Trauma
11 Melodia do Silêncio
Perante a luz de uma tela fumegante, a melódica canção escapava de alto falantes e voltava todo o calmante de suas teclas para um batuque em meu cérebro.
Com um poder retumbante, brincou com minhas apertadas emoções até que eu me desse conta do que verdadeiramente se passava. Pairando a lua, me senti tão sem graça que mal pude apreciá-la de maneira merecida. Um piano, reconhecia o instrumento contido no efeito. Talvez se mesclasse com uma espécie de teclado, algo que o fizessem em um contraste semelhante, ainda que leves e relaxantes aos ouvidos.
O que me causava a sensação? Bem, libertação. Não fora feita para isso, era só mais uma trilha de um jogo ultrapassado e envelhecido. Participou de vidas, infâncias, sempre retornando com mais forças de atualizações. Ainda sim, diante da pequena chuva, da luz do luar e meu cobertor aquecido, me senti aérea escutando-a.
Uma imensidão bem feita para que prejudicasse tudo aquilo que pensasse demais nas entonações. Ameaçando especialmente os arrependidos, costuma prendê-los em uma espécie de transe emocional, para que nunca escapem do sentimento tão culposo e doloroso que guardam no peito. Relembrando de momentos, emoções e sentidos, qualquer um pode se estilhaçar silenciosamente abaixo de narizes atentos.
Por dentro, todos permanecessem e aprendem a lidar com uma espécie de energia condizente à alma. Quando estamos feridos, costumamos enfraquecer em um todo, arrastando tanto o interior quanto o externo. Se a música me traz uma sensação semelhante ao rachar de minha estrutura, como poderia descrever o restante de súplicas que a acompanham?
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