Tratamentos Para Cabelo Naturais
2 Semana 2, Dia 3
Notas iniciais

Semana 2, Dia 3
Cabelo: 7/10
Estou me sentindo tonto.
Aconteceu tanta coisa hoje que cansei de contar há quantos dias comecei a escrever, então passei apenas para a segunda semana, o terceiro dia dela, no caso — sim, consegui arruinar o propósito desse sistema já de cara. Não importa, preciso urgentemente escrever sobre tudo o que aconteceu antes que minha cabeça dê um nó.
O dia começou bem normal: acordei tarde, iria dormir mais, mas estava na hora do almoço e eu e papai tínhamos combinado de comer juntos antes dele me deixar na loja da mãe. Ele sabe que não gosto de perder nossos almoços por ser tão dorminhoco.
Acabamos comendo lámen e não nos cruzamos com o Boruto, tudo correu bem — mal eu sabia que era apenas o universo me enganando. Enfim, papai e eu falamos sobre os exames chūnin e o treinamento. Fiquei surpreso por ele não estar me acordando de madrugada todos os dias para praticar. Diz que confia em mim e nas minhas habilidades.
Concordo que tornar-me chūnin tão cedo não deve ser obrigação, então não estou me estressando com isso. Acho que meu pai também sabe que esquento minha cabeça mais fácil que chaleira e ninguém está afim de suportar meus surtos — só você.
Mesmo assim, eu, Metal e ChoCho estamos treinando bastante. Acontece que preferimos fazê-lo ao pôr-do-sol. Bom, eu prefiro, porque posso dormir a manhã inteira e ainda dormir minha sesta à tarde e depois do treino estar cansado o suficiente para dormir a noite toda.
Eu poderia dormir a toda a hora e em qualquer lugar.
Sério, diário, vai perceber isso muito bem depois de te falar tudo que aconteceu hoje.
Então, depois do almoço, papai me deixou com a mamãe. Amo ajudá-la na loja, é onde aprendi tudo o que sei sobre armas. Por mais que ela tente me convencer a fazer mais uso delas, minhas ferramentas prediletas vão sempre ser as correntes. Claro, isso não a incomoda tanto; o que realmente a irrita é o fato de eu gostar somente das correntes, não das armas que poderiam ser fixadas a elas.
A única exceção é a que ela fez para mim, é — adivinha — uma corrente, só que tem uma espécie de ceifa no final — em vez de uma lâmina longa, são três mais pequenas. Por serem tão curvadas, agarram-se a tudo e consigo estender seu comprimento com chakra, o que é ótimo. E claro, assinou o contrato de paz com mamãe.
Meus pais são grandes inspirações para minha técnica ninja; ter uma parte de ambos em batalha me faz sentir mais seguro.
Não houve muitos clientes, pois a maioria tinha dúvidas sobre como manejar as armas já compradas. Notei que sou eu respondendo a várias das perguntas que fazem, mamãe mal interfere e acho que isso está contribuindo para essa ideia que eu sou um gênio pela vila.
Devia começar calando a boca.
Se apenas eles lessem o meu diário…
Mamãe parecia bastante alegre a tarde toda, estava sorrindo daquele jeito que me deixa desconcertado. Ela sabia de algo que eu desconhecia e estava me deixando louco!
Quando finalmente lhe perguntei, duas pessoas entraram na loja: Rina e Gaara.
Naquele momento, se alguma daquelas armas espetasse bem no meu peito eu nem iria sentir.
Mamãe abriu o maior sorriso para recebê-los como se nem visse seu filho morrendo atrás dela. Eu sabia que o Shinki estava vindo essa semana para se inscrever nos exames, mas não sabia o dia! Ninguém me falou! Não perguntei! Ah!
Rina, a mulher do Kazekage, consegue ser igualzinha à minha mãe quando quer provocar. As duas devem ver de longe minha queda fatal pelo Shinki, e juro que riem da minha cara quando se cumprimentam como se não fosse nada.
Graças a Deus, Shinki não veio com eles, onde ele estaria? Não fazia ideia e não tive coragem de perguntar.
Enquanto os adultos se cumprimentavam e falavam coisas de adulto, recuperei minha mobilidade para sair dali o mais rápido possível. Não sabia o que fazer! A vontade era de voltar para casa e fingir que ainda nem tinha levantado da cama! Talvez pudesse enganar o universo que o dia nem tinha começado, e ele fizesse reset.
Corri para fora da loja assim que os pais do Shinki deram o ar da graça. Era como se Konoha estivesse em alerta e a cada passo eu estava vendo o Shinki aparecer, na esquina, atrás de mim, ao meu lado. A qualquer momento ele me chamaria, e você sabe exatamente porque isso seria um desastre:
Sim, exato!
Meu cabelo está um sete hoje. Um SETE!
Entenda, diário, que desde que o conheço, Shinki nunca me viu com o cabelo abaixo de oito. Logo hoje ele aparece e está um sete! Iria me achar um monstro — Shinki tem essa ideia de mim com cabelo magnífico e perto de perfeito a toda a hora. Nem pensar deixá-lo aceitar que — em raras vezes — pode ser medíocre.
E sim, cheguei à mesma conclusão que você: estava sendo estúpido demais.
Shinki é meu amigo, não tenho que ficar à beira da morte por saber que ele está na mesma vila que eu. Não tenho que achar que questionaria toda a nossa amizade por meu cabelo estar um pouquinho pior que o pior que já viu.
Sei que não faz sentido porque nos conhecemos faz séculos, já houveram tantos encontros e vezes que passamos dias em casa um do outro.
A verdade é que a cada dia que passa eu gosto mais dele. Nem sei se é isso, acho que só estou me apercebendo melhor de como eu gosto dele, entende? Isso me deixa nervoso porque sinto que quanto mais entendo, mais fica escrito na minha testa e mais perto estou de uma rejeição.
Quer dizer, que outro raio de resultado haveria?
Eu não entendo o que acontece! Eu gosto do Shinki, em algum momento — se o universo quiser e estiver farto de me ver surtar — ele gosta de mim, e depois? Que acontece a partir daí? Ele me fala? Nos beijamos? Damos as mãos, nos sentamos lado a lado? Que raio?! Não entendo o processo!
Enfim, bem queria a oportunidade entender.
Ser rejeitado ou ele não gostar de mim desse jeito é a coisa mais lógica a acontecer, pelo menos aí saberei exatamente como agir e posso respirar. Se apenas meu cérebro funcionasse, né? Mas não! Basta mencionar o Shinki, e ele desliga, canta, faz piruetas e fabrica todos esses cenários maravilhosos. Meu coração é seu parceiro no crime.
Tá, regressando ao magnífico dia de hoje.
Eu estava no meio da missão ninja mais importante da minha vida: tinha que chegar em casa e conseguir colocar algum produto ou fazer um penteado que subisse o nível em um valor. Isto porque, estrategicamente, lavá-lo e arriscar que ficasse pior estava fora de questão. Para além disso, é minha mãe que costuma tratar dos penteados, pelo menos ficam melhores quando ela os faz. Sei fazer o meu coque sozinho, mas ela deve usar um jutsu secreto para ficar tão bonito!
Mais, tinha que fazer tudo isso sabendo que o Shinki estava em algum ponto daquela vila, que as inscrições para os exames não demoravam muito e que ele não tem muitos amigos em Konoha — nenhum, no caso —, então, depois de pronto, iria ou encontrar os pais… ou encontrar-me.
Tudo aconteceu muito rápido: corri para casa, que não é tão longe da loja, e consegui chegar sem problemas.
A casa estava bem quieta, mas apanhei meu pai subindo as escadas quando entrei. Estava tão ansioso que nem o cumprimentei e acho que ele nem me ouviu. No entanto, meu profundo suspiro de alívio foi escutado de certeza.
Não só por ele.
Sim, o Shinki estava na sala de estar me esperando. Assim que cheguei, apareceu que nem um fantasma na minha frente. Quase soltei um grito e fiquei mais pálido que o Mitsuki.
Pelo menos consegui não chorar.
Quanto à recepção do Shinki, ele ficou bem inexpressivo. Tá, diário, eu sei, eu sei: “O Shinki é sempre inexpressivo, não vai sair elogiando seu cabelo a toda a hora e nem mesmo sorrir sempre que está com você. Lembre-se, Tenji, você percebeu que estava gostando dele quando o fez rir pela primeira vez.”
Eu sei! Mas não pude deixar de sentir que ele notou…
Não conseguia parar de mexer na minha franja enquanto ele me olhava. Depois de um tempo, já estava estranhando eu estar tão quieto. Então soltei o mais confiante “Shinki-kun!” que alguma vez saiu da minha boca, e pareceu menos desconfiado.
O que aconteceu depois foi bom, me fez esquecer os problemas com o cabelo por um pouco.
Quando estou com o Shinki tenho que ser eu a falar, e isso me distraiu. Ele vai ficar só até amanhã, pois precisa treinar para os exames, que deve ser a próxima vez que nos veremos. Serão daqui a umas semanas e já houveram vezes que eu não o vi por mais tempo, mas saber a quantia de tempo que passarei sem vê-lo me deixou meio triste.
Cada dia que passa, cada vez que estamos juntos, fico mais e mais ansioso, sinto que preciso de vê-lo mais. Está ficando insuportável.
Bem, ele me falou que não poderia vir, não que eu estava impedido de visitá-lo. Acontece que, apesar de nos vermos com alguma frequência, nossos encontros meio que sempre tiveram um motivo — aniversários, missões, encontros dos nossos pais. Ir na vila dele só porque sim ia ser estranho. E se o deixo constrangido ao ponto dele decidir que finalmente tem que me rejeitar?
Ai… talvez eu consiga bolar um plano com a minha mãe para visitar a Suna em algum ponto nas próximas semanas.
Isso soa tão dramático, fazer o quê? Eu sou dramático. Só de pensar em não ver o Shinki por tanto tempo faz com que meu coração aperte. Não sei explicar, é ridículo mesmo, eu só quero estar perto dele. Nem precisa ser romântico, nunca foi — triste. Mas só estar ao seu lado, conversar e sentir que ele quer estar na minha presença me deixa muito feliz.
Minha convivência com o Shinki não é nada como a com o ChoCho e o Metal, nós não rimos a toda a hora, fazendo piada com qualquer coisa que vejamos ou nos aconteça. Ele não zoa de mim, o que, sinceramente, é chave para se tornar meu amigo. Shinki não é assim e ainda é meu…
Como eu odeio chamá-lo de melhor amigo.
Melhor amigo é o Metal, sabe? Nós somos vizinhos desde crianças, como irmãos — exceto que eu gosto de ser o príncipe da casa. Não tem nada romântico entre nós, contamos tudo um pro outro, como melhores amigos fazem. Shinki… bem, ele também o é… mas não apenas isso.
Não quero chamar de “crush”, faz parecer que nem nos conhecemos direito quando, na verdade, gosto de pensar que entendo o Shinki bem e ele me conhece melhor que qualquer um — tirando meus pais. Daí eu chamá-lo de Shinki ou “melhor amigo” porque não o posso chamar de namorado… marido… e isso é um saco!
Quando estamos juntos, começo conversa fiada e noto na maneira como ele reage. Na maioria das vezes, ouve, concorda, discorda ou apenas garante que está ouvindo. Sempre me está ouvindo, nunca se irrita ou cansa por mais que eu fale, nunca se irrita se zoo dele por alguma razão, muito diferente de quando outros o provocam. Me faz sentir especial e ao mesmo tempo ainda mais confuso.
Sei que chega a um ponto que ele simplesmente não está afim de conversar, suas respostas ficam mais curtas e suspira, aí eu me calo e ficamos em silêncio. Estivemos sozinhos na sala de estar hoje por um tempo. Estava dando algo na TV, e eu não lembro bem o que era, Shinki parecia entretido, e eu estava cansado depois de tanta correria.
Então adormeci.
No ombro dele.
Isso aí, e sabe a pior parte? Eu dormi por uma boa hora, acordei e ainda estava naquela mesma posição. Shinki nem estremeceu, o que quer dizer que ele realmente me deixou ficar uma hora adormecido no ombro dele. O que isso significa?!
Sério! Shinki é tão… sei lá, não imagino ele deixar qualquer pessoa fazer isso. Será que não se importou porque lhe sou indiferente? Será que gosta de mim e dessa proximidade? Se esse fosse o caso, teria perguntado se eu preferia ter subido para o quarto, mas ele não fez nada, talvez foi por estar em minha casa e pensar que seria rude me afastar.
Foi isso, com certeza.
Enfim, quando eu acordei, estava para lá de constrangido. Admito que o fato de Shinki estar tão quieto foi bom porque aproveitei para ficar com a minha cabeça no ombro dele antes de acordar oficialmente. Foi tão bom — mentira, foi horrível! Horrível porque agora a proximidade de antes vai parecer nada perto disso pois minhas expectativas estão subindo e vai ser impossível baixá-las e satisfazer tudo que essa estúpida queda pede de nós.
Estou escrevendo depois disso tudo. Minha mãe chegou em casa, cumprimentou o Shinki e aproveitei a distração para subir sozinho. Ela também perguntou se ele queria passar a noite aqui em casa, mas ele recusou, disse que estaria na pousada onde seus pais estão ficando.
Sim, eu acho que tem algo a ver comigo, diário. Não, não quero falar sobre isso.
Então, ele ainda está aqui, estamos prestes a jantar e depois ele vai embora. Vim escrever antes dele ir porque depois não sei se vou ter forças.
Queria deixar de ser tão dramático, mas não consigo. Realmente sinto que isso já não é uma queda e que estou me apaixonando. Sei que o sentimento não é completo ainda, que não se deve comparar a estar numa relação real oficial. Só que quando falo com meus amigos e colegas da academia, e eles contam suas quedas aqui e ali, nada, nada se compara ao que eu estou sentindo pelo Shinki.
Por que me escolheu, universo? Não queria esperar um pouquinho? Tenho cara de quem está pronto para se apaixonar? Você já olhou para o Shinki? Por que não me fez ter queda pelo Metal? Seria muito mais fácil saber se é recíproco, ou a ChoCho, que me rejeitaria na cara dura assim que eu desse em cima dela? Por que não o Inojin? Sei lá! O Shikadai é bonito também, embora realmente indecifrável porque tem sempre aquele ar aborrecido do pai, mas juro que seria muito mais fácil de ler do que o Shinki.
Por que o Shinki?!
…
Eu ia acabar essa entrada agora, mas não consigo sem responder à minha própria pergunta.
Eu sei exatamente por que o Shinki.
Lembra-se quando falei que gostava dele quando o fiz rir pela primeira vez? Bem, não sei o que sentia antes disso, mas nesse momento foi como se o tempo tivesse parado.
Ele riu, tudo congelou, e eu fiquei hipnotizado que nem um idiota. Quando faço piadas com o Shinki, nunca espero que ele ria e com certeza não esperava naquele momento. Quando ele o fez, senti que eu realmente era especial para ele.
Não sei, mas em algum ponto da nossa infância, Shinki me escolheu como não escolheu ninguém. Sei perceber que ele me trata diferente dos outros, que realmente se importa.
Ele conhece bem todos os meus defeitos e exageros, mesmo que não conheça minha queda por ele — eu acho, eu espero —, e continua querendo minha companhia regularmente. Nunca me esqueci do momento em que seus pais me falaram que o Shinki não era o mesmo desde que nos apresentaram, que ele ficou muito mais aberto e equilibrado. Não estavam me idealizando sem me conhecer, como todo o mundo faz. Shinki sabe quanto sou ridículo e viu algo em mim ali; isso significa alguma coisa.
Mesmo que no fundo eu aceite que tudo isso nunca vá chegar ao que quero, ele me fez crescer e entender coisas sobre mim que eu não entenderia tão cedo sem ele.
E isso é por que é o Shinki, diário.
Meu cabelo definitivamente tem que estar melhor amanhã.
Amor, Tenji.
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