Transformado Pelas Trevas.
30 Visão Concreta.
Notas iniciais
Shaunee, Aphrodite e Stevie decidiram dormir no quarto que eu e Vee dividíamos. Estava em minha cama com Stevie ao meu lado. Vee estava com Shaunee e Aphrodite em um saco de dormir no chão. Ela tinha acabado de nos contar sobre sua descoberta sobre Marcie Millar ser sua irmã.
– Podemos dizer que parcialmente vocês se parecem. – Disse Vee. – Vezes por outra Marcie pintava os cabelos de loiro bem platinado e se colocássemos ambas lado a lado as aparências e o jeito iria lembrar muito e...
– Meus cabelos loiros são naturais Vee! – Berrou Aphrodite interrompendo.
– Ela está querendo dizer que vocês se parecem fisicamente. – Interveio Stevie.
– Pensando bem. Se parecem mesmo. – Comentou Shaunee.
Eu tinha de contar? Tinha de contar que forças extremas estavam por trás daquilo tudo? Eu não sabia o que fazer, não sabia o que falar ou como agir. Eu precisava de respostas sobre Mão Negra e sobre o que ele queria para conosco. O que ele queria com Patch. O que ele queria com sua filha biológica, o que ele queria de nós.
– Nora? – Pareceu repetir Stevie.
– Sim?
– Está ouvindo baby? – Indagou Vee. Eu acenei positivamente. Todos os olhos estavam voltados para mim.
– Aphrodite quer saber por que Hank veio atrás dela e porque ela sente que ele continua a perseguir. Como poderemos fazer isso? – Indagou Shaunee de um modo curioso. Olhei nos olhos de cada uma, com uma ideia em mente.
– Um círculo. É claro! Como não pensamos nisto antes? – Indaguei para mim do que para as outras garotas do quarto.
– É mesmo. Temos todos os elementos aqui. – Disse Stevie sorrindo.
– Podemos fazer isso amanhã, assim que anoitecer. – Disse Vee também sorrindo.
– As respostas serão entregues. – Disse Shaunee sorrindo e afunilando seus olhos nas laterais.
– Obrigada garotas. – Aphrodite soou doce e diferente. Suas sobrancelhas se enrugaram. – A bebida deve ter subido muito, para eu estar agradecendo. – Todas rimos.
– Boa noite ou bom dia, nunca vou me acostumar. – Eu anunciei e todas com alguns risos altos e murmúrios longínquos se despediram antes de seus corpos se repousarem confortavelmente sobre o colchão. Nós dormimos e descansamos as danças da noite e sim, meus pés estavam inchados do modo que eu queria.
Estávamos no muro leste da Morada. Damien estava conosco assim como Cameron, Scott e Patch. Nossas roupas eram simples e nossos rostos ainda estavam inchados pelo cansaço.
– O que vamos fazer realmente neste círculo? – Perguntou Damien com os braços cruzados e os fios levemente arrepiados e descoordenados.
– Perguntas para nossas dúvidas. – Respondeu Aphrodite. – Precisamos descobrir quem é Hank Millar e o que quer comigo. – Ela disse o nome de seu pai com indiferença e sem qualquer brilho no olhar. Disse de um modo seco e rude, como se não fosse filha do mesmo, na verdade, como se nunca houvesse sido filha do mesmo.
– Vão insistir nisto? Só porque tem o sobrenome de Marcie? – Indagou uma voz ríspida para o assunto, querendo fugir de todas as maneiras do mesmo. Nós olhamos para Scott que havia acabado de pronunciar a pergunta enquanto Cameron cerrava os punhos e Patch engolia em seco com os olhos fixos no nada.
– Sim. – Começou Aphrodite com a voz decidida. – Vamos insistir sim. O mundo não gira com dúvidas, meu bem. Precisamos de todas as respostas e quanto antes melhor.
– Ok, cada um nos seus lugares. – Eu disse e todos obedeceram imediatamente, identificando pelo elemento a direção que se encontrariam deixando-me no centro para representar o espírito. Aphrodite se afastou com os três Trevas enquanto ambos olhavam curiosos para o círculo formado.
Só de estarmos em nossas posições o elo visível em brilho ligava nossos corpos um ao outro.
– Abençoada seja! – Saudei e todos próximos repetiram. – Não usaremos vela com o fogo afetuoso, o ar de meus pulmões nos auxiliara neste círculo. – As palavras saíam automaticamente, como se minha sabedoria fosse maior do que a que conhecia.
Meu corpo ficou de frente para Damien que me saudou de um modo respeitoso. – Ar. Esteja conosco nas horas duvidosas e com seu modo brando espalhe a paz e retire o medo de nossos corações. Ar! Eu vos invoco. – Eu disse a última parte um pouco mais alto do que o normal e logo em seguida assoprei de um modo suave em direção ao coração de Damien.
O ar rodopiou nossos corpos mediante ao sopro. Nossos cabelos se afastaram de nossos rostos e nossas roupas se elevaram de nossos corpos, o ar mostrou toda sua força. Andei em sentido horário e fiquei em frente à Shaunee que já me aguardava ansiosamente.
– Fogo! Venha para nós nesta noite e nos embale com seu calor. Tire-nos as dúvidas. Afaste os receios e deixe apenas o seu calor acolhedor para conosco. Fogo! Eu vos invoco. – O ar saiu de meus pulmões em direção ao coração de Shaunee e logo nossa pele se esquentou como em um dia de sol e também pudemos escutar o som de toras em brasas fornecendo uma fogueira. O fogo estava conosco.
Segui para frente ao torso de Vee que estava sorrindo já me esperando. – Água! Lave todo o medo. Mexa-se em nosso torno, nos deixando poderosos com seu modo brando. Lave os receios e limpe as mentes para que possamos aceitar a verdade; apenas a verdade. Ar! Eu vos invoco. – O ar saiu entre meus lábios em direção ao lado esquerdo do peito de Vee. Todos arfaram e eu abri os olhos. Vee estava lá, aqueles olhos azuis tomaram o verde de seus olhos por completo. Seus cabelos se abanavam; úmidos e seus lábios estavam azuis, sua pele clara. Ela parecia uma sereia, bela de um modo discreto, mas que nos intrigava.
Eu engoli em seco e prossegui ficando em frente ao torso de Stevie que ainda estava estupefata com a visão. – Terra! Eu lhe chamo para que plante a raiz da sabedoria em nossos corações. Saúde-nos com o início da vida e nos ensine a vencer e a passar por todas as barreiras. Terra! Eu vos invoco. – O ar foi tomado por um odor de grama recém-cortada e com o odor de uma macieira ao longe. Eu farejei o ar, em busca de mais, mas a única coisa que senti foi a grama recém-cortada sob meus pés. A Terra estava conosco.
Fui ao centro do círculo e eu sabia que a parte mais importante havia chegado. O círculo estava completo, só faltava o fio inebriante e bruxuleante ligando meu corpo ao dos demais. – Espírito! Esteja conosco em busca da sabedoria. Mantenha nossos corpos firmes para o que ocorrerá. Mantenha nossas mentes limpas e livres de medo. Esteja conosco, assim como está com todos. Espirito! Eu vos invoco. – Meu interior deu um salto feliz em minha barriga e eu não pude deixar de sorrir, mas ouvi o som de todos oscilando ao meu redor.
Um pouco receosa ao início eu abri os olhos. E lá estava uma forma fantasmagórica e não completa. A mesma deixava somente o busto do rapaz à mostra, o resto de seu corpo terminava com uma cor branda e brilhante bruxuleando, mas o que realmente me chamou atenção foi sua aparência. Seus cabelos loiros grossos bem arrumados; sua pele bronzeada; suas vestes brancas realçando o tom violeta de seus olhos. Seus olhos roxos me encaravam com uma expressão dura. Seu queixo estava pressionando os lábios, deixando o maxilar trincado. Seu rosto era rude, mas no mesmo instante era belo e saudoso, sua pele continha um brilho próprio.
– Você não pode traçar o círculo! – Começou ríspido em minha direção. O ponto que me ligava a Patch pulsou e seu corpo me enviou arquejos de reconhecimento, eu senti minhas pernas fraquejarem, mas não eram as minhas, eram as de... Patch.
– O que? – Indaguei rapidamente. O poder dos elementos levantou meus cabelos e retesou o ar ao nosso redor. O chão tremeu. Repentinamente uma memória me ocorreu. “– Vocês estavam no muro leste da morada, tentando traçar um círculo. Não sei para que, pois não sinto as emoções, apenas vejo vocês lá. Só sei que do nada, aparecia um cara se sentindo o dono do Mundo e dizia que não queria que você traçasse aquele círculo. Ele queria outra pessoa.” A voz de Aphrodite na minha memória soou desesperada e agora entendíamos o porquê. Ela estava no seu próprio corpo, que estava desesperado por respostas. A visão de Aphrodite estava se concretizando.
– Não está ligada diretamente com os céus! – Ele respondeu novamente. – Outra pessoa precisa traçar o círculo. Uma pessoa mais serena, com alma mais pura que a sua. – Terminou.
– Diga o nome então. – Eu respondi. – Quando disser quem precisa traçar o círculo a própria traçará.
– A pessoa não precisa necessariamente traçar o círculo, mas sim tirar as dúvidas. Na verdade ela não poderia traçar um círculo, não comanda todos os elementos como você Nora Redbird. – Ele terminou com meu nome completo, o que me chocou de início, como poderia saber meu nome? Ninguém havia dito o mesmo naquele instante. – Continuando. – Disse ele. – A pessoa sabe que tem de ser ela. Não posso e não vou dar ordens. Você. – Ele pronunciou olhando em direção ao céu. – Você sabe de quem estou falando, dê um passo à frente meu anjo. – Murmurou.
Eu olhei nos olhos de todos do círculo. A pronuncia da visão de Aphrodite voltou. “Ele queria a caipirona.” Dizia ela. Olhei nos olhos de Stevie, seu rosto já estava molhado por lágrimas e foi quanto notei seus cabelos mais louros que o normal, e a luz que tomava seu corpo se igualava a do homem que surgiu no centro do círculo mágico. Stevie deu um passo à frente, respondendo ao chamado do homem.
Não havia mais lágrimas, desespero ou terror em seu rosto ou olhos. Stevie me olhou ceticamente com os braços cruzados atrás de seu corpo. – Nora, tome meu lugar durante este tempo. – Disse ela ainda doce. Eu precisava confiar no que Stevie pedia e tinha de confiar na visão de Aphrodite e também precisava de respostas, por todos nós. Tomei meu lugar no elemento Terra e logo Stevie estava encarando o homem bruxuleante.
– Sua coragem me agrada. Tire suas dúvidas.
– Porque eu tenho de fazer as perguntas? Eu sinto que tenho, mas ainda não entendo.
– Comunicação com os céus. Um novo ponto surgirá em breve. – Respondeu.
– As perguntas não eram para serem dirigidas a você. – Pronunciou Stevie com absoluta certeza no que dizia. A expressão do rapaz de branco se alterou e ele engoliu em seco.
– Estou no lugar do segundo Arcanjo de Deus. – Ele informou ainda com dor nos olhos.
– Era o terceiro arcanjo? – Indagou Stevie e o rapaz respondeu com um aceno positivo. – Preciso de seu nome. – Continuou com certeza.
– Me chamo Daniel. Daniel Grigori Srtª. – Ele informou. Espera! Um arcanjo? Ele veio dos céus para responder nossas perguntas sobre Hank? Arcanjos. Poderosos como sempre me informara Patch e como sempre me instruíra Cameron.
– Também preciso saber o nome do Arcanjo que você tomou o posto. – Ela informou novamente.
– Ele se chamava Jev. – Ele falava diretamente, sem hesitações. Meu ponto saltou e retornou ao seu posto. Meu sétimo ponto saltou e não foi por emoção minha. Meu coração foi dominado por palpitações agudas, mas o que eu estava sentindo no mesmo eram os sentimentos de Patch e não meus. Mas que reação era aquela?
– Vou pronunciar as perguntas em nome do mesmo. Não posso lhe perguntar. – Ela disse novamente.
– Mas ele caiu.
– Não importa. Ele era o anjo mais alto e você tomou o posto do mesmo. As perguntas serão dirigidas com o nome do mesmo e você responderá. – Ela disse ríspida. Daniel fez um sinal com a cabeça para que a mesma prosseguisse. – O que Hank realmente é? – Agora a verdade viria e eu entenderia tudo. Assim como todos seriam informados sobre a verdade sem a mesma sair de meus lábios.
– Hank é o nefilim mais poderoso. Nós o vigiamos desde que nasceu e fez com que seus filhos se espalhassem por cantos diferentes pelo Mundo, para que não achássemos os mesmos. Há uma cria encoberta por uma névoa, mas é melhor assim, pois se Hank a encontrar algo muito ruim pode acontecer a mesma. Mas o mesmo não é conhecido por seu nome dentre seu exército.
– Diga o nome então. – Pediu Stevie. Eu engoli em seco.
– Ele é conhecido como Mão Negra. Há outros apelidos, mas este é o mais usado. O mesmo usa forças do mal para conseguir o que quer, mas temos sua vida em nossas mãos. Não podemos simplesmente mata-lo. Alguém tem que querer e o motivo têm de afetar a todos. – Disse ele. Era verdade! Hank Millar pai de Marcie e Aphrodite era Mão Negra e pela conversa que ouvi nas memórias de Cam, Patch protegia uma das duas, ou ambas...
– Ele está planejando algo?
– Sim, mas não está sozinho. Hank ou Mão Negra está agindo com alguém que vocês conhecem muito bem. – Ele pronunciou olhando para cada um de nós. Seu olhar se demorou mais em mim e logo depois em outra figura atrás de meu corpo. Eu não iria me virar, naquele instante eu não me importava. Ele poderia ter reconhecido Aphrodite como a filha supostamente perdida. – Ele está agindo com Laurel Neft, seus planos são terríveis.
– Impeçam. – Vociferou Stevie com a voz embargada e com os olhos semicerrados.
– Esta guerra não é nossa. Só podemos liberar a morte do mesmo com um pedido. Sem pedidos: sem morte. E vocês estão mais envolvidos nesta batalha do que eu próprio.
– Ele tem uma filha perdida? – Stevie indagou e desta vez engolimos em seco em uníssono. Descobriríamos se era verdade.
– Sim. Ele a procura dia e noite. Mas nunca encontrou ou sequer chegou perto. Meu tempo está acabando. – Ele avisou e avistamos sua luz enfraquecer levemente e sua figura se tornou parcialmente transparente.
– Podemos derrotá-lo? – Indagou Stevie aflita.
– Só quando você descobrir sua nova qualificação e você mesma se pronunciar em um círculo mágico aos céus, mas como você mesma disse. Deve pedir ao antigo Arcanjo mais poderoso, Jev. – Disse Daniel e após suas palavras havia apenas um borrão com pingos reluzentes onde ele estava.
– Feche o círculo. – Eu pedi. Stevie agradeceu a cada um dos elementos de trás para frente e assoprou em direção ao coração de cada um de nós. Havia acabado.
Eu me virei e encontrei Aphrodite jogada contra os braços de Cameron que afagava seus cabelos arduamente. Ela estava chorando e pálida.
– A visão Nora! – Ela arfou. Eu acenei positivamente, concordando com a mesma.
– Que ponto é esse? – Indagou Stevie olhando para o céu enquanto Vee lhe abraçava pelo ombro.
– Fizemos o círculo mágico para tirar dúvidas e não para criar mais estas. – Disse Shaunee olhando para seus próprios pés. E eu sabia que aquilo era a verdade mais alta da noite. Quem era Jev? Porque Patch se assustou? Quem eram os filhos de Mão Negra? Que grande batalha estava chegando? Mas, acima de todas as questões nós tínhamos a resposta. Mão Negra era Hank Millar e procurava algo que todos sabíamos onde estava.
Notas finais
Tenho de lhes contar esta novidade!!!! Estou me segurando para não estourar!!! Mas, conto ou não conto? Ah, eu não sei! Prefiro guardar segredo e quero que vocês me acompanhem no meu novo projeto... Acho que escapou!!!
Beijão e até quando der s2
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