Notas iniciais
Ei gatos e gatas! Eu estou em semana de provas na faculdade, então talvez fique dificil postar por agora. Mas ai está o capítulo 2 ;D espero que vocês gostem!!!

Quando chegamos na festa parecia que nós estávamos muito atrasados, haviam pessoas dançando bêbadas, um cara de cabeça para baixo bebendo cerveja, uma menina em cima da mesa e duas pessoas nadando na piscina. E acredite, estávamos atrasados a apenas 40 minutos.

A casa era enorme e tinha uma boa área atrás, depois da piscina havia um gramado e se estendia até um lago. Estávamos á uns 30 minutos de Londres, e eu não tinha nem ideia de como iria embora, já que a nossa querida motorista Mandy já estava no bar virando um shot de tequila.
–É ele – Kurt apontou para alguém, um homem forte que ria e bebia com seus amigos perto do gramado da piscina. Ele tinha cabelos loiro escuro e pele clara, ele era bem alto e definitivamente era aquele tipo de cara que deve ter sido a estrela do time de futebol americano na escola. O tipo de cara perfeito para um filme de romance gay, daqueles que alguém termina muito machucado psicologicamente e fisicamente ou morto no final. –O nome dele é Tyler, ele é do meu curso de engenharia química. A Chloe eu estou ferrado, ele é perfeito.
–Pode parar. Vamos fazer o seguinte, primeiro passo vai ser beber três shots de tequila de uma vez. Segundo passo, vou distrair os amigos dele e você leva ele de lá... na duvida você leva uma cerveja na mão, a coragem se conquista com álcool. –Nós dois rimos. Eu sabia de todas as chances daquilo dar errado, e mesmo assim estava ajudando. Sou essa pessoa idiota e positiva que acredita que todos são boas pessoas no fundo.

Após algum tempo quando Kurt já falava embolado, Mandy participava de um beijo triplo e eu ria de tudo e não via nada ao mesmo tempo, começamos o plano dois. Fui andando até chegar perto do grupo, fiquei estrategicamente em uma posição em que Tyler fosse o mais longe de mim, assim quando Kurt puxasse ele, ninguém veria. Puxei duas garotas particularmente bonitas e bêbadas pelo braço, então falei alto o bastante para que todos ouvissem.
–Quem aí topa tirar a roupa e ir nadar no lago?!

O resultado foi melhor do que pensei. As duas garotas ficaram em suas roupas intimas quase instantaneamente. Os meninos logo as seguiram e começaram a correr para o lago. Procurei Kurt e Tyler e vi que eles não estavam lá. Missão mais que cumprida.

Me sentei perto do lago, em um pedaço de tronco de arvore que provavelmente foi feito com o intuito de ser um banco. Estava com uma cerveja ao meu lado, um céu extremamente estrelado e uma cena bem engraçada na minha frente.
–Não vai nadar? Vi que a ideia foi sua. –Olhei para trás, um homem com cabelo preto e os olhos mais azuis que já vi encarava as pessoas loucas jogando água para cima, ele tinha uma barba cheia mas bem feita, usava uma blusa de frio cinza e calça jeans, a típica roupa que eu uso quando estou com sono demais para escolher o que usar para a faculdade. Seu cabelo era bagunçado e caía um pouco na testa.
–Acho que desisti em algum momento
–Tenho certeza que varias pessoas foram nadar com a promessa de ver você lá. –Que babaca!
–Tenho certeza que eles estão bem acompanhados. Porque você não vai nadar um pouco?
–Se você for eu vou. –Ele falou com um sorriso sacana. Revirei os olhos –Posso te dar um beijo?
–Claro que não
–Estamos numa festa. Merecemos diversão
–Não seria divertido para mim. Você é sempre assim?
–Assim como? Sedutor?
–Atirado, convencido, inadequado...
–Só quando estou embriagado
–Sai daqui –Quando falei isso, ele me encarou. E sentou ao meu lado no tronco. Revirei os olhos mais uma vez. -Você vai mesmo me fazer sair?
–Você quer sair? Acho que quer ficar.


Me levantei e fui para dentro da casa, sem ao menos olhar para trás. Fui adentrando a casa e passando pelos corredores, acho que realmente me perdi, não pelo tamanho mas pelo nível de álcool no meu sangue. Ouvi pessoas claramente fazendo sexo em alguns quartos, uma menina vomitando no banheiro, outra no corredor. Então ouvi alguém chorando em algum dos quartos. Abri a porta devagar e vi Kurt em um canto encolhido. Corri para seu lado na mesma hora e o envolvi em um abraço.
–Kurt! Meu deus! O que aconteceu?
–Ele é um idiota Chloe, como não percebi isso?
–O que ele fez? Vou matar ele
–E eu vou ser cumplice. Contei para ele que estava atraído por ele... e ele... –Kurt desabou a chorar de novo –Ele me empurrou e gritou comigo! Como se eu fosse uma aberração e ele tivesse nojo de mim.
–O que ele disse?
–Não sei. Não entendi muito bem, minha cabeça tá rodando. Enfim, ele saiu daqui e foi para a festa de novo, aposto que está se pegando com uma garota qualquer, se não fazendo sexo com ela em um desse quartos.
–Não se importe com isso. Tem tantos caras bonitos na universidade. E o melhor? Caras bonitos e totalmente assumidos.
–Eu quero ele
–Mas é claro que quer –Revirei os olhos mais uma vez, perdi a conta de quantas vezes fiz isso na ultima hora.
– Eu sou um idiota
–Todos nós somos não é mesmo? Olha eu por exemplo, vou deitar em uma mesa por livre e espontânea vontade e me submeter a uma serie de cortes, pontos, dores e desconfortos. Apenas para me olhar no espelho e ficar feliz com o que vejo. –Ele riu
–Mas esse é seu maior sonho é tudo que você sempre quis.
–E o que você mais quer agora?
–Beijar ele
–Somos todos idiotas.
–Somos todos idiotas.

Nos levantamos rindo e fomos cambaleando, decididos a beber mais. Um garoto estava no bar servindo bebida para as pessoas.
–Vodka com energético por favor, duas –Eu pedi
–Tem você no cardápio? –Kurt falou. Eu fiquei chocada e ri muito. Acreditem ou não cerca de 15 minutos depois eles estavam se pegando, uma coisa que eu não imaginei ser do feitio do Kurt. Ele estava se divertindo e não chorando, isso que importava.

Eu comecei a dançar com umas garotas que eu nunca tinha visto antes, nós pulávamos e gritávamos como melhores amigas numa festa, algumas musicas dançávamos sensualmente para atiçar os garotos. Cheguei a subir na mesa algumas vezes, derramei bebida em mim e nos outros. Não sou muito de beber, até prefiro um encontro com os amigos tranquilo do que festas grandes assim, mas é sempre bom se soltar de vez em quando, ninguém precisa de álcool para isso. Mas ele facilita.

Fui descer da mesa e um cara me ajudou, era o cara do tronco.
–Me desculpa por antes. Juro que não sou tão babaca –Ele riu. Virei a cara e fui voltar a dançar com as meninas, uma delas se chamava Melanie ou Mary, eu não me lembrava. Ele ficou me encarando mas isso só me incomodou. No mundo atual ser mulher é complicado, ter medo de andar na rua sozinha, conviver diariamente com homens grosseiros gritando coisas nas ruas ou passando a mão em você no metrô, os homens objetificam as mulheres como se elas fossem um brinquedo. Com as trans não é diferente, a objetificação chega a ser pior ainda, os homens nos veem como fetiches que eles querem realizar. Caras da minha cidade que já estudaram e chegaram a praticar bullying comigo, chegaram a fazer propostas de “uma rapidinha no carro deles” depois que comecei a minha transição. O mundo melhorou muito, mas ainda tem muita coisa para melhorar.

Saí de onde estávamos dançando e fui para a frente da casa, havia um jardim bonito com algumas flores e arvores, uma trilha de pedra guiava até o portão da saída. Vi Kurt de mãos dadas com o garoto do bar, enquanto Tyler parecia brigar com Kurt. Os dois estavam gesticulando enquanto o garoto estava calado e com um olhar perdido.

Cheguei perto e espiei de trás de uma das arvores. Sim, eu sei que isso era errado, mas a curiosidade me venceu.
–... E você apenas beija esse cara aí, logo depois de falar como gostava de mim?!
–E o que você tem a ver com isso Tyler?! Você me empurrou, me desprezou e me deixou naquele quarto sozinho!
–Foi no momento! Ainda assim sou seu amigo certo? Mas pelo visto você é bem falso.
–Eu sou falso? Você nem olha na minha cara quando está perto dos seus amigos Tyler. Você finge que eu não existo!
–Não é bem assim... Sai daqui! –Tyler pegou o menino do bar pelo braço e deu um leve empurrão para a direção da casa. O menino foi caminhando até entrar na casa.
–Você. Não. Tinha. Esse. Direito. Ele estava me fazendo companhia!
–Legal essa companhia hein? Você ao menos sabe o som da voz dele?
–Eu só sei que não quero mais ouvir o som da sua voz seu desgraçado.
–Kurt... –Tyler foi para cima dele segurando o braço dele
–Me solta agora ou eu vou grit... –Tyler puxou Kurt contra o seu corpo e o arrastou assim até ficarem escondidos atrás do muro. Kurt estava com o rosto assustado, o loiro segurou seu rosto com a mão e o beijou, um beijo intenso, rápido, com voracidade devido a toda a adrenalina que estava sendo liberada pelos dois naquela hora. No inicio o corpo de Kurt ficou paralisado pela surpresa, mas aos poucos ele relaxou e colocou seus braços no pescoço de Tyler, enquanto o outro explorava seu corpo com as mãos.
–Me desculpa. Eu... eu não sei o que pensar e sentir
–Cala boca Tyler. Só curte o momento, seja feliz sem pensar nos outros, só essa noite pelo menos.

Os dois começaram a se beijar de novo até que Kurt pegou a mão de Tyler e os dois entraram no carro da Mandy. Tyler ligou o carro e os dois partiram para o que seria uma longa noite com pouco sono. E apenas depois de um tempo rindo atoa de toda essa situação que eu percebi que eu não tinha como ir embora mais. Mandy estava no quarto com o casal e Kurt se distanciava com o carro.

Saí correndo atrás do carro gritando.
–Kurt! Espera! Me deixa em casa antes, por favor. KURT!
–Acho que sua carona te deu um bolo –Olhei para trás e vi o menino do tronco novamente, ele ria da situação. Mas quantas coisas será que ele tinha visto daquela situação?
–Você conhece eles?
–Oi?
–Você conhece os dois que estavam no carro?
–Não conheço o menino de cabelo castanho, mas o Tyler é meu amigo. –E foi nesse momento que passou pela minha cabeça a pergunta: “Onde eu posso acertar ele com uma pedra, para que ele perca a memoria recente?”
–Se você está preocupada que eu vá contar para alguém sobre isso, pode ficar calma, cada um cuida da sua vida.
–Ok. Você evoluiu de babaca para um pouco babaca agora. –Nós rimos, a risada dele era grave com a sua voz mas ao mesmo tempo bem suave e agradável. E eu não sei por que reparei nisso enquanto pensava se ele ia me estuprar mesmo ou não.
–Qual o seu nome?
–Porque você quer saber? –Ele ficou confuso
–Quero saber o nome da menina bonita que eu conversei essa noite
–O nome da menina que você, bizarramente, seguiu a noite toda e falou coisas assustadoras para ela.
–Meu Deus, eu acho que passei uma imagem tão errada de mim para você
–Passou uma imagem ruim. Não sei se é a errada.
–Posso me redimir? Eu estou de carro. Posso te levar em casa. –Ok ele ia me estuprar.
–Não obrigada.
–Mas...
–Não obrigada.
–O que você acha que eu vou fazer? –Fiquei em silencio –Você não acha que eu seria capaz de... –Continuei calada e levantei as sobrancelhas –Ah! Não! Serio, agora questão de honra, vou te levar em casa. E não vou dar em cima de você nem mais um segundo. Para mim agora você é um homem. –Ok outra coisa bizarra, a cada palavra que ele falava eu sentia como se ele lesse minha mente ou como se soubesse quem eu sou. Suspirei e respondi.
–Bem. Eu não tenho outro jeito mesmo. Mas já aviso, vou mandar sua placa, meu local e noticias para os meus amigos por mensagem.
–Pode mandar uma selfie nossa por mensagem para eles. Sabe? Para a policia reconhecer o meu rosto. –Eu ri escandalosamente. Depois pensei melhor.
–Até que é uma boa ideia... –Peguei o celular e preparei a câmera.
–Você está falando serio?
–Sim.

Ele se aproximou de mim e sorriu para a foto, enquanto eu fiz cara de suspeita para ele. Uma foto até engraçada. Quando fui tirar uma segunda foto por costume, ele beijou o meu rosto.
–O que você!...
–Desculpa! Apenas uma despedida de você como mulher. Agora sim. Apenas meu amigo.
–Ok –Falei arrastando o “ok”
–Não é? Mano. –Ele levantou a mão como quem cumprimenta um amigo com hi-five.
–Tá. Já é demais.

Entramos no carro dele. Como dito, mandei a placa e a primeira foto que tiramos para Kurt e Mandy. Apesar de que se o pior acontecesse, eu só ia ser encontrada no outro dia de tarde.
–Qual o seu nome?
–Oi?
–Vou mandar o seu nome também
–Você realmente esta desconfiada né?
–Cuidado nunca é demais. –Ele riu
–Liam Thirlwall. E o seu?
–Não. Ainda não vou te falar.
–Um dia eu descubro
–Você escutou como isso pareceu perturbador?
–Ok. Juro que estou mesmo tentando parar. –Ele disse rindo

Ele ligou o carro e arrancou.
–Você mora aonde? –Ele perguntou
–Na universidade. No dormitório.
–Viu? –Ele disse sorrindo surpreso –Até estamos indo para o mesmo lugar!
–Qual curso você faz?
–Acho injusto você poder me fazer perguntas e saber da minha vida e eu não saber nem seu nome.
–Eu não fui a bizarra essa noite –Eu disse sorrindo
–Gosto da sua risada
–Liam
–Ok! Desculpa... Eu faço Medicina.

Quando chegamos na frente do dormitório feminino ele parou o carro e me encarou sorrindo. Conversamos durante o caminho todo, quase como amigos, ficou mais fácil quando eu parei de ver ele como um estuprador tarado.
–Obrigada
–Disponha –Ele sorriu. Um sorriso de canto de boca, não sabia mais se ele estava lançando charme ou apenas sendo espontâneo mesmo.
–Vou entrar então... Liam?
–Fala
–Meu nome. É Chloe. –Ele sorriu devidamente agora.
–É um prazer te conhecer e não te violentar Chloe. Você tem um belo nome. Não deve ficar escondendo das pessoas.
–Obrigada –Eu disse sem graça. Nos encaramos por alguns segundos, até que eu abaixei a cabeça constrangida. –Vou entrando. Tchau.
–Tchau –Ele se despediu e foi em direção ao dormitório masculino.

Notas finais
Iai estão gostando? Esse capítulo todo aconteceu em uma noite bem movimentada né hahaha, o que mais gostaram? o que vocês acham que vai acontecer? COMENTEM Estou bem feliz com a repercussão que a história está tendo em tão pouco tempo, claro ainda não é nada demais mas já me deixa feliz haha, comentem o que quiserem e até o próximo capítulo :) E lembrem-se: Somos todos idiotas