Trente jours avec elle
3 Vous allez à Paris?
Notas iniciais

Jane e Maura tinham acabado de chegar na casa da loira. Depois da festa de despedida organizada por Ângela, tinha sido uma festa cheia de emoções, as mensagens de despedida que todos tinham deixado através de videos tinham deixado no ar um gosto amargo de saudade e de boas lembranças que jamais iriam se repetir.
Todo o dia tinha sido nostálgico, para onde olhavam pequenas memórias lhes vinham à cabeça e o caso que tiveram de desvendar não tinha sido tão emocionante e incrível como elas desejavam que fosse o ultimo.
Depois dos vídeos e homenagens Jane e Maura conversaram mais um pouco com o pessoal. Enfim chegaram na casa de Maura as duas entraram em silencio cada uma com o seus pensamentos. Como seria daqui pra frente? Como seria viver sem a outra? Será que a amizade das duas resistiria à distancia? Como seria daqui para a frente Jane não ver a loira todos os dias e vice versa eram tantos os pensamentos. O silencio reinava agora nenhuma das duas tinha coragem para falar dos seus medos e receios .
Jane e Maura estavam no quarto da casa de Maura, Maura andava de um lado para o outro prepararando as malas para a sua viagem a Paris, onde iria ficar para poder escrever o seu livro. Jane permanecia sentada sobre a cama da loira, olhando para ela enquanto iam conversando .
— Adaptador de tomada, confere, dólares americanos, confere, euros, confere . — murmurava Maura enquanto arrumava a mala para a viagem.
— Maura eles têm dinheiro e caixa eletrônica — resmungou Jane .
— E se tiver falta de luz?
— Bom, então… o adaptador de tomadas não vai ter nenhuma serventia.
— Programei dois despertadores para amanhã de manhã.
— Você não precisa
— O meu voo é as 8:00 e eu preciso de estar no aeroporto antes das oito .
— Eu disse que viria te buscar.
— Nós não conversamos sobre isso… E muito emocionante para mim dizer tchau para você no aeroporto .
— Eu sei — falou Jane estendendo um papel na direção de Maura.
— O que é isso? —questionou Maura pegando o pequeno papel e o olhando-o.
— Você usou as suas milhas e me comprou uma passagem para Paris… — Obrigada . —Jane falou encolhendo os ombros de forma irônica.
— Você vai para Paris?—questionou Maura olhando Jane com uma expressão surpresa.
— Sim!— Maura sorriu com a resposta da morena. — Eu chequei com o RH, tenho oito dias de férias, quatro semanas de licença e DPB só compra 8 semanas então…
— E o FBI?
— Eu liguei para eles e perguntei se podia ir depois e eles disseram “ mais oui”
— Você fala francês?
— Eu sei como dizer “mais oui”
— Aaaaaaaaa. —Maura deu um grito estridente de felicidade. — Não posso acreditar!— Teremos um mês inteiro juntas na França. — Maura falou não escondendo a felicidade, aproximou-se da cama e sentou-se ao lado de Jane, enquanto a morena olhava para ela.
— Eu sei . — falou Jane numa expressão de gozo .
— Nós nos divertiremos tanto.
— Eu sei.
— Você tem que ir para casa e fazer as malas. — Maura olhou Jane agora com uma expressão assustada, talvez temendo que a morena não tivesse tempo de preparar tudo o que precisava.
— Não, a minha mala de leopardo está pronta. — Mala essa que Ângela lhe havia oferecido.
— Uma mala?
— Bom é, por quê? Jeans, moletom, blusinhas, escova de dentes …
— Ta você não pode andar pela “cidade luz” com moletons e blusinhas,
— Você vai ver.
— Tudo bem… Terei de mudar o itinerário.
— O quê? Porquê? Nós vamos beber muito vinho, comer alguns queijos fedorentos, seguirei você e olharemos coisas velhas e francesas.
— “Coisas velhas e francesas”? — questionou Maura a rir .
— E beber mais vinho, e o livro que você vai se escrever....
— Não estou preocupada com isso? Não foi assim que imaginei o próximo capitulo começando.
— Talvez essa seja a beleza disso… — falou Jane.
— Ei – falou Maura a olhar para Jane com um sorriso.
—Eu sei – respondeu Jane com um sorriso brincalhão.
—Você deveria usar só isso o tempo todo. – falou Maura referindo-se ao vestido, preto e branco que Jane vestia.
— Não consigo respirar. Você tem algum moletom?
— Você vai de primeira classe? — Maura falou continuando a admirar o bilhete de avião.
— Não, você não vai? – Jane arrancou o bilhete de avião das Maura de Maura, guardou-o de baixo do corpo e gargalharam as duas .
(POV. MAURA )
Encostada na cabeceira da cama, num estado de total relaxamento, com Jane ao meu lado, olho o bilhete de avião de Jane e sorrio. Durante todo o dia, meu coração bateu forte por causa de imaginar a minha vida sem ela. Me considerei derrotada grande parte do tempo, o meu coração estava mais pequenino e vazio e um simples pedaço de de papel mudou tudo, agora parece que o meu coração está a ponto de transbordar de felicidade, nunca imaginei que a Jane seria capaz de me fazer uma surpresa assim.
Dizem que ninguém esquece da primeira vez. Eu mesma sou capaz de lembrar de alguns detalhes que conheci há alguns anos, o espanto, a surpresa a alegria e o prazer, o desfrutar dos cheiros, do frio, das ruas, as longas avenidas rodeadas de árvores, as pontes, os candeeiros de ferro, os cafés com esplanadas aquecidas, os prédios nunca demasiado altos, a Torre Eiffel iluminada, os museus e os monumentos mais conhecidos do Mundo e os crepes de chocolate na rua.. A minha mãe, Constance, ensinou-me os primeiros rudimentos da linguá que ainda hoje me emociona pela sua beleza e toque distinto, mas tenho a certeza que a minha primeira vez não terá o mesmo sabor desta, acompanhada pela Jane…
Passei anos, sonhando, dormindo e acordada com Paris, e agora eu estou indo finalmente para a cidade dos meus sonhos e desta vez não irei sozinha irei acompanhada pela pessoa, pela amiga, que ocupa grande parte dos meus sonhos também, não será a minha primeira vez, mas será a mais especial de todas.
Paris e Jane o que mais eu poderia pedir? Bem um amor também não seria mal pensado, mas sempre ouvi dizer que amizade também e um amor, então eu nesta viagem terei tudo, Paris, Jane e Amor.
(POV. JANE )
Enquanto a Maura estava a fazer a mala, a checar que nada estava faltando, eu a olhava, ela estava muito agitada, andava numa correria de um lado para o outro a ver se nada estava faltando e eu estava ali sentada na sua cama e a olhava, nunca pensei que doeria tanto ver ela fazer a mala, imaginar ela partir e ficar longe de mim. Eu sabia que o nervoso dela também se devia a isso ela iria sentir a minha falta, tanto quanto eu iria sentir a sua falta.
O dia havia sido nostálgico para nós duas e eu não aguentei esconder o meu bilhete de avião mais tempo. Quando ela o agarrou e viu o que se tratava o seu rosto de iluminou, um sorriso lindo nasceu e os olhos brilharam com uma intensidade que eu admito, amo nela.
Eu não conheço Paris e talvez eu nem goste muito da cidade, não me batam, todo mundo fala que Paris é lindo, que é maravilhosa quando está iluminada, mas realmente acho que todo o lado cultural da cidade não me desperta interesse. Mas tenho a certeza que acompanhada por Maura será uma viagem muito interessante.
Na realidade nós merecíamos este tempo para nós, a nossa amizade merecia e a Maura também merecia, pelas tantas vezes que teve de aturar as minhas desilusões amorosas.
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