Eu, quando era mais novo, sempre busquei me compreender, mas sempre estive sozinho e perdido. Claro que haviam pessoas ao meu redor, mas parecia que não tinha ninguém.

Sombrio e triste, não é? Mas eu sempre quis ter alguém que pudesse me compreender, ou até mesmo me escutar, mas isso tudo era tão triste.

Nunca conheci essa tal pessoa, mas sinto que isso poderia ter me ajudado a encontrar caminhos bem melhores dentro dessa imensidão de caos.

E quando eu a vejo, penso que somos muito parecidos, eu enxergo meu eu do passado em você. Por conta disso me faço tão presente para te entender, te ouvir e ficar do seu lado. Mesmo que se sinta sozinha, definitivamente não está.

Essa é a conexão que eu buscava, corações que se conectam estão sempre juntos. Dona Sofia.

Sempre pensei que minhas crises existenciais, distorções do mundo à fora eram unicamente voltadas à minha pessoa. Egoísta da minha parte, né? Nunca amada pela metade. Sempre dois extremos, me amam ou me odeiam. Essa sempre foi a regra.

Se trocada por outra, uma fúria. Se deixada de lado, um surto. Minha reciprocidade nunca foi saudável. Me reconheçam como amiga, me vejam como única. Implorava por uma amizade sabendo que não conseguiria mantê-la. Estive ausente por tempos. Adormecida na própria arrogância. Ninguém compreendia alguém como eu, era isso que eu pensava. Qual a dificuldade de encontrar alguém que fale comigo de igual pra igual? Sem forçar um riso, sem mudar minha linha de raciocínio. Sem me fazer acreditar que sou moldável sendo humana.

Foi então que te encontrei. Desde o princípio, sentia a necessidade absurda de abrir meu coração e deixá-lo nas tuas mãos. Você me enxergava. Tratava minhas peculiaridades com tanta naturalidade que parecia entendê-las. Ali, pela primeira vez, fui acolhida. Quem me abriu as vistas foi você, André.