Treinados para Escuridão
3 Sonho
Notas iniciais
P.D.V. Milena
Fogo, era tudo o q eu via. Fogo e gritos enchiam a velha casa de madeira e deixavam fumaça em todos os lados, jurei ter visto uma corrente elétrica se dissipando no ar, e uma menina, mais ou menos da minha idade no meio das chamas, ela tinha uma expressão feroz no rosto, seus lisos e ruivos cabelos balançando, confundindo-se com o fogo, ela não parecia assustada, mas olhava fixamente pra frente, onde uma sombra surgia, dava para perceber que estava nervosa, tentava manter uma postura contra a sombra, porém estava mancando e o seu rosto se encontrava repleto de machucados e cortes, a sombra cresceu e como um pequeno furacão começou a sugar o fogo, a garota respirou fundo e fechou os olhos, com um estrondo a casa desmoronou e tudo ficou escuro.
Acordei exaltada, o rosto suado e o grito preso na garganta, me sentei rapidamente na cama, minhas mãos tremiam e minha respiração estava ofegante, mesmo contando todos pesadelos que já tinha tido, nenhum pareceu tão real quanto aquele, eu ainda conseguia ouvir o ecos da madeira estalando no fogo, e a visão da menina não saia da minha mente. Eu nunca fui de ligar muito para meus sonhos, mas eu não conseguiria ignorar esse, os detalhes que nele apareciam, eram tão reais, tão exatos que chegavam a me dar arrepios. O resto da noite foi inquieto, eu fiquei acordada por muito tempo, estava agitada demais para dormir, só consegui depois que já passava das três da manhã. Acordei horrível, cheia de olheiras, pálida e super cansada, eu previa um péssimo dia pela frente. Na escola, não consegui prestar atenção em nada, meus olhos pesavam, de vez em quando Inara me cutucava para me manter acordada, já convencida de que não prestaria atenção em nenhuma aula, eu peguei o caderno e comecei a desenhar, minhas mãos fizeram linhas circulares no caderno, como um espiral e logo ao lado desenhei algumas labaredas de fogo, tentando reproduzir na folha a imagem do meu sonho, o problema é que eu nunca fui boa desenhista, o que me deixava cada vez mais frustrada, pois via perfeitamente a imagem mais não conseguia representa-la, o sinal do intervalo tocou e todos começaram a rumar para a porta, eu segui Inara e Carlos e me sentei no banco mais próximo.
I: O que você tem?Inara perguntou.
C: Nem te reconheci quando chegou, parecia uma morta. Disse Carlos
M: Valeu pelo apoio. Retruquei
B: Só estão sendo sinceros. Defendeu Berlinda.
M: Só não dormi bem, só isso. Falei.
Algum tempo se passou, até a hora de voltar para a sala, nós entramos e todos nós paralisamos na porta, o quadro estava rabiscado com uma letra elegante que dizia "PROVA SURPRESA",o professor Pedro estava distribuindo provas sobre as cadeiras e pediu para que sentassemos.
Eu sentei esperando ele vir deixar a minha prova, olhei para baixo, meu caderno ainda estava aberto, eu tinha começado a fecha-lo quando uma mão se pôs rapidamente empendindo-me que eu fechasse, olhei para cima alarmada, o professor Pedro olhava fixamente o desenho que eu tinha feito, ele passou os dedos sobre o espiral escuro no lado direito da folha e olhou para mim, os olhos intensos e concentrados nos meus.
P: Algo tem tirado seu sono, não é?! ele perguntou
M: O que?! perguntei rapidamente.
Ele piscou algumas vezes, seus olhos perderam a intensidade e ele tirou a mão do meu caderno, mostrando sua feição calma de sempre.
P: Suas olheiras, mostra que não dormiu direito. Explicou ele
M: Ah...tá, entendi agora.
Ele me deu a prova e saiu.
P: Vale metade da nota, então sugiro que se concentrem.
Eu olhei a prova, sabia algumas respostas, o suficiente para tirar uma boa nota. Respondi rapidamente as poucas perguntas que tinham e fui entregar em sua mesa.
P: Sabe você parece ser boa em química, talvez queira participar de um grupo especial de estudos. Disse ao receber minha prova.
M: Não sei, na verdade não gosto muito da matéria, sem ofensa.
P: Tudo bem, mas peço que não se limite tanto, talvez essas aulas até ajude você e pense bem, depois me dê a resposta.
Acenei positivamente com a cabeça e fui me sentar. Não tinha vontade nenhuma de aceitar, mas esperaria para falar, assim pareceria que pensei bem no assunto. Ouvi a voz novamente do professor, eu sentava perto o bastante para ouvir, ele fazia o mesmo convite ao Joca.
P. D. V. Thales
Entrei no recinto escuro, sem janelas, me dirigi para o homem que estava curvado sobre a cadeira, sons metálicos ecoavam no recinto, enquanto eu me aproximava.
T: Como andam as coisas? Perguntei.
O homem que estava curvado sobre a cadeira, deu um pulo e virou-se para mim, apertava os olhos tentando me ver melhor.
M: Mestre, eu não consegui muita coisa, infelizmente só informações que já tínhamos.
As minhas mãos deram uma leve tremida.
T: Nada ?! Todo esse e não descobriu nada!!
Atirei uma mesinha próxima à mim,ela se estilhaçou contra a parede.
M: Perdão mestre, mas tentei de tudo. Disse Max.
Eu o empurrei da minha frente e olhei nos olhos do homem torturado que estava sentado na cadeira, seus pés e mãos se encontravam presos por metais.
T: Traga sal. Sussurrei para Max.
Coloquei minha mão em um dos círculos de metal que prediam seu braço esquerdo do homem e a arranquei, um suspiro de alívio correu pelos seus lábios.
T: Melhor assim? Perguntei.
Ele apertou a mão contra o peito, uma ferida em volta de seu pulso, mostrava a forma exata o metal que o prendera.
M: Aqui. Disse Max, ao voltar com o sal .
T: Sei que parece simples. Eu disse ao segurar o braço do homem.
T: Mas as vezes é preciso usar a simplicidade para chegar ao sucesso.
Joguei todo sal da minha mão na ferida do homem, ele tentou deseperadamente puxar o braço. Dei ordens para Max fazer isso com todas as outras feridas dele ao sair, fechei a porta ouvindo os sons de agonia e desespero vindos daquele quarto
Fale com o autor