Trapped
1 family

Uma flecha cortou o ar velozmente e acertou o o círculo mais exterior do alvo, bem longe do centro. A garota segurando o arco xingou e virou para a sua irmã, quem quebrou sua concentração segundos antes eu passar numa velocidade alarmante atrás de si, fazendo barulho com as rodas do patins contra o concreto.
— DROGA AMY! — berrou irritada.
Sua irmã, no entanto, apenas riu em resposta e deslizou para longe despreocupadamente, com um pirulito de cereja na boca.
A garota com o arco resmungou mais um pouco e pegou outra flecha da sua aljava amarela clara, preparando-se para outro tiro. Procurou concentra-se apenas naquilo, e não no som das rodas girando sobre o cimento ou na voz da sua mãe cantando na sala de estar. Mesmo estando no quintal, podia ouvi-la muito bem e, infelizmente, sua mãe não era uma cantora muito boa.
Ela soltou a flecha e dessa vez acertou no círculo interno do alvo, embora não exatamente no centro. Isso não impediu que ela saltitasse sorridente, no entanto.
— Yayy, parabéns Crys — disse Amy, se aproximando novamente com seus patins — E obrigada por não atirar em mim.
Crys revirou os olhos para a sua irmã e foi pegar suas flechas de volta.
— É o que eu devia fazer, talvez assim você pare de me atrapalhar — ela disse, antes de girar sobre os pés e fitar sua irmã — Onde estão suas joelheiras?
Amy deu de ombros e colocou o pirulito de volta na boca, sem se dar ao trabalho de responder.
— Boa tarde, meninas!
Ambas viraram para o portão praticamente ao mesmo tempo e observaram seu padrasto entrar com seu típico e enorme sorriso, óculos escuros e sacolas de compras.
— Yo, Tio Theo — Amy respondeu, deslizando até ele — Você comprou as minhas batatas?
— É claro que sim — ele soltou uma risada — Da última vez que esqueci, você colocou as minhas garrafas no congelador! Você sabe que aquilo fica nojento quando vai no microondas!
Amy sorriu orgulhosa de si mesma e se afastou novamente, bem no momento que Crys se aproximou.
— Boa tarde! — ela disse — Precisa de ajuda?
Ela sabia, é claro, que ele não precisava, mas sempre oferecia mesmo assim. O fato dele ser um vampiro não anula o dever dela de ser educada.
— Não se preocupe — ele sorriu para ela e seguiram juntos para casa — Como foi o treino?
— Eu melhorei! — ela respondeu animada — Quase acertei o centro dessa vez!
— Isso é ótimo! — ele exclamou — Acho que devíamos comemorar!
— VIDEO-GAME! — berrou Amy — E BATATA!!!
— Acho que Crys deveria escolher — Theo disse, soltando uma risadinha — O que você quer fazer, Crystal?
A garota pensou por apenas um momento antes de responder:
— Acho que seria legal assistirmos filmes hoje... — ela fez uma pausa e olhou para a irmã — Mas podemos jogar também, desde que seja algo de tiro.
— Feito — Theo concordou assim que alcançaram a porta.
Crys abriu a porta para ele e ambos viram Jillian, a mãe delas e esposa dele, cantando uma música da Madonna enquanto usava uma vassoura como microfone. Crys soltou uma risadinha.
Numa velocidade sobrehumana, Theo deixou as sacolas na mesa da cozinha e então abraçou Jill por trás, deixando um beijo sobre a bochecha da mulher.
— Olá, querida.
Acostumada com ele fazendo isso, ela apenas sorriu e se inclinou para trás, aproveitando seu abraço. Não a incomodava nem um pouco ele ter a pele fria ou ele ter essa mania de aparecer de repente, já estava mais do que acostumada pois já estavam juntos há quase dez anos.
Da porta, Crys, observou-os por um momento e então, sorrindo, voltou para o quintal. Seu sorriso se tornou uma careta no momento que viu sua irmã mais nova jogando uma bola na cara do vizinho de cerca delas.
— Amy! — Crys exclamou, correndo até ela — Que droga você está fazendo??
— Ele tentou me derrubar, esse imbecil! — ela bufou, olhando enquanto o garoto choramingava com as mãos no nariz — TOMARA QUE TENHA QUEBRADO!
— Sua esquisita! — ele grunhiu, irritado, em resposta.
O garoto se aproximou da cerca, claramente com a intensão de pular e se vingar, mas Crys pegou seu arco e uma flecha imediatamente. Não tinha realmente a intensão de atirar, apenas assustá-lo, o que conseguiu facilmente. Ele recuou, encarando as duas furiosamente.
— Se tentar machucar a minha irmã de novo eu vou atirar nas suas partes baixas — ela ameaçou.
— Vadia — ele xingou e entrou na sua própria casa.
Crys guardou a flecha e pendurou o arco de novo no ombro antes de virar para irmã, que tinha um sorriso satisfeito no rosto.
Ás vezes Crys pensava que era uma benção para a humanidade sua irmã não ter interesse em aprender arco e flecha também, ou provavelmente sairia atirando em todo mundo. Embora seu interesse por canivetes e soco inglês também seja preocupante.
— Eu poderia ter me defendido sozinha, sabe — Amy comentou — Mas obrigada, foi muito engraçado ver ele fugir com medo.
— Amy... — Crys resmungou, revirando os olhos — Pare de ficar provocando ele!
— Nah, é divertido — Amy riu — Além disso, você sabe que é culpa dele que temos que estudar em casa!
— É, é culpa dele você ter jogado aquelas minhocas dentro da calça dele — Crys respondeu sarcasticamente.
— É — Amy concordou — Ele tinha lido o meu diário, isso é imperdoável.
Crys revirou os olhos novamente. Já tinham tido aquela discussão milhares de vezes antes e todas elas terminaram desse jeito. Ela nem sabia porque tocava no assunto mais.
— Meninas! — a mãe delas chamou, fazendo com que ambas as garotas virassem — Eu já vou servir o almoço, vão lavar as mãos logo!
Ela entrou na casa e ambas as garotas entraram logo em seguida, subindo para o andar de cima. Enquanto elas estavam lá, no entanto, o telefone tocou na sala de estar e, já que todas estavam ocupadas, foi Theo quem atendeu:
— Residência Swan, no que posso ajudar?
— Ah, eu... — uma voz masculina disse — Jill está em casa?
— Quem é? — Theo perguntou, confuso por não reconhecer.
— O irmão dela, meu nome é Charlie — ele respondeu embaraçado.
— Ah, sim! — Theu respondeu sorrindo — Vou chamá-la!
Ele deixou o telefone sobre a mesa e foi até a cozinha, onde sua esposa montava a mesa.
— Querida, seu irmão está no telefone, deixa que eu termino de arrumar aqui.
Jill olhou surpresa para ele e assentiu, entregando a louça para ele. Ela apenas fez uma pausa para beijá-lo no rosto e então foi para a sala atender a ligação.
— Charlie? — perguntou, assim que colocou o telefone no ouvido.
— Jill, oi! — ele disse —Sinto muito, estava ocupada?
— Não se preocupe, Charls — ela riu — Eu só estava colocando o almoço.
— Ah... — ele suspirou, mas não parecia nem um pouco aliviado. Na verdade ele soava tenso, mesmo pelo telefone, então Jill franziu o cenho.
— Aconteceu alguma coisa? — ela perguntou.
— Bem, sim, na verdade — ele respondeu — Bells está passando um tempo comigo e arrumou um namorado aqui em Forks, mas parece que eles terminaram. A família inteira foi embora da cidade. — ele fez uma pausa e suspirou novamente — Eu acho que ela está com depressão, ou alguma coisa assim, mas não quer ver um psicólogo e não tem amigos para ajudá-la...
Jill sentou-se no braço do sofá, preocupada, bem no momento que suas filhas desceram correndo. Elas pararam no meio do caminho, no entanto, olhando para a expressão da mãe.
— No que eu posso ajudar? — Jill perguntou.
— Eu pensei... — ele hesitou — As suas meninas podiam passar um tempo por aqui, talvez pudessem ajudar Bells a superar isso, eu não sei...
Ele soltou um suspiro frustrado e Jill sentiu o coração doer pelo irmão e pela sobrinha. Quando a sua Crystal terminou com o primeiro namorado também tinha sido péssimo, mas a presença da família realmente a ajudou a passar por isso.
Ela sorriu e olhou para as filhas confusas ao dizer:
— Não se preocupe, Charls, elas vão para aí esse final de semana. Só é importante que tenha internet, pois elas estudam em casa.
— Claro, tudo bem — ele concordou, já soando bem mais aliviado — Me avise quando marcar o vôo delas, eu posso buscá-las no aeroporto.
— Pode deixar! Tchau, irmão!
Ele se despediu e ela colocou o telefone no gancho. Mal ela o encachou no lugar e sua filha caçula, Amy, perguntou:
— O "elas" na frase "elas vão para aí esse final de semana" por um acaso se referia a nós? Não estamos sendo expulsas, né?
Jill riu dela, enquanto a filha mais velha revirou os olhos.
— Porque você não deixa a nossa mãe explicar antes de começar a fazer as malas? — bufou Crys.
— Você diz isso porque suas notas vão te garantir uma vaga na faculdade então vai ter para onde ir quando for expulsa! — retrucou Amy.
— Você acha que o alojamento na faculdade é gratuito? — Crys riu — Você esqueceu que moramos nos Estados Unidos??
— Meninas — Jill interrompeu, rindo — Ninguém está sendo expulsa de casa. Vocês apenas vão passar algumas semanas na casa do seu tio Charlie.
— O que? Porque? — perguntou Amy — Você e o tio Theo vão sair numa segunda Lua de Mel, ou algo assim?
— Você sabe que eu não posso viajar agora — Jill revirou os olhos — A prima de vocês, Isabella, acabou de terminar o namoro e precisa de apoio agora, então vocês vão ajudá-la!
— Tudo bem, desde que eu possa levar meu videogame — Amy deu de ombros.
— Espero que lá tenha internet — disse Crys.
— Seu tio garantiu que tem, não se preocupe — Jill sorriu para elas — Vocês viajam nesse fim de semana, então é melhor começarem a arrumar as malas logo depois do almoço!
Ambas as garotas concordaram com a cabeça e seguiram a mulher mais velha para a cozinha, onde tudo já estava arrumado e Theo estava fazendo suco de maçã para elas. Apesar de não poder ingerir nada além de sangue, achava divertido fazer algo na cozinha às vezes.
— Comidaa! — exclamou Amy, se apressando para sentar-se logo à mesa.
Quando as outras duas sentaram, Amy já estava enchendo seu próprio prato e Theo colocava o jarro sobre a mesa.
— Então... — ele disse — Elas vão para Forks?
— Yep — foi Amy quem respondeu — Vocês vão poder ter uma segunda Lua de Mel aqui em casa! Sem crianças para tomar conta por algumas semanas!
— Você é a única criança aqui — retrucou Crys.
— Você ainda não tem dezoito anos — disse Amy, com um sorrisinho irônico no rosto.
— Mas sou, tipo, quinhentos porcento mais madura do que você!
— A fonte dessa pesquisa são as vozes que habitam a sua cabeça, não é? — Amy riu, antes de enfiar meia dúzia de batatas fritas na boca de uma vez.
— A fonte da pesquisa é o Instituto Bom Senso — bufou Crys, olhando com nojo a irmã mastigando — Sinceramente, Amy, existe mesmo a necessidade de comer tantas de uma vez?
A mais nova assentiu com a cabeça enquanto colocava mais batatas-fritas no próprio prato então a mais velha revirou os olhos em resposta e voltou a sua atenção para o seu oróprio almoço, enquanto os mais velhos trocavam olhares e seguravam a risada. O restante do almoço foi bem mais calmo do que o começo, mas assim que terminou de comer, Amy levantou num salto da mesa, lavou o próprio prato e então correu para fora da cozinha, deixando todos confusos.
— É isso, ela finalmente enlouqueceu — Crys disse tranquilamente.
Após terminarem, ela lavou os pratos enquanto os meus velhos tiravam a mesa. Quando foram para sala, entenderam porque a mais nova saiu com tanta pressa. Havia uma pilha de filmes e jogos ao lado dela enquanto montava seu videogame na TV.
— Eu podia ter te ajudado — comentou Theo, sorrindo.
— Nah — Amy murmurou simplesmente — Vamos logo, eu quero chutar o traseiro de vocês no Tekken.
— Amy! — reclamou Jill.
— Sinto muito — disse Amy, olhando para ela sorrindo — Que tal nádegas?
Jill revirou os olhos para a filha e sentou no sofá.
— Se continuar com essas gracinhas, vai ficar sem batatas — ela disse.
— Mãe! — Amy protestou, mas a mais velha a ignorou completamente enquanto observava Theo ir até ela e sentar ao seu lado no sofá.
Crys se juntou à irmã no tapete e começou a ver os filmes que ela tinha trago. Elas começaram logo a discutir qual seria o primeiro que assistiriam enquanto os mais velhos apenas assistiram as garotas, se divertindo. Eles nunca tinham ficado muito tempo separados, mesmo Theo que se juntou à família apenas quando Crys já tinha 10 anos. Ainda assim, talvez fosse bom para elas passarem um tempo longe, talvez até voltar a frequentar uma escola presencialmente por um tempo, ao invés de continuar no ensino à distância.
Jill só esperava que tudo fosse bem em Forks.
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