Trash And Lovely
2 The Devilish Club.
Notas iniciais
Naoto chegou do colégio cansada, jogando a mochila no chão e tirando os sapatos com pressa. Se sentia uma idiota com o uniforme, a saia escocesa e as meias até os joelhos. Jewel, seu cachorro, pulou em seu colo, latindo, eufórico.
Sua mãe não estava, trabalhava como garçonete de tarde até a noite e as vezes não se viam muito.
- Estou orgulhosa de você, Naoto! – Recordou-se das palavras da mãe ao anunciar que conseguira uma bolsa de estudos no James Taylor High School. – Você está mudando e para melhor.
Naoto fora parar no reformatório após roubar um carro, além das diversas infrações que cometera dos treze aos quinze anos. Drogas, furtos, violência, vícios estavam em seu passado. Seu pai havia morrido quando ela era criança, e a mãe largou o emprego e começou a beber. Mesmo sendo altamente problemática, Naoto era inteligente e conseguiu entrar na escola com uma bolsa de estudos.
A escola estava se tornando estressante,apenas por culpa de Jyou, que não parava de lhe ligar há quatro dias, desde o episódio do refeitório. Tentava evitá-la de todas as maneiras, mas estava ficando difícil.Pegou um pacote de biscoitos no armário e começou a comer quando o celular tocou. Resolveu atender.
-Naoto. – A voz de Jyou era animada e esperançosa. – Porque não queria me atender?
-Não é da sua conta. O que quer? – Replicou.
Jyou ficou calada por um segundo, pensando no que dizer.
- Porquê me ignora na escola e não atende minhas ligações? – perguntou Jyou, com a voz sentida.
Naoto suspirou, irritada, se censurando por ter atendido o telefone. O tom de voz de Jyou era ciumento e chateado e isso lhe causava irritação.
-Pare com isso. Não vou perder meu tempo com essas conversas.
-Naoto.. – Jyou disse devagar – Eu sinto sua falta. Queria saber porque me ignora tanto.
-O que deu em você, Jyou? – Naoto replicou, já prestes a desligar o celular.
- liguei porque queria sair com você. Devilish Club. Depois da meia noite, como antigamente. – disse Jyou, já animada – Mally vai também. Por favor, Naoto. – a voz de Jyou era quase suplicante.
Naoto suspirou, acendendo um cigarro enquanto falava ao celular, sem muita paciência com Jyou.
-Naoto, está aí ainda? Pode ir lá?
-Tudo bem. – Disse Naoto. – Nos vemos por lá.
Jyou começara a falar algo, contente e triunfante, mas Naoto desligara o telefone sem muita paciência. Não ia agüentar ficar em casa em plena sexta-feira á noite, e bem ou mal, estava sentindo um pouco de saudades de Jyou.
Devilish Club era o clube de elite e de pior reputação da cidade. O show de bizarrices que aconteciam por lá era praticamente um mito, além de ser freqüentado pela nata da alta sociedade, geralmente transgressora e delinqüente. Naoto parara de freqüentar lugares desse gênero, mas achava que ir as veze não lhe faria mal. Ficava em um beco, no centro da cidade, não muito longe da casa de Naoto, mas muito movimentado.
Já passava das onze da noite quando Naoto entrou rapidamente, já conhecida por ali por sempre estar com Jyou. Acendeu um cigarro, indo em direção ao bar, sentou-se no banco, observando o movimento e esperando Jyou. O lugar já estava lotado e a música alta podia fazer alguém que não estava acostumado á aquilo, deixar de raciocinar e entrar em pânico. O lugar estava lotado, pessoas se espremiam por todos os lados.
Naoto mexia no cabelo, começando a se arrepender por vir. A muito tempo deixara de gostar de freqüentar aquele lugar. Pediu uma cerveja e logo ouviu Jyou dizer seu nome animada, atrás dela. Naoto não sorriu, por algum motivo, estava com um súbito mau-humor. Jyou já conhecia o jeito da outra e sorriu.
- O que está bebendo, Naoto?
- Cerveja. – Respondeu. Naoto olhou para Jyou, impaciente, arrependida de ter aceitado o convite. Não gostava mais de Jyou e agora a enxergava como se fosse qualquer outra garota.
Mally apareceu, com um garoto que havia acabado de conhecer, cumprimentou Naoto e voltava a conversar, animada com o menino.
— Está calada, Naoto. Não quer dançar? – Jyou tentava ser simpática, mas Naoto se mantinha fria.
- Me deixe em paz. Jyou. – Replicou ela, voltando a beber. Seu mundo devasso não lhe atraía mais, queria ir embora.
Jyou afastou-se de Naoto como um cachorro que acaba de apanhar do dono. A música começava a fazer a cabeça de Naoto doer.
Virou a cabeça e seus olhos se encontraram com os de outra pessoa. Aquela garota nova, Miko, lhe observava de longe, parando de dançar por alguns segundos. Naoto a encarou, enquanto Jyou se queixava, falando coisas irrelevantes.
Estava com um cara. Claro que Naoto o conhecia, Satoshi, o dono do Devilish Club, rico e fora-da-lei, além de repassar drogas para traficantes menores que vendiam drogas no Devilish Club. O outro era Ryo, claro que o conhecia também, era um ator/modelo em ascensão sempre saindo em revistas por aí. Não entendia o que Miko fazia ao lado de tipos como aqueles, que obviamente não prestavam. Ela dançava sem parar, com Satoshi,parecendo alucinada. Já deveria estar muito bêbada e quem sabe até drogada. Virou a cabeça em direção ao bar novamente, aquela patricinha não era problema seu.
— Você já vai embora, Naoto? – a voz de Jyou era quase chorosa, com raiva.
Naoto a olhou, acendendo um cigarro. Deveria parar de fumar, estava na lista de suas prioridades. O jeito de Jyou, querendo satisfações de tudo que fazia, lhe irritava.
Naoto sentou-se novamente, calada, enquanto Jyou bebia, frustrada.
- Pare de beber, Jyou – disse Naoto, a repreendendo.
-Desse jeito até parece que se preocupa comigo – retrucou a loira, tomando o drinque, brava. – Aonde está Mally? – Olhava para a pista, procurando a outra.
Naoto virou a cabeça novamente, e viu Miko e Satoshi se atracando na pista de dança, faltava pouco para finalmente fazerem sexo em público. Naoto abaixou a cabeça, enojada. Queria mesmo ir embora dali.
- Vou embora, Jyou – retrucou Naoto, já passavam das três e meia da madrugada, estava sonolenta. Se desacostumara com todo aquele ritmo, embora não parecesse.
Jyou disse que ia também, pouco se importava com o sumiço de Mally, era sempre assim quando saíam.
Levantou-se e notou que Miko havia sumido.
- Vou chamar meu motorista. Ele está aqui perto. – disse Jyou, pegando o celular.
- Não precisa, Jyou. Eu vou andando.
Jyou abaixou a cabeça triste e Naoto lhe deu um beijo no rosto, que mesmo assim a deprimiu. Naoto murmurou algo que se veriam na escola na manhã seguinte, deixando Jyou emburrada.
Voltava garoar, a calçada e a rua lotadas, a música ainda era audível , acendeu um cigarro3, quando ouviu em meio a música, gritos. Olhou para o beco.
Era ela. Miko, com o rosto sujo de sangue, caída no chão enquanto Satoshi a chutava e a xingava. O tal Ryo que estava com eles, havia sumido . Naoto suspirou. Não podia ignorar a cena, Miko gritava, com a roupa rasgada e os cabelos desgrenhados.
Naoto empurrou Satoshi com força no chão, o esmurrando, enquanto ele gritava, Miko gemia, no chão, com o rosto encostado na calçada. Voltava a chover.
Satoshi xingava Naoto, tentando agredi-la, que o puxou pelo colarinho, irritada.
-Cala a boca. – murmurou ela, desferindo um golpe em sua cabeça, Satoshi caiu no chão, meio desacordado.
— Hey, menina. – Naoto chamou Miko, virou a cabeça e a calçada tinha três ou quatro fotógrafos disparando flashes na direção delas. Esquecera que Miko era rica e famosa, e constantemente alardeada por fotógrafos e repórteres.
Miko a olhou, tentando se levantar, zonza e bêbada.
-Naoto! – ela riu – Você me salvou mais uma vez!
-É. Você é bem problemática – disse Naoto, a olhando – E tem sérios problemas com a bebida. – Naoto a ajudou a se levantar, enquanto Miko tropeçava nas próprias pernas, enquanto ainda eram fotografadas.
- Merda, como odeio isso! – Berrou Miko, mostrando o dedo do meio para as câmeras.
-Louca! – Riu Naoto, a puxando pelo braço. – Vou chamar um táxi para você. Aonde mora?
-No inferno. Argh –riu ela- me leve para qualquer lugar, aonde tenha uma boa garrafa de vodka. – Ria sem parar, Miko estava completamente fora de si.
Naoto não sabia o que fazer. – Porra, arranjei um belo de um problema – Pensou, olhando para Miko, risonha e zonza, que cantava alguma coisa em inglês com os olhos sujos de maquiagem e lágrimas fechados, o rosto ainda sujo de sangue, e com certeza era belo, Miko era tão bonita quanto uma boneca.
Agora era pensar no que fazer.
Notas finais
Vou postar com mais regularidade agora,pelo menos tentarei *apanha* .q
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