familias avantajadas frequentavam aqueles espaço.

—Boa noite madame, messieur — Um homem apareceu do nada e inclinou-se para Jane que lhe sorriu.

— Boa noite, Claude — Jean falava com familiaridade.—Obrigado por ter conseguido a mesa de última hora.

—O senhor Jean Pierre sabe como é. Para certas pessoas, sempre temos lugar. Por aqui, por favor...

Jean conduziu-a pela cintura, num gesto íntimo. Jane tentou não se impressionar com a elegância do local e entraram num restaurante diferente de tudo que ela já conhecera.

—Você gostou do lugar Jane? — Pergunta Jean galanteador

—Parece ser bem agradável. — respondeu

Apesar de estar com Jean, percebeu, com tristeza, que o local combinava perfeitamente com Maura e queria estar lá com ela, naquela hora sentiu-se idiota por ter deixado Maura sozinha em casa.

A chegada de um garçon interrompeu seus pensamentos . Ele colocou uma taça de aperitivo para cada um e ofereceu os cardápios.

Jean agradeceu e dispensou-o com um sorriso simpático que parecia carateriza-lo.

Jean inclinou-se gentilmente sobre a mesa e pegou a mão de Jane. —Você é linda Jane.

Jane sorriu sem graça e desviou o olhar ..

—O que quer comer?

—Eu... — Olhou para o cardápio na sua frente, sem conseguir entender — Eu... não sei, peça para mim.

Com um sorriso, Jean chamou o garçom e fez o pedido.

A entrada foi servida mas Jane não conseguia saborear a comida .

Em um determinado momento Jane pediu licença se dirigindo ao toilete, pegou no celular e mandou varias mensagens para a loira ,mas Maura não respondeu a nenhuma. Suspirou triste voltando para a mesa , não via a hora dessa noite acabar.

***

Maura sentiu o celular tocar, sinal que havia recebido uma mensagem, pegou o celular e viu o remetente, Jane, sem ler a mensagem jogou o celular sobre a cama e andou até ao closet. Cansada de chorar sobre a cama, Maura colocou uma camisola de malha e umas calças, um chachecol, um gorro, umas luvas e uma poncho sobre as costas e saiu de casa, não avisando Luminnier sobre onde iria, embora ele desconfiasse. Maura sempre o fazia quando estava triste, e ele sabia que ela estava triste.

Chegou na rua, o frio sentia-se o vento era cortante, Maura estremeceu, mas sentiu-se mais leve, como se o vento tivesse levado algumas das suas mágoas.

Andou alguns quilómetros a pé, pisando leve como se flutuasse com o vento completamente entregue aos seus pensamentos, até que chegou ao parque do Champ-de-Mars, olhou ao fundo e avistou a torre Eiffle, sorriu ao ver aquele monumento imponente à sua frente, era impressionante como há coisas que não mudam com o tempo, exatamente como na sua infância o momento em que avistou a torre, trouxe-lhe uma paz que naquele momento era a única coisa que Maura pedia.

***

Jean quando viu Jane retornar sorriu —Venha. Vamos até a pista de dança.

Entraram em uma sala escura. Da entrada, Jane enxergou apenas o outro lado, o bar e um pequeno palco onde um grupo de músicos tocava jazz.

Jean conduziu-a até a pista e tomou-a nos braços. Na mesma hora foi assaltada pelo sentimento de estar nos braços de um estranho. Não evitou um suspiro.

Ele percebeu a tristeza e fez mais pressão na mão que segurava. A outra mão de Jean subiu da cintura para as costas, para aproximá-la mais e então parou. Jane se afastou e Jean entendeu a deixa.

Depois de dançarem, Jane falou educadamente que queria ir embora. Em silêncio, o casal deixou o restaurante e andou até o carro. Jane entrou no carro esportivo e quando se aproximaram da casa de Maura uma tristeza a invadiu, Jean parou em frente ao apartamento dos Isles e desligou o carro. Ele virou-se no banco para olhar Jane e ela o encarou.

—Bem, obrigada pela noite — disse, sem fazer nenhum movimento para sair do carro. Sentia-se presa numa armadilha pela expressão de Jean, pelo calor do carro e pela própria sensação de desejo.

—Foi um prazer — ele disse, ausente.

A mente dele estava longe, procurando no rosto de Jane um sentimento que ele não sabia se aparentava ou não. Logo percebeu que sim, pois Jean inclinou-se e beijou seus lábios com suavidade. Jane não correspondeu e nem se afastou. A mão dele acariciou seu rosto, o polegar tocando seus lábios para que abrissem. Subitamente, Jane teve certeza que não era o que queria e afastou-se. Ele deixou-a afastar, encostando-se no assento e olhando-a através dos olhos semicerrados.

—Desculpe — ela murmurou, confusa.

—Do quê?

Jane não conseguiu responder, só queria estar fora do carro e começou a abrir a porta.

—Você quis ser beijada, Jane — Jean disse com suavidade. —Não importa o que pense, lembre-se de que desejou o beijo tanto quanto eu.

Ele tinha razão, e ela corou de culpa. Quisera o beijo para sentir como seriam outros lábios que não os de Maura sobre os seus.

Agora sentia-se infantil e irritada por ter deixado acontecer. Não queria que Jean pensasse que haveria lugar para ele em sua vida. Maura era a única que importava agora , ferira seus sentimentos Jane a amava.

Que droga! Amava-a com mais paixão a cada dia!

Jane correu para casa sem olhar para Jean seu único pensamento era Maura e como fora idiota com ela.

Olhou para as janelas e não havia nenhuma luz acesa era meia noite com certeza todos já dormiam. Entrou com a copia da chave que a amiga lhe dera, não subiu de imediato pro seu quarto sentou no sófa da sala colocou as mãos na cabeça e começou a chorar.

Já era uma hora da manhã quando finalmente Jane teve coragem de subir pro quarto da loira, parou a frente do quarto de Maura, imaginou que a loira dormia, por isso abriu a porta calmamente para dar uma espiada, mas assim que abriu a porta ficou em choque o quarto de Maura estava completamente arrumado Maura havia sumido a única coisa que lembrava que ela esteve ali era o celular esquecido em cima do criado mudo .

(POV. Jane)

Continuei imóvel, sem saber se desmaiava ou simplesmente saia para procurar Maura olhei pela Janela daqui a pouco ia chover, e Maura não estava aqui por minha culpa ela estava sozinha e magoada em algum lugar em Paris comecei a chorar.

Onde será que a Maura foi? Não é seguro ela andar sozinha na rua a uma hora desta, é perigo, se lhe acontecer alguma coisa eu não vou me perdoar nunca. E se ela por ventura saiu com algum amigo? Não, Maura só tem eu, não há possibilidade dela ter mais algum amigo. Mas e se ela foi a um bar, ela é linda, tem um corpo perfeito e sensual, é maravilhosa e inteligente pior ela é ingenua, se um cara se aproximar dela com segundas intenções ela não vai perceber e ele vai abusar da sua ingenuidade. E se ela tiver interessado por um cara e estiver passando a noite com ele, ele pode estar beijando os seus lábios perfeitos, pode estar tocando a sua pele macia, pode estar a agarrar os seus seios. Ela poderia estar comigo se eu não fosse burra e tivesse aceitado ir jantar com um homem que nem conheço ao invés de jantar com minha amiga.

Paris 22:00: Torre eiffel

Maura chegou há torre, falou com o guarda e logo teve permissão para entrar no elevador de acesso aos andares superiores, era nesta altura que Maura agradecia ter um sobrenome importante e influente em várias partes do mundo, principalmente em Paris, assim sempre tinha acesso à torre.

Maura conhecia a torre perfeitamente, os pisos da Torre Eiffel oferecem perspectivas diferentes da cidade, no primeira andar fica um restaurante super famoso, o 58 Tour Eiffel, no segundo andar, que fica a uma altura de 115 metros, se tem uma visão um pouco mais detalhada dos diversos prédios que compõem a belíssima paisagem de Paris, como a catedral de Sacre Couer e o domo dourado do Hotel des Invalides.

O andar o superior oferece um panorama mais extenso, mas menos detalhado da cidade, mas é também o mais belo onde beleza majestosa que parece transcender a passagem.

O elevador abriu numa área fechada com janelas por todos os lados e em cima as distâncias para várias cidades do mundo. Maura saiu do elevador deu um sorriso para o segurança em agradecimento, a altura a que estava do chão, era algo que ela adorava, sentia a adrenalina percorrer-lhe o corpo todo, sentia um friozinho gostoso na barriga… Maura andou até uma única escada totalmente sem sinalizações e subiu-a, o vento estava fortíssimo, Maura andou até ao Champanhe Bar que nada mais é que uma janelinha com um homem vendendo taças de champanhe francês e comprou duas taças da bebida. Maura andou um pouco pela torre e pode observar Paris em todo o seu esplendor.

De repente a torre começou a piscar, Maura sabia que a torre brilha durante 10 minutos no inicio de cada hora, era portanto 23 horas da noite. Em outras alturas ela acharia tarde, mas não naquela noite, ela imaginava o que Jane poderia estar a fazer com o seu novo amigo e isso lhe doía no coração. Por mais que Maura quisesse ela não conseguia afastar aqueles pensamentos. O tempo passava, os pensamentos vinham com mais intensidade, ela imaginava Jane a ser beijada por Jean Pierre, as mãos dele a deslizar pelo seu abdómen definido, os corpos dos dois colados e as lágrimas voltaram a cair insistentemente e ela continuava a beber a champanhe, ela queria beber para esquecer, mas quanto mais bebia mais parecia que os pensamentos vinham com mais força como se quisessem arrasa-la.

Maura desceu até ao segundo piso e encarou o horizonte, ela precisava de ar, precisava de respirar ar puro, sentia-se a sucumbir aqueles pensamentos.

Já passava da uma e meia da manhã quando um homem se aproximou de Maura, que continuava perdida nos seus pensamentos a fitar um ponto perdido do horizonte.

— Désolé madame, la tour fermera – falou o guarda da torre

Maura enxugou as lágrimas e olhou para o homem – Não vi o tempo passar, Désolé. Que horas são, pode dizer-me se faz favor?

— Sem problema madame. São praticamente duas da manhã. Deveríamos ter dado conta da sua presença antes, pedimos desculpa.

— Oh não por favor, eu que tenho de pedir desculpa. Mas já vou obrigada.

Maura andou até ao elevador, com a ajuda do guarda da torre e desceu até ao piso térreo, mal colocou um pé fora da torre, um enorme temporal abateu-se sobre Paris, Maura nem teve tempo de correr para se abrigar e também não tinha levado consigo chapéu de chuva, em poucos minutos estava completamente encharcada, as suas roupas estavam ensopadas e o seu cabelo escorria água.

— Nada conspira a meu favor – pensou Maura

Já sentindo-se tocada pela bebida, sem conseguir andar direito, Maura começou a andar em direção ao apartamento dos seus pais, imaginava que Jane não estivesse lá e isso tranquilizava-a, pensar que não teria de encontrar com a morena e encara-la deixava-a aliviada ao mesmo tempo que triste, porque se Jane não estivesse em casa era sinal que estava passando a noite com Jean Pierre.

Maura trocava os passos, trombada nas paredes, agarrava-se ao corrimão de praticamente todas as escadas e pontes que apanhava pelo caminho, tudo numa tentativa dificil de manter-se em pé sem ralar o joelhos ou amarrotar o seu Louis Vuitton. Chegou à porta do prédio, pegou a chave na bolsa e antes de conseguir acertar na fechadura, teve várias tentativas falhadas.

Depois de abrir a porta, Maura entrou no apartamento fechando a porta com força, começou a subir as escadas que davam acesso ao andar superior da casa, mas praticamente errava todos os degraus, fazendo um enorme barulho para subir.

(POV. Jane)

Eram umas duas da manhã quando escutei barulhos vindo do andar de baixo , levantei correndo , e para meu alivio era Maura que estava de volta em casa .

— Posso saber onde você andou para chegar a casa nesse estado? – questionou Jane furiosa.

Maura ergueu a cabeça para ver de onde vinha a voz, e viu Jane parada na parte de cima das escadas, com as mãos presas na cintura.

— Não tem nada haver com isso, também não lhe perguntei o que andou fazendo com o seu novo amigo. – respondeu Maura de forma fria.

Ela segurou-se na parede para não cair tinha bebido demais .

—Eu sou adulta faço o que quero — Maura continuou, começando a perder o controle.

—Poderia ter avisado que estava com alguém —Jane falou descendo a escada.

Jane que pensasse o que quisesse, Maura não se importava com mais nada!

Maura continuou a subir a escada e sem querer posicionou um pé mal, rodopiou a escada e caiu sentada no degrau da escada.

Imaginando que Maura se tivesse machucado , Jane correu em seu auxilio, mas logo viu que Maura gargalhava da situação.

— Eu posso responder à sua pergunta sobre o que eu tava fazendo com o Jean, eu jantei e vim para casa e você não tava, fiquei preocupada. Anda eu ajudo-te – Jane colocou uma mão a envolver a cintura de Maura e ajudou Maura a levantar-se.

Dominada pela fúria, ela olhou Jane.

—O que esta fazendo aqui ? Você não quis ir ao apartamento do seu novo amigo? O que houve Jane , não estava disposta porque no museu parecia que estava?

Tudo que Maura conseguia sentir era angústia e amargura ao dizer essas palavras — Eu não preciso da sua ajuda – reclamou Maura.

— Eu insisto.

Maura apoiou um braço sobre os ombros de Jane, imaginando que não conseguiria subir sozinha sem se machucar, e com alguma dificuldade subiram as escadas, Maura achava tudo muito engraçado, ria estridentemente de tudo.

— Maura ri baixo, vais acordar o Luminnier

— Luminnier – Maura repetiu e soltou uma gargalhada.

— E você vai acorda-lo se não parar de rir.

As duas andaram até ao quarto, abriram a porta e entraram na divisão. Jane ajudou Maura a entrar no quarto segurando-a pela cintura, Maura estava um pouco quente. Jane, conduziu-a até a cama e ajudou-a a se sentar na cama, ajoelhada Jane desamarrou os sapatos e as meias de Maura

― Maur ?

Maura ouviu , embora desatenta ,mal conseguia ficar sentada respondeu ríspida. ―Vai embora eu posso me trocar sozinha.

― Não vou a lugar nenhum Maur — De pé Jane tentava retirar o suéter molhado de Maura .

— Voce não vai colocar-me na cama não é? – questionou Maura.

— Sim eu vou.

— Eu não quero, ainda vou lhe atacar – falou Maura dando uma gargalhada.

— Como? – questionou Jane sem compreender o que Maura havia dito por causa da gargalhada.

— Tava brincando Jane – Maura falou jogando-se na cama, exatamente coo havia chegado da rua, toda encharcada.

— Eu não percebi o que você disse, mas você esta ficando com manchas vermelhas na pele, então em algum momento você mentiu.

— O quê? – questionou Maura, embora tivesse percebido a pergunta de Jane, ela sabia exatamente onde tinha mentido, Maura não queria mas respondeu, portanto o melhor era mesmo fazer-se de descompreendida.

— Nada deixa para lá… — respondeu Jane

Notas finais
E agora o que será que vai acontecer? Beijo ♥