Treinados para Escuridão
5 What Happened?
Notas iniciais
P.D.V Milena
Meu nariz estava queimando, o cheiro era horrível, eu queria poder tirar esse fedor de min, lutei contra meus olhos que insistiam em fechar, quando finalmente os abri por completo vi tudo embaçado, tive que piscar algumas vezes para ajustar a visão.
P: Finalmente.Ouvi a voz de Pedro exclamar.
Ele segurava um vidro pequeno com um líquido escuro perto do meu nariz, era isso que cheirava tão mal, fastei o vidro com a mão por impulso.
M: O que é isso? perguntei olhando pro vidro. Mas não ouvi resposta, pois no momento em que levantei os olhos para Pedro, uma corrente de lembranças invadiu minha mente. Arregalei os olhos.
M: Aquilo......Aquilo foi real?
Ele pareceu hesitar
P: Se acalma primeiro. Ele disse tentando me levantar, afastei ele com um empurrão, e voltei a cair no chão.
M: Responda a pergunta.
Eu não estava em posição de exigir e sua expressão demonstrava que ele sabia claramente disso, mesmo assim ele parou e pude perceber que estava escolhendo as palavras certas.
P: Foi
M: Meus Deus do céu, como isso é possível? O q era aquilo? o que fez com ele? E porque você.....
P: Respira tá?! Agr não é hora pra isso, você precisa voltar pra aula.
M: Aula? Você tá brincando né?! Você tem que me dizer, senão eu juro que..
P:Jura o que? ele me interrompeu com uma expressão calma
P: Por acaso vai sair contando? pode ir, eu simplesmente direi que é louca, então pensa bem antes de fazer.
Eu o olhei com medo, ele tinha razão, ninguém acreditaria em min, era minha palavra contra a dele. Eu assenti pra mostrar que tinha entendido.
P: Isso aí. Olha, vem hoje de tarde pra cá e me encontra na rua de trás, eu vou te explicar tudo.
Senti o sangue fugindo do rosto.
M: Mas....mas eu...
P: Não temos tempo, você precisa ir pra sala, prometo que explicarei tudo se você for.
M: E porque não agora?
P: Porque não é lugar nem hora certa. Agora você tem que ir, se alguém perguntar diz que passou mal ou algo do gênero, eu também vou, não quero que me vejam no banheiro sozinho com uma aluna.
Olhei ao redor, era verdade, ele devia ter me levado até ali, as aulas deviam já ter começado pra ele estar tão deserto, Pedro se levantou me deu as costas e sem mais nenhuma explicação saiu, ainda fiquei um tempo sentada ali antes de me levantar nas pernas trêmulas e me dirigir pra minha sala de aula.
***
As palavras da professora não era nada mais que um eco distante na minha mente, em um dia normal eu estaria absorvendo as palavras dela, mas hoje minha cabeça estava cheia demais, eu tentava levantar hipóteses racionais pro que tinha acontecido, pro que eu tinha visto e ouvido, cheguei até a pensar que era uma espécie de pegadinha, porém descartei rápido esse ideia, passei a mão na testa, provavelmente ficaria dolorido, embora a dor não tivesse voltado depois que acordei, na verdade o que mais me intrigava era não saber o que tinha me atingido, não vi nada no chão depois que acordei, talvez Pedro tivesse pegado.....Pedro... A parte mais complicada de tudo isso, o que ele escondia? e quanto disso ele realmente ia me contar? Isso se ele me contasse de verdade. O sinal estridente interrompeu meus devaneios, levantei a cabeça quando as pessoas começaram a se levantar.
I: Você tá legal? perguntou Inara
M: Sim....eu estou bem
I: Parece distraída
M: Deve ser a fome
Inara revirou os olhos e balançou a cabeça
M: Que foi? Perguntei curiosa
I: Já percebeu que esse é sua resposta pra tudo?
M: Não é não
I: É sim. Semana passada estávamos falando da garota que se descontrolou na escola e seu comentário foi " ela devia estar com muita fome". Inara terminou erguendo uma sobrancelha como se me desafiasse a discordar, eu só ri da sua expressão.
M: Cadê a Berlinda? Olhei em volta sentindo a falta dela
I: Ela foi comprar comida, vou aproveitar pra pegar a minha também. Ela disse indo até o refeitório.
Me sentei em um banco próximo perto de onde enzo e os outros meninos estavam, tinha dado só duas mordidas no sanduíche quando ouvi
J: Milena?
Virei o rosto, Joca tinha se afastado um pouco dos meninos pra falar comigo.
M: Oi. Respondi devagar.
Joca nunca foi de puxar assunto, nem com seus melhores amigos.
J: Me desculpa, mas o que aconteceu com sua testa?
Paralisei, a mão que levantava o refrigerante congelou no meio do caminho, tive a sensação que meus pensamentos pararam por um segundo e voltaram com toda força, lembro-me de ter olhado no espelho, não tinha nada de anormal na minha testa e se tivesse aparecido depois as meninas teriam me dito, então o q ele tava vendo? Se tem algo de diferente nela porque só ele notou? Qual a participação dele nisso? Não posso simplesmente acreditar que foi coincidência, minha cabeça fervilhava, por um fugaz momento desviei os olhos dele e olhei o pátio, como se esperasse ver alguma coisa que justificasse tudo isso, a expressão de Joca me lembrava que ele ainda esperava uma resposta.
M: Eu...não sei
J: Não sabe? Não sabe o que aconteceu com sua própria testa?
Abri a boca pra argumentar, mas fui interrompida pelas risadas das meninas
B: Estão conversando sobre o que? Perguntou a voz animada de Berlinda
J: Nada....eu acho. Disse ele balançando levemente a cabeça e voltando pra perto dos meninos
I: Só eu que acho ele estranho?
Berlinda deu ombros e começou a tagarelar sobre os preços consideráveis horríveis por ela, me virei discretamente pra olhar o Joca, ele parecia animado com qual que fosse o assunto entre eles, balbuciei uma concordância quando Berlinda pediu minha opinião e continuei olhando pros meninos, esse dia ficava cada vez mais estranho, Joca levantou o olhar e me viu, constrangida desviei o olhar e tentei acompanhar a conversa das meninas.
B: E é claro tem os caramelos falantes. Finalizou Berlinda
M: O que? Perguntei mais alto do que deveria
I: A gente está tentando chamar tua atenção a séculos aqui.
B: O que aquele menino te disse pra te deixar assim?
M: Não foi nada. Passei a mão na testa por impulso
I: Tá com dor de cabeça?
M: Não, achei que tinha caído alguma coisa nela. Inara chegou mais perto afim de examinar
I: Mas não tem nada aí
B: Deve ter sido só impressão sua.
M: É, pode ser.
Na verdade, acrescentei mentalmente, to com medo do que essa impressão possa significar.
P.D.V Pedro
A: Viu? Eu te disse! Disse Agatha pela milésima vez.
P: Tá, eu já entendi, foi muito repentino, mas não foi de todo ruim. Eu disse enquanto seguíamos pelo corredor.
A: Ah não, imagina, você só quase deixou a menina nas mãos de um desertor. Ela entrou em um dos recintos e deixou a porta aberta pra min.
P: Eu achei que o garoto notaria primeiro, era por ele que estava esperando, e ela tava na direção do banheiro, como é que eu ia adivinhar? Coloquei cuidadosamente o embrulho que vinha trazendo no armário e tranquei.
A: Desde quando você pega armas inimigas?
P: Desde que tenho um plano especial pra elas
A: Que seria?
P: Entrega-la para ser purificada e depois usar ela para uma boa causa. Eu disse com um sorriso irônico.
A: Essa sua cara me assusta. Mas enfim, recebi notícias do desaparecimento do Gabe hoje.
P: E você só me diz agora?
A: Eu recebi depois da nossa nada promissora conversa essa manhã, não achei que você atenderia se ligasse. Ela se abaixou e pegou algumas fotos na prateleira.
P: O que descobriram?
A: Bom, basicamente Gabe foi encurralado durante a vigília e encarceirado, alguns guardiões encontraram o esconderijo, mas não antes que eles fugissem, encontram vestígios de sal e um cadeira com sangue, estão analisando, mais é quase certeza ser do Gabe. Ela espalhava as fotos enquanto falava, eram quatro com o suposto esconderijo e a cadeira ensanguentada, tudo isso fazia sentido, mas sal? Porque sal? Passei um momento olhando as fotos e foi aí que percebi, como um estalo na minha mente.
P: É isso
A: Isso o que?
P: Pensa bem, no que se baseia os dons do Gabe?
A: Eletricidade
P: E o sal é condutor de corrente elétrica
A: Tá, mas no que isso nos ajuda?
P: Imagina, os dons do gabe tem propriedades elétricas, se ele conduzir corrente pelo corpo dele, seus poderes vão aumentar cada vez mais e consumi-lo.
A: Ele vai tostar de dentro pra fora. Disse Agatha com horror
P: Está tentando fazer Gabe perder parte da consciência
A: Parte?
P: Sim, vai demorar pra ele ser totalmente consumido, mas vai ter uma certa altura que certo e errado não vão fazer diferença pra ele.
A: Então ele poderá usa-lo como quiser, talvez ele esteja querendo encontrar o lar dos anciões, e como sabia que nem mesmo a tortura iria funcionar com Gabe, teve a ideia de fazer dele um experimento.
P: Mas como ele sabia dos poderes de Gabe? Porque Gabe certamente não contaria nada pra nenhum inimigo.
A: Acha que ele tem um informante?
P: Eu não sei. Mas vamos descobrir. Eu disse me levantando
P: Se prepare, nós vamos visitar o lar dos anciões hoje.
A: Acho melhor ir até o esconderijo também, ver com nossos próprios olhos tudo lá.
P: Acha que é preciso?
A: Sim. Precisamos ter certeza do com que estamos....lidando. Ela respondeu friamente, como sempre, mas de esguelha vi que seus olhos se desviaram pra janela.
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