Trente jours avec elle
24 Je vous ai manqué
Notas iniciais

— Jane – ouviram ao fundo da sala uma voz infantil e logo viram uma menina pequena a correr para os braços da morena.
Jane abaixou-se, colocou as sacolas no chão ao lado do corpo, abriu os braços e recebeu a menina nos mesmos. Levantou-se com ela nos braços.
— Je vous ai manqué – falou Zahara abraçando o pescoço de Jane com os seus pequenos braços.
Jane olhou Maura, como uma expressão de “socorro não percebi” e Maura saiu em seu auxilio. Maura, também colocou as sacolas no chão e falou.
— Zahara falou que sentiu sua falta – respondeu com um sorriso terno no rosto. A loira estendeu os braços para a garota e logo a pegou no colo…
— Jane também sentiu sua falta Zahara e eu também – falou – Não vou ganhar um beijo?
— Oui oui oui – repetiu zahara agarrando-se ao pescoço de Maura e juntando os seus lábios na face da loira, apertando.
— Eu e Jane trouxemos presentes para você e seus amiguinhos, você não quer chama-los? – Questionou Maura
— Ouiiiiiiiiii – respondeu praticamente pulando do colo de Maura. A menina correu em direção aos amigos e num instante um enorme grupo de crianças apareceu em volta delas, aos gritos, era visível a empolgação daquelas crianças.
Maura e Jane abriram as sacolas e começaram a distribuir os embrulhos. Á medida que as crianças iam recebendo um embrulho corriam em direção a uma mesa e começavam a rasgar o papel que o envolvia. A pequena sala de convívio tinha transformado-se numa confusão de papeis, crianças a correr, gritos e gargalhadas felizes.
— Esse agora é para você Zahara – falou Maura entregando um embrulho à pequena.
— O que é? – Questionou a menina para Jane e Maura
— Não sei – respondeu Jane
—Porque não abre? – Sugeriu Maura
Zahara sentou-se no chão com o embrulho sobre as pernas, tirou o laço que o envolvia e começou a rasgar o papel.
De dentro do papel começou a revelar-se um bonito urso de puluche.
—Un ours en peluche – falou a menina empolgada – É lindo — Zaharra levantou-se do chão e saltou para o pescoço de Jane e Maura envolvendo-as num abraço apertado.
— Voce gostou Zahara? – Questionou Maura
— Eu gotei, é muito bonito. – A menina sorriu e soltou o pescoço das duas. Olhou o chão e viu que havia mais uma sacola com um presente.
— E ete pesente é pa quem? – Questionou apontando o embrulho.
—Este presente é para o Bem, você nos leva até ele para lhe podermos dar o presente? – Questionou Maura, enquanto Jane as olhava tentando entender alguma coisa.
— Eu levo – falou agarrando a mãos das duas – Eu posso abir o pesente dele? Ele não sabe – falou Zahara enquanto andavam até ao berço onde Bem brincava com um móbile suspenso.
— Ela pode abrir o presente do Bem, não pode Jane? – Maura questionou a morena tentando manter a morena na conversa.
—Oui – respondeu Jane para a menina.
Chegaram ao pé do berço, Maura estendeu os braços para a pequena cama e pegou o menino ao colo e logo Jane entregou o embrulho a Zahara. A menina rasgou o papel e tirou o brinquedo de dentro dele.
— Bem vai gostar – falou Zahara carregando num dos botões, que fez soar uma musica. Imediatamente, Bem reagiu aquele som, abanando as pernas e as mãos alegremente.
— Parece que ele gostou sim – falou Jane
— Você gostou, Bem? – Questionou Maura. Reagindo ao seu nome o menino voltou a balançar as mãos e as pernas enquanto sorria para Maura.
Anabelle observava a interacção dos quatro, atentamente ao fundo da sala, e não deixava de sorrir. Calmamente foi se aproximando deles.
— Vocês têm muito jeito com crianças – falou Anabelle apanhando as duas distraídas com as crianças.
— Nem vimos você chegar Anabelle, como está? – Questionou Jane, enquanto Maura dava um sorriso terno para a mulher.
— Estou bem e vocês?
— Estando rodeadas por amores assim é impossível não estar bem. – Falou Maura.
— Quero agradecer-vos pelos presentes as crianças ficaram muito felizes e já estão todos a experimentar os novos jogos.
— Ainda bem que pudemos ajudar de alguma coisa, é tão pouco o que podemos fazer.
— Zahara, amor, porque não vais brincar com o novo presente que a Jane e a Maura te ofereceram? – Anabelle falou e a menina sorriu e saiu com o seu brinquedo na mão.
— Voltando à nossa conversa… Acreditem vocês já estão a fazer muito… Há pessoas que fazem muito menos. Amor é tudo o que estas crianças pedem, a maioria delas são provenientes de famílias disfuncionais que apresentam comportamentos auto-destrutivos, ou seja, comportamentos de risco, relacionados com a toxicodependência, alcoolismo, prostituição, maus-tratos físicos e psicológicos e em suas casas não recebem qualquer gesto afectivo.
— Como vai ficar a situação da Zahara e do Bem? – questionou Maura
— Tinhamos enormes expectativas que com a divulgação da história das crianças, a nivel internacional através dos meios sociais, nos ajudasse a encontrar familiares deles…
— E não ajudou? – questionou Jane
— Não… até ao momento nenhum familiar das crianças entrou em contacto com a nossa instituição ou com as autoridades nacionais. – Anabelle falou num tom triste que mostrava toda a sua angustia relativa à situação.
Maura engoliu em seco e Jane pode perceber o quanto a loira sentiu aquelas palavras chegou o seu corpo ao da loira e abraçou a sua cintura, Maura olhou Bem ao seu colo e uma lágrima correu na sua cara.
— O que vai acontecer com eles se não aparecer nenhum familiar? – questionou Maura com os olhos a lacrimejar.
— Se nenhum dos parentes vierem busca-los eles terão que irão para um lugar credenciado pelos serviços sociais e aceite pelo juiz... até que se defina sua situação.
— Você quer dizer que eles irão ser entregues para a adoção? – questionou Maura
— Sim doutora, se nenhum familiar aparecer, num prazo máximo de 20 dias, a contar desde o momento em que entraram na nossa instituição, eles entrarão no sistema de adoção, à procura de uma familia.
— Eles não podem ficar com vocês aqui enquanto a situação não se definir?
— Por muito que quisessemos não podemos, o nosso sistema esta lotado, nós apenas os pudemos receber por se tratar de uma situação provisória, tinhamos mesmo esperança que aparecesse alguem da familia.
— E se a familia que os adotar não quiser adotar os dois?
— São bem poucas as famílias que aceitam adotar grupos de irmãos. E a imensa maioria das crianças disponíveis à adoção tem irmãos. E pela lei, grupos de irmãos não podem ser separados. Esse é mais um motivo porque, mesmo havendo uma fila tão grande de candidatos à adoção, poucas crianças conseguem ser efetivamente adotadas. Por outro lado, famílias que aceitam adotar irmãos esperam bem menos tempo para isso, pois praticamente não existe fila.
— E se ninguem se disponibilizar a ficar com os dois?
— Significa que irão ficar institucionalizados, em lista de espera, até aparecer alguem disponivel para os adotar.
— Isso pode demorar… — Jane foi interrompida por Anabelle
— Dias, mêses e nos piores casos talvez anos.
Naquele instante como se percebendo a conversa bem começou a chorar descontroladamente, instintivamente Maura o aconchegou contra o seu peito e o abanou mais forte.
Maura olhou Anabelle assustada como procurando alguma resposta para aquele ataque repentino do menino, era a primeira vez que Bem tinha um ataque de choro assim, desde que as duas o conheceram.
— Não se preocupe Maura, nos ultimos dias esses ataque por parte do Bem e mesmo da Zahara, têm acontecido regularmente, não é nada contra si, os bebês sentem saudade dos pais, principalmente da mãe, do colo, do cheiro, do aconchego, da rotina... bebês e crianças precisam dessa segurança! O Bem sente falta da rotina que tinha com a familia, aqui é sempre diferente, por muito que tentemos dar atenção a todos por igual, temos de nos desdobrar em multiplas atenções…
— O Bem é tão pequeno – murmurou Jane
— É… — concordou Anabelle — As crianças, como os adultos, também tem um limite, um "termostato" interno que regula questões emocionais até certo ponto. Tenho visto que a ausência dos pais suportada com mais tranquilidade pelas crianças fica em torno dos 7 dias, após isso, talvez pela repetição da rotina, elas começam a entrar em um estado de esgotamento, passados 10 dias os sintomas aparecem em quase 100% dos casos. Claro que tudo isso depende muito da fase de desenvolvimento físico, psicologico e cognitivo da criança, mas de maneira geral, em crianças saudáveis que costumam conviver diariamente com os pais, os sentimentos e sensações são semelhantes.
— A saudade é um buraco na alma que se abriu quando um pedaço nos foi arrancado. No buraco da saudade mora a memória daquilo que amamos, tivemos e perdemos. A saudade é a presença de uma ausência..." – Maura começou a citar
Jane sorriu, um sorriso terno e ao mesmo tempo cheio de angustia, sorriu pela capacidade de Maura em erguer-se nas sistuações mais dolorosas e conseguir usar a sua inteligencia. Outras pessoas não se lembrariam sequer de pronunciar um “oh”, mas Maura teve a capacidade para fazer uma citação.
— Quem é que irá investigar os familiares dos bebés?
— Os nossos serviços sociais, mas como sabem não temos o mesmo a vontde no meio do que certos meios de investigação. E não se trata de um caso único…
Naquele momento Jane não falou, mas uma ideia passou-lhe pela cabeça, talvez ela fosse capaz de ajudar a encontrar os familiares das crianças.
— Maur, porque não vai colocar o Bem no berço, para podermos ir embora, esta a ficar tarde? – sugeriu Jane
— É, eu vou. – Maura andou em direçao ao berço do bebé e Jane aproveitou aquele momento para falar da sua ideia a Anabelle, sem Maura por perto para não criar algum tipo de falsa expectativas em Maura se alguma coisa não corresse certo.
— Anabelle, eu não sei se será possivel, mas eu acho que posso ajudar-vos a encontrar os familiares dos bebés – falou Jane, fazendo Anabelle olha-la confusa.
—Como assim Jane? – questionou a mulher.
— Eu sou detetive, na policia de Boston. E tenho acesso a meios de procura mais facilmente. È so me permitir e eu faço uns telefonemas… E rapidamente teremos uma resposta.
— Você pode mesmo fazer isso Jane? – questionou a mulher e Jane abanou a cabeça em afirmativo – Ficaria-lhe muito grata.
— Então eu volto a entrar em contacto com vocês quando tiver alguma informação.
Maura colocou o bebé no berço e voltou para perto de Jane e Anabelle.
Depois que conversaram mais um pouco com Anabelle, se despediram dos garotos , e quando estavam saindo Jane repara que Maura esta muito quieta a chama
— Maur.
—Sim?
— Vai tudo correr bem amor – Jane falou
— Sim Jay, espero que eles encontrem a familia logo. Eles são tão pequenos para ficarem sozinhos. — Falou a loira com um aperto no peito ao lembrar dos pais dos garotos.
Paris 21:30: Maison Isles
A noite chegou rápido, ultimamente era assim, dias cheios de emoção e muito concorridos o que fazia com que chegassem a casa de rastos, prontas a tombar na cama e dormir.
Resolveram preparar o jantar, macarrão a bolonhesa, depois de o fazerem e jantarem, relaxaram um pouco no sofá enquanto viam um filme aleatório que passava na tv.
— Vamos dormir? – questionou Jane
— Posso tomar um banho antes?
— Claro, mas só se for comigo – Jane falou com um sorriso travesso no rosto.
As duas subiram as escadas de mãos dadas, entraram no quarto e no banheiro, Jane ligou a agua da banheira e Maura colocou alguns sais na agua e ambas começaram a tirar a roupa, ficando totalmente nuas. Depois de estarem totalmente despidas Jane pegou Maura no colo, com as pernas entrelaçadas na sua cintura e a colocou dentro da banheira.
— Vou pegar nossas toalhas, me espera, tá? – Jane falou e Maura assentiu com a cabeça.
Jane voltou, entrou na banheira e se deitou atrás de Maura, deixado-a entre suas pernas. Maura fechou os olhos e descansou a cabeça contra o peito da morena. A banheira funda era muito larga, branca e as torneiras eram douradas, numa mistura de requinte e classicismo.
Elas se deixaram ficar na banheira enquanto os jatos de massagem lançavam fluxos de água quente contra as suas peles nuas, fazendo-as sentir como se flutuassem em um oceano de sensações.. Não havia um centímetro sequer dos seus corpos que não fosse acariciado, aquecido, suavemente envolto pela água que borbulhava intensamente.
Jane pegou a esponja e ensaboou carinhosamente o corpo de Maura, as mãos de Jane deslizavam pelo corpo de Maura, numa tentativa de ajudar a loira relaxar, mas a única coisa que conseguiu foi deixar Maura cheia de desejo.
— É hora do banho – Jane falou sorrindo
— O que posso fazer se meu corpo reage a cada toque seu.
Maura manteve os olhos fechados e se entregou à deliciosa sensação do completo prazer que os toques de Jane lhe estavam a proporcionar. Jane ergueu um bocado o corpo e beijou o pescoço de Maura.
As costas de Maura descansavam nos bico dos seios excitados de Jane, os braços fortes da morena a circundaram pela cintura e mãos macias e exigentes pararam sobre os seus seios, onde ficou brincando com os mamilos já sensíveis.
Jane continuou a tortura e desceu uma mão até ao ventre de Maura, o coração de Maura batia acelerado, até tocar o sexo de Maura, invadindo-o com seus dedos ágeis, arrancando um gemido dos lábios da loira.
Jane beijou o ombro de Maura e continuou com as investidas suavemente, enquanto Maura rebolava nos dedos da morena, movendo meu corpo freneticamente acompanhando seu ritmo, as estocadas de Jane começaram suaves e começaram a ficar fortes e rápidas…
Um forte orgasmo explodiu fazendo Maura estremecer e deixando ambas sem fôlego. Ainda com a respiração fora do compasso, Maura virou um pouco o rosto, sobre o ombro, e beijou carinhosamente os lábios de Jane.
Em pouco tempo Jane a levou para o quarto, enxugou o seu corpo e a deitou na cama, deitou ao seu lado, puxando Maura para seus braços e a sensação de paz tomou conta de Maura, fazendo-a adormecer.
Quando Jane viu que Maura estava a dormir num sono profundo, levantou-se calmamente da cama, pegou o celular no criado mudo e andou até à sala.
Digitou um numero e esperou que do outro lado alguem atendesse.
— Holiday – falou a pessoa do outro lado.
— Alô Nina, sou eu Jane – respondeu a morena
— Oh Jane, como você está? – questionou
— Estou bem e você e o Frankie?
— Estamos todos bem, temos saudades suas.
— Eu também tenho saudades vossas, Paris é incrivel, mas não há nada como Boston. Mas estou a ligar porque preciso da sua ajuda…
— O que você precisa? – questionou a mulher morena
— Você lembra dos garotos que lhe falei, do atentando ao Nouvain Matin, onde eu e Maura estavamos?
— Sim eu lembro… Mas o que eles têm?
— Será que você pode me ajudar a encontrar a familia dos garotos? Até ao momento ainda ninguem veio reclamar a guarda das crianças, e eles não podem ficar mais tempo naquela instituição…
— Oh – Nina murmurou com um tom triste – Claro que eu posso. Não vai ser fácil, mas darei o meu melhor…
— Eu sei Nina… Mas aquelas crianças devem ter alguem no mundo, um familiar proximo, não sei.
―Há várias formas de buscar pistas Jane. Vamos começar com buscas de parentes mais próximos das crianças.
―E depois?
―Então... bem, depois disso, se aparecer algum familiar verificamos se tem condições ou não de ficar com eles...
— Está bem Nina ... Obrigada.
— Jane – Nina a chamou — e se nós não conseguirmos localizar os parentes depois disso tudo?
―Bem, se eles não aparecerem, o juiz vai mandá-los para um lar adotivo ou orfanato permanente, através do serviço social, para depois entrarem no sistema de adopção.
— Oh – balbuciou Nina – Vou investigar ainda hoje, qualquer coisa eu ligo para você.
— Mais uma vez obrigada Nina, agora vou ter de desligar antes que a Maura acorde, eu não falei para ela que iria pedir a você.
— Mas Maura está bem? – questionou Nina
— Esta, mas esta situação a deixou muito fragilizada, ela viu os pais morrer e sente-se na obrigação de ajudar as crianças, e agora pior porque se afeiçou a elas.
— Pois eu entendo. Beijo Jane, até depois.
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