Transformado Pelas Trevas.
21 Veracidades.
Notas iniciais
Música para escutar enquanto lê: Talk - Coldplay.
Boa leitura anjos! s2
Estava sem sono, literalmente. Então fui até a fonte de Nyx com um roupão cobrindo-me o corpo. Ninguém havia chegado e, todos na Morada – esperava eu – estavam dormindo neste instante. Não que eu precisasse ficar sozinha, mas eu precisava estar desperta para quando Vee chegasse, eu queria cuidar dela se houvesse necessidade, queria estar por perto e não longe ou até sonhando. Isto seria maldade com minha melhor amiga desde os sete anos. Estou desesperada de saudades dela e principalmente com uma preocupação árdua, que está machucando meu coração profundamente.
Sinto que hoje, quando finalmente anoitecesse – já que trocamos os dias pelas noites – eu teria de construir a jaula com Laurel, sei que era errado confiar nela. Mas, as palavras da Deusa me levaram a isso e sei que se algo der errado, terei de ter força suficiente para fazer dar certo. E sei que no fundo da minha alma, esta força está guardada a sete chaves e que Laurel, deveria ter um real medo caso esta força se soltasse. Caso este poder se voltasse contra ela; apenas ela.
— Nora? – Indagou uma voz máscula, sem dúvidas de que seria eu mesma parada ali e sozinha. – Sou Rixon, amigo de Patch. Só vim te avisar que estamos indo. O Jeep está encostando-se ao estacionamento. – Terminou e quando me virei em sua direção para dar quaisquer respostas ele virou as costas indo embora. Era o garoto das memórias de Patch. Com o mesmo nariz rude e o queixo abrupto também, seus olhos levemente apertados e sua pele morena com os cabelos suavemente despenteados.
— Obrigada. – Sussurrei. Ele fez um gesto com a mão em resposta sem parar de caminhar ou sequer olhar para trás. Pulou facilmente um muro entre tantas árvores daquele local e se foi de um modo rude.
O Jeep Commander de Patch realmente encostou-se ao estacionamento. Ele desceu do volante e Cam também desceu ao seu lado. Eu fiquei imóvel. Scott não estava ali. Será... Que algo havia ocorrido? Ninguém me viu imersa nas sombras e a distância. Cam foi até a porta do passageiro e abriu a mesma estendendo os braços, esperando por algo. Patch esperava próximo ao capô do Jeep. Cam puxou um corpo claro demais e quase azulado. Seus cabelos loiros esbranquiçados estavam úmidos e sua pele também, ela estava envolta em um grosso casaco masculino. Scott desceu e fechou a porta do Jeep atrás de si, logo tomando o corpo de Vee novamente em seus braços. O corpo da mesma estava inerte, ela não fazia nenhum movimento. Meu coração deu um salto, um salto de desespero, mas eu sentia, sentia que ela... Ela estava bem, podia sentir isso. Mas, porque estava ensopada?
Sai de meu posto imóvel e corri em direção à cena. Eu tinha de saber o que havia acontecido, não podia ficar nesta angústia. Patch foi quem me viu primeiro, e vi seus ombros despencarem em alívio. Corri para o mais próximo de Vee, sem falar com nenhum dos rapazes. Vee – finalmente – estava ali, eu sentia que minha melhor amiga estava próxima.
Eu olhei para seu rosto inerte e seus lábios roxos. Ela estava desacordada, mas podia sentir pela conexão dos elementos que ela estava bem. Estava viva.
— Ela... – Tentei indagar, mas minha voz simplesmente falhou.
— Ela está viva Redbird. – Soou Scott de um modo alegre e sincero. – Só precisa descansar realmente. Ela está em um sono bastante profundo que Patch impôs. – Encaminhei meu olhar a Patch, que parecia realmente um pouco cansado. Seu rosto estava pálido e seus olhos estavam com olheiras. Ele estava cansado. – Vou leva-la para o quarto que ambas dividem, seca-la e coloca-la para realmente dormir agora. Boa noite Redbird. – Terminou Scott passando por mim e depositando um leve beijo no topo de minha testa. Scott se foi, com minha melhor amiga em seus braços. Enxuguei as lágrimas que ousaram cair com as costas da mão.
— Tá legal. Eu preciso ver Patch. – Pedi com precisão. Eu precisava saber o que havia ocorrido lá dentro.
— Só Cameron poderá lhe mostrar anjo. Vou ficar aqui no banco da frente e vocês no banco de trás. – Disse ainda de um modo rude.
— Quero ver em suas cicatrizes. – Disse com precisão frisando a palavra “suas”, para que ele entendesse que aquilo era importante para mim.
— Não posso entrar no esconderijo de Mão Negra, só Cameron e Scott entraram anjo. – Informou de um modo mais calmo. Podia ver que ele estava tentando esconder algo por seus olhos, mas tão repentinamente como veio aquele lampejo desapareceu.
— Vamos Nora. Você tem muito que ver e descobrir. – Disse Cam imperativo retirando-me de meus devaneios, enquanto abria a porta do passageiro e sentava-se no banco deixando espaço para mim. Sentei-me ao seu lado e fechei a porta do veículo atrás de mim, enquanto Patch fazia o mesmo, ainda no banco da frente. – Vou fazer você ter uma breve visão do que passamos esta noite. – Disse precisamente.
— Será melhor anjo. – Patch decretou enquanto olhava-me nos olhos pelo retrovisor central.
Cam tirou o agasalho e a típica blusa negra que estava por baixo, deixando seu belo torso a mostra, pegou minha mão delicadamente entre seus dedos.
— Pronta? – Perguntou.
Como resposta, coloquei meus dedos sobre a ponta de sua cicatriz que não havia notado no dia da transfusão. E então fui literalmente engolida por uma escuridão de dúvidas. Fiquei ali submersa, no nada; no escuro.
“O que houve hoje? Como encontraram Vee?” Perguntei à escuridão, que logo me levou a resposta. Parei de sentir tudo à minha volta.
Eu estava em um carro. No Jeep para ser exata, mas estávamos em movimento e eu estava ao lado de Scott e não de Cameron, como na minha última lembrança. Relembrei por fim.
Estávamos em uma cidade morta, em uma cidade em que eu nunca havia estado. Havia casas, mas além de tudo havia vários galpões e prédios visivelmente abandonados com marcas de mofos; de vazamentos; vidros quebrados; sem portas; sujeira e poeira. Andamos por mais algumas quadras e Patch virou à direita, dando exatas cinco voltas no quarteirão.
— Não estamos sendo seguidos. – Disse Scott. – Vire a próxima à esquerda.
Patch sem pestanejar obedeceu. Não era do feitio de Patch obedecer assim, mas sei que ele estava sentindo meus desejos transcorrerem por sua pele. Meus desejos de que Vee voltasse o mais rápido possível para seu lar.
Estacionamos ao lado de um galpão semiabandonado, podemos dizer, pois havia luzes distantes acesas e jornais presos em todos os vidros das janelas do prédio de quatro andares, como que para tentar esconder algo de ilegal que faziam ali dentro; que acontecia ali dentro.
— Fique Patch, Hank vai odiar vê-lo, nos dê cobertura. Voltamos em breve. – Disse Cam, enquanto olhava para a paisagem inebriada ao lado de fora.
Cameron e Scott desceram olhando para ambos os lados da rua, Patch desligou o Jeep e eu segui atrás de um nefilim e um caído, andando juntos. Juntos por uma vida. Juntos para salvar uma vida. O mundo era realmente esquisito.
Após conferirem que não havia ninguém de guarda, Cam arrombou com um chute forte a porta de entrada. Logo minha visão foi tomada por homens surgindo de vários pontos. Sei que Scott e Cam ficaram confusos por suas feições. Os nefilins estavam tentando usar seus poderes em pessoas que conheciam muito bem este método. Eles nunca cairiam nos seus planos, nunca.
— Antas. – Soou a voz forte e debochada de Cam. – Isto não funciona comigo, ainda mais vindo de recém-chegados como vocês. – Terminou entredentes.
As expressões dos demais ficaram confusas e alguns – mesmo que de um modo hesitante – começaram a desaparecer de um modo bem rápido. Ah. Perceberam que Cam era um caído. E que poderia forçar jurar seu próprio corpo.
Scott seguiu à frente, saindo da área do galpão cinza e subindo por uma escada que teimava em balançar com nossos corpos.
— Ela está naquele quarto. – Disse Scott enquanto apontava para um corredor em que havia uma porta dupla fechada e dois seguranças bem brutamontes à soleira. – E aqueles são veteranos. Quase braços direitos de Hank. – Continuou o mesmo indicando os enormes rapazes parados com os olhos focados em nada.
Hank, quem era este homem? Pensei que estávamos em alguma área proibida de Mão Negra e não de um humano qualquer.
Ambos seguiram em frente. Os brutamontes os notaram e Cam saiu correndo em disparada, seu punho atingiu em cheio o rosto pálido de um dos homens. Scott foi com um chute certeiro ao centro do peitoral do outro homem. E então começou a guerra de testosterona. Scott prendeu seu adversário em uma chave de braço e o derrubou com uma rasteira, pousando sobre suas costas e depositando cotoveladas fortes contra a cabeça do rapaz que logo desacordou inerte no chão.
Cam estava segurando a cabeça do outro brutamonte entre as mãos e chocando a mesma contra a parede empoeirada daquele local. O outro rapaz também desacordara.
Scott – com um chute – arrombou a porta dupla e eles entraram ainda estupefatos no local. Ambos estavam suados e respiravam ofegantemente.
— Ora ora. Você Scott? – Perguntou uma grossa voz.
Segui a passos largos até a entrada e avistei um rapaz com aparência de um garoto púbere com cabelos louros tomando-lhe a testa. Seus olhos azuis cintilavam na claridade cândida do quarto com uma janela de vidro de canto a canto. Havia uma caixa d’água e um corpo inerte lá dentro, a mesma era transparente o que revelava o corpo. A água estava até o topo e só não se chocava contra o chão graças a uma tampa ali presente, o que também impedia que quem quer que estivesse lá dentro subisse para tomar folego, eles tentaram afogar alguém... repentinamente me abateu a resposta. Vee. Pensei comigo mesma, ela estava lá dentro daquela caixa d’água.
— Hank... Ou devo dizer Mão Negra? – Scott pronunciou as últimas palavras com certo nojo. Ok, Hank era Mão Negra e Mão Negra era Hank. Bela revelação para a noite. Deveria guardar aquelas lembranças. Guardar em minha mente e em meu coração e não me deixar levar pela beleza de Hank.
— Tirem Vee daí! – Comecei a berrar, mas tomei conta de que ninguém nunca iria me ouvir. Eu só estava como uma espectadora. Ou simplesmente vendo um filme no cinema, daqueles em que berramos inutilmente, pois nada ocorreria.
— Ela não tem o que você quer. Ela não é quem você procura e você nunca conseguirá mata-la afogada Hank. – Avisou Scott. – Sua qualificação dada pela Deusa, impede a mesma disso.
Cam não aguentou e soltou uma risada árdua. Hank lhe encaminhou um dos piores olhares e dois homens deram passos vacilantes à Cam, mas Hank os interrompeu com um gesto de mão.
— Conte-me mais, inteligência. – Zombou Hank.
— Ela domina a água, ela poderia não saber disto no início, por isso ficou desesperada, mas agora ela sabe que tem a capacidade de respirar debaixo da água, ou fez algo para permanecer ali por tempo suficiente. E ela poderia machuca-los com a mesma.
— Solte-a. – Disse Cam com os dentes rangidos. – Não vai conseguir nada com isto, só mais inimizades com caídos e Qualificadores. Você sabe disto muito bem. Sabe que está supostamente ameaçado por um jovem, Hank. Mas, mantendo esta garota presa? Você nunca trará o nefilim poderoso até aqui.
Hank pareceu pensar e o que era supostamente impossível aconteceu. Hank fez um meneio com a cabeça, confirmando e sorrindo. – Saiba que vou encontra-la. Pois sei que o novo nefilim na verdade, é a nova nefilim. Vou encontra-la e deixa-la trancafiada nos fundos de um destes meus galpões. Saiba que vou até o inferno se for preciso para trazê-la à minha frente. Teremos de ver quem é esta garota tão poderosa. Levem a menina que já não estava servindo para nada, só para ocupar espaço e lotar minha mente de preocupação. E a propósito digam a Patch, que ele não fugirá de mim por muito tempo. Encontrarei minha filha biológica, queira ele ou não. E a farei dominar o que um dia fora meu. Ela seguirá o mesmo caminho que o pai. – Eu me senti ameaçada. Completamente ameaçada, as palavras de Hank não chegaram à minha mente e sim ao meu coração. Senti que ambas as ameaças dele foram diretamente para mim e, aliás, Patch fugindo? Fugindo de quê exatamente?
E então tudo ao meu redor começou a se desfazer em minúsculos pedaços. Eu estava caindo e, caindo até que me dei conta de que a escuridão me tomou novamente e a última coisa de que me lembro, foi de cair sobre os braços firmes de Cam e sair das lembranças do mesmo.
Antes de abrir os olhos, sabia que estava na minha cama, pois os lençóis sob meu corpo eram de uma microfibra divina. Já deve ser noite, pois não estava nada claro ao meu torno. Abri os olhos, sem receio algum e vi a cama de minha melhor amiga preenchida. Vee, ela chegou ontem. Ah Deusa! Eu havia esquecido completamente. Desmaiei nos braços de Cam após ver suas memórias.
Saí de minha cama e fui ao encontro da cama de Vee. Sentei-me na beirada da mesma. Vee estava com as madeixas secas, a pele não estava úmida nem muito menos pálida e ela dormia em um sono profundo; sereno. Não queria acordar ela, mas já estava na hora mesmo.
— Vee? – Chamei enquanto chacoalhava seu ombro.
— Que é? – Disse em um tom rude.
— Hora de acordar. – Disse novamente.
— Não tô muito afim não, sabe. – Disse em um típico jeito de Vee. – Mas, voltei para a Morada. Sinto isso ao meu redor. Não me diga que hoje é dia de semana e que teremos aula. Ah droga!
— Olha, você adivinhou.
— Não me diga. – Disse sarcasticamente. Ela se levantou ainda de olhos fechados, sentou-se com as costas apoiadas na cabeceira da cama e os abriu lentamente. – Não grite. – Avisou-me. Porque ela me avisou sobre isso? Eu não tinha motivos para gritar. Poderia gritar de felicidade por ela estar ali, mas seria tudo muito histérico, coisa que odeio.
E, então eu entendi. Ao ver Vee abrindo os olhos, foi que notei. Seus olhos não estavam com o belo tom esmeralda de sempre. Eu não conseguia nem ver a parte branca do mesmo. Eles estavam em um tom de azul; azul marinho. Cobri minha boca com ambas as mãos em concha e, antes que ousasse perguntar algo. Vee respondeu aos meus devaneios. – É o poder Nora. Eles tentaram me afogar, mas parece que isso só me fortaleceu. Desde o segundo dia embaixo d’água por horas a fio, percebi os olhos azuis. Incrível né? – Disse com um sorriso no rosto.
— Ah minha Deusa! – Eu exclamei. – Ficou sem respirar em baixo da água Vee?
— Mais ou menos por aí, é difícil de explicar, mas consegui controlar a água em torno da boca e do nariz, e aí deu nisso.
— E os olhos como ficam? Já eram para ter sumido né?
— Acho que sim. Vou tomar uma ducha de água quente, aí provavelmente deve sair. Mas, baby! Tenho que lhe dar um abraço de urso! Estava com tantas saudades de você! E, bem no dia em que iria chegar, aqueles capangas me arrastam da minha cama maravilhosa! – Exclamou. Então levantei meu corpo e parei ao lado da cama. Vee levantou com um sorriso pendendo em seus lábios e me abraçou; me abraçou fortemente apoiando a cabeça em meu ombro. Eu correspondi à força do abraço e apertei o corpo de Vee entre meus braços. “Obrigada Deusa.” Sussurrei mentalmente. Vee estava aqui e, agora estava tudo bem. Pelo menos eu esperava que estivesse.
Notas finais
Até o próximo e tenho uma novidade para vocês! Estou escrevendo uma nova fiction, mas não vou abandonar essa - jamais -, mas a outra fiction está quase pronta. O nome PROVAVELMENTE será: O Guardião e sua Protegida. Por enquanto é este, qualquer novidade e aviso. Bejunds s2
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