Traumatisierten
4 Quase descobertas - Capítulo O4
Notas iniciais
Mas até que enfim a minha inspiração me ajudou um pouquinho.
E espero continuar postando.
Bem...
Ta aí mais um cap.
Boa leitura e mil desculpas. ♥
– Você não sabe o quanto estava com saudades de você, querida. – disse-me a mãe de Marcos.
– Oh, eu faço ideia. Também estava com muitas saudades, afinal, fazia bastante tempo que eu não vinha aqui. – ela era uma espécie de mãe pra mim. Sempre me ajudou em tudo que precisei... Sempre esteve presente.
Estávamos na sala, tomando chá e conversando, enquanto ela nos mostrava algumas fotos de infância, em que apareciam duas crianças: Marcos e Tom.
– E então Tom, por quanto tempo poderei bajular meu segundo filho? – perguntou levando em seguida a xícara de chá à boca.
– Olha dona Claire, pretendo ficar pelo menor tempo possível, para não criar problemas ou incomodar. Já estou procurando um apartamento e creio que amanhã já saia para ver alguns. Primeiramente devo providenciar a transferência na escola.
– Então é você o novato? – perguntei juntando os fatos.
– Haha. Andam comentando muito sobre mim é? – disse logo posicionando seus olhos em Marcos, como quem se sentia orgulhoso por ser do tipo popular, antes mesmo de frequentar as aulas.
– Eu juro que não fiz nada. – disse Marcos.
– Claro... Como nos velhos tempos, você nunca sabia de nada, só as mulheres que corriam atrás de mim. – “Orgulho mata, sabia?” foi o que eu pensei.
– Meu filhinho como sempre, nunca toma juízo. Haha Uma hora você vai encontrar uma garota que vai mexer muito com você, e daí você vai amadurecer como nunca, não é Annie? – a mãe de Marcos me questionou, porém eu não pertencia a este mundo. Não neste momento.
Eu estava totalmente perdida em pensamentos... Será que eu não estava sendo idiota? Será que eu devia ter aceitado vir no jantar?
Senti-me uma garota tola. Eu simplesmente estava mostrando ser igual a todas as outras. Eu sabia, não devia ter confiado em Marcos. Homens são sempre assim... Uns ajudando os outros. Sempre se acobertando e investindo por trás de qualquer ação.
– Annie? Annie? Você está bem? – quando voltei ao meu estado normal, haviam três pares de olhos vidrados em mim.
– Ohh, desculpe... Eu acho que entrei em transe. – estava completamente desnorteada, de cabeça baixa.
– Está tudo bem? Aconteceu alguma coisa? – Marcos me perguntou. Eu sei do que ele estava falando, eu ficava sempre assim, quando alguma lembrança me vinha à mente.
– Não, eu estou bem mesmo. Obrigado. – quando levantei a cabeça, lá estava ele, com aquele olhar intrigante, como quem quisesse perguntar algo. Como se eu estivesse escondendo alguma coisa. O que de fato, era verdade.
– Você vai dormir aqui hoje, não é querida? Assim os meus três amados vão juntos para a escola amanhã. – me pediu Claire com aquele ar de mãe protetora que só ela tinha.
– Oh, eu não sei... Vou acabar incomodando e acho que seria melhor se eu fosse pra casa. – disse meio sem graça.
– De jeito nenhum, ainda mais depois desse devaneio repentino. – negou gesticulando com um tom preocupado.
– Tem alguma coisa que eu não estou sabendo? – havíamos esquecido que Tom estava conosco no recinto.
– Ohh. Não. É que eu estava com alguns problemas um tempo atrás e isso era bastante comum, então quando quase fui atropelada comecei a fazer terapia. Faz três meses que não vou, mas está voltando. Só isso. – falei da forma mais convincente possível. Ao menos era o que eu achava que havia feito.
– Hum – eu sei que não o convenci. Ele sabe que tem algo a mais nessa história.
– Bom, vou arrumar o quarto para os meus dois pequenos e você fica no quarto de hóspedes. – disse se dirigindo ao segundo andar.
– Ahm... Okay. – merda, eu não sei mentir. Pronto. Agora o Tom vai me interrogar. Perfeito Annie.
– Eu vou lhe ajudar mamãe. – disse indo em sua direção. – Se comportem hein, não quero “bagunça” – disse fazendo aspas com os dedos – na minha sala.
– Oh, eu jamais faria isso, você sabe. – enquanto isso, Tom ria da minha preocupação.
– Eu sei pequena, só não confio tanto no meu amigo. – olhou para Tom e deu uma piscada, como quem quisesse dar um aviso.
– Hum– Céus... Onde eu fui me meter?
– Não se preocupe, não farei nada que você não queira. Haha – disse com ar brincalhão. O problema de tudo isso, é que um simples comentário bobo, fez tudo vir à tona.
Apenas lhe olhei e baixei a cabeça.
E então todas as lembranças daquela noite vieram-me à cabeça, uma por uma, passando de uma forma rápida. Como em um flash de memórias... E eu retornei a cair nos meus devaneios.
– Ei! Annie. Está tudo bem? – ele estava na minha frente, olhando-me enquanto me chacoalhava.
– Está tudo bem sim, por quê? – tentei me recompor, como uma forma de tentar esquecer e fingir que nada ocorreu.
– Você começou a tremer e estava com a respiração rápida. – explicou. – Eu sei que você não está bem. Desculpe as brincadeiras, eu não pretendo fazer nada com você, e... Eu sei que você esconde algo de mim, mas eu seria totalmente idiota se insistisse nisso. Só espero que não demore a falar. – disse me olhando com ar de interesse e preocupação.
Eu fiquei em silêncio por um tempo. Pensando o quão burra eu era. Qualquer um se tocaria que tinha algo de errado. Qualquer um não seria burro o suficiente pra cair nas minhas tentativas frustradas de esconder o meu passado.
– Obrigado. – disse meio envergonhada. Baixei a cabeça como um gesto de proteção, pois eu sabia que seus olhos estavam em mim.
– De nada. Eu só... Achei estranho o mistério todo entre vocês três e esses seus devaneios. – ele falou de um modo calmo, como quem soubesse de tudo e me dissesse, “Tudo bem Annie, tudo isso vai passar”. Só que ele não sabia de nada.
– É uma história boba, nada de mais. Sério. – tentei fugir do assunto.
– Não adianta mentir, se fosse algo bobo, você não estaria assim, nem teria frequentado psicólogos. – concluiu. – Já disse... Você não precisa me contar, até porque não sou nada seu. Mas se quiser, estarei aqui pra ouvir e ajudar no que precisar. – e com isso passou levemente a sua mão, no meu braço. Como um ato de quem quisesse me confortar... Mas só Deus sabe o quanto aquilo, ao menos tempo que me reconfortou, acabou por me deixar mais nervosa.
O que está havendo comigo?
Céus...
– Obrigado, mais uma vez. – levantei a cabeça lhe olhando e sorri em resposta.
– Mas e então, vai me mostrar a escola amanhã? – falou tomando um ar risonho, quebrando o gelo entre nós.
– Ah, se você quiser... Não sei se sou uma boa guia. Haha – eu ainda estava meio envergonhada.
– Deve ser sim, se for tão boa guia quanto linda. Deve ser a melhor guia da escola. – disse abrindo um lindo e largo sorriso. E põe lindo nisso...
– Oh, eu não diria isso. Ainda não foi lá. – Tinha certeza que minhas bochechas estavam tomando uma coloração rubra.
– Eu não fui, mas acredite. Não tem uma menina que o Marcos não tenha me mostrado fotos. Opa. – se calou no mesmo momento, como se tivesse falado mais do que devia.
– Como assim? De mim também? – Perguntei alarmada. Eu mataria o Marcos... Certamente iríamos ter uma conversinha depois.
– Ei, calma. De você ele só me mostrou uma foto de vocês dois abraçados em um parque. – me explicou, tentando me deixar calma. – Ele costumava me falar bastante de lá, já que eu viria estudar com vocês.
– Hum, então ele está perdoado, mas se eu souber que ele lhe mostrou alguma outra foto... – Eu já estava me imaginando com as mãos em volta do pescoço de Marcos, enquanto ele implorava pra que eu o solta-se, porque contaria a verdade.
– Acredite, não mostrou. Juro por mim mesmo. – disse beijando os dois dedos após falar. E aquele sorriso ainda continuava lá.
– Haha. Okay. Vou confiar. – disse como quem estivesse duvidando de algo.
– Ei Annie e Tom, os quartos estão prontos. – Claire nos avisou da escada.
– Okay, já estamos indo. – E então nossos olhares se encontraram, até eu decidir quebrar a conexão e me encaminhar à escada.
Agora eu queria ver como iria dormir, já que os pensamentos haviam me tomado novamente.
Os olhos penetrantes, o sorriso confiante...
Tudo só serviu pra me confundir mais.
Notas finais
Bom, reviews construtivos, dicas, sugestões, etc.
Sintam-se à vontade.
Bjones e até a próxima. ♥
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