Transformações e Responsabilidades

5 Capítulo 5 - Irresponsabilidade


Gwen:


Me dediquei muito nessa aula de física, fui a única que consegui resolver os oito exercícios que o professor Albert passou. Eu até corrigi eles na lousa, a pedido do sr. Albert, foi bem legal ajudar a sala toda.

Na segunda aula que era inglês, não tivemos muita matéria e eu fiquei conversando com o Harry, o melhor amigo de Peter. Um garoto rico e herdeiro de um corporação gigantesca,a Oscorp, me perguntava o que ele estava fazendo em uma escola pública, não que a Escola de ciências de Midtown fosse ruim, mas a família dele tem condições de colocar ele em uma escola particular da alta elite.

Era bem legal conversar com ele, inteligente e comunicativo, eu podia conversar com ele sobre diversos assuntos. Apesar de sua mania de ficar mexendo em sua franja estranha toda hora fosse um pouco irritante. Me senti uma anti-social por ter estudado com ele por tantos anos e nunca termos conversado melhor.

O resto do dia escolar passou sem nada de muito diferente ter acontecido.

Minha última aula do dia tinha acabado, estava cortando caminho pela quadra para chegar no hall e ir embora. Me deparei muitos vidros quebrados no chão, olhei pra cima e vi que o vidro da tabela da cesta de basquete estava quebrada. Como conseguiram fazer isso? É tão alto.

Um menino asiático estava varrendo os cacos e colocando em um saco preto, provavelmente estava fazendo serviços comunitários.

–Nossa, você fez isso?-puxei conversa.

–Não, foi o Peter.-ele respondeu sem tirar os olhos dos cacos que estava varrendo.

Eu nem sabia que o Peter jogava basquete, ou que ele era vândalo, fiquei boquiaberta.

–O Peter nem é do time de basquete.-pensei alto.

–Não é mesmo. Me disseram que ele e o Flash tiveram um desentendimento e Peter quis mostrar suas habilidades esportivas pro Flash, e deu nisso.-dessa vez o garoto magrelo e com os olhos puxados levantou a cabeça e olhou nos meus olhos para falar.

–Uou, coitado do Peter, ele vai ter que pagar essa tabela...-disse enquanto olhava os vários cacos, aquilo devia ser bem caro.-Onde ele está ?

–Não sei, talvez na secretária, chamaram os pais dele.-e eu pensava que todo mundo do colégio sabia que Peter era órfão.

–Tios...o Peter é orfão...-pensei alto novamente e o garoto me olhou um pouco surpreso.-Preciso ir agora, bom trabalho pra você.

Caminhei até chegar no hall. Na frente da secretária vi Peter de costas, e na frente um homem mais velho, de cabelos brancos e óculos, um pouco gordo.

Provavelmente era o tio dele, Peter devia ter levado uma bronca e tanto.

Encostei na parede e fiquei observando os dois conversarem de longe, o homem percebeu minha presença e me observou, eu por um momento o encarei de volta, mas desviei o olhar quando Peter se virou e me olhou também. O homem bateu no ombro de Peter e foi embora, o garoto veio sorridente em minha direção.

–Aquele é meu tio, uma figura e tanto!-ele disse e riu discretamente no final.

–Você foi expulso?-brinquei, claro que ele não ia ser expulso por ter quebrado uma tabela acidentalmente.

–Não, não, eu vou fazer serviço comunitário.-ele disse no seu jeito baixo e manso.

Depois dele falar, ficamos alguns segundos sem falar nada, um olhando para a cara do outro, então rimos juntos como bobos, rindo da situação. Peter parecia um pouco nervoso, como se quisesse falar algo pra mim e fosse difícil dizer, parecia até os meus irmãos, quando quebram alguma coisa minha e tentam me contar.

–Eu preciso ir...

–Gwen.-Peter me interrompeu.

–Sim?-eu disse um pouco boba.

–Nós podíamos, algum dia desses, nós podíamos...-ele tentava dizer algo mas não conseguia, olhava para os lados como se estivesse procurando palavras pra dizer.

–Podíamos o que?-eu perguntei arqueando as sobrancelha.

Ele estava me chamando pra sair?

–Não sei...nós podíamos fazer algo, ou outra coisa.-disse um pouco nervoso, mas ao mesmo tempo calmo.

Apareceu um sorriso em meus lábios quando ele disse isso. Sim! Peter Parker estava me chamando pra sair, a atitude foi bem legal.

–Sim, tanto faz. Eu adoraria.-eu disse confirmando com a cabeça.

–Sério? — ele perguntou olhando nos meus olhos.

Será que ele me achou fácil de mais?

–Sério. — Eu disse sorrindo e olhando diretamente nos seus olhos castanhos, correspondendo o olhar.

–Mas eu não posso agora, estou um pouco ocupado...-ele voltou a falar daquele jeito nervoso.

–Ah sim, eu também. -rimos, estávamos ficando sem graça.

–Tudo bem então.-ele disse.

–Ok.-eu disse virando as costas pra ele e caminhando até a porta do hall, meu pai já devia estar me esperando.

Olhei para trás e me deparei com Peter no mesmo lugar, me olhando e fazendo uma cara de bobo. Sorri e voltei a olhar pra frente.

Hoje, nessa nossa conversa confusa, eu pude perceber como aquele garoto me fazia sorrir feito uma boba, me fazia feliz. Sempre admirei ele, por toda sua inteligência e superação da morte de seus pais, mas nesses últimos dias eu senti algo além de admiração.


Peter:


Suspirei aliviado quando coloquei na prateleira o último livro da pilha gigante que eu havia arrumado, fiquei na escola até tarde, pra cumprir o meu serviço comunitário : organizar a biblioteca.

Apesar de ter se metido em confusão e ido pra diretoria, o dia não estava tão ruim assim. Eu chamei Gwen pra sair e ela aceitou, me senti um idiota quando comecei a gaguejar na hora que falei com ela, mas deu certo, não sei como mas deu.

Hoje eu teria que buscar a tia May no curso de enfermagem dela, as oito da noite. Ela não acha necessário que eu vá até lá só para acompanhá-la numa caminhada de oito quarteirões, mas como tio Ben insistiu.

Normalmente tio Ben busca ela de carro, mas ele vai estar trabalhando hoje essa hora, porque ele mudou seu turno, por minha causa, quando foi na escola.

Muitas coisas estavam acontecendo ao mesmo tempo essa semana, essas confusões com o Flash, a Gwen... mas o que mais me intrigava eram as coisas que estão acontecendo comigo, desde ontem na Oscorp, quando fui mordido pela maldita aranha.

Me perguntava como que eu havia feito coisas tão impressionantes mais cedo, quando humilhei o Flash. Eu mal sabia jogar Basquete, nunca fui muito bom em esportes, a não ser andar de skate, é claro. Aquele salto... aquilo não parecia humano, eu estava mais rápido, mais ágil, mais forte. Hoje mesmo quando acordei de manhã, acabei quebrando o despertador quando fui desligalo. E quando as coisas grudam em minhas mãos ? Tem coisa mais louca?

Eu tinha no meu quarto a aranha morta, dentro de um vidro, talvez ela fosse útil para algo. Com certeza o dr. Connors podia me ajudar, ele devia estar trabalhando nessas aranhas, mas seria arriscado ir na Oscorp de novo, seria muito fácil entrar lá com Harry, mas eu não queria que ele soubesse sobre as coisas que descobri na maleta, e as coisas estranhas que estavam acontecendo comigo.

Eu havia acabado meu serviço comunitário, então saí da escola, eram quase cinco horas da tarde. Não tinha nada pra fazer em casa, olhei para o grande e antigo barracão da escola, que não era utilizado fazia muito tempo. Lembro de uma vez no primeiro ano, quando entrei lá escondido, tinha muita porcaria e poeira, mas tinha uma enorme rampa de skate.

Não pensei duas vezes e me dirigi discretamente para mais perto do grande barracão, me camuflando entre os grandes arbustos. A grande porta dupla da frente estava trancada, mas a pequena dos fundos não. Que direção brilhante.

Abri a porta que rangeu um pouco, entrei e a fechei. O lugar parecia idêntico a dois anos atrás, o teto era muito alto e nele tinham grandes correntes penduradas, a rampa de skate estava intacta, para a minha felicidade, ao lado dela haviam grandes pratileiras, com muita porcaria e poeira.

Coloquei minha bolsa em um canto, tirei minha blusa e fui empolgado para a rampa com meu skate. Primeiro eu fazia manobras mais básicas e simples, depois as mais ousadas, hoje eu sentia muito mais equilíbrio e agilidade, era incrível, consegui fazer coisas incríveis.

Fui para a ponta da rampa, subi e vi que a outra ponta era muito próxima de uma corrente que ficava presa no teto. Pensei: com essa agilidade eu conseguiria pular do skate em pleno ar e agarrar na corrente, como o Tarzan faz com seus cipós. Respirei fundo, me posicionei e fui, quando a rampa acabou me vi em pleno ar e me desesperei, o skate voou para longe e eu estava basicamente voando, aquela sensação era ótima, eu estava sentindo medo, mas ao mesmo tempo prazer.

Quando eu estava bem perto da corrente eu abri meus braços e a agarrei, ela balançou muito, quando ela se aproximou da outra corrente fiz mais uma loucura, soltei a corrente e saltei para a próxima, a agarrando também.Quando ela parou de balançar a soltei, despencando de bem alto, mas caí de pé no chão, leve como um gato, ou melhor, como uma aranha.

Me senti o máximo por ter feito algo tão radical, eu estava sorrindo feito um louco e pensando: de novo, de novo, de novo!

Depois de ''brincar'' por mais um tempo, decidi ir embora, muito mais intrigado com o que eu conseguia fazer. Mas eu não fui para a casa, eu peguei a linha do metrô e fui para o centro, mais espeficamente na Oscorp, eu precisava mais do que nunca falar com Curt Connors, mesmo que eu precisasse entrar de infiltrado novamente naquela empresa.

Eu já estava na frente daquela grande construção, muitas pessoas apressadas andavam na calçada, mas eu reconheci uma: Um homem loiro, de jaléco branco, sem o braço direito e com um óculos preto e redondo.

Andei rapidamente até ele, para que eu chegasse até ele antes que ele entrasse no prédio.

–Com licença. -disse e ele se virou, com curiosidade.

–Sim?-ele me mediu da cabeça aos pés.

–Você não deve se lembrar de mim, mas eu preciso falar com você dr. Connors.-eu disse um tanto sem jeito, eu nunca tinha tido uma conversa longa com ele.

–Claro que lembro, o garoto do estágio. Como esquecer uma mente tão brilhante?-ele sorriu e eu também, um pouco sem jeito.-Mas eu estou trabalhando agora, eu só fui tomar um café. Agende na recepção que falo com você outro dia, até mais.

Ele se virou e se dirigiu a porta, quando ele encostou a mão na grande porta giratória eu criei coragem.

–Sou filho de Richard Parker. — eu disse alto e claro.

Ele parou de se mexer, se virou e me olhou um pouco espantado.

–Pe-peter ?

Ele mudou completamente de ideia, pediu para que eu o acompanhasse e me levou para os laboratórios. Ele me tratava muito bem, me comparou com meu pai várias vezes, e disse que trabalhou com ele e explicou um pouco mais sobre o que eles faziam.

Ele me mostrou o seu projeto, ele experimentava injetar DNA reptiliano em ratos com três patas, para que a quarta pata se regenerasse, mas sempre que ele fazia isso a cobaia morria.

Eu vi a equação da reação que ele injetava nos ratos e comparei com uma que encontrei na maleta do meu pai, eu tinha decorado ela, não sei como mas decorei. Talvez ela pudesse ajudar o dr. Connors, pois eram sobre o mesmo projeto.

Connors observava os ratos, me dirigi a uma mesa que tinham papéis e canetas.

–Posso usar? — perguntei apontando para os materiais.

–Claro.-ele disse.

Connors me tratou tão bem depois que eu disse quem eu era, nem precisei dizer o porque de ter procurado ele.

Peguei uma folha e uma caneta e escrevi a equação, fui ao lado de Connors e entreguei a folha.

–Tente usar isso. -disse enquanto ele observa a equação.

–Como fez isso?- ele perguntou impressionado.

Apontei a caneta para minha cabeça, e sorrindo. Era mentira, eu simplesmente copiei do meu pai, mas eu tinha entendido a equação e sabia o que estava fazendo, aquilo poderia funcionar.

–Dr. Connors, preciso ir embora agora...

–Ah sim claro, foi um prazer parker.-ele disse sorrindo e dando a mão para mim apertar, e assim fiz.-Tem mais uma coisa, pegue esse meu cartão, você realmente parece promissor garoto, tem a grande possibilidade de isso que você fez dar certo!

Guardei o cartão no bolso.

–Obrigado.

Ja era noite, eu estava quase na frente de minha casa, sentia o vento bater em meus cabelos enquanto eu atravessava as calçadas rapidamente com meu skate.

Quando estava na frente de casa, me deparei com tio Ben sentado na varanda, aquilo não parecia bom.

Coloquei o skate nas costas e subi as escadas da varanda, parando em frente dele.

–Não esqueceu de nada? -ele disse se levantando.-Agora são nove horas da noite.

Meu celular tocou.

–É bom saber que isso funciona.-Ben disse, parecia furioso.-Minha mulher andou oito quadras sozinha, de noite, por causa de sua irresponsabilidade!

Coloquei a cabeça na testa e me senti um idiota, eu havia esquecido de buscar a tia May, como eu consegui esquecer disso? Eu provavelmente ouviria um milhão de broncas essa noite.

–Seja homem ! Entre e se desculpe com sua tia.

Eu entrei em casa com a cabeça baixa, vi tia May de pé na sala, parecia ansiosa.

–Olha desculpa tia May, eu perdi a noção do tempo...-Disse um pouco baixo, eu realmente me senti culpado por ter esquecido minha tia.

–Está tudo bem querido e...

–Claro que não está! — tio Ben a interrompeu.

–Ben, sinceramente eu acho que eu tenho capacidade de voltar sozinha.

–Pare de defender esse garoto! -ele gritou e eu olhei para ele incrédulo.

–Eu não estou defendendo ele!

–Esse menino precisa tomar rédias, ele desaparece, chega em casa tarde.-Havia me esquecido da última vez que eu tinha levado uma bronca tão grande.-Peter, você é brilhante, assim como seu pai, mas seu pai sempre foi responsável.

Aquilo foi como uma facada no meu peito, como meu pai sempre foi responsável ? Uma pessoa responsável não deixa um filho com os tios e simplesmente desaparece.

–E onde ele está?-murmurei.

–Como? -tio Ben perguntou e May olhou assustada.

–Cadê ele?

–Como você ousa ?!- ele perguntou arregalando os olhos.

–Como eu ouso? Como você ousa! — apontei o dedo para meu tio , enquanto gritava.

Os dois me olharam assustados, tia May segurou os ombros de Tio ben. Meus olhos encherão de lágrimas e eu me dirigi rapidamente a porta, a abrindo.

–Peter, onde vai?-escutei tia May mas nem respondi.

Bati a porta, ouvi um alto som de vidro se quebrando, me virei e vi que eu havia quebrado a porta, que era de vidro. Atrás dela pude ver os rostos assustados de May e Ben. Não pensei duas vezes e corri para longe daquela casa.

Pude ouvir Ben implorando para que eu voltasse, mas eu precisava ficar sozinho um pouco, eu ja havia arrumado problemas demais para os meus pobres tios.

Tive a brilhante ideia de escalar um poste e ficar em cima dele para que ninguém me achasse, as minhas habilidades sobrenaturais me ajudaram, e eu pude me desconectar do mundo real por um tempo.

Meu celular vibrou, tirei ele do bolso e abri a notificação: Mensagem de voz de tio Ben. Ignorei e coloquei meu celular de volta no bolso.

Desci do poste e fui para uma mercearia comprar alguma coisa pra beber. Peguei uma daquelas pequenas garrafas de sucos com lactídeos e me dirigi ao caixa, quem o gerenciava era um homem gordo e cabeludo, com cara de mal humorado, atrás de mim havia um homem de óculos de sol e cabelos compridos e loiros, com uma caixa de cerveja nas mãos.

Passei minha compra no caixa, minha cara não estava uma das melhores.

–Dois dólares e vinte centavos.-o homem gordo disse automaticamente enquanto registrava a minha compra.

Coloquei a minha mão no bolso procurando o dinheiro, mas apenas encontrei uma nota de dois dólares. Entreguei ela para o homem, que me olhou como se estivesse esperando alguma coisa.

–São dois dólares e vinte centavos.-ele disse sem paciência.

–Mas só são vinte centavos!- disse inconformado com o cara mão-de-vaca que estava na minha frente.

–Qual é? O papai não deu a mesada?-ele riu ironicamente. -Agora sai da fila.

Eu sai da fila vencido, quando o homem loiro chegou no caixa, sacou uma arma e apontou para o gordo.

–Passa a grana!-ele gritou enquanto o homem se desesperava para pegar o dinheiro.

O assaltante me viu olhando para aquilo, perplexo, então ele pegou a minha garrafa de suco e jogou para mim, que abri a mão e a peguei.

Sai do local e logo o assaltante saiu também, correndo, e atrás o homem do caixa.

–Você podia ter segurado ele.-ele disse olhando para mim, enquanto colocava as mãos nos joelhos, cansado.

–Não faz parte da minha política.-eu disse vitorioso, enquanto coloquei minhas mãos no bolso e segui em frente caminhando.

Não foi nada sério, ele podia ter levado um tiro, mas no fundo eu gostei do que aconteceu com ele.

Ouvi um som de tiro enquanto caminhava pela calçada e corri para o lugar de onde o som tinha vindo. De longe avistei um homem gordo caído no chão, perdendo muito sangue. Quando cheguei perto dele não acreditei , meu coração acelerou como nunca e eu me abaixei ao lado do homem, tentando fazer ele acordar.

–Tio Ben, tio Ben, acorda por favor! — ele não parecia me ouvir e eu logo comecei a chorar e a gritar como um louco.

Avistei um grupo de pessoas nos observando de longe.

–Chamem uma ambulância! — gritei o mais alto possível e aquelas pessoas correram até mim.

Notas finais
Demorei bastante pra escrever esse, mas diferente do anterior, eu achei legal escrever e eu achei que ficou bom. Mas não da pra saber se vcs gostaram se vcs não comentarem ^^ Abç
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