Traumerei
1 Prólogo
– Quero sair.
– O que? Sair?!
– Não podes. É demasiado tarde.
– Não me interessa. Quero sair.
– Vai se arrepender.
– Oh, estou a morrer de medo.
– Chega!
– Tens certeza?
– Certeza é uma coisa que sempre tive.
– Então, que assim seja.
– Podes ir embora. Mas terá que pagar o preço.
– Faço qualquer coisa.
– Mesmo que conheças o preço?
– Sim.
– Se tem tanto convicção...
Num determinado momento, é ouvido um baque. Não muito depois, um corpo era visto no chão.
– Quando acordares, não terás qualquer memória. E nós fingiremos apenas não saber.
– Viverá para sempre na ignorância e no silêncio. Uma desconhecida.
– Sem saber de absolutamente nada. Sumirá sem deixar rastros.
– Um rosto conhecido será apenas apagado. Sua existência será um segredo guardado unicamente por nós.
– E as pessoas serão forçadas a esquecer você. Assim como você esqueceu delas.
– Esconderemos tudo. Da mesma forma que você se escondeu deles.
– Uma coisa que não existe. Você será apenas um borrão branco.
– Boa sorte, pequena criança. A escolha foi sua. Somente sua. Um futuro ainda não decidido. Um fardo que só você pode carregar.
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É possível sentir falta daquilo que nunca teve?
E se você o teve, mas não se lembra?
Como matar alguém que não conhece?
E destruir aquilo que desconhece?
É imprudência se afeiçoar por um estranho?
E aceitar a ajuda de alguém incomum?
Existe possiblidade de odiar alguém que não reconhece?
E acreditar em alguém que não recorda?
Seria sensato confiar em quem é apenas um borrão branco?
Quando todos querem a sua cabeça por algo que você não se lembra...
Fica difícil saber em quem confiar.
Ela esqueceu por escolha.
Mudou de vida.
Lutou por algo que não acredita.
Odiou alguém apenas por obrigação.
E agora é alvo por algo que não se lembra.
E, ainda sim, se tivesse uma segunda chance...
Faria tudo de novo.
Me diga:
Como poderia viver feliz se esquecendo da pessoa que mais ama?
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