Trente jours avec elle
28 Pensées matinales
Notas iniciais

Era de madrugada, pela janela entrava apenas a claridade que a lua emanava, Jane acordou, olhou para os lados e não viu Maura. Sentou na cama, com o fino lençol cobrindo-a até aos seios. O relógio que marcava 3:24...
Olhou a janela do quarto e sentada na frente da mesma, numa poltrona, estava uma figura loira, que Jane bem conhecia.
— Maur – Jane chamou a figura loira continuava imóvel olhando o céu através da jenela.
(Pov. Maura)
Parece que os dias passaram mais depressa que o normal, em menos de uma semana a Jane estará de volta ao seu trabalho, não em Boston, onde é a nossa casa, mas em quântico, iremos separar-nos novamente. Quem diria que chegaríamos aonde estamos? Quem diria que um dia deixariamos de ser apenas as melhores amigas e passariamos a pertecer uma a outra? Parece que foi ontem que eu lhe disse que a amava e ela retribuiu, parece que foi ontem que nos beijamos pela primeira vez, parece que foi ontem que fizemos amor pela primeira vez. E agora tudo esta perto do fim, estes dias foram os melhores da minha vida, mas eu não posso pedir que escolha entre mim e o trabalho dela, ser detetive é o que ela é e pedir-lhe que fique seria egoísmo da minha parte, e sei que a faria infeliz o resto da vida e eu posso conviver com a sua ausência, mas jamais poderei conviver com a culpa da sua infelicidade.
Eu irei sentir a sua falta, muito, a cada dia, a cada hora, a cada minuto, a cada segundo, a cada batida do meu coração. Ela não tem noção da falta que irá fazer pra mim, a sua ausência é como se faltasse algo aqui dentro, do meu coração. Sempre foi e só agora tomei consciência. Todos os dias quando acordo, a primeira coisa que faço é sentir o seu cheiro e quando ela for embora tudo isso irá embora com ela e eu não sei como vou combater essa ausência. Com quem irei conversar, confidenciar, quem irá aguentar a minha lingua grande e toda a minha inteligencia? Quem irá segurar a minha mão, ajudar-me a combater os meus medos, quem irá estar ao meu lado nas minhas lutas? Quem me irá ajudar a combater os meus demónios?
Como eu irei conseguir combater as lembranças que me aceleram o coração, os olhos dela nos meus, a pele dela na minha, as mãos dela nas minhas, os seus lábios nos meus, e me fazem sentir saudades se estiver longe apenas uns minutos?
***
Jane levantou-se da cama, sorrateiramente, pegou uma camisola e aproximou-se da poltrona tocando ao de leve o ombro de Maura, despertando-a dos seus pensamentos – Maur – chamou novamente de forma doce com a sua voz mais rouca devido ao sono.
— Oi – Maura respondeu olhando sobre o ombro para Jane. Naquele momento Jane pode ver a lágrima que escorria pelo canto do olho de Maura.
— Porque acordou tão cedo e saiu da cama? – Questionou a morena.
— Não cheguei a adormecer, não consegui, então preferi vir olhar a lua, está tão bonita.
— O que você tem? – Questionou Jane
— Nada – respondeu Maura voltando a encarar a luz da lua, escapando ao olhar de Jane questionador.
— Você sabe que não pode mentir para mim… aliás você nao pode mentir, não tarda começarão a aparecer urticarias em sua pele.
— Estava, só, pensando na vida.
— O que você estava pensando? fala para mim Maur!
—Eu não quero falar sobre isso Jane, por favor – Maura pediu numa tentativa de fugir daquele assunto.
— Eu não vou desistir você sabe, por isso é melhor você falar para mim, o que você estava pensando e o que estava fazendo você chorar e não precisa negar, eu vi Maur… fala comigo por favor, confie em mim – Jane pediu de forma carinhosa.
— Só estava pensando que dias passaram a correr, logo tudo estará acabando e você irá voltar.
— Você esta triste porque eu vou embora? – Questionou Jane – Mesmo longe eu irei continuar amando você.
— Até quando Jane? Até quando? – Indagou Maura
— Sempre Maur, não duvide!
— Eu sei que você tem de voltar, é o seu caminho… – Maura desviou o assunto – Só que estes dias foram tão bons, irão deixar saudade!
—Tem razão Maur, mas podemos esquecer que terei de voltar por mais uns dias — Jane falou se aproximando — Então vamos aproveitar e esquecer, pode ser? — Falou a beijando e em seguida sentando do seu lado no cadeirão, aconchegando-a contra o seu peito, Maura abanou a cabeça em sinal de sim e as duas acabaram por adormecer ali, sentadas naquela poltrona, aconchegadas uma na outra.
O dia amanheceu frio e nevando em Paris, Jane e Maura acordaram com alguns raios de luz adentrando o quarto, batendo no seu rosto através da janela.
— Bom dia meu amor! — A morena exclamou.
— Bom dia! — A loira respondeu se levantando.
— Onde você vai? – Questionou Jane
— Preparar o nosso café da manhã, como você falou temos de aproveitar antes de você ir embora.
Jane agarrou a mão de Maura puxando-a para si – Não vá, porque não vamos tomar o café da manhã na rua?
— Hummm – murmurou Maura – Qual a sua ideia? – Questionou intrigada
— Talvez, uns macarons, uns choux, uns éclairs…
— Onde você pensa colocar essa comida toda? – Questionou Maura praticamente em choque com aqueles pensamentos de Jane – Nunca eu deixaria você comer isso tudo, so se quiser passar mal.
— Qual é Maur é só hoje…
— Não Jane – falou decidida — vamos tomar o café na rua, mas só croissaints, pao quentinho, uma chávena grande de café com leite, feita de partes iguais de café expresso e leite. Manteiga e geleia de morango ou alperce.
—Tudo bem… — Jane resmungou levantou-se e saiu pisando forte até ao banheiro e logo Maura ouviu a torneira da box começar a correr, soltando uma gargalhada.
— Como eu amo esse seu bom humor matinal Jane Rizzoli – pensou Maura para si. – E como eu vou sentir falta disso – pensou suspirando frustrada.
Maura andou até ao banheiro, tirou a roupa e entrou dentro da box colando o seu corpo em Jane que estava completamente encharcada.
— Será que posso tomar banho com a minha namorada? – Questionou Maura deslizando as mãos pelos braços da morena, que ficou em pele de galinha com o toque.
— Não sei… — resmungou Jane – Você não quer me deixar tomar um bom café da manha…
— Você sabe bem que aquilo que você quer comer irá fazer mal para você – falou Maura – Mas tudo bem, eu tomo banho depois, sozinha. – Falou enfatizando a ultima palavra, voltando-se na box, ficando de costas para Jane, ameaçando sair de lá de dentro.
— Não – Jane agarrou Maura pela cintura, puxou-a para si e a prendeu junto ao seu corpo.
Maura sorriu e voltou-se de frente para Jane – Então mudou de ideias? – Questionou
— Sim, eu adoraria que a minha namorada tomasse banho comigo. – Falou Jane envolvendo Maura em um abraço apertado e beijando o seu pescoço.
A agua começou a cair por cima das duas, molhando os cabelos de Maura que ainda estavam praticamente secos e logo as duas passaram shampoo nos cabelos e massagearam as suas cabeças, logo depois passaram gel de banho no corpo e lavaram o corpo.
Sairam de dentro da box, enxugaram os seus cabelos e corpos e andaram até ao quarto, colocaram uma roupa adequada para o frio, calçaram-se e pentearam os seus cabelos e para terminaram colocaram gorro, cachecol e luvas, ficando totalmente preparadas para o frio que tinha tomado conta da cidade, por conta da neve que caia.
Sairam de casa andaram um pouco até aos jardins de mars e entraram numa confeitaria com uma bonita vista sobre a torre Eiffel que devido à neve intensa que caia estava totalmente branca.
Essa confeitaria é considerada uma das mais melhores de Paris. As fachadas são cobertas com painéis de cerâmica verticais com tema floral, composto de flores silvestres (como papoilas, margaridas e cardos) e espigas de milho na parte inferior e uma cesta ou um buquê de flores no topo, suspenso por uma fita azul. Os painéis são compostos de azulejos quadrados de 10 cm de lado, pintado. O pedestal é decorada com um friso de flor de cardo-de-rosa. O interior inclui tela pintada fixa sob o vidro e as mesas, pequenas mesas redondas de madeira escura, dispersas pela sala, com pequenos floreados em talha dourada.
As duas entraram e acomodaram-se em uma mesa que fica frente a uma das grandes vitrines da confeitaria, ficando com uma vista previlegiada para a torre.
— Bonjours madames, o que vão queres? – questionou uma atendente sorridente aproximando-se da mesa onde estava sentadas.
— Traga-nos o tipico café da manhã francês, com croissaint, paezinhos, compotas, leite e café – pediu Maura de forma delicada.
— Só um minuto – a atendente anotou o pedido num bloquinho e saiu em direção ao balcão.
Algum tempo depois a simpática atendente voltou trazendo uma bandeja com diversos produtos fresquinhos, dispôs tudo sobre a mesa, serviu as duas e retirou-se, deixando as duas sozinhas disfrutando do café da manha, da companhia e da vista sobre a torre, como Jane ainda nunca tinha visto, estando por isso deliciada com as formas que a cidade ganhava.
Depois de tomarem o pequeno almoço, pagaram a refeição, deixaram a padaria e pegaram o metro com destino à estação da bastille.
PARIS 11:00 — Place des Vosges
Ainda na estação de metrô puderam ver um pedaçinho da antiga fortaleza, com um painel explicativo.
Chegando à Praça da Bastilha, chegaram ao local onde ficava a famosa fortaleza de mesmo nome. Ali encontraram a Collone de Juilet (Obelisco) e a Opera de Paris Bastille.
Depois de andarem pela praça da bastilha, com a ajuda de um mapa andaram até à famosa places des Voges. Uma praça com simetria perfeita, pequena, com imóveis residenciais de tijolos vermelhos, tetos pontudos de ardósia e, no centro, um delicioso jardim com estátuas e fontes, sendo uma de suas casas a maison de Victor Hugo. Todos os prédios são da mesma altura com exceção dos Pavilhões do Rei e da Rainha, todos protegidos pela lei de proteção dos monumentos nacionais.
Começaram a andar pelas as arcadas, enquanto Maura namorava as vitrines, Jane observava o requinte e a satisfação das pessoas dentro dos pequenos cafés e restaurantes e assim foram descobrindo os segredos desta praça aconchegante e romântica.
Continuando a andar pela praça no número 6 da Place des Vosges, encontraram o Hotel Rohan-Guéménée onde viveu o escritor Victor Hugo de 1832 à 1848. Hoje, o local abriga a Maison Victor Hugo, um museu que restitui a vida do grande escritor. Entraram no museu observaram os manuscritos, os desenhos e pinturas de Hugo. Observaram também pinturas e esculturas de outros artistas em homenagem ao escritor, caricaturas e fotos e uma importante biblioteca aberta aos pesquisadores.
Saindo do museu, um pouco mais à frente, encontraram a entrada do Centro dos Monumentos Nacionais que fica em um dos mais bonitos prédios da cidade: o Hotel de Sully, no entanto sua visita não é permitida.
Depois de passearem bastante, chegou a hora de almoço.
No número 9, está um dos melhores e mais luxuosos restaurantes de Paris. Instalado na praça desde 1986, o L’Ambroisie tem 3 estrelas do Guia Michelin. A entrada discreta disfarça o interior com várias salas decoradas luxuosamente, continuaram a andar até chegarem a um bistrô, um local pequeno, discreto, com o menu escrito na porta do restaurante naqueles quadros verdes, com giz, o seu interior era bem charmoso e bem decorado com paineis dourados e arranjos florais no centro das mesas.
Jane e Maura entraram no bistrô pegaram a mesa e se acomodaram em confortaveis cadeiras e foram logo fazendo os pedidos, assim elas esperaram um pouco e ficaram conversando sobre as crianças e sobre como seria o futuro longe uma da outra, de quanto tempo iriam estar sem se ver, de como iriam falar todos os dias.
PARIS 15:00 — Refuge — Village enfance heureuse
Depois de um delicioso almoço. Jane e Maura pegaram um taxi e andaram até ao refugio para ver Bem e Zahara, Jane os que ver já que seria a última vez que os veria antes de partir para quântico e estranhamente isso lhe causou uma dor, como se tivesse tirando um pedaço dela, desde quando aquelas crianças passaram a significar tanto para ela ao ponto de sentir o coração doer ao imaginar a despedida? Pensava Jane para si.
―Jane ? — Perguntou Maura, estranhando o silêncio de Jane.
Então Maura se virou e viu Zahara se aproximando quando as viu. Como das outras vezes ela correu e se jogou nos braços de Jane que já estava a esperando abaixada.
―Coucou Jane — disse Zahara
―Ola minha pequena — disse para Maura traduzir para a garotinha. Maura traduziu fazendo a menina sorrir.
Desde a primeira vez em que teve Zahara nos braços assim como Bem sentira que os amara muito mais do que simples crianças que conhecia normalmente no dia a dia ou no seu trabalho, não sabia explicar mas para Jane, assim como para Maura, as crianças eram especiais.
Depois de mais alguns minutos Jane pega a garotinha no colo e a abraçou com força, fazendo-lhe cócegas enquanto esta se contorcia sorrindo e soltando gargalhadas altas e contagiantes. Depois de mais alguns momentos Jane coloca ela no chão, e num gesto automático Zahara segura a mão da morena e sai a puxando pela sala. Fazendo com que ela e Maura rissem da sua espontaneidade
―Vamos ver Bem – falou Zahara com a empolgação normal de uma criança.
E la foram as três buscar o menino para brincar. Se aproximaram do berço e Bem que estava sentando brincando com alguns chocalhos, aparado por almofadas.
Quando Bem viu Maura agitou insistentemente os braços em sua direção como se estivesse pedindo para ela o pegar, Jane pegou Zahara no colo novamente e junto com Maura que já estava com Bem aninhado em seu colo andaram para o sofá, assim como da outra vez bricaram com as crianças e leram para elas algumas histórias infantis, e ali ficaram entretidas sem ver o tempo.
Junto ás crianças ambas sentiam-se tão bem, tão felizes e em paz que o tempo parecia voar, como se horas de partilhas e brincadeiras se esfumassem em meros minutos. Ali tudo o que elas queriam era que o tic-tac do relógio abrandasse e eternizasse aquele momento, mas ao inves disso os posteiros do relógio pareciam acelarar mais e mais.
Até que Anabelle veio até elas dizer que teriam de se despedir uma vez que estava na hora das crianças lanchar.
— Esse tempo parece que voa – resmungou Jane
— Você sabe que isso é impossivel Jane, o tempo não voa – Revidou Maura — De acordo com cientistas, nosso cérebro é limitado a escolher apenas algumas atividades para nos focarmos. Ou o foco é no relógio, ou é em outra coisa que chame mais atenção, e que pode fazer um dia bom ou ruim voar. Distrações prazerosas realmente fazem o tempo passar mais rápido, mas quando estamos focados em uma tarefa, o tempo passa mais rápido também. De acordo com Simon Grondin, psicólogo que realiza pesquisas sobre a percepção do tempo na Universidade Laval, no Canadá, uma frase mais precisa poderia ser: “o tempo voa quando você não está prestando atenção nele”.
— Parou boca de google? – Jane olhou para Maura e respondeu de forma provocadora, piscando o olho de seguida para a loira.
— Fazer o quê? – indagou Maura
Maura deu um beijo em cada criança e logo depois Jane baixou-se à altura de Zahara e deu um beijo na bochecha da menina e um abraço apertado e em seguida pegou Bem do colo de Maura, falou um pouquinho com o menino e deu-lhe também um beijo na testa.
A morena não conseguia falar a emoção estava tomando conta dela, Jane não sabia se teria mais alguma oportunidade de ver as crianças, até elas serem adotadas por alguma familia, isto se o juiz não autorizasse a adoção por parte de Maura. Anabele pegou Bem dos braços da morena, e pegou a mão de Zahara e despediu-se das duas, que andaram para fora da instituição
As duas sairam do refugio e Maura reparou na lágrima que ameaçava cair dos olhos de Jane, a loira passou as mãos pela cintura da morena e fechou o espaço que as separava, deixando os seus corpos colados.
— Porque você está chorando? – questionou Maura
— Não sei quando me apeguei tanto a essas crianças… talvez nunca mais as veja.
— Você irá ver sim Jane, eu irei ficar com elas e nós iremos visitar você e quando não pudermos visitar você, você pode vir visitar a gente sempre que tiver vontade, nós iremos sentir muito sua falta.
— Como você pode ter tanta certeza? – questionou Jane
— Sinto, apenas sinto Jane– respondeu Maura olhou no fundo dos olhos de Jane com um sorriso sereno e confiante no rosto — E não irei desistir, por eles, por você e por mim.
— Com o tempo as crianças irão esquecer de mim e você… — falou jane sentido a lagrima soltar-se sendo derramada nos seus olhos.
— Você não ouse dizer isso Jane, nunca ouviu? – indagou Maura — De madrugada você falou que sempre vai me amar e eu também sempre vou amar você, não importa a distancia e o tempo que nos separe…Eu amo você como eu nunca amei ninguém em toda a minha vida, e quando você for embora, eu vou ficar quebrada, sonhando com o dia que vamos nos encontrar de novo.
Jane abraçou mais forte a loira quando a ouviu falar — Maura eu nunca nunca vou parar de te amar — disse Jane com as lagrimas caindo pelo rosto, beijando logo de seguida a testa da loira.
Depois de passearem mais um bocado em Paris cansadas resolveram ir para casa, pegaram um taxi que ali passava na rua e deram as indicações que as levaria a casa.
Mas quando desceram do taxi estranharam a luzes acesas, que se avistavam pelas janelas do apartamento, já que não tinha ninguém em casa.
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