Trente jours avec elle
33 Nous ne sommes pas rencontrés?

Os dias Passaram sem que Jane e Maura se apercebessem. Jane se mantivera tão ocupada que mal havia notado que fazia um mês que estava no FBI.
Falava com Maura sempre que possível. Descobriram rapidamente que podiam expressar os sentimentos com poucas palavras e seus diálogos tornaram-se mais breves com a passagem do tempo.
O treinamento e as aulas que palestrava a consumiam, deixando-lhe apenas algumas horas para dormir. Jane tentava suprir as necessidades da vida, acostumando-se com a nova rotina embora nunca deixasse de pensar em Maura.
A rotina e as exigências do quotidiano a ajudavam a sobreviver à solidão não havia um só dia em que não pensasse nela com o peito apertado pela saudade
Quando Jane se deitava em sua cama esperando que o sono viesse, seu corpo lembrava-se das noites em que passaram nos braços uma da outra, e sua pele guardara as memórias do toque das mãos de Maura.
(Pov. Maura)
Sinto falta do seu sorriso meigo me olhando, sinto falta do seu abraço forte fazendo eu me sentir segura, sinto falta dela brincando para que eu não colocasse saltos, sinto faltar de tomar cerveja com ela, sinto falta de estar somente eu e ela. Sinto falta de dela e assim tenho passado meus dias, entre lembranças e sonhos que sei que não irão se concretizar. A vida dela é lá não aqui…
Saudade é essa dor que ela provoca no coração. Como se naquele momento nada existisse além do aperto e da vontade de querer que tudo voltasse a ser como era antes.
E essa saudade em vez de morrer, me mata.
A saudade que eu estou de compartilhar meus dias ao lado dela, me perturba, pois agora ela esta longe, porem perto. Longe pois ela não esta comigo e perto porque eu sempre a carrego comigo no pensamento, no coração.
A saudade não se mede pelo tempo da ausência, mas pela intensidade da presença.
Por mais que eu tento não lembrar dela, vem aquele aperto no meu coração dizendo:
— você ainda sente a falta dela — sim eu sinto falta do seu cheiro, do seu abraço, dos seus beijos e muito mais sinto falta dela.
Eu consigo suportar muita coisa sozinha, mas chega uma hora que os abraços dela, os beijos dela, as pequenas atitudes que ela sempre tinha ou um simples “eu te amo” dito com sua voz grave e rouca fazem falta.
WASHINGTON DC 8:30 – FBI
Jane passou uma grande parte da noite sem dormir olhando para o teto, começo a lembrar dos momentos com Maura ,os cafés da manhã .os passeios . A poltrona e o sofá onde ela tinha sentado, a xícara em que havia tomado seu café, os momentos de amor. Tentou ler um livro, mas as cenas de amor ali contidas faziam com que se lembrasse mais ainda de Maura. E aquilo era muito dolorido.
Finalmente, desistiu de dormir e saiu da cama uma hora mais cedo do que o habitual. Bebericando uma xícara de café, ficou olhando pela janela. Resolveu se vestir. Saiu de casa e reparou que havia nuvens escuras no céu.
O dia estava acinzentado, exatamente como seu humor. Como sua vida havia mudado em tão pouco tempo. Como Maura Isles mudara o rumo de sua pacata existência. Ela entrara em sua vida e em seu coração, ela virará sua vida do avesso. Com ela descobrira a verdadeira essência do amor , aquele sentimento, fantástico e intenso A chuva começou quando ela estava na metade do caminho. Pouco depois, transformava-se numa tempestade tão violenta, que era difícil até ver a rua. Estacionando em sua vaga habitual, apanhou o guarda-chuva e desceu do carro, sabendo que ia se molhar de qualquer jeito. Estava certa.
No momento em que entrou no prédio do seu escritório, estava completamente ensopada. Começou a trabalhar com a eficiência de um computador, tentando esquecer a tristeza que consumia seu coração.
PARIS 20:00 – Maison Isles
30 dias se tinham passado desde a partida de Jane para o FBI, Maura poderia jurar que aqueles 15 dias foram os mais dificeis da sua vida, nunca, nem quando era afastada da sua familia se sentiu tão sozinha como naqueles dias, era como se um pedaço dela estivesse fora, o que na realidade estava, Jane era um pedaço de si, Jane era a dona do seu coração, dos seus pensamentos, dos seus desejos.
Luminnier em todos aqueles dias não se media a esforços para tentar arrancar um sorriso de Maura, fazia as suas refeições favoritas, mantinha com Maura conversas aleatórias sobre assuntos que sabia que empolgavam Maura, mas todos os seus esforços pareciam ser em vão, os unicos momentos onde Maura se sentia feliz era quando visita Bem e Zahara no orfanato, todos os outros momentos, quando estava em casa, a escrever o seu livro, parecia uma pessoa completamente diferente.
— O que é isto Luminnier? – questionou Maura com um bilhete de avião na mão.
— Significa que quero que a menina seja feliz e a sua felicidade não esta aqui – respondeu o homem serenamente.
— Mas eu não posso… as crianças!
— Ma fille, é so um fim de semana, vai sexta e volta na segunda bem cedo. De qualquer forma o seu advogado poderá contacta-la a qualquer hora através do seu telemóvel.
— Eu não sei, a Jane pode não gostar
— Menina, você sabe que isso não sera um problema, a menina Jane sente tanto sua falta como a menina sente falta dela. Suba e prepare a sua mala ma fille.
Maura sorriu para o homem, deu-lhe um grande abraço e subiu até ao seu quarto, escolheu algumas roupas adequadas ao tempo que se sentia em Washington e colocou-as dentro de uma mala.
Naquele dia Maura foi dormir mais cedo, estava tão feliz que o sono parecia ter colaborado, há muitos dias que ela não se sentia como naquela, a certeza de estar a poucas horas de ver Jane a deixava imensamente feliz, ela só queria dormir, para não dar tempo pelo tempo para, assim quando abrisse os olhos, pegaria as malas, faria check-in e entraria dentro do avião com destino ao amor, com destino a Washington.
WASHINGTON DC 9:30 – FBI
O dia havia amanhecido frio, mas o sol estava a espreitar por entre as nuvens, o fim de semana estava a porta, como das outras vezes, Jane iria optar por ficar em casa, distraida a ver algum filme de forma a ocupar a cabeça, não tinha vontade de passear porque qualquer sitio que fosse se lembrava de como era bom ter Maura junto a si conhecendo todas aquelas ruas, monumentos e centros comerciais.
Depois de chegar ao seu trabalho, Jane sobe até à sua sala e se senta em frente ao computador começando a digitar algumas coisas relativamente ás aulas que lecionava.
— Jane você quer ir conosco ao bar depois do expediente? – questionou Robert
— Não sei, não estou com muita vontade – respondeu Jane
— Vá lá Jane voce tem de se distrair e conhecer novas pessoas, fazer novas amizades.
— Tudo bem eu vou, encontro-vos no bar.
Depois de preencher alguns relatórios Jane pegou o celular para ver se não havia uma mensagem de Maura, mas para sua tristeza não havia nenhuma, estranhou porque sempre a loira mandava uma, digitou o seu numero e ligou mas, no mesmo segundo, o celular caiu na caixa postal.
Depois de esperar um pouco pelo retorno, em vão, mandou uma mensagem para a loira mas mais uma vez não obteve retorno.
— Onde será que Maura esta? Será que aconteceu algo?– Pensou para si, mas logo descartou a ideia, noticias ruins são as primeiras a chegar e portanto se tivesse acontecido alguma coisa ela ja saberia, Luminnier a teria informado.
Foi então que Jane teve a ideia de ligar para o homem, esperou alguns segundos e do outro lado escutou-se uma resposta em francês que Jane não entendia.
— Alô, ici parle de la maison des Isles. – falou Luminnier ao atender o telefone.
— Luminnier, sou eu Jane – a morena falou tentando que o homem se reproduzisse em francês, para ela conseguir compreender.
— Ohhh Jane, é você? – indagou o homem
— Sim sou eu Lumminer.
— Não esperava sua chamada, posso ajuda-la? – questionou, embora sabendo o que a morena pretendia.
— Sim, eu ando á procura de Maura, já tentei liguei para o seu celular mas cai sempre na caixa postal. Você poderia chamar ela para mim?
— Sinto muito Jane, ma fille não esta em casa, ela anda um pouco ocupada – mentiu o Luminnier, sabendo onde Maura estava não poderia falar-lhe, aquela hora Maura estava dentro de um avião.
— Hummmm – murmurou Jane – Quando ela chegar a casa peça para me ligar. Abraço para você Luminnier.
— Creio que não será preciso…Abraço Jane. – Logo de seguida Luminnier desligou o telefone, sabia que o instinto detetive de Jane iria questiona-lo sobre a sua ultima resposta e ele sabia que não poderia alongar-se mais do que quilo.
Jane desligou o telemovel frustrada, nunca Maura tinha deixado de falar com ela por falta de tempo, talvez as coisas estivessem a mudar e a distancia estivesse a mudar o sentimento de Maura para consigo, pensou para si e ele pensamento a atingiu fortemente, uma dor e uma angustia invadiu o seu peito e ela não conseguiu conter a tristeza e seus olhos marejar e continuou a trabalhar, embora a sua concentração não a ajudasse, o seu pensamento continuava em Maura.
O resto do dia no escritório passou devagar, como sempre, enterrada à frente de um computador a escrever relatórios e a espera das aulas para lecionar aos novos oficiais.
Ao mesmo tempo que Jane terminava mais um dia no seu trabalho, o avião que trazia Maura acabava de aterrizar em Washington no Aeroporto Internacional Washington Dulles. Depois de fazer check-out e pegar suas malas na passadeira rolante andou até à entrada do aeroporto e pegou um taxi. Depois de explicar ao homem onde pretendia ir, o homem começou a sua marcha, explicando que o local não ficava muito longe do sitio onde estavam.
WASHINGTON DC 21:30 – Blues house
Blues house era exatamente o que Maura esperava: um bar lotado barulhento e lembrava muito o Dirthy Robber. Olhou em volta, o coração disparado. Estava tão nervosa, que mal conseguia respirar. Não podia estar mais cansada. Seu dia havia sido muito longo. Começava a achar que tinha feito uma grande bobagem. Por que não a avisara de sua chegada? Ela havia levado horas para encontrar aquele bar. Droga. Por que não avisara a morena? E se a morena não tivesse ali.
E então Maura a viu. Ela estava mais adiante sentada tomando uma cerveja com os amigos. Seu coração deu um salto. Como ela era bonita... ainda mais bonita do que se lembrava. Fazendo força para controlar uma vontade incrível de correr a seu encontro, ficou ali parada durante alguns instantes, estudando-a de longe. Esfregou as mãos. As palmas estavam molhadas de suor. Agora que estava ali, a poucos metros de distância, não sabia o que falar. Jane ainda não a vira. Aproximou-se de sua mesa com passos lentos, a respiração irregular e ofegante. Então, lembrou-se do dia em que a vira, naquele cafeteria em Boston .
— Com licença, senhora. Será que já não nos encontramos antes?— falou, fazendo Jane virar-se rapidamente.
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