Treinados para Escuridão

6 Nem tudo o que se descobre é bom


Notas iniciais
Eu demorei, não me culpem, culpem a vida :) Agora falando sério, espero que gostem bjs♡

P.D.V Milena Já tinha decidido que não iria ao encontro com o Pedro, depois que cheguei em casa e me deitei esperando o almoço tive tempo pra pensar e soube que não iria, por mais curiosa que estivesse, eu não queria correr o risco de andar com um desconhecido que fazia coisas estranhas como o Pedro. Eu passava lentamente a situação na minha mente de novo e de novo, e cada vez que o fazia, tinha mais certeza de ter imaginado tudo, embora uma pequena parte do meu cérebro realmente cogitava a possibilidade de ser real, só de pensar, a vontade de ir ao encontro que o Pedro marcou voltava, mas, principalmente depois do que aconteceu, eu percebi que tinha um pouco de medo dele, o que me fazia ter mais certeza que não ir era a coisa certa a fazer. Se aquilo tiver acontecido mesmo, ele me salvou, mas aí, como? E porque? Ele agiu normalmente depois disso, tive até uma aula com ele no mesmo dia e ele não lançou um olhar diferente sequer, o que me fez imaginar que estava enlouquecendo e sem falar a parte estranha que envolvia o Joca. Estiquei os braços acima da cabeça ao me levantar, alongando-os e ouvi a voz da minha mãe avisando que a comida estava pronta, andei até o espelho, ajeitando o cabelo atrás da orelha, já tinha terminado quando prestei atenção na minha testa, limpa, sem nenhum arranhão sequer e tentei entender o que o Joca tinha visto de errado com ela, fixei meu olhar insistente sobre ela, e por um instante, quase rápido demais, jurei ver algo diferente, me aproximei mais do espelho e me concentrei, devagar aparecia uma marca, primeiro começou com uma leve forma escurecida até ganhar forma, eu observava tudo horrorizada, a marca tinha uma formato de uma rachadura e era escura, quase preta, minha respiração começou a ficar ofegante, não acreditava no que estava vendo.

H: Milena?

Pulei de susto ao ouvir meu nome e quase que sem querer pus a mão na testa.

M: Mãe, que susto

H: Tô te esperando pra comer a um tempão. Porque ta escondendo a testa?

M: Por nada

H: Milena, já tive tua idade, aposto que é uma espinha

M: É...é isso sim...uma enorme

H: Deixa eu ver então

M: NÃO, ela é horrível. H: Deixa de besteira, anda..

Ela puxou minha mão até eu ceder e baixa-la fiquei esperando seu grito surpreso ou algo diferente, mas nada aconteceu

H: Não tem nada aqui, acho que você tá começando a ficar paranóica.

Disse em tom de brincadeira.

Soltei uma risada falsa.

M: É, acho que sim. Disse enquanto dava uma última olhada no espelho antes de segui-la, só pra constatar o que eu já imaginava, a marca ainda estava ali, minha mãe só não via, mas continuava lá.

***

Eu caminhava pela lateral da escola, me xingando por dentro por ter cedido a minha curiosidade, acontece que depois do que vi no espelho aquela manhã não saia da minha cabeça, se tinha alguém que podia explicar isso era o Pedro, ou pelo menos, era isso que eu acreditava. Parei na rua de trás da minha escola, não sabia mais pra que lado ir, ter decidido ir foi uma péssima escolha.

P: Procurando alguém? A voz monótona veio de trás de mim. Dei um mini solavanco de susto e me virei.

M: Qual o seu problema em chegar normalmente em alguém? Se diverte se esquivando por aí é?

P: Sim, gosto de descobrir quem é mais difícil de ser pego. Ele diz me lançando um sorriso debochado.

M: Você se atrasou ou é impressão minha?

P: Não achei que você viria tão cedo, na verdade, me surpreendi, parece bem decidida.

Coitado, pensei, ele não sabia que eu estava morrendo por dentro.

M: Eu... não ia vir era de jeito nenhum.

Ele olhou resignado pra mim

P: E ,no entanto, está aqui

M: É que agora tem uma razão especial.

P: Não me interesso pelas suas razões, você veio, isso já é o suficiente, vem, vamos dar uma volta.

M: Dar uma volta? com você? Não, de jeito nenhum.

P: Você prefere falar disso no meio da rua?

M: Pelo menos tem muitas testemunhas aqui.

P: Testemunhas? Acha que vou te matar?

M: Depois de hoje, não duvido mais de nada.

Eu esperava que ele brigasse ou tentasse me segurar a força, mas ele só riu, como nunca o vi fazer, jogou a cabeça pra trás e riu.

P: Se eu te quisesse morta, acredite, você já estaria.

Infelizmente eu sentia que aquilo era verdade, meu coração batia cada vez mais rápido.

M: Olha se você continuar fazendo isso, vou embora.

P: Vá, foi você que veio atrás de mim, certo?!

M: Foi. Pura estupidez, uma ideia horrível, deveria ter ficado em casa.

P: E porque não ficou? O que fez do meu convite algo atrativo pra você?Passei a mão na testa como para tirar o suor e parei por apenas um segundo lá antes de puxa-la rapidamente, ele não pareceu perder o movimento, fixou em mim seus claros e castanhos olhos

P: Você já consegue ver não é? Ele abaixou o tom de voz

M: Por favor, só me diz, o que ta acontecendo? Deixei a confusão transparecer na minha voz.

Ele pareceu mudar intimamente, sua postura altiva relaxou brevemente e ele me olhou com sinceridade.

P: Senta na sorveteiria comigo, e se tiver calma, eu conto tudo e respondo as tuas perguntas.

A sorveteiria ficava só a uma rua de distância da escola e passava muita gente por lá, então assenti e fui caminhando com ele até lá, meus pensamentos pareciam se chocar, cair e se reconstruir de novo, ele também via a marca, por algum motivo, isso não foi surpresa, mas e o Joca?, eu o conhecia a tempo, ele tava metido nisso também? Seja lá o porque, ele foi a primeira que viu, antes mesmo até de mim, isso tem que significar alguma coisa. Me sentei com ele, que falou algo pra garçonete e depois se virou pra mim.

M: E então? O que tem a me dizer?

P: Bom, Milena, você foi chamada.

M: Chamada? Chamada pra que?

P: Pra agir, agir contra as trevas.

Notas finais
Vou tentar postar mais cedo, as férias vão me ajudar a cumprir essa promessa U.u