Gwen:

Eu estava encostada no armário de Sherry, conversando com ela e com mais algumas meninas enquanto não tocava o sinal que dava início a primeira aula do dia.


–Quem é aquela garota com o Peter?-Sherry perguntou enquanto se virou para observar a desconhecida, todos naquele corredor fizeram o mesmo.


Era Peter e uma garota ruiva, muito bonita por sinal. Os dois conversavam enquanto perambulavam pelos corredores da escola.


Eu podia perceber sem muito esforço os garotos observando as curvas da moça, que também usava uma roupa um tanto quanto provocante para um dia de colégio, e ela tinha bastante oque mostrar.


–É a aluna nova, que veio da Filadélfia. E parece que já está dando em cima de alguém.-disse uma garota que estava com nós.


Todas riram, menos eu. Será mesmo que Peter estava interessado naquela garota ? Ela era muito linda mesmo, mas pelo que eu vi nesses primeiros minutos, é que ela e Peter são um pouco diferentes. Ela parece falar pelos cotovelos e chamar a atenção de todos, tirando suspiros por onde passa.
Peter se despediu dela e foi falar com Harry, e ela entrou na secretária.


Eu me dirigi aos dois que conversavam em frente a porta do hall da escola.


–Oi garotos.-cheguei sorrindo, como sempre.


–Bom dia Gwen.-os dois me saudaram, Peter ficou um pouco tímido quando cheguei.


O celular de Harry começou a tocar. Ele tirou o aparelho de seu bolso e olho a tela, parecia envergonhado.


–Que saco! É o meu pai...Pessoal, preciso atender, com licença.-dizia enquanto saía pelo hall para atender o celular na parte de fora da escola, provavelmente porque tinha menos barulho.


–Já conhecia a aluna nova?-perguntei arqueando minhas sobrancelhas.


–Si-sim. Quer dizer não, não diretamente.-respondeu enquanto batucava o seu skate que estava embaixo de seu braço.


–Como assim?-perguntei rindo.


Eu adorava o modo tímido e ao mesmo tempo espontâneo que Peter tinha. Quando ele cerrava os olhos e balançava a cabeça, como se estivesse procurando palavras para dizer, aquilo me encantava.


–Ela é sobrinha de uma amiga da minha tia, e agora veio morar em NY com a mãe e o padrasto, a casa deles fica na frente da minha.


–Ah, então você é o guia turístico dela? — nós dois rimos depois da minha pergunta.


–Talvez,pelo menos até ela fazer algumas amigas...-ele disse enquanto coçava a nuca.


O sinal da primeira aula tocou, dando início a primeira aula do dia: álgebra. Harry logo voltou e foi direto para a aula que ele iria fazer agora.


Eu e Peter nos dirigimos a sala, teríamos a mesma aula.


O professor disse para formarmos duplas para resolvermos alguns exercícios.


Pensei em chamar Peter para sentar comigo, eu ele resolvendo exercícios de álgebra seria brilhante. Mas antes disso, Flash pediu para que eu o ajudasse, pois ele tinha muita dificuldade e eu já estava acostumada a ajudar ele.


Fiquei um pouco triste ao observar Peter sozinho, no fundo da sala.


–Oque você tá olhando?-Perguntou Flash.


–Peter está fazendo os exercícios sozinho, acho que deveríamos chamar ele pra sentar com a gente.-Respondi enquanto me virava pra frente.


–Ah sem chance Gwen, deixa aquele skatista esquisito pra lá. Você sabe que eu não suporto ele.-dizia Flash enquanto flexionava seu antebraço, provavelmente para exibir seus músculos.


Fiquei inconformada com oque havia acabado de ouvir. Ele nunca tinha feito nada de mau pra Flash, Peter era uma pessoa muito boa, pelo menos no meu ponto de vista. Além de ter uma vida muito confusa e ser órfão, ele era atormentado por Flash e seu grupinho, ainda bem que ele não ligava muito.


E eu odiava quando uma pessoa era excluída.


–Peter é um cara legal. É você que não para de encher o saco dele, sempre implicando e perseguindo ele.-falei com um olhar sério para o esportista de cabelos ralos que estava sentado do meu lado.


–Por que você defende tanto esse chato? Se acha ele tão legal assim por que não senta com ele?-Flash estava um pouco irritado.


–E é isso que eu vou fazer.-quando eu disse isso Flash me olhou com raiva.


Por que esse cara tem que ser tão idiota assim? Ele nem tem intimidade para falar assim comigo, Flash abusava da minha boa vontade de ajudar ele.


Quando eu estava acabando de guardar meus lápis e canetas no estojo para me mudar para a cadeira vaga ao lado de Peter, o professor Jordan foi até a porta da sala e trouxe com ele a garota nova que estava com Peter mais cedo, a ruiva.


–Pessoal, esta é Mary Jane Watson, a aluna nova, ela veio da Filadélfia e eu quero que sejam legais com ela.-a garota sorriu, a sua beleza me impressionava.-Sente-se lá no fundo, com o Peter, estamos fazendo alguns exercícios de álgebra. Seja bem-vinda.


–Obrigada.-ela disse enquanto se dirigia ao assento.


Eu então permaneci sentada com Flash, para minha infelicidade. Tive que aguentar cantadas estúpidas e o pouco interessa que Flash tinha pela aula.


As vezes olhava de longe os dois no fundo, Peter parecia estar ensinando Mary Jane à resolver os exercícios. E eles pareciam estar se divertindo fazendo isso.


Os rumores de que os dois estavam juntos se intensificaram depois dessa aula. Mas será? Peter, o tímido e estudioso, e Mary Jane, a aluna nova ruiva e gostosa.


Na hora do almoço já era claro que Mary Jane tinha se enturmado com um grupo de meninas, o grupo que me odiava. Peter veio falar comigo, para minha surpresa. Conversamos sobre o livro interessantíssimo de biologia que estava lendo fazia dias, e Peter era o tipo de pessoa que eu podia conversar sobre esse tipo de coisa, que a maioria das outras pessoas não se interessava.


Hoje liguei para meu pai me buscar na escola, eu estava atrasada e era dia de estágio na Oscorp.


Peter:


Fui embora da escola caminhando e conversando com Mary Jane. Ela me contou que mesmo não gostando de estudar, gostou da escola e de estudar, e que mesmo no primeiro dia já havia arrumado algumas amigas.


A deixei em sua casa e fui avisar para tia May que iria na casa de um amigo, menti.


Eu então peguei a estação de metrô mais próxima que me levaria ao prédio da Oscorp, que ficava no centro de Manhattan.


Chegando na calçada onde centenas de pessoas apressadas passavam, fiquei um pouco nervoso ao me deparar com o enorme prédio que formava as instalações Oscorp.


A porta de vidro se abriu automaticamente e eu entrei naquele grande hall. Era enorme, de um lado tinha um balcão com uma mulher, provavelmente era a secretária, e do utro várias catracas.


Me aproximei do balcão.


–Posso ajudar?-disse a moça, que tinha um microfone no lado esquerdo de seu rosto.


–Ahh...oi...Eu vim ver o dr. Curt Connors.-gaguejei um pouco.


–É do grupo de estagiários?


–Sim...acho que sim.-eu sei que eu poderia estar me metendo em confusão, mas aquele era o único modo que eu tinha para conseguir respostas sobre os meus pais.


–Ok, pegue seu crachá então.-ela disse e voltou a olhar para seu monitor.


–O que?-que crachá? Eu não tinha crachá.


–Pegue seu crachá, aqui.-ela apontou para uma cestinha em cima do balcão, com vários crachás.


Eu olhei os crachás, tinham vários, eu não consegui encontrar o meu obviamente.


–Não está encontrando o seu crachá?-ela tirou os olhos do monitor e perguntou.


–Não, não. Olha ele aqui!-peguei um crachá qualquer, com um nome masculino, claro. Então o levantei e mostrei para ela sorrindo.


–Você vai encontrar o seu grupo no segundo andar, primeiro bloco. Tenha uma boa tarde sr. Guevara.-ela pronunciou o nome Guevara lentamente, provavelmente porque era difícil de se pronunciar. Mas no momento fiquei com medo dela estar desconfiando de mim.


–Gracias.-sorri.


Passei o crachá pela catraca e ela se abriu, coloquei o mesmo pendurado no pescoço e me dirigi ao lugar onde a secretária disse que eu encontraria minha turma.


Avistei um grande grupo de jovens e me juntei a eles.


Uma jovem moça se apresentava como guia do passeio, me assustei um pouco quando vi que essa moça era Gwen.


Ela estava muito diferente de como eu a via diariamente. Estava usando um jaleco branco e tinha algumas pastas em suas mãos.


Eu nunca poderia ter imaginado que ela trabalhava aqui, ela então é muito mais inteligente do que eu pensava, com 17 anos ela já tem um emprego em uma grande corporação.


De trás de Gwen apareceu um homem, também usando jaleco. Aparentava ter meia-idade, era loiro e usava um óculos de armação preta. Era Curt Connors, o homem que eu havia visto na foto de meu pai, tive certeza quando vi que ele não tinha o braço direito. Era ele que eu estava procurando, era ele quem fazia experimentos com espécies híbridas junto ao meu pai.


–Esse é o dr. Connors, um dos nossos cientistas mais promissores.-disse Gwen enquanto sorria.


–Obrigado Gwen, é muito gentil da sua parte.-ele se aproximou mais um pouco de nós.-Como muitos devem saber, o atual objetivo da Oscorb é trabalhar para descobrir métodos de como curar ferimentos mais rápidos e recostruir membros perdidos em humanos. E como vocês acreditam que isso seja possível?


–Células tronco?-disse um garoto.


Mas parece que não era isso.


–Usando o DNA de outras espécies ?-eu chutei. Me veio a cabeça o que eu tinha lido sobre os trabalhos dele com meu pai, sobre as espécies híbridas e tals.


–Quem disse isso?-perguntou Connors.


Dei um passo a frente para que ele me visse, pude perceber Gwen surpresa quando me viu. Então continuei a falar:


–Algumas espécies de répteis, por exemplo, tem a capacidade de regenerar seus membros rapidamente. Então acho que esse tipo de DNA poderia ajudar o processo nos humanos.-eu expliquei minha teoria, um pouco envergonhado.


–Brilhante! Qual é seu nome?-perguntou o Connors enquanto sorria.


Eu mal me lembrava qual era o nome que estava em meu crachá. O que eu poderia fazer agora?


–Ele é um dos melhores alunos da escola de ciências de Midtown, o segundo melhor do último ano.-Gwen havia me salvado, se não fosse por ela eu não saberia o que responder para Connors.


–Segundo? Tem certeza disso? -perguntei um pouco baixo, mas Gwen escutou, e riu baixo.


–Toda certeza.-ela disse sorrindo.


–Interessante...Gwen, você pode assumir a turma? Eu vou ter que resolver alguns problemas...-Connors perguntou para ela.


–Ok, claro.-ela mal respondeu e ele já se virou e andou rapidamente.


Droga!Não era hoje que eu iria conseguir falar com Curt Connors.


Gwen ligou um projetor, em que passava um curto filme sobre a Oscorb. Os jovens assistiam.


Eu então já estava me distanciando da turma quando vi Gwen se aproximando de mim.


–O que você está fazendo aqui?-ela perguntou arqueando as sobrancelhas.


–Oi Gwen.-eu disse tentando ser o mais simpático possível.


–Está me seguindo?-não adiantava, ela queria respostas.


–Não, não, claro que não. Eu nem sabia que você trabalhava aqui. Eu estou aqui porque eu amo ciência.-aquela era a pior desculpa que eu poderia ter arrumado.


–Você ama ciência?-ela perguntou sarcasticamente-Olha Peter, não é legal se passar por outra pessoa, você pode acabar se metendo em confusão. Mas já que você está aqui, procure ficar com o grupo, ok?- ela estava bastante séria, era Gwen em seu ambiente de trabalho.


Eu assenti com a cabeça.


–Falo mais com você depois.-ela disse enquanto se dirigia ao grupo de visitantes.


Fiquei um tempo com o grupo. Mas eu precisava saber mais sobre o projeto das espécies híbridas, o projeto que meu pai trabalhava.


Sem que Gwen percebesse, disfarçadamente me distanciei do grupo e fui até a área dos laboratórios, que pra minha sorte, estava vazia.


Entrei na primeira porta que avistei.


Era uma sala escura, tinha uma plataforma no meio dela, não dava pra ver ao certo mas parecia que tinham frascos pendurados nela. Eu me aproximei dela e vi um botão vermelho.


Não sei o que deu na minha cabeça e eu apertei o botão. Do nada aquela plataforma começou a girar lentamente e eu tive vontade de sair correndo de lá, caso eu estragasse alguma coisa. Senti algo caindo em minha cabeça, algo leve, passei a mão em meus cabelos para verificar o que era.

Senti algo se rastejando, percorreu do meu braço até meu pescoço.


De repente senti uma picada na minha nuca, foi bem dolorida, e depois uma forte ardência percorreu meu corpo todo. Passei a mão por meu pescoço mas não encontrei nada.


A plataforma parou de girar, fiquei mais tranquilo. Saí da sala escura e comecei a andar pelos corredores, eu estava com um pouco de tontura e suava muito, devia estar queimando de febre.


Escutei passos atrás de mim.


–Peter eu não te disse para ficar com o grupo?!-Gwen parecia um pouco brava.-Nossa, você está bem?-ela mudou totalmente seu tom.


–Sim.-menti.


Uma tontura muito forte fez com que eu precisasse me apoiar em uma mesa para não perder o equilibrio.


Gwen rapidamente já estava me segurando.


–Nossa, você está muito quente e suando muito.-ela realmente estava preocupada- Vem cá, senta aqui.


Ela me guiou até um banco, me sentei e ela se sentou ao lado.


–Peter, eu já acabei meu trabalho hoje, vou embora daqui uns vinte minutos.-olhei para seus olhos não entendendo o que ela queria dizer.-Você vai embora comigo quando meu pai vier me buscar, ele te deixa na sua casa...


–Não. Eu posso ir sozinho. Obrigado Gwen...-eu não estava bem, mas não queria dar esse trabalho para a loira.


–Peter, você quase desmaiou, não está em condições para pegar metrô. E eu sei que seu tio trabalha a tarde toda.


–Acho que eu só tive uma queda de pressão.-disse enquanto levantava do banco.-Tá vendo? Já estou bem melhor.


Gwen se levantou também.


–Certeza?-Ela perguntou arqueando as sobrancelhas.


–Certeza.-respondi sorrindo.


Gwen tirou um papel em branco de sua pasta e tirou uma caneta de seu bolso. Começou a escrever e me entregou o papel.


–Tudo bem sr. teimosia, caso não se sinta bem você me liga e eu vou te buscar com meu pai em qualquer lugar que você esteja.-ela queria ter certeza de que eu estava realmente bem.


–Obrigado Gwen.-eu disse guardando o papel em meu bolso e sorrindo pra ela.

Notas finais
Eu tive que escrever bastante porque eu tinha bastante coisa pra falar nesse capítulo, então coloquei numa forma que fizesse uma ligação com o próximo capítulo. pf comentem!!!!!!!!!!!