Transmutador (Hiato)
2 A comida une as pessoas
Notas iniciais
Distrito 3
Então eu fui Para o Restaurante de Claude Beaufort em Rainier Valley na rua Martin Luther King Jr South, Ouest Bistro.
Eu entrei no restaurante, e Claude me recebeu. Ele vestia um dólmã laranja com uma calça e sapatos da mesma cor.
"Olá, Sixxie" Claude me cumprimentou em francês.
Eu sorri e cumprimentei em inglês mesmo. Então, Claude falou comigo em inglês.
"Vejo que você foi para o distrito da Luxúria" Claude notou a minha roupa azul escuro.
"Sim, eu fui lá porque eu queria cometer o meu primeiro pecado e Luxúria é o mais cobiçado dos pecados" eu comentei.
"Entendo. Bem, parece que nós temos visita hoje." Claude comentou comigo.
"Visita? Quem seria?" eu fiquei curioso.
"Ela parece muito com você, uma Transmutadora. E ela acabou de chegar" Claude me explanou.
Meus olhos se arregalaram. Finalmente eu iria encontrar alguém como eu, uma Transmutadora?
Então eu fui até essa garota sentada em uma mesa do restaurante. Havia essa mulher que parecia ter uns 30 anos, cabelos pretos médio — longo soltos com mechas violetas, olhos cinza claros e puxados, parecendo uma mistura rara de nórdica com japonesa,vestindo uma blusa cropped violeta com uma jaqueta de couro preta, calça preta trançada de couro, e botas de couro da mesma cor. Os lábios dela eram pintados com um batom violeta cintilante. Ela esperava por mim enrolando uma mecha de cabelo no dedo com os pés cruzados na mesa. Ela parecia me olhar como uma gralha com seu olhar penetrante.
Claude foi comigo e puxou a cadeira para eu me sentar. Eu fui me sentar de frente para ela e Claude empurrou um pouco a cadeira. Me sentei.
"Eu vou preparar um delicioso Poutine para vocês" Claude me avisou.
"Obrigado, Claude" eu agradeci.
A mulher parecia fazer um olhar de paisagem e Claude se retirou nos deixando à sós.
"Então, Claude disse que você queria falar comigo, ou coisa assim..." eu puxei assunto com ela.
Ela então tirou os pés da mesa e se aproximou da mesma arrastando a cadeira de plástico branca.
"Bem, eu vim até aqui para comer e esse cozinheiro me falou sobre você. Ele disse que você é um de nós, um Transmutador" ela replicou.
"Sim, eu sou. E o nome dele é Claude Beaufort, ele não é cozinheiro, ele é "chef"" eu disse para ela.
"Que seja, cara!" Ela exclamou como se fosse uma adolescente.
"Desculpa eu perguntar, mas...quantos anos você tem?" eu inquiri.
"Fisicamente? 40 anos " Ela replicou.
"Como assim?" eu exclamei.
Eu fiquei bastante surpreso em saber que uma mulher de 40 anos usa gírias adolescentes como se tivesse 17 anos ou mais.
"Fisicamente eu tenho 40 anos, mas por dentro eu tenho 30" Ela explanou para mim." Eu envelheço por dentro, não por fora".
"Entendo. Mas, não é por isso que eu estou surpreso. Eu estou surpreso pelo fato de você ter 40 anos e ainda usar gírias como uma adolescente" eu comentei.
"Mas, isso não importa. Eu vou reformular. Eu soube que você é um Transmutador como nós" ela rebateu evitando o que eu havia dito.
"Sim, eu sou. Claude me disse que você também é uma Transmutadora" eu falei para ela.
"Sim, eu sou. Mas não uma Transmutadora qualquer. Quantos pecados?" ela devolveu.
"Só um até agora. Luxúria...." eu repliquei.
"E você logo fará o segundo, Gula...interessante. Eu estou de volta ao 1" ela explanou.
"Então você já pecou com todos os 7? Você foi na "Igreja dos pecados" confessá-los pra voltar a 1?" eu fiquei curioso.
"Como eu disse, eu não sou uma Transmutadora qualquer" ela reforçou.
"Certo. E o que você pode fazer?" eu quis saber.
"Eu posso apagar os pecados que eu cometer e...tenho esse dom chamado "Olho do mau". Minhas visões trazem má sorte, então...eu tento evitá-las. Mas, elas são espontâneas, às vezes surgem, às vezes não, mas quando surgem, argh...elas são como um pesadelo para mim" ela falou com desgosto.
"Então, você pode apagar os seus pecados e também tem visões de má sorte..." refleti sobre aquilo por um momento.
Vendo que eu ficara quieto, ela logo me chamou.
"Garoto! Acorda! Isso não é um sonho!" ela exclamou.
"Desculpa. Eu estava distante. Muito bem, quem é você?" deixei ela com a pergunta.
"Meu nome é Tabula Rasa" ela se apresentou para mim.
"Tabula Rasa. Que nome diferente! Meu nome é March Six" eu me apresentei para ela.
"March Six...porque você tem esse nome?" ela ficou curiosa.
"Bem, meu nome é esse. Eu nasci dia 6 de Março" eu respondi.
"June Six, muito prazer" Achei que ela estava brincando.
"Sério? Seu nome é June Six, não Tabula Rasa?" eu devolvi.
"Não, eu estou zoando com a sua cara. Mas, eu nasci em 6 de Junho." Tabula rebateu.
"Okay" eu falei meio vago.
Então nós ficamos olhando um para a cara do outro por um tempo. O silêncio e uma leve brisa do vento preencheram o ambiente.
Alguns minutos depois, Claude chega com uma tigela de Poutine, batata-frita, com um molho escuro, queijo por cima e pedacinhos de Bacon, junto com os talheres de plástico branco e um guardanapo em um plástico transparente que ele colocou sobre a mesa junto com o prato.
"Bom apetite, garotos" Claude nos disse.
"Obrigado" eu agradeci.
"Obrigada" ela agradeceu.
Então, nós começamos a compartilhar aquele Poutine que parecia muito gostoso.
"Então, Tabula, me fale sobre você" eu puxei assunto com ela.
"O que você quer saber?" ela inquiriu levantando uma sobrancelha.
"Bem, você me falou que é uma Transmutadora e também sobre os seus poderes, mas de que distrito você é?" eu rebati.
"Engraçado, você também não" ela começou a gargalhar.
"Verdade. Mas, por que você está rindo?" eu quis saber?
"Nada, cara. Fala você primeiro" ela insistiu.
"Bem, eu...eu vim do distrito 5, Raven Rock" eu mencionei.
"Ira? Sério? Bem, eu estou surpresa..." Tabula comentou.
"Por quê? Você acha que nós somos uns selvagens por andar por ai como os membros da Avareza ou do Orgulho?" eu fiz uma pergunta retórica.
"Olha, eu não tenho nada contra os membros da Ira. O nosso líder é que não gosta dos Transmutadores, sejam eles de que pecado forem. E parece que você já sabe de qual pecado eu sou, não?" ela se defendeu.
"Orgulho. Eu já devia ter imaginado. Sua cor de roupa já denuncia" eu falei para ela.
"Sim, eu sou do Orgulho. Mas, eu sou diferente de todos eles, então os meus pais me disseram quando eu sai de cada aos 19 anos que se eu fosse embora, eu não seria mais filha deles. Então eu fui e agora eu estou aqui, conversando com você e comendo essa comida que está deliciosa." ela me contou.
"Então..." eu interrompi. Eu fiquei olhando para ela por um momento e a roupa dela havia tingido de Laranja.
"O que foi? Por que você está me olhando assim?" ela estranhou.
"A sua roupa..." eu apontei.
Ela olhou para as próprias roupas e viu que elas haviam mudado de cor.
"Gula. Pequei pela segunda vez." Tabula avaliou. "Mas, você também pecou, suco de laranja"
Eu olhei para mim mesmo e minha roupa tinha ido de azul, para laranja. Meu segundo pecado.
"Claude!" eu berrei.
Claude logo veio às pressas até a minha mesa.
"Sim, Sixxie? O que foi? Algo errado com a comida?" ele pareceu preocupado.
"Não, não tem nada errado com a comida. Só, olha para as nossas roupas" eu falei para ele.
"Então vocês agora são da Gula. Que maravilha!" Claude exclamou e abriu um sorriso.
"Então, o que nós precisamos fazer?" eu achei que ele iria exigir algo.
"Bem,vocês podem...que tal me trazerem algo que vocês gostem para eu cozinhar para vocês?" Claude sugeriu.
"Parece ótimo. Precisa ser agora?"
"Não, garotos. Me tragam quando vocês puderem" Claude retrucou.
"Já sei, nós podemos roubar dinheiro de um banco da Avareza e botar culpa no Orgulho. Seria muito divertido." Tabula sugeriu.
"E então poderíamos usar o seu poder para apagar nossas cores depois de escaparmos." eu conclui.
"É, bem pensado!" Tabula observou.
"Nós precisamos achar um banco..."
"Que irado, cara! Nós seremos como Bonnie & Clyde" Tabula ficou excitada com a ideia.
"Quem? Isso é de que século?" eu fiquei confuso.
"Deixa pra lá, nós vamos roubar um banco, não é irado?" eu olhei para Tabula e os olhos dela brilhavam intensamente. Ela estava maravilhada.
Eu também achei aquele plano genial.
Foi então que Tabula olhou para mim com aqueles olhos reluzentes e fixou o olhar em mim.
"O que foi, Tabula?" eu inquiri.
Ela parecia me devorar com aqueles olhos, como uma aranha prestes a devorar um inseto preso em sua teia.
"Posso te beijar?" ela disse sem tirar os olhos de mim.
Eu fiquei um pouco nervoso na hora.
"Só um beijo? Vamos lá! Eu não mordo" Tabula insistiu.
Eu acredito. Ela não morde, arranca pedaço com um olhar. Respirei fundo e soltei o ar.
"Pode" eu consenti.
Tabula se levantou da cadeira, se aproximou de mim e beijou a minha boca. Senti meu corpo ficar todo eriçado ao ponto de pulsar intensamente. Nessa hora, nossas roupas se tingiram de azul, representando a Luxúria. Lentamente ela foi se afastando de mim. Mas, eu a puxei pelo braço.
"Espera! Eu quero mais!" eu exclamei.
Tabula sorriu para mim. Nós saímos da mesa nos aproximamos um do outro e atracamos nossos corpos. Eu segurei na cintura dela enquanto eu e ela trocávamos beijos e afagos.
Eu senti que meu corpo ia a mil por hora, só de estar perto dela.
Claude estava nos observando e ficou impressionado com a nossa demonstração de carinho.
"Ah, isso é que é amor!" Claude exclamou em francês.
Nós afastamos nossos rostos e encostamos nossos cenhos um no outro. Nossos corpos arfavam em sincronia.
Eu senti que...Tabula era a garota que eu vinha procurando todo esse tempo. Para mim, nossas idades eram apenas números. Eu a via como uma garota no mesmo nível de afinidade que eu. E...eu não ligava para o fato dela ser mais velha que eu. Ela fora a única garota que consertara o meu coração quebrado.
Nos separamos e ficamos olhando um para o outro.
"Eu quero estar com você, Tabula" eu me declarei para ela.
"Eu também, "Sixxie". Meu coração é seu" Tabula declarou usando o meu apelido.
A nossa conexão parecia bastante sólida. Achei que era como se nós já nos conhecêssemos a muito tempo e só agora estávamos nos encontrando. Nós éramos como almas antigas.
"E o meu é seu, Tabula" eu devolvi.
Nós nos demos breves beijos e Claude nos aplaudiu.
"Bem, acho que precisamos fazer uma visita ao Rio..." eu pensei com meus botões.
"Pra quê? Nós estamos bem assim..." Tabula se queixou e...logo suas roupas foram tingidas de um azul desbotado, Preguiça.
Eu olhei para a roupa dela na cor da Preguiça e a avisei.
"A sua roupa" eu apontei para ela.
Tabula olhou para a roupa.
"Preguiça...eu já cansei desse pecado..." Tabula resmungou.
Então, Tabula fechou os olhos e...depois de um piscar de olhos, sua cor havia apagado e a roupa dela voltou ao normal, com exceção da blusa que agora estava branca.
Tabula parecia um verdadeiro camaleão dos pecados. E eu continuei com a minha roupa azul.
"Acho que antes de colocarmos nosso plano em ação, nós podíamos ir até a Space Needle" sugeri.
"Eu fui muitas vezes na Space Needle. Eu amo aquele lugar" Tabula comentou.
"Space Needle" é um monumento que fica em Queen Anne, distrito da Luxúria. Então eu acho que não teríamos problema. Agora, já no distrito da Avareza, ai eu fico com muito medo, mais do que no meu distrito, o da Ira. A Avareza já não tolera a Ira e os Transmutadores, imagina nós entrando no território deles. Nós provavelmente seríamos linchados.
Resumo da ópera de hoje, eu não imaginava que eu fosse encontrar uma Transmutadora tão cedo, muito menos que eu fosse me apegar a ela e eu estou adorando isso.
(suspiro)
Tabula...você é o meu mundo. Eu estou mais feliz agora que eu descobri você e que você faz parte do meu mundo agora.
Orgulho, acho que minha roupa acabou de mudar para violeta agora.
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