Traveller

1 Traveller


Notas iniciais
Halos ~
Despois de um longo período sem conseguir escrever nada, consegui desenvolver uma original baseada em um rpg que o @Solum e eu constumávamos a jogar c:

A palavra da vez foi "Iridescente" escolhida pela @OneJack_o
na boa, que palavrinha chata e.e

Espero que gostem da fanfic c:

~ Fanfic Postada ateriormente no Spirit ~

Ele já estava na estrada há semanas, caminhando pelo mundo em prol de aumentar o seu conhecimento sobre tudo, não se importando em lidar com os extremos encontrados na instável natureza, assim como os seus inúmeros perigos. Para facilitar os seus estudos levava consigo uma mochila com alguns livros surrados, cadernos de capa de couro, lápis de carvão, tinta e canetas pena. Além de tais itens, se viu obrigado a se armar com uma espada e esconder a sua verdadeira identidade sob um disfarce de ser humano.

Escolhera o ser humano por ser uma das raças mais comuns e toleradas do continente, poderia não ser muito querida pelos outros seres, mas pelos menos não tinha inimigos diretos. Mas mesmo que quisesse passar desapercebido pelas diversas raças que compartilhavam daquele mundo, ele não conseguia. De todas as aparências que ele poderia ter, desde um velho barbudo e magrelo até uma criança suja e remelenta, ele adotava uma silhueta alta e definida, de pele ligeiramente bronzeada pelo sol, curtos cabelos claros e olhos da cor do ouro. Lindo.

Chegava a ser contraditório um ser como ele desejar descrição, mas escolher uma aparência ligeiramente chamativa. Contudo algumas de suas “pesquisas” eram com as fêmeas – humanas ou de outras espécies – muitas destas sendo criaturas desconfiadas, as quais suspeitariam do movimento mais simples que ele poderia reproduzir. E graças a tal aparência quase divina, até a elfa mais exigente acabaria caindo pelo seu charme e sua conversa educada, lhe contado toda e qualquer informação que ele precisasse – e as vezes até lhe fazendo companhia durante a noite. Um homem que aprendeu a utilizar seu sorriso como arma para conseguir tudo o que queria. Um conquistador esperto.

E ele acreditava que estava prestes a conseguir algo de grande valor. Sua viagem – a princípio – fora planejada para conhecer um poderoso anão, famoso por suas criações chamado Theror. Para encontrar tal homem, o viajante precisou atravessar florestas e grandes rios para conseguir avistar as montanhas de aço, lar do grandioso ferreiro. Ao pé de uma das montanhas, o rapaz retirou o surrado capuz de seu manto de viagem, revelando o suado rosto bronzeado, dono de traços retos e fortes, enquanto procurava pela entrada da casa do anão.

Apertou os olhos dourados ao avistar uma escura nuvem de fumaça escapar por um dos lados da montanha, seguiu aquele sinal de fogo até encontrar uma comprida espiral a qual parecia rodear a gigantesca montanha escura. Ao observar os inúmeros degraus, o rapaz soltou um pesado suspiro cansado, lembrando a si mesmo que todo aquele esforço era necessário e que a sua segurança – e sua identidade – dependiam disso. Ao final da quase interminável escada o pesquisador pôde finalmente encontrar a ferraria do famoso anão Theror.

Cavada dentro da montanha, o rapaz rapidamente sentiu o forte calor da fornalha e escutou as altas e ritmadas batidas características de um martelo de anão, martelando uma peça de ferro em brasa. Nas paredes de pedra, o viajante avistou várias armas penduradas, não sabendo dizer se elas eram apenas decoração ou se eram itens comerciais. De qualquer forma, era um jeito ligeiramente fácil e transparente de demonstrar a sua habilidade. Simplesmente exibi-la.

O rapaz se aproximou de uma das espadas belamente forjadas, tendo brilhantes pedras preciosas encravadas em sua afiada lâmina, capazes de refletir a luz criando um efeito colorido e luminoso, um arco-íris dentro de sólidas e transparentes rochas. Iridescente e encantador. Levou os longos dedos até o detalhado trabalho do anão, observando os detalhes atenciosamente enquanto murmurava – ainda surpreso com tanta beleza – um elogio: “Impressionante.”

“Estou ocupado e de mal humor.” Avisou uma voz grave e rouca, chamando atenção do pesquisador, o assustando rapidamente. “Se veio roubar, vais levar um chute na bunda tão forte que vais pensar que estás voando até o outro lado do maldito continente.” Ameaçou a voz do anão ecoando pela caverna rochosa. “Mas se veio fazer negócio...” Falou a voz aproximando-se e tornando-se mais limpa. “Já adianto que o meu trabalho não é barato.” Completou o anão caminhando até o viajante, revelando a sua pele suja pelas cinzas e óleos, cruzando os fortes e curtos braços acima do peito largo.

“Oh, eu não vim lhe roubar senhor Theror.” Disse o rapaz com as mãos a frente do corpo, adquirindo uma sutil posição de rendição, capaz de fazer com que o irritado anão a sua frente não sinta vontade de lhe chutar para fora da montanha. “Na verdade, vim aqui pois escutei muito a seu respeito, assim como sobre as formidáveis armas e armaduras que o senhor consegue forjar.”

“Sim, sim, sim. Deixa de bajulação.” Interrompeu o anão sem paciência. “Esse tipo de conversinha funciona com os merdinhas dos elfos, não precisas puxar o meu saco para que eu possa lhe fazer uma arma.” Resmungou expondo o seu óbvio desprezo pelos antigos seres escondidos nas florestas. “Para isso, basta me pagar.” Revelou com um olhar sério. “Então me diga, o que o senhor vai querer?”

“Muito bem.” Falou o viajante adotando uma postura mais relaxada. “Quero que o senhor forje uma espada para mim.” Começou calmamente, e antes que o anão simplesmente dissesse para ele escolher uma das várias armas dispostas na caverna, ele continuou: “Mas essa espada não deve perder o seu fio e preciso que ela seja capaz de suportar altas temperaturas sem ser danificada.”

Os escuros olhos de Theror encaravam o rosto do pesquisador com curiosidade e estranheza, estreitando a sua visão na direção do rapaz ainda mantendo os braços cruzados. Julgando que o que aquele homem estaria pedindo era no mínimo uma loucura, contudo uma aura de certeza cercava o viajante, aumentando ainda mais as suas suspeitas sobre o rapaz. “O que estás pedindo é impossível, senhor...”

“Magnus, mestre ferreiro.” Se apresentou o viajante, finalmente lembrando-se de suas boas maneiras e aproveitando para fazer uma pequena reverência ao famoso anão. “Sei que parece ser um absurdo. Mas conheço um minério poderoso o suficiente para criar tal arma, eu só precisaria de um mestre ferreiro capaz de forjá-la.” Explicou Magnus.

“Hmm...” Murmurava Theror, amaciando a sua longa barba negra, partes dela pareciam ainda estarem chamuscadas por conta do forte fogo da fornalha, calmamente levando em consideração o pedido do rapaz. “Se me trouxeres tal minério, verei o que posso fazer.” Comentou o anão e antes que o viajante o agradecesse, falou: “Mas precisamos discutir o pagamento, senhor Magnus.”

“Oh, certo.” Falou o rapaz com um sorriso amigável. “Não se preocupe, estou disposto a pagar a quantia que for necessária.” Respondeu calmamente, não demonstrando qualquer intenção de barganhar com o ferreiro.

“Hm... Certo.” Concordou Theror ainda desconfiado com a postura do viajante, o anão estava acostumado com a mania que seus clientes tinham de sempre quererem um preço mais barato, mesmo sabendo que muitos de seus pedidos eram absurdamente difíceis de serem realizados. Diferente de tais homens que sempre tentaram adquirir certa vantagem, aquele misterioso rapaz a sua frente não havia nem perguntado o preço de seus serviços, simplesmente relatou que tinha dinheiro. Bastante dinheiro. Uma atitude no mínimo tola e perigosa, podendo indicar falta de noção para com os perigos presentes no mundo real. “Então o verei quando trouxer o minério que falou.” Falou Theror sentindo a ganancia característica dos anões falar mais alto enquanto estendia a mão até Magnus em prol de fecharem o acordo.

“Certamente, senhor mestre ferreiro.” Disse o rapaz expondo estar contente em conseguir contratar um anão tão talentoso como Theror, apertando a mão do ferreiro firmemente. “Aqui uma pequena quantia pela sua atenção e por aceitar o trabalho.” Falou Magnus retirando algumas moedas de prata e ouro, logo oferecendo-as ao importante ferreiro.

Os olhos negros de Theror se iluminaram ao encararem as brilhantes moedas – estas tão estranhamente polidas, pareciam até novas, nunca utilizadas – rapidamente se sentindo tentado em aceitar aquele singelo agrado monetário. Contudo assim que seus largos e ásperos dedos encostaram nas peças de ouro e prata, o anão sentiu uma forte e pesada aura cerca-lo. Uma estranha sensação de perigo aparentava emanar do corpo do jovem viajante, um sufocante ar que parecia lhe obrigar a ser franco com o rapaz. Parecia que o seu – até então adormecido – instinto de sobrevivência gritava para falar a verdade, sentindo que se tentasse enganar Magnus algo pior do que a morte iria acontecer.

“És muito generoso, senhor Magnus...” Falou a voz quase trêmula do anão, este ficando surpreso com o medo presente em seu corpo, levantando os olhos até o rosto sereno do rapaz. “Porém preciso ser sincero com o senhor, mesmo que me tragas tal minério misterioso, duvido que apenas a minha habilidade seja o suficiente para conseguir criar uma espada assim.” Revelou quase que humildemente, temendo aquela aura pesada que contrastava com a calmaria presente no rosto do rapaz.

“O que queres dizer, mestre anão?” Indagou Magnus com seriedade. “Escutei sobre suas criações, sobre as poderosas espadas e machados que o senhor forjou.” Falava o viajante começando a duvidar das histórias que havia escutado durante a sua longa viagem. “Espadas e lanças mágicas que tinham a capacidade de queimar ou congelar os inimigos. Imaginei que o meu pedido fosse até simples demais.”

“Bom... é verdade que consegui criar tais armas.” Disse Theror com um suspiro e começando a se explicar. “Porém para criar uma espada assim, é necessário um item mágico poderosíssimo ou uma benção de alguma criatura encantada.” Explicou o anão com cautela, percebendo a tensão no rosto de Magnus se transformar em compreensão, assim como a pesada atmosfera aos poucos voltar ao normal. “Pode até ser que o minério que o senhor conheça seja forte o suficiente para manter o fio de sua espada intacto por alguns anos, porém é necessário que afie a sua lâmina de vez em quando.... Além disso, a habilidade de suportar altas temperaturas necessita de um toque mágico.”

“Hm... Eu compreendo...” Falou Magnus levando a mão até o queixo quadrado, pensando em uma alternativa para aquele pequeno enigma. “Irei pensar em tudo isso com cautela, mas ainda assim desejo que me faça uma espada.” Disse calmamente.

“Sim senhor, farei o meu melhor.” Prometeu Theror ligeiramente aflito e ao mesmo tempo aliviado em saber que seu mais novo cliente parecia ser mais compreensível do que os guerreiros brutos e sanguinários os quais estava acostumado.

Magnus deu uma última reverência com a cabeça antes de sair daquele buraco quente e adentrar na floresta densa. Seguindo a trilha criada há séculos pelos primeiros elfos, o rapaz se questionava em como conseguiria o tal item mágico capaz de encantar a sua futura espada, sem contar o minério especial. Este ele conhecia a localização, só ainda não havia criado um plano decente para conseguir extraí-lo sem ser pego pelo possível protetor do metal. E sem ter a sua verdadeira identidade revelada.

“É... Não vai ser fácil...” Murmurava Magnus com um suspiro cansado, já imaginando os possíveis perigos que teria de lidar para conseguir o raríssimo minério. “Bom, se fosse fácil, todos teriam espadas e armaduras de Mithril.” Disse fechando os olhos temporariamente e dando de ombros, uma tentativa tola de se convencer que todo aquele trabalho valeria a pena. “Tentarei conseguir metal o suficiente para espada, e depois me preocupo com o item mágico.” Listava a ordem de eventos calmamente. “Talvez eu consiga fazer o mesmo que fiz com o anão e subornar um mago ou um alquimista para encantar a arma... Ou talvez eu tenha sorte e encontre algo por aí.” Brincou com o desconhecido destino, dando de ombros novamente.

E enquanto cogitava as várias possibilidades de ele conseguir um item capaz de realizar o que ele desejava, o viajante interrompeu os seus passos ao escutar um agudo e distante gritinho. Confuso, Magnus fez uma careta incerta, duvidando de sua própria audição enquanto procurava pela dona daquela vozinha desesperada. Enquanto se questionava se deveria se envolver com tal inesperada situação, Magnus percebeu que a voz se silenciou brutamente o fazendo acreditar que a vítima provavelmente teria encontrado a sua morte e após soltar um suspiro conformado, acompanhado por um novo dar de ombros, resolveu voltar a sua tediosa caminhada.

Já havia caminhado quase um quilômetro quando o grito novamente apareceu, mas desta vez vinha de trás de Magnus. Em um reflexo, o rapaz girou o corpo enquanto puxava a sua espada provisória e esperou pelo possível ataque. E a cena que seus olhos dourados presenciaram era tão estranha e confusa, que chegava a ser hilária. Em sua direção, uma criaturinha voava gritando por ajuda, completamente desesperada, dividindo a sua atenção entre lançar pequenas magias de gelo em prol de se defender e voar na tentativa de escapar de um grande verme terrestre.

O verme era nojento. O corpo coberto por uma gosma brilhante o permitia se movimentar com agilidade atrás de sua pequena e chorosa presa, mesmo sendo atingido pela magia da menor, o grande monstro não parecia ser afetado, continuado a rastejar atrás dela, expondo suas várias línguas que funcionavam como braços na direção dos pés da pequenina. Faminto pelo sabor da criaturinha.

Quando Magnus finalmente conseguiu compreender toda aquela cena caótica, o corpulento verme já estava a poucos metros a sua frente, derrubando tudo em sua direção enquanto a pequena e luminosa vítima gritava por ajuda. Por instinto o rapaz sentiu o corpo aquecer e arrepiar-se, quase obrigando-se a expor a sua verdadeira identidade, só não o fez, pois a luminosa e azulada criaturinha parou a sua frente e criou um forte escudo cristalino, bloqueando o primeiro ataque do monstro e gerando uma abertura para o viajante cortar a cabeça gosmenta do verme com a sua espada de aço. Um golpe certeiro e mortal em meio ao caos.

“Ah... Obrigada.” Disse a cansada voz pertencente a pequenina criatura antes de desmaiar no ar, tendo a sua queda interrompida pelas mãos do rapaz. Adormecida contra aquela quente e áspera pele.

“Er...” Ele murmurou ainda processando toda aquela adrenalina inesperada, desviando a atenção de seus olhos dourados da coisinha em suas mãos até o gosmento e ensanguentado monstro abatido no chão. Deu poucos passos até o decapitado verme, observando com mais cuidado em prol de utilizar o seu conhecimento e identifica-lo. “Um verme da terra...” Murmurou enquanto se agachava ao lado do corpo, observando a cor marrom escura com manchas em roxo do verme. “Mas o que um verme que normalmente reside no deserto está fazendo aqui na floresta?” Questionava para si com curiosidade, até sentir suas mãos esfriarem ligeiramente e finalmente dar atenção à criaturinha que ali descansava confortavelmente.

Apertou os orbes cor de ouro ao encarar a clara azulada silhueta dela, aproximou-a do rosto ignorando a luz natural que a coisinha emanava e assim conseguiu prestar atenção nos delicados detalhes dela. O corpo semelhante ao de um humanoide possuía uma pele em um tom pálido mesmo que o seu nariz e as bochechas fossem ligeiramente rosados, indicando que estava viva. Os curtos cabelos ondulados eram brancos como a neve, os quais combinavam com o seu suave vestido branco com detalhes em azul.

A pequenina se remexeu em suas mãos, ligeiramente incomodada com o hálito quente do rapaz. Contra a sua vontade, ela acabou despertando, gemendo de sono enquanto coçava os olhos com o os punhos. Preguiçosa, ela ergueu o olhar para o seu “salvador” por alguns segundos sem reação, e em um susto pulou das mãos dele, balançando as suas transparentes asas as quais pareciam refletir a luz solar criando um pequeno brilho colorido semelhante às cores do arco íris. Parecia até uma minúscula combinação de uma elfa e um beija-flor.

“Ah!” Disse ela encarando o viajante ainda surpresa. “O que aconteceu com o monstro faminto que me perseguia?” Perguntou recordando-se dos momentos terríveis que vivera, enquanto voava de um lado para o outro.

“Ele está ali.” Falou Magnus casualmente apontando a direção do verme abatido.

“Ah, não!” Gritou a pequenina enquanto rapidamente voava para trás do ombro do rapaz, escondendo-se. Temendo que o monstro ainda estivesse querendo comê-la viva.

“Calma, ele está morto.” Disse observando-a levantar a cabecinha e espiar por cima do ombro do viajante até ver o abatido e decapitado monstro estirado ao chão.

“Ah...” Suspirou a pequena aliviada, voando para frente de Magnus. “Finalmente estou livre desse sanguinário comedor de fadinhas indefesas!” Disse em um tom que misturava liberdade e bronca, esta última sendo direcionada para o seu predador. “Eu tentei fazê-lo desistir de me comer, mas...” Ela comentou dando de ombros. “Oh, sim! Muito obrigada por me salvar! Serei eternamente grata.” Agradeceu colocando as mãos nos joelhos e fazendo uma pequena reverência ao rapaz. “Me chamo Elly, sou uma fada da geada.”

“Uma fada?” Ele repetiu curioso com a informação, principalmente pelo fato da fadinha ter poderes de gelo, recordando-se das palavras do anão Theror sobre alguma criatura ser capaz de abençoar a sua futura espada. “Pensei que fadas fossem criaturas fortes, não imaginei que teriam problemas com monstros fracos como vermes terrestres.” Falou tentando compreender o poder da pequenina, questionando o próprio conhecimento.

“Ah, isso...” Ela falou levando as mãozinhas para trás do corpo, unindo-as, e demonstrando estar um pouco constrangida com toda aquela confusão. “Na verdade nós somos, porém eu fico fraca diante do calor e da exaustão.” Explicou dando de ombros, com um sorriso amarelo. “E graças ao meu pequeno problema com direções, acabei me perdendo da floresta das fadas e...” Ela parou ligeiramente envergonhada com o seu fracasso. “Digamos que acabei chegando no deserto onde achei esse monstro que quis me fazer de lanche.”

“E de alguma forma acabastes chegando na floresta verde?” Questionou com certa ironia, observando a luz branca da pequenina tornar-se rosada, indicando vergonha. “Não sabes como chegou até aqui?” Ele perguntou, logo observando-a movimentar a cabeça para os lados, negando.

“Mas e o senhor? O que fazes aqui?” Ela perguntou aproximando-se do rosto bronzeado do rapaz, tentando transferir o foco da conversa para ele. “Talvez eu possa lhe ajudar!” Se ofereceu com certa animação, causando certo espanto de Magnus.

“Por favor não me chame de ‘senhor’, não sou tão importante assim.” Disse Magnus abalando lentamente a mão esquerda em um sinal para que a fadinha não seja tão formal com ele. “Me chame da Magnus, e eu estou à procura de materiais para criar uma espada.” Ele falou brevemente. “Esta que possuo não é muito boa.” Disse erguendo a arma a frente da fada.

“Hm...” Ela murmurou observando a espada rapidamente, voando ao redor da lâmina. “Eu não entendo muito sobre esses tipos de coisas.” Revelou humildemente. “Eu soube que os anões e os elfos são bons ferreiros.” Disse, percebendo Magnus concordar com a cabeça, confirmando a informação. “Por acaso já sabes que tipo de espada queres criar?” Perguntou com curiosidade.

“Eu quero uma espada que nunca perca o seu fio e que não seja afetada por altas temperaturas.”Respondeu o viajante calmamente enquanto bainhava a sua arma atual com certo desleixo.

“O fio eu até compreendo.” Disse Elly voltando a voar na mesma altura que os olhos dourados de Magnus, cruzando os bracinhos. “Mas por que resistência a altas temperaturas?” Questionou ainda mais curiosa.

“Eu tenho as minhas razões.” Respondeu Magnus evasivamente, estranhando o subido interesse da fadinha com seus assuntos. Mesmo que – de certa forma – ele acabasse compartilhando da mesma característica curiosa da pequenina.

“Hm...” Ela murmurou desconfiada, fazendo uma careta e expondo que não estava contente com a resposta de Magnus. Todavia logo deu de ombros, aceitando que alguns seres são simplesmente assim, misteriosos e cuidados. “Acho que posso lhe ajudar.” Disse com um sorriso. “Não conheço muito sobre metais, mas conheço joias mágicas.” Comentou.

“Joias mágicas?” Ele repetiu quase que instantaneamente. Sentindo seus olhos dourados brilharem com a informação dada pela fada, tinha conhecimento sobre as raras joias encantadas, porém estas estavam quase extintas, escondidas nos locais mais perigosos do mundo.

“Sim! Elas são bem poderosas, mas difíceis de serem encontradas.” Explicou Elly dando de ombros. “Porém nós, fadas, conhecemos as localizações da maioria das pedras.” Comentou com certo orgulho. “Nós normalmente não damos tais pedras a qualquer um, mas como tu salvastes a minha vida sem pedir nada em troca, acredito que sejas uma pessoa boa e digna.” Falou sorrindo, surpreendendo Magnus com uma incrível facilidade de confiar em alguém. Considerando-a tola e ingênua. Todavia Elly parecia emanar uma aura de gentileza e verdade, uma luz que provocava a criação de uma amizade carinhosa “Uma em particular tem o poder de encantar qualquer coisa com propriedades de gelo, talvez ela lhe seja útil.”

“E tu sabes como chegar lá?” Perguntou curioso, ainda chocado com a transparência da fada, tentando resistir a aquele ar inocente e delicado. Lembrando-se que precisava tomar cuidado com todas as criaturas que ali habitavam, pois já havia lidado com monstros que se disfarçavam de seres gentis para depois tirar vantagens dele.

“Er...” Ela murmurou unindo as mãos atrás do corpo, assumindo mais uma vez uma postura constrangida. “Mais ou menos... haha.” Disse tentando disfarçar – ou amenizar – a realidade. “Conheço as lendas que dizem onde ela está, como de fato chegar lá...” Falava emanando uma sutil luz rosada.

“Ah, sim.” Interrompeu Magnus com um sorriso irônico, facilmente descobrindo o que a fada tanto se esforçava para esconder. “Os seus ‘probleminhas de direção’, certo?” Brincou aceitando aquela aura gentil da pequenina, decidindo que iria confiar nela por enquanto.

“Ei! Estou apenas tentando ajudar!” Bradou a pequenina cruzando os braços e bufando, sentindo-se ligeiramente insultada com o comentário irônico do homem a sua frente. “Se não quiser, tudo bem.” Brigou com um minúsculo bico, ameaçando ir embora dali.

“Eu sei, só estou brincando.” Disse tentando acalmar a irritada fada, pedindo que ela não vá embora. “Então, me diga, onde está essa pedra?” Perguntou curioso, se perguntando se por alguma chance poderia conhecer o caminho até a localização da tal pedra misteriosa.

“No interior das montanhas brancas.” Respondeu Elly calmamente, voltando a voar perto do bronzeado rosto de Magnus.

“Montanhas brancas?” Ele repetiu incrédulo, chocado. “Mas lá e o lugar mais gelado do continente! Será impossível ir até lá.” Disse praticamente rejeitando a possibilidade de ele conseguir sobreviver ao gélido ar que cerca o norte do continente, e questionando a sanidade da fada a sua frente.

“E é por isso que irei contigo.” Disse Elly com orgulho, ignorando completamente o semblante confuso de Magnus e quase se divertindo com a careta do rapaz. “Como fada da geada, meus poderes ficarão fortes e poderei lhe proteger do frio.” Explicou fazendo uma pose de força, animada com a ideia de poder ajudar alguém.

“Hm...” Ele murmurou receoso, ainda duvidando da força da pequenina, mesmo que a sua ânsia por conhecimento gritasse dizendo que gostaria de presenciar o raro momento em que uma fada lutaria e utilizaria seus misteriosos poderes. “Está disposta a fazer isso?” Questionou desconfiado.

“Mas é claro!” Respondeu Elly decidida. “Salvastes a minha vida, o mínimo que eu deveria fazer é ajuda-lo até cobrir a minha dívida.” Disse expondo a sua honra e dedicação.

“Hm...” Murmurou o rapaz observando a azulada criaturinha a sua frente. “Tudo bem.” Aceitou com um sorriso leve, assistir o rosto de Elly se iluminar imediatamente. “Desde já agradeço a sua ajuda.”Agradeceu fazendo uma curta reverência a fada. “Mas antes de irmos até as montanhas, preciso extrair um metal poderoso para a espada. Se importarias de ir comigo?”

“Sem problemas!” Respondeu Elly animada, voando de um lado para o outro até finalmente pousar no ombro de Magnus. “Viajar em companhia sempre é mais divertido e seguro.” Disse ansiosa por aquela inesperada viagem que esteva prestes a começar.

Notas finais
O que acharam?
Espero que tenham gostado! ♥

A obvia referência à terra media está nessa fanfic hahahah
Como podem ver, ela provavelmente terá uma continuação ♥
Quem sabe eu a escrevo com a nova palavra que está por vir? o:

De qualquer forma, espero que a historinha tenha agradado a todos c:
Sou nova com esse assunto de "originais", mas estou tentando hahaha

Beijos e até a próxima!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!