Trente jours avec elle
46 Cauchemars et rêves
Notas iniciais

Era de madrugada, Maura e Jane dormiam tranquilamente quando um grito assustado ecoou pelo espaço, fazendo Maura acordar sobressaltada, não era a primeira vez que aquilo acontecia, mas nem mesmo a consciencia disso dava a Maura algum tipo de tranquilidade. O seu peito agitava-se de tal forma que parecia que o coração lhe ia saltar pela boca.
— Jane acorda – Maura sacudiu Jane que continuava dormindo. – Zahara está a ter um pesadelo. – Maura falou levantando-se a correr da cama indo em direção ao quarto da criança. Alguns segundos depois de tomar consciencia do que acontecia à sua volta Jane se levanta da cama a muito custo, seu corpo ainda se arrastando e reclamando as poucas horas de sono e seus olhos entre abertos, pediam para se fechar.
Quando chegaram ao quarto a pequena debatia-se contra a cama, chorando e soltando gemidos de dor.
Maura aproximou-se da cama da menina, sentou-se ao seu lado, e falou calmamente para a menina tentando desperta-la.
— Zahara, amor – Maura falou calmamente praticamente num sussuro segurando o rosto da menina. Quando Zahara abriu os olhos completamente assustada a sua respiração estava ofegante e a pele copletamente suada e os olhos se encheram de lágrimas no mesmo instante.
— Mummy – Zahara começou a chorar mais forte – Mummy – repetiu desesperada.
— Já passou meu amor – Maura falou estendendo os braços para pegar a criança no colo. A menina acomodou-se no colo de Maura, deixando as lágrimas correr pelo rosto, tremendo como se o frio que se sentia na rua tivesse atravessado as paredes de casa e se entranhado na sua pele.
— Ma mère – falou soltando um suspiro pesado enquanto fazia beicinho com os lábios.
— Tá tudo bem amor, eu e Jane estamos aqui com você – falou abraçando a criança mais forte e de seguida passando as mãos pelas costas da criança numa tentativa de passar algum conforto para a menina.
Jane aproximou-se da cama de Bem verificando o estado do menino e embora agitado o pequeno ainda dormia, Jane o embalou durante uns minutos para acalmar o sono da criança e logo voltou para perto de Maura sentando ao lado da loira que mantinha Zahara no colo que continuava a chorar sem parar.
Jane beijou a cabeça da criança e começou a acariciar as suas costas, tentando acalma-la também, enquanto Maura começa a balançar a criança calmamente contra o seu peito. Aos poucos Zahara foi-se acalmando, mas as lágrimas continuavam a cair.
— Vamos deitar Zahara? – questionou Maura calmamente
— Nooo – respondeu Zahara. – Fiquem aqui – pediu fazendo beicinho, enquanto soltava alguns soluços.
— Nós ficamos até você adormecer, pode ser? – questionou Maura passando a mão na testa e seguindo pelos cabelos da menina.
— Ouiiii – respondeu Zahara, levantando-se do colo de Maura e colocando-se na cama e Jane tapou a menina com o cobertor.
Logo depois Jane e Maura se acomodam cada uma de um lado da criança, enquanto lhe fazem carinhos na cabeça e sussurravam palavras carinhosas e tranquilas. Os poucos a criança acaba por cair num sono tranquilo e Jane e Maura voltam para a cama.
— Finalmente ela dormiu tranquila – falou maura suspirando – Desculpa eu te acordar…
— Sem desculpas Maur – falou Jane dando um pequeno sorriso em sinal de compreensão para a loira — Isso acontece muita vezes? – Questionou Jane enquanto se deitavam na cama.
— Algumas e me deixa o coração tão apertado, ver a sua aflição sem poder fazer nada.
— Mas você faz Maur, você tá presente e isso faz toda a diferença. Com o tempo irá passar você vai ver. Zahara e Bem não poderiam ter melhor pessoa para cuidar deles… Você é incrível com eles e eles te amam…
— Eles também amam você – murmurou Maura
— E eu amo eles e quero fazer parte de suas vidas… Sempre!
— Jane – Maura chamou fazendo a morena a olhar enquanto esfregava os olhos.
— Hummm – murmurou a morena.
— Me abraça? — Ela pediu docemente.
Mesmo a morrer de sono, Jane não resistia aqueles pedidos e aquele jeito meigo de Maura. Jane sorri, passa a mão nas costas de Maura trazendo-a para mais perto de si. Logo Maura se encosta no peito dela, encolhendo as pernas contra as da morena e as duas acabam por adormecer.
Doze dias se haviam passado desde que Jane largou washington sem dizer nada a ninguem e desde então nada havia dito a ninguem sobre o seu paradeiro. O dia havia amanhecido com pequenos raios de sol a entrar pela janela, muito diferente da agitada noite que haviam tido.
Depois de se prepararem e tomarem e prepararem também as crianças, Jane e Maura tomaram o pequeno almoço em familia e preparavam-se para sair de casa quando o telefone de Jane toca desenfreadamente.
— Rizzoli – fala Jane ao atender o telefone.
— Quando você vai voltar Rizzoli? – Jane ouviu do outro lado do telefone uma voz ameaçadora e logo a reconheceu, seu chefe do FBI, Oliver Storn.
Jane tirou o telefone do ouvido, avisou Maura que precisava atender e andou até ao escritório, fechando a porta do escritório atrás de si.
— Eu… — Jane não teve tempo de ripostar, seu chefe parecia bastante revoltado e intransponível.
— Quero que volte no proximo avião Rizzoli, você assinou um contrato com o FBI, terá de cumpri-lo ou seremos obrigados a processa-la, somos umas instituição de respeito, ninguem brinca conosco.
—Eu não estou brincando com vocês, respeito o FBI.
—Não esta parecendo Rizzoli, não esta respeitando seus superiores, nem a unidade que a contratou ao abandonar seu posto de trabalho para local não determinado, ainda mais em periodo laboral.
— Sei que não estou fazendo o correto, mas não irei voltar, quero que me transfiram para a unidade de homicidios de Boston de onde eu vim.
—Não o faremos Rizzoli, terá de cumprir seu contrato conosco e não será ressarcida pelos dias que esta faltando ao seu trabalho e quando vier iremos repensar sua ocupação, você não sabe com quem está se metendo – bufou Oliver
— Se há alguem aqui que não sabe com quem está se metendo, ou quem mete em sua equipa, talvez seja o senhor, talvez o senhor não saiba quem está metendo em seu departamento.
—O que pretende dizer com isso Rizzoli?
— O que você ouviu, eu não voltarei a colocar meus pés em Washington e no FBI, lhe dou minha palavra e se me forçar irei denunciar um dos seus agentes especiais, por assédio sexual, homofobia, tentativa de chantagem e creio que o Sr. Oliver como chefe do departamento irá querer afabar um escandalo que poderá tomar contornos tão elevados, uma vez que se trata da maior unidade de policia do mundo.
— Como? – questionou Oliver engasgando
— O que o senhor ouviu, tenho testemunhas de tudo o que falei. Quero evitar um escandalo, mas se me forçarem a voltar e a conviver com esse agente serei obrigada a fazê-lo.
— Quem? – falou Oliver secamente.
— Agente Mike Craig — falou Jane sem expressão ou qualquer emoção em sua voz.
— Quando isso aconteceu? – questionou Oliver
— Desde que comecei a trabalhar no departamento, mas tornou-se insustentável com o avançar do tempo, até que fui obrigada a vir embora por não aguentar a pressão que esse agente me fazia diariamente.
— Porque você não falou com ninguem, não denunciou o caso aos seus superiores?
— Pensava que conseguiria resolver o assunto eu propria, sempre soube tratar de meus problemas sozinha, mas tornou-se uma obsessão de Mike, piorando a cada dia.
— Quando diz que tem testemunhas, ao que se refere concretamente?
— Agente Mike assediou-me, uns dias antes de vir embora, num bar a onde os agentes do FBI são visita frequente e o dono desse estabelecimento presenciou toda a cena, inclusive tendo se metido entre mim e o agente, e está disposto a prestar seu depoimento se eu decidir processar o agente. Tenho também várias mensagens em meu telemovel remetidas pelo seu agente que provam tudo o que eu falo…
— Não quero escandalos Rizzoli, isso pode pôr em casa o nome da agência e dos seus profissionais que deveriam ser isentos e irrepreensível. – falou Oliver
— Eu também não quero, senhor. Quero que me deixem voltar para casa, que me transfiram para o departamento de Boston.
— Irei ver o que posso fazer Rizzoli, entrarei em contacto consigo mais tarde. Contarei com a sua extrema descrição neste caso.
— Aguardarei seu contacto senhor. Obrigada pela compreensão. Com licença. — Finalizou Jane o chamado saiu do escritorio meio palida.
Maura vendo o estado da namorada se aproximou perguntando a Jane se esta bem e questionando do que tinha acontecido para a morena estar assim. Jane deu um sorriso para Maura e não disse nada apenas a puxou para um abraço e encostou sua cabeça no ombro da loira.
— Acabou amor , eles não vão conseguir me se separar de vocês, estou indo pra casa e não voltarei a Washington.
— Jane como assim me explica? – questionou Maura preocupada.
— Foi meu superior que ligou agora à pouco dizendo para eu voltar.
— Oh – deixou escapar Maura um pouco triste
— Não, espere me deixe acabar… — Falou Jane — Eu disse que não ia voltar e contei tudo o que aconteceu com Mike enquanto tive em Washington.
— O que aconteceu com Mike, Jane? – questionou Maura sentindo o seu coração apertar.
— Ele assediou-me várias vezes, fez repetidas chantagens e teve várias atitudes homofóbicas desde que soube que estava namorando com você – Jane falou e Maura ficou completamente atonita, sem palavras… — Então eu pedi para voltar para Boston, meu chefe foi contra, mas falei se eu não fosse transferida ia processar eles por causa do Mike, então com medo da repercussão desse caso manchar o FBi ele disse que me ligaria dando a resposta ao meu pedido e pediu minha descrição.
— Oh Jane sinto muito por você ter passado tudo isso, e eu aqui sem saber de nada, enquanto você tinha de lidar com aquele ser execrivel. Se precisar de um advogado, Dr Albert esta a sua disposição — Disse a loira abraçando mais forte Jane que estava tremendo.
— Não vai precisar amor — disse Jane se afastando e dando um beijo em Maura
— Porque você nunca falou isso para mim? – questionou Maura
— Você já tinha seus problema, eu poderia resolver o meu. Já passou Maura.
— Você estava sofrendo Jane…
— Shiuuuu – Jane colocou um dedo sobre os labios de Maura a calando – Já passou amor. Agora vamos, quero passear com minha noiva e as crianças- disse pegando Zahara no colo, enquanto Maura enquanto Maura pegou em Bem e sairam para passear pela cidade.
PARIS 11:00 - L'Aquarium de Paris— Cinéaqua
Estava frio, alguns dias chovendo, logo, as crianças saiam de casa com casaco, luva e gorro. O inverno limita um pouco os passeios, Giverny (casa do Monet), Parc Asterix, são alguns dos lugares que não abrem neste período. Mas a cidade continua ainda mais ainda.
Depois de pegarem o metro mesmo ao pé de casa, sairam na estação do trocadero. O Aquarium fica na avenida avenue Nations Unies, na parte baixa dos jardins do Trocadéro.
Depois de sairem do metro andaram alguns minutos até que chegaram à entrada do aquario, a fila para os ingressos era pequena e por isso levou apenas alguns minutos até poderem entrar dentro do espaço, logo à entrada ficaram deliciados com o ambiente, o aquário transmite uma calma, que só quem visita, entende o real sentido de circular e observar os animais.
— Uau isto é incrivel – murmurou Jane olhando ao redor tentando ver cada promenor do aquario, que passava em volta de si e por cima de suas cabeças, como se estivessem mergulhados dentro de água.
— Embora sendo um espaço pequeno, é extremamente atrativo – murmurou maura enquanto olhava Zahara que estava colada ao vidro, com as mãos suspensa no mesmo, de boca aberta e um sorriso, a olhar os peixes que nadavam de um lado para o outro.
— Zahara está a adorar – falou Jane com um sorriso. – Foi uma excelente ideia termos vindo aqui.
— E parece que Bem também – falou Maura olhando o menino que estava ao colo de Jane e olhava para o espaço e mostrava o seu sorriso de covinhas quando um peixe maior se aproximava de suas cabeça no teto do aquario.
— E você? – questionou Jane
— Eu também, quando estou com você eu amo cada coisa… — respondeu Maura
— Eu ainda nem acredito que estou aqui com vocês, senti tanto a vossa falta que agora estar aqui parece um sonho.
— Agora nunca mais nos vamos separar. E eu espero que você possa continuar a considerar nossa vida um sonho…
— Estar com você é um sonho. – falou Jane aproximando-se de Maura e tocando carinhosamente o seu quadril.
O Aquarium de Paris tem cerca de 10.000 peixes e invertebrados, 450 espécies, em um vasto complexo subterrâneo que também oferece entretenimento ao vivo, filmes de animais, animações e jogos pista para as crianças, o destaque fica por conta de uma sala, que parece um cinema, com poltronas e uma musica ambiente, e ao invés da tela, tem um vidro que te permite olhar de perto os animais.
Ao longo da visita Jane e Zahara deliciaram-se com o ambiente em que andavam, parecendo que estavam verdadeiramente no fundo do oceano, com milhares de peixes em sua volta. Puderam ver os tubarões assustadores e os adoráveis ouriços-do-mar. Procuraram pelo tímido peixe-palhaço e maravilharam com as raias que nadavam ao longo do aquario serenamente e as medusas que pareciam abrilhantar os aquarios.
Para terminar a visita andaram até à piscina das caricias onde os peixes veem como bichinhos de estimação para ser acariciados pelas crianças. Uma cumplicidade incomum, as crianças não hesitam e nem os peixes a este encontro e onde as crianças puderam deliciar-se ao tocar e alimentar os pequenos peixes dourados.
Ao longo de um percurso em 3.500 m², descobriram 43 tanques, mais de 10 mil peixes e invertebrados, tubarões.
Depois de muito passeio optaram por almoçar no restaurante gourmet do aquarium, embora não fosse um restaurante de luxo e com muitas variedades de alimentos, tinha pratos bem confecionados e um atendimento muito bom.
Saindo do aquário, a diversão continuou no carrossel em frente a torre Eiffel. Logo na saída do aquário, a direita, o carrossel mais colorido de Paris. Este carrossel histórico de dois andares encantou tanto Maura e Jane como as crianças.
Quando voltaram para casa já a noite ameaçava chegar e as crianças estavam completamente esgotadas. Jane levava Bem nos braços e o garoto dormia tranquilamente nos braços da morena e Zahara no caminho para casa havia acabado por ser levada pelo cansaço e adormecido no ombro de Maura.
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