Trapped in Nightmares

6 ''Eu sou um fantasma''


Notas iniciais
Ooiiiiiiiiiiiiiiiiiiii gente. Hoje eu acordei animada e feliz. Por que? Bom, porque faltam cinco dias para o meu birthday (19 de abril) ''êêêêêêê'' *le crianças animadas gritando felizes e eufóricas. Mas voltando ao assunto, eu resolvi postar o capítulo bonitinho, cheirosinho, feito com carinho e fim. Boa Leitura.

06

É natal. Percebo isso por causa das luzinhas espalhadas por toda a cidade e as canções natalinas sendo entoadas por um coral de crianças achando que estão afinadas (mas não estão) de uns nove anos na porta da casa de dois velhinhos que assistem a apresentação. Emocionados.

Ando cambaleando por um ou dois quarteirões estou ferida e trêmula de frio, as pessoas passam por mim assustadas, uma garotinha perguntou para a mãe: ‘‘Mamãe, por que aquela mendiga está toda machucada?’’. A mãe repreendeu a menina e as duas saíram andando. Sem condições de continuar andando, sento-me num banco cheio de neve, continuo tremendo, sinto meus dedos dormentes endurecendo e congelando. Consigo ver meu reflexo da janela de uma casa. Estou com a boca roxa. Depois de algum tempo, um garotinho que andava com três grandes cobertores de lã em seus braços (tão grandes que quase tampavam seu rostinho) passa por mim e diz:

— Toma moça. — Ele pega um dos cobertores e me cobre. Não estou em condições nem de me mexer.

— Filho! Esses cobertores são para necessitados! — A mãe fala.

— E ela por acaso é rica? — Isso fez com que a mãe calasse a boca e os dois continuaram andando. Por sorte, o menino me deu o cobertor mais grosso. Consigo a andar por mais algum tempo. Chego até em casa. Abro a porta e entro. A casa está quente. Um peru sendo assado no forno. As luzes de natal na árvore e espalhadas por toda a casa. O cheiro do peru me deixa com a boca cheia de saliva. Olho para o relógio e fico surpresa com a data. Vinte e quatro de dezembro de 1994. Oito horas e quatro minutos. Eu nem tinha nascido nessa data. Então como estou aqui?

Meus pensamentos são interrompidos quando a porta se abre, o ponteiro muda para 20:05. Quem entra pela porta é um homem ansioso e relativamente bonito. Ele faz a mesma coisa que eu, sente o cheiro do peru, observa a árvore e depois sobe a escada. Percebo que não posso ser observada. Ele não olha para mim. Acho que sou algum fantasma, mas depois estudarei mais sobre isso. Subo as escadas junto a ele e escuto o barulho do chuveiro e uma música.

Ele entra no quarto e eu continuo seguindo-o ele tira sua jaqueta e eu me viro para o lado para não vê-lo se trocando, alguns segundos depois eu vejo que ele tira os seus sapatos e joga em minha direção. O sapato atravessa o meu corpo. Assustei no começo, mas depois percebi que ele não me vê e jogou os sapatos porque é ali que fica a sapateira.

Ele abre a porta do banheiro, não vou até ele, mas espero ele entrar até escutar alguns gritos de desespero. Corro até lá e vejo a cena mais frustrante de todas. O homem apanhando é o meu pai, Phillip, ele está nu, com a cabeça sangrando. Minha mãe também está nua, chorando no canto do banheiro, ela corre até o quarto e pega o sapato do homem volta ao banheiro depressa e joga o sapato em sua cabeça. O homem, furioso, vira para minha mãe e começa a esmurrá-la, bate tanto nela. Eu tento impedir, mas sou apenas um fantasma. Minhas lágrimas jorram dos meus olhos como a água sai da mangueira do carro dos bombeiros. Ele bate nela por mais alguns segundos e para. Agora os observa, ela ao lado do meu pai chorando diz:

— Me desculpe, Larry.

— Sua vadia. Eu te odeio. — Ele chora incontrolavelmente e, em seguida, sai de casa. Correndo. Ela continua observando meu pai inconsciente. Vai cambaleando até seu quarto, onde chama a ambulância. Depois de alguns minutos, o socorro chega, ela é atendida na porta de casa mesmo, só teve alguns cortes e arranhões, nada grave. Já o meu pai, teve que ir até o hospital, mas mamãe não foi com ele, permaneceu em casa. Ela senta na cama e chora. Chora de um jeito que nunca tinha chorado antes. Ela está tão nova, e bonita, mas seu rosto está vermelho por causa do choro compulsivo. Ela tira de dentro do guarda roupa um caderno, e lá escreve muitas coisas, chora e derrama lágrimas nas folhas. Volta e guarda no mesmo lugar. O cara, que se chama Larry volta meia-noite.

Ela chora arrependida olhando para sua aliança. Também choro. Larry chora como nós. O banheiro ainda está sujo com o sangue do papai. Larry olha para mamãe.

— Não, você não o matou, Larry. — Ela responde sem mesmo que ele pergunte.

— Por que fez isso, Jeen?

— Me desculpe, estou arrependida. Vamos recomeçar, eu imploro Larry. — Ela soluça.

— Não, eu não amo mais você. — Tenho certeza de que ele a ama. Não conseguimos esquecer alguém tão instantaneamente.

— Vamos continuar vivendo juntos então. Pelo menos isso Larry.

— Você vai dormir no sofá. — Ele responde friamente sem olhar para seu rosto.

— Obrigada, Larry. Eu ainda amo você. — Ele não responde.

Agora toda a sala fica escura. Preta. Eles desaparecem. Caio na sala de estar e olho para o relógio. Três meses se passaram desde tudo o que aconteceu. Minha mãe está na pia lavando a louça. Tudo está calmo. Escuto então gritos.

— Positivo! —Alguém está berrando. A pessoa grita palavra positivo mais algumas vezes e ouço o começo de um choro.

— O que houve Larry? — Minha mãe bate na porta do banheiro e ele abre a porta, grita positivo mais uma vez, da um tapa eu seu rosto e ela cai no chão. Joga um teste de gravidez nela e sai correndo de casa. Corro até o teste de gravidez e lá está escrito positivo. Em seguida sigo Larry, ele corre demais e não cansa. Mas eu também não, acho que é porque eu sou um fantasma, mas mesmo sendo um fantasma, quando tropeço e caio, meus dois joelhos ralam e meu pijama rasga (sim, eu estou de pijama). Ele corre por toda a cidade e vai até o prédio grande que as pessoas chamam de arranha-céu mas não tem nada a ver com um arranha céu (é pequeno demais) e ele olha por lá. Joga a sua aliança e grita:

— A vida é uma merda. Te odeio Jeena! — Pula do prédio. E morre. Algo me empurra de lá e eu também caio mas pareço estar flutuando alguma força me deixou lá, parada no meio do prédio. Parece até que estou na lua, sem gravidade.

— Você acha certo o que a sua mãe fez? — Alguma voz me pergunta.

— Quem é você?

— Eu faço as perguntas por aqui.

— Não. Não acho. — Me rendo e respondo.

— Você foi o resultado daquela traição. Foi o resultado da minha morte.­— Ele aparece na minha frente.

— Mas...— Ele desaparece como pó.

Então é isso! Só estou sonhando, tudo ficará bem quando eu acordar. É só mais um dos meus sonhos malucos. Apenas.

Eu volto a cair e no último segundo, o asfalto vira mar e eu caio em um oceano. Nado até chegar em terra firme. Meu joelho está latejando. O sal do mar faz com que eles queimem. Deito na areia exausta. O sol seca minha roupa encharcada. Gaivotas gritam. Durmo ao som das ondas do mar se quebrando nas pedras perto da areia.

Notas finais
Volteeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeey gente! (é serio, eu estou animada!) Bom, espero que tenham gostado. Deixem reviews. Beijinhos de Luz ^^