Traumatisierten

1 Onde tudo começa. - Capítulo O1


Notas iniciais
Primeiro Cap.
Curtinho. ^^

Olá diário!


Bem, como sempre aqui estou eu de novo.

Isso é o que se faz quando você é considerada uma anormal pelos outros... Não tem ninguém para conversar e resolve escolher um diário. Olha que fofo. (Sim, eu fui irônica).

Bem, eu vim aqui mesmo porque não aguento mais a indiferença das pessoas... Não consigo entender o que elas pensam para agirem da forma que agem.

E bem... Como sempre quando digo que todos estão mentindo, aconteceu de novo.

Minha conclusão estava correta.


Saí do Fundamental para fazer o Ensino Médio Integrado.

Costumava reclamar, pois na antiga escola tinha somente duas amigas, (a Khristen e a Manuela), e em torno de 80% da população que estudava nela me odiava.

Entrei na Personal Tailent School e fui muito bem recebida por todos. Eis então que o meu medo surge, pois ninguém, nunca, foi assim comigo. E como estava demorando muito, no final do segundo semestre todos resolveram serem falsos comigo, falar de mim pelas costas... E o que eu mais aguardava virarem as costas pra mim.


Diário, não pense que estou mentindo. Quando digo todo mundo...

É “TODO MUNDO” mesmo!


Porque os outros que falavam reclamando dessa atitude dos opostos, estão sempre junto com eles. Sem contar no menino que eu achava que podia confiar... Ele me trata de maneira extremamente simpática e carinhosa, mas pelas costas deles, pois quando nos encontramos na presença dos mesmos, simplesmente torna-se igual a eles, agindo da mesma forma, ignorando-me. Ele de forma tão educada na frente deles, me deixa o chamando por tempos enquanto os outros ficam me olhando com cara de pena e satisfação por ele estar “tecnicamente” me ignorando.


Pois é, agora sou sozinha como um peixe fora d’água. Ta bom, não é pra tanto... Isso foi clichê, admito, mas eu em sinto em um mundo que não deveria pertencer a mim. Sozinha em um deserto seria a palavra correta.

Mas o que realmente me deixa chateada na verdade, é que agora eu não tenho minhas duas amigas ao lado. E com a correria da escola, se tornou bem mais escasso meus encontros com elas, e mesmo mantendo contatos, nem que sejam pequenos, com elas... Não é a mesma coisa que conviver diariamente com pessoas que você sabe que pode realmente contar.


Droga!

Eu só me ferro mesmo.


Annie Carlling Stewart.


XXFLASHBACKXX


Não! – Eu só conseguia gritar isso enquanto me debatia ou tentava inutilmente, fazê-lo.


Para quieta sua vadia – Aquele escroto do Bryan não parava de tentar me assediar. Aquilo estava se tornando pior do que os dias que costumava enfrentar na escola.


Socorro! – gritei chorando. Era meio impossível nos escutarem já que estavam todos curtindo a festa no andar de baixo enquanto estávamos no banheiro do segundo andar. – Socorro!


– Já disse para ficar quieta porra! –falou alterado apertando minha face. – Hoje vai ser minha querendo ou não sua vadiazinha. – Falou enquanto cheirava de uma forma maníaca o meu pescoço. Logo começou a descer beijos pelo mesmo de novo. E eu totalmente sem sucesso tentei empurrá-lo, o que o fez me prensar ainda mais contra pia negra que havia ali.


Socorro! Me ajuda! Socorroooo! – Eu não aguentava mais aquela situação.


Shh – disse tapando minha boca com uma das mãos. E eu ainda permanecia ali naquela luta fracassada, esperando alguém lá em cima ouvir minhas preces e me mandar um “anjo” para ajudar.


XXANDAR DE BAIXOXX


Cara vou ao banheiro e já volto! – avisou Marcos


Okay, vai lá. – Christian respondeu tranquilo.


Iria no banheiro do térreo mesmo, se alguém não houvesse “batizado” o mesmo. Então decidi ir no do segundo andar. Enquanto estava caminhando em direção ao mesmo, que não se encontrava muito longe das escadas ouvia uma espécie de grito pedindo por socorro, mas tudo se tornava praticamente inaudível por conta da música alta que vinha do andar de baixo.



Conforme me aproximava, ficava cada vez mais nítido o que se falava lá dentro, até que ouvi perfeitamente...


– Já disse para ficar quieta porra! –Meu Deus o que será que estava acontecendo lá dentro? – Hoje vai ser minha querendo ou não sua vadiazinha. – Eu preciso ajudar de alguma forma, droga. O que eu vou fazer agora? Se eu sair daqui, pode acontecer algo...


Socorro! Me ajuda! Socorro! – Fui interrompido de meus pensamentos... Eu não estava aguentando ouvir aquela voz chorosa gritando de tal maneira, precisava fazer algo e urgentemente.


Quem está aí? O que está acontecendo? – Foi a primeira coisa que me veio à cabeça no momento de desespero. Logo ouvi um: “droga!”, e alguns barulhos de vidro se quebrando.


Preocupado arrombei a porta e acabei dando-me de cara com uma garota encolhida no chão do mesmo, no canto perto da pia, chorando compulsivamente e praticamente seminua já que o vestido já não cobria mais de 1/3 do seu corpo. Olhei para a janela e encontrei somente os vidros quebrados do som anterior.


O que aconteceu? – perguntei com calma, abaixando-me para não assustá-la.


Ela nada respondeu, apenas chorava cada vez mais, aquilo estava me assustando. Peguei-a no colo e a levei para o quarto da Julia, ela não iria importar-se, não com um caso desses.


Ao passar pelo corredor com ela em meus braços, alguns olhares foram de preocupação, outros de estremo gozo. O que realmente me espantou. Ela encontrava-se naquele estado, necessitando de ajuda, e ainda existiam pessoas egoístas e canalhas o suficiente para não fazerem nada. Se calhar até ajudavam o desgraçado que fez isso com ela.

Ao adentrar o quarto a coloquei sentada sob a cama e puxei a poltrona sentando de frente para ela, que no momento se encontrava de cabeça baixa.


– Tudo bem com você? – Ela apenas moveu a cabeça em um não mudo.


– Quer falar sobre isso agora? – Outro movimento.


– Okay. Você quer tomar um banho, ou algo mais para depois conversarmos? – Agora ela levantou a cabeça e me fitou falando de forma quase inaudível:


– Eu só queria sair dali, porque isso tinha que ser tão injusto? O que eu fiz para estar passando por isso? Tudo que eu desejo é um fim para esta história. – baixou a cabeça observando as mãos. – Eu devo ser uma espécie de aberração para a humanidade. – Me doeu o peito ouvir isso dela.


Ei, você é linda. E você é como qualquer um de nós... – Incentivei-a — Não tem porque você ser considerada uma aberração. – Completei com quase certeza do que havia acabado de falar.


– Você não entende... É tudo tão complicado. As coisas não são tão simples quanto pensa. – Disse olhando para mim e logo baixando a cabeça novamente.


Porque não me conta então? Quem sabe eu possa ajudar... – Disse em um tom preocupado.


Você não entenderia. Ninguém pode me ajudar. – Aquilo doeu mais em mim do que qualquer outra coisa até agora. O que será de tão grave que ela escondia assim? – Obrigado por me ajudar. Se não fosse você... Eu nem queria saber onde aquilo terminaria. Eu orei tanto lá dentro... Tanto. — disse ameaçando chorar novamente.


– Ei, calma. Tome um banho e descanse que depois conversamos direitinho sobre isso. Sei que sou um completo estranho pra você, mas prometo querer ajudar. Não sou como os outros. Pode confiar em mim.


Obrigado mais uma vez.– Disse-me dando um pequeno sorriso de canto.


De nada, só estou querendo ajudar. – disse devolvendo o sorriso – Vou ver se acho algo pra você no closet da Julia.


– Okay. – E permaneceu lá, inerte em seus pensamentos, que neste momento deveriam estar fazendo com que sua mente colidisse entre um e outro. Um turbilhão de ideias e lembranças formado em um espaço tão pequeno e de expansão gigantesca.


XX/FLASHBACKXX


Notas finais
Sintam-se à vontade para comentários, sugestões e/ou reclamações.
Espero que tenham gostado.
Posto assim que o próximo estiver pronto.
Bjus e até a próxima. ♥