Trapalhadas de Um Pai Novato
2 Capítulo 2 - Razões de um pai
Notas iniciais
Depois de comermos a deliciosa comida que Winry preparou (comentei que ela cozinha muito bem?), eu e Fernando fomos brincar no quintal. Melissa ficou sentada na cadeirinha dela, olhando a gente da porta.
Fernando já tinha seus quatro anos, e isso era idade suficiente para brincarmos de lutar. Claro, eu nunca lutaria com ele como lutava com o Al, por isso deixo ele ganhar quase todas as vezes. QUASE todas as vezes, hehehe. Gosto de me sentir por cima de vez em quando.
Nós começamos a brincadeira, e ele veio pra cima, se jogando em cima de mim. Eu caí de costas (propositalmente, é claro) e segurei-o, e ele começou a se debater querendo que eu o soltasse. Eu comecei a rolar com ele pela grama e depois prendi ele entre minhas pernas, numa posição assim:
Depois de prendê-lo, eu deixei ele lá de castigo por um tempinho (hehehe, eu sou mau). Ele se debatia e se contorcia tentando escapar, mas vamos ser sinceros, acho que sou mais forte do que ele né?
Mellie só assistia e ria, batendo palmas e balançando as perninhas em sua cadeirinha, na porta de casa. Winry foi ver o que estava acontecendo, e se deparou com uma cena com a qual já estava acostumada.
- Querido, seja bonzinho com o Fernandinho – Ela me disse, vendo que Fernando se debatia feito louco entre minhas pernas tentando sair. Ele estava igualzinho a mim quando ficava com raiva. É impressionante o quanto ele se parece comigo.
- Claro, eu nem comecei a torturá-lo – Eu disse, rindo diabolicamente. Winry riu.
Mas uma coisa que eu não esperava aconteceu: Ela resolveu dessa vez entrar na brincadeira. Ela correu até mim que estava deitado no chão e começou a medir forças comigo. Como eu estava com os dois braços livres, porque só precisava das pernas para conter Fernandinho, eu consegui segurá-la e ela acabou caindo no chão, ao meu lado, rindo e tentando se soltar. Meus músculos parecem que não atrofiaram, mesmo depois de tantos anos! Devem ser os exercícios que faço, mas isso não vem ao caso. Eu segurei-a e deitei-a, imobilizando-a pelos pulsos no chão, e me coloquei sobre ela. Eu encarei-a nos olhos, estávamos muito próximos, o bastante para sentir sua respiração. Ela me lançou um sorriso sedutor que fez meu coração acelerar. Seu maldito! Mesmo depois de casado ainda me atormenta?! Ela chegou mais perto e beijou meus lábios, e nessa hora eu entrei em estado de choque. Surpreso e sem ação, eu relaxei os músculos. Ela então sorriu. Aquele sorriso... Eu conheço! Ela conseguiu se virar e mudar as posições. Agora ela estava sobre mim, e eu ainda estava em estado de choque. Ela levantou a cabeça e jogou o cabelo para trás, vitoriosa, e eu suspirei e sorri, derrotado. Essa Winry... Só ela e o Al ganharam de mim em uma luta. Apesar dessa não ter sido pra valer, mas conta, eu acho.
- Isso foi jogo sujo – Eu disse, sorrindo. Ela sorriu sedutora de novo.
- No amor e na guerra vale tudo. Acho que agora estamos nos dois não é?
- Eca! Mamãe, como você conseguiu vencer o papai com isso? – Ouvi Fernandinho falar atrás de nós. Ele tinha escapado no momento em que amoleci os músculos.
- Eca o quê? O beijinho? – Winry perguntou a ele, que estava agora do lado dela, e riu. – Sabe Fernando, os homens, em especial seu pai, tem muitos pontos fracos. Só precisa saber onde e como atacar. Só que os ataques que uma mulher usa, no caso eu, são bem mais eficazes, não é Eddie?
- É sim, Win-win. – Eu disse, sorrindo. – Mas nem tente usar esses métodos em mim, viu mocinho? Só quem pode é a sua mãe.
- Eeeeeeu?! Beijo é nojento – Ele disse, fazendo uma careta.
- Ah, é mesmo é? – Disse Winry, dando aquele tão famoso sorriso.
Então Winry me soltou e agarrou Fernandinho, e começou a enchê-lo de beijos. Beijos na bochecha, na cabeça, no pescoço, na barriga... Ele começou a rir quando ela deu beijos na barriga dele e olhou pra mim com cara de desesperado.
- Papai, me salva! – Ele disse entre risadas. Eu dei um risinho de satisfação.
- Eu não. Se vi-re! – Eu disse, sorrindo, e me levantei, limpando a terra das roupas, deixando Winry torturá-lo por mim. Depois fui e sentei do lado de Mellie, que ria e batia palmas. – Está gostando de ver o seu irmão ser torturado, querida?
Ela riu e bateu palmas mais uma vez. Eu sorri.
- Eu também. – Eu disse, e me sentei, apreciando a tortura dele.
Nós brincamos depois de pega-pega, e eu era o pega. Fernando e Winry correram pra longe e eu corri atrás deles, e foram bem difíceis de pegar pra ser sincero. Eu encurralei e peguei Fernando, e depois fui atrás de Winry. Ela deu gritos e risadas, e correu pra longe, mas eu fui mais rápido e consegui segurá-la pela cintura. Ela riu, e se rendeu aos meus braços, derrotada. Eu a levantei no alto e rodei, rindo, e ela riu também.
Brincamos juntos o resto da tarde toda, e depois quando nos demos conta, já estava escurecendo. O pôr do Sol estava realmente lindo, e sentamos os três na grama para apreciar o espetáculo. Mellie, Eu, Winry e Fernando. Uma família feliz. Todos juntos, assistindo o pôr do Sol. Tem momentos mais gostosos que esses?
Depois eu peguei Mellie no colo, e ela apoiou a cabeça sobre o meu ombro. Ela estava caindo de sono, e eu comecei a niná-la em meus braços, mexendo de um lado pro outro suavemente. Ela estava com a sua flanela branca estampada com ursinhos, e olhou pra mim sorrindo.
- Papai – Ela disse, esticando os braços para me dar um abraço.
Ai, eu não me aguentei de felicidade. Chorei um pouco até. Abracei ela forte e depois olhei pra Winry com lágrimas nos olhos e Mellie no meu pescoço, dando um sorriso bobo.
- Winry, você ouviu isso? Ela me chamou de papai! – Estava muito, muito feliz mesmo. É indescritível ver sua filhinha te chamar de papai.
- Own, que fofo! Você agora vai virar mesmo pai coruja – Ela disse, e riu. – Digo, mais do que já era.
- Você está é com inveja porque ela não chamou mamãe primeiro! – Eu disse e dei língua pra ela. – Vamos filhinha, tá na hora de dormir.
Winry revirou os olhos e sorriu. Há! Sabia que estava com ciúme *risada de satisfação*
Depois fui levar Mellie até o berço, e a coloquei para dormir, e depois fui colocar Mozart* pra tocar baixinho no som. Dizem que aguça a inteligência dos bebês, por isso a gente coloca, mas na verdade não sei muito disso... A Winry que me faz colocar. A Mellie parece que gosta, por isso não me importo.
Ela se aconchegou e pegou o seu cachorrinho de pelúcia e sua flanelinha e fechou os olhinhos, com uma respiração tranquila e compassada. Estava relaxada e depois de um tempo dormiu. Eu fiquei olhando pra ela um tempão, sorrindo, só assistindo ela cair no sono. “Fui eu mesmo que fiz isso?” Eu pensei, olhando aquele bebezinho delicado, de olhinhos fechados, com a respiraçãozinha leve dormir tranquilamente em seu bercinho, rodeado de bichinhos de pelúcia. Uma criaturinha frágil e encantadora.
Depois saí do quarto e ouvi Winry no quarto. Estava colocando Fernando pra dormir, acredito. Entrei e a vi aninhando ele entre as cobertas e dando um beijo em sua testa.
- Mamãe, conta uma história? – Ele pediu, e Winry sorriu.
- Claro, meu anjo – Ela disse, pegando um livro na estante. – Que tal Alladin? Essa sempre foi a sua história preferida.
- Aham! – Ele disse, sorrindo, e me viu na porta. – Papai, vem ouvir a história comigo!
- Hã? Ah, claro. – Eu disse, entrando no quarto e sentando ao lado dele na cama.
Winry sorriu ao ver que tinha mais plateia dessa vez, e começou:
- Era uma vez um rapaz muito pobre chamado Alladin. Ele era também muito esperto, e sempre dava um jeito de escapar de qualquer guarda que viesse pegar ele. Isso me lembra alguém, não é Ed? – Ela disse e riu.
Sim, admito que sempre fui mestre em escapar de encrencas. É quase uma especialidade, uma profissão.
- Né? – Eu disse, rindo um pouco.
- Você já foi igual ao Alladin, papai? Jura? – Os olhos de Fernandinho brilharam.
Bem... Não exatamente, mas minha história chega a ser meio parecida.
- É mais ou menos isso. Eu também fui órfão e sem família, igual ao Alladin. Minha única família foi seu tio, Alphonse. Como eu era sozinho no mundo, tinha sempre que me virar para resolver problemas e também dei as minhas escapadas de guardas de vez em quando, tenho que admitir. – Eu ri um pouco. – Mas minha história é mesmo meio parecida com a dele. É só trocar a lâmpada mágica pela pedra filosofal e o Abu pelo Alphonse.
Nós três rimos no quarto. Rimos muito. Eu ri mais que todos ao mencionar que era só trocar o Al pelo macaco. Depois de um tempo rindo Fernando voltou a olhar pra mim com olhos cheios de ansiedade.
- Me conta as suas histórias, conta papai? Por favor, por favor, por favooooor! – Ele quase me implorou.
Eu comecei a contá-lo as minhas várias aventuras com Al em nossas viagens, e ele ouvia tudo com olhos e ouvidos atentos. Me enchi de orgulho. Essas maluquices me serviram de alguma coisa, afinal! Agora tenho bastantes histórias para contar a meus filhos.
Quando eu estava contando as minhas histórias, ele não aguentou e acabou caindo no sono. Estava muito cansado. Winry olhou pra mim e sorriu.
- Senhor Alladin, hora de ir pra cama. – Ela disse, sorrindo e guardando o livro.
- Sim, senhora Jasmim. – Eu disse, sorrindo. – Te espero lá.
Eu fui e entrei no quarto cautelosamente, para não acordar Mellie. Tirei a camisa e a calça e fiquei só com o meu samba-canção azul. Gostava de dormir assim, era mais confortável. Ela chegou e eu fiquei de barriga pra cima na cama e sorri galã.
- Estava te esperando, Win-win. – Eu disse, apoiando a cabeça com a mão. Ela riu.
- Vou rapidinho, Eddie, só um minuto. – Ela foi ao banheiro e escovou os dentes. Depois sentou na beirada da cama. – Me deixa trocar de roupa.
- Você não precisa de roupa – Eu a corrigi, indo até ela e beijando seus lábios. – Nenhum de nós dois precisa.
Eu a puxei para a cama, e ela se rendeu ao meu amor. Nos cobrimos com o lençol e nos amamos. Depois disso, dormimos, com eu abraçando-a e segurando-a em meus braços, e ela, aninhada debaixo de minha asa, dormiu tranquilamente. Gostava de abraçá-la assim depois que fazíamos amor. Ela gostava que eu a protegesse dessa forma. Nenhum perigo iria pegá-la, mas mesmo assim gostava que ela se sentisse segura em meus braços. Dormimos tranquilamente.
Eu amo meus filhos, a minha esposa, a minha família... Não trocaria eles por nada nesse mundo, nunca. Nada agora me importava mais fora eles. Tenho sim o meu trabalho, e me importo com ele. Depois de me demitir do emprego de alquimista federal, minha vida ganhou um novo sentido. Assim que eu e Winry nos casamos, formamos uma loja modesta de ferramentas e mecânica, como ela sempre sonhara, mas eu insisti que ela fosse aqui em Resembool. Quero que meus filhos tenham a infância maravilhosa que eu não tive. Quero cuidar deles, estar presente na vida deles, ver cair o primeiro dente, estar com eles no primeiro dia de escola, ver quando eles aprenderem a assoviar, estar com eles quando se formarem, acordar eles todos os dias de manhã pra levá-los ao colégio, mesmo tendo que aturar as birras, brincar com eles no jardim, dar o primeiro cachorrinho e ver o sorriso deles quando ganharem, ver eles na porta do meu quarto me pedindo para dormir comigo em noites de tempestades, levar minha filha até o altar quando ela se casar, ficar de olho no namorado dela pra que ele não faça nenhuma besteira, dar umas dicas pro meu filho quando ele tiver idade de namorar (eu não tenho muito jeito pra isso mas... Vou tentar dizer a ele o que faço com Winry. Ela parece gostar), acompanhar cada momento da vida deles, ver meu filho se tornar um homem e minha filha se tornar uma mulher é realmente algo sem preço para mim. Ou melhor, para um pai em geral. Quero ser pra eles o pai que eu não tive.
~Fim~
Notas finais
Eu abri os olhos com dificuldade e vi que era Mellie quem estava chorando. Olhei o relógio e vi que eram 3:00h da manhã. Bocejei exausto e Winry soltou um resmungo. Ela se virou pra mim e esfregou os olhos, dando um suspiro.
- E aí? Vai você ou vou eu? - Ela me perguntou, com os olhos semiabertos.
- Ai senhor, dai-me paciência...
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huashuashas desculpem mas não resisti em colocar essa partezinha no final XD Eu até pensei em colocar na fic mas o final acabou ficando tão perfeito que eu não quis estragar
E aí? Gostaram? Algumas reviews? Recomendações, quem sabe? Espero que tenham gostado! *Dizem que colocar Mozart para tocar pra um neném que está dormindo aguça a inteligência dos bebês. Eu aprendi isso vendo "Os incríveis" Mas não sei se Mozart existe no mundo de FMA... Provavelmante não maaas '
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