Transformado Pelas Trevas.
32 Medo à flor da verdade.
Notas iniciais
Cameron
Patch optou por dormir no subterrâneo esta noite. Nós sabíamos o motivo, sabíamos também que elas teriam de obter todas as respostas por conta própria. Teriam de descobrir sozinhas e não com uma – nem sequer pequena – ajuda nossa. Estava sentado em minha cama, pressionando minhas têmporas, numa tentativa não sucedida de aliviar todo o nervoso que me percorria. Alguns toques hesitantes soaram a soleira da porta. Me levantei e abri a mesma em um baque, encontrando o rosto ainda inchado de Stevie. Ela ainda estava confusa com todos e cada um dos acontecimentos.
Olhei em seus olhos e mesmo com a penumbra do quarto e do corredor pouco iluminado por luz de lamparinas consegui vislumbrar a leve e imperceptível tristeza, mas havia um motivo para esta tristeza.
Seus braços pesavam em torno de seu torso e ela me olhou nos olhos enrugando os lábios, tentando em vão segurar seu choro. Eu engoli em seco, sem nenhuma outra melhor reação.
— Não quero perder você. – A declaração foi direta, sem voz embargada ou pensamentos confusos. – Não quero me transformar em algo que não pode ter você. – Seus olhos – que antes se encontravam fitando o nada – me olharam nos olhos, senti faíscas em meu corpo, ignorei.
— Stevie... – Tentei iniciar, mas ela me impediu com seu dedo gélido pela noite sobre meus lábios.
— Sei que sou anjo, mas eu quero você Cameron. – Ela declarou novamente.
— Não pode querer um caído Stevie, há muitas outras espécies por aí.
Ela entrou no quarto, sem pedir permissão e sentou-se pesadamente em minha cama. Tranquei a porta e me sentei na cama de Patch.
— Sinto muito por sua perca. – Ela iniciou. Seus cabelos estavam desgrenhados sem revelar o motivo. Seus olhos inchados, mas ainda assim brilhosos. Seus lábios e faces ruborizados. Ela ficava ainda mais bela à meia luz. – A perca de seu primeiro amor. – Ela completou agora engolindo em seco e me olhando diretamente nos olhos.
— Prefiro não tocar no assunto. – Fui seco. Grosso. O assunto nunca me agradou. O primeiro amor sempre mexe conosco, o tempo pode passar e tudo pode mudar, mas a dor ou simplesmente os momentos do primeiro amor nunca se apagam de nossas memórias e muito menos de nossos corações. Eu sempre irei me lembrar do meu primeiro amor e quero lembrar da mesma com felicidade e não com tristeza por ter caído e encontrado minha amada e logo depois a perdido. As coisas são muito complicadas.
— Entendo, é bem delicado. – Sua voz soou constrangida por ter iniciado o tipo de conversa.
Alguns segundos de silêncio cortaram o tempo, até que o som dos passos de Stevie tirou-me de meu torpor. Ela estava caminhando em minha direção. Seus fios ondulados balançando com sua brisa própria, seu rosto ruborizado. Ela sentou-se ao meu lado, levemente virada em minha direção enquanto fitava parte do meu rosto. O toque do seu ombro no meu causou palpitações. Eu estava confuso. Muito confuso.
— Quero você. – Ela disse doce. – Não quero perder o que sinto por você.
Virei meu rosto em sua direção e fitei seus olhos fluorescentes doloridos. – Nunca vai me perder, assim como nunca vou te perder. Sempre estará aqui. – Eu iniciei tomando uma de suas mãos e colocando a mesma sobre meu peito esquerdo, indicando o coração. Ela olhou na direção de sua mão e sorriu com a insinuação, não sei se foi de felicidade ou tristeza, mas uma única lágrima rolou por sua face direita, sua mão permaneceu ali. – Nossa história estará gravada no tempo. Sempre.
— Queria que tudo fosse fácil. Assim como você enxerga as coisas. – Ela disse e suspirou, finalmente olhando em meus olhos.
— Nem tudo é tão fácil Stevie. Há sacrifícios pendentes em nossas vidas.
Ela hesitou, mas após alguns milésimos de segundos sua testa tocou a minha e permaneceu ali enquanto fitava meus olhos. Rocei meus lábios nos seus, sem medo do perigo. Meus lábios arderam implorando por mais. Seus lábios se entreabriram, aguardando e nos fundimos em um beijo profundo. Puxei sua cintura, até que seu quadril sentasse de lado em minhas coxas. O beijo estava profundo. Com um pedido de desculpas entre os lábios e um amor que nunca deveria ter iniciado nas línguas que se tocavam.
Respirávamos arfando, procurando por ar. Não poderíamos parar, por não saber quando teríamos mais uma oportunidade a sós. Somos de categorias diferentes, mundos diferentes. Suas mãos acariciavam meus cabelos, nossos corações estavam acelerados em um único compasso, eu poderia ouvir isso. Eles estavam altos, apressados.
Ela parou e respirou. Sugou meu lábio inferior e soltou um sorriso meloso. Logo depois a verdade lhe tomou novamente e ela abraçou meus ombros.
— O que preciso fazer? – Indagou. Eu sabia o que precisava fazer, ela com certeza sabia lá no fundo de sua alma, só precisava escutar da boca de outro alguém.
— Tem que ter certeza do que quer fazer. Pode haver reversão, mas as coisas variam muito.
— Me conte. – Implorou. Sua voz já estava embargada e seu coração estava batendo lentamente, aguardando por respostas, estava ansiosa.
— Vai precisar... Cair... Arrancar as asas que acabou de conquistar.
Nora
- Vocês foram procurar um anjo? – Indagou Shaunee pela quinta vez, aquilo estava irritando.
— Já disse que sim! Você precisa de cotonetes, urgentemente! – Soou Aphrodite ríspida como sempre.
— A gente só quer saber o porquê. – Disse Vee.
Aphrodite me olhou, como quem pedia permissão. Stevie não estava no quarto. Olhei para Cameron, uma das pessoas mais próximas de Stevie. Seus olhos estavam em um verde escuro.
— Ela ganhou o ponto angelical. Por isso procurou um anjo. – Cameron não hesitou, seus olhos me fitaram e ele ergueu os ombros. – Teriam de saber em um ou outro momento.
Shaunee, Vee e Damien estavam com olhos surpresos e queixos caídos. Não estavam assustados, mas felizes. Feliz por Stevie. Sorri com a felicidade aparente de todos, saber que nenhum deles estava assustado me mantinha mais firme no eixo. Patch estava estranho, isto todos notavam, não havia como esconder. Ele não estava tocando em mim como normalmente, estava com os olhos perdidos. Ele estava perdido em pensamentos. Agora quais? Nem eu sabia, tentei procurar por nossa ligação nos pontos, mas Patch havia aprendido a usar uma barreira entre nossos pontos.
Meus sentimentos e minha cabeça estavam ambos confusos. Havia tantas coisas com que se preocupar, inclusive a noite em que saímos para comemorar abriu mais portas de dúvidas. Mais uma filha de Hank, sabíamos que Aphrodite era a procurada pelo mesmo, mas... Ele também me procurava; procurava a nefilim puro sangue mais poderosa que ele, que poderia vir a acabar com todos os seus planos e era exatamente isto que eu pretendia fazer e cada um presente em meu quarto – tornando-o ainda mais aconchegante, devido ao calor humano – ajudaria um pouquinho com isto.
— Nora, responda! – Gritou Aphrodite próximo ao meu rosto, me tirando de meus devaneios mentais, ela fez bem, eu me afogaria lá se ninguém me salvasse.
— Pergunte.
— Cadê a caipirona? – Ela indagou com o apelido inventado pela mesma, eu já não me incomodava, nem Stevie se incomodava.
Lambi os lábios para responder, mas a voz de Cameron tomou forma. – Ela foi buscar Gabbe, para apresentar ao pessoal. Ele vai ficar bem presente daqui em diante.
Olhei em seus olhos e vi um misto de sentimentos indecifráveis. Dor? Raiva? Reconhecimento? Seus olhos me fitaram e um calor aconchegante percorreu minha pele, eu sorri de lado, lhe demonstrando meu afeto, mas também, minha dor interna e provavelmente externa.
— Ela vai trazer um anjo? – Indagou a voz de Shaunee interrompendo minha troca de olhar com Cameron.
— Cam acabou de dizer isso! – Respondeu Aphrodite.
— Ele deve ser bem lindinho. Adoro garotos loiros, assim, com aparência de anjo. – Uni as sobrancelhas, como Vee poderia dizer isso na frente de Scott? O mesmo pareceu nem se interessar ou se importar com o comentário.
— Anjos tem aparência angelical, bem típico Vee. – Scott devolveu sem olhar ou mexer um músculo.
Só então a essência de Patch foi notada, pude ouvir sua risada rouca. Sorri sozinha.
— Ninguém te perguntou nada. – Devolveu. Um clima bem estranho entre ambos, particularmente sempre notei que Scott não tratava Vee de um modo romântico, como quando um rapaz que você está gostando te trata. Como por exemplo, Cam com Stevie e Aphrodite com Cam. Uau! Um triângulo amoroso. Quantos triângulos...
— Tomara que este anjo ajude a tirar as dúvidas também e não crie mais. – Murmurou Damien.
— Oi pessoal! – Soou a voz animada de Stevie adentrando o quarto com uma silhueta musculosa logo atrás. Ouvi suspiros e notei que vinham de Vee e Shaunee. Sim, o anjo era lindo. Eu já havia o conhecido no ritual que impedi de Aphrodite. Ele tinha os cabelos castanhos curtos, músculos grandes e discretos. Era alto com uma pele bronzeada, os olhos levemente fechados e verdes e um par de lábios finos e úmidos. – Este é Gabbe Church, o anjo da Morada.
— Não mais o único. – Soou simpático, sua voz era grave com certeza nas palavras, sem falhas.
— Prazer. – Começou Vee se levantando e puxando o mesmo pelo pulso para dentro do quarto. Inicialmente ele pareceu sem graça, mas logo depois abriu um sorriso de canto e beijou uma face de Vee. – Meu nome é Vee, Gabbe. – Disse com um sorriso para logo depois sentar-se no chão.
— Olá Aphrodite. – Ele disse. – Oi Nora. – Ele soou novamente me olhando de soslaio. Sorrimos na sua direção. – Patch. Cameron e Scott, prazer. – Ele disse emitindo reconhecimento, os mesmos emitiram murmúrios de “olá”. Típico dos Trevas.
— Estes são Damien. – Começou Stevie enquanto seu dedo magricelo apontava a figura do mesmo sorrindo. – E Shaunee. – Terminou indicando a mesma que sorriu e acenou.
Apresentações feitas.
— Tem algo para contar? – Indagou Scott olhando a figura estática de Gabbe.
— Sim. Tenho de informar que nós. – Ele disse indicando a si mesmo e Stevie. – Temos a história do Céu, mas não estivemos lá. Somos os anjos da Deusa e estaremos sempre com ela. A mesma nos criou para sua própria paz e paz de seus filhos. Mas também temos a história do Céu, pela simples ligação. Também corremos o risco de cair, se quisermos é claro, e isso pode ocorrer dentre a passagem ou depois da transformação.
— Interessante. – Soou Aphrodite. – Bem interessante mesmo. Vê-la com asas e tudo mais me deu a impressão que ela iria para o céu.
— Não. – Começou Gabbe com uma risada abafada. – Se ela já foi humana, não é completamente pura para a essência de anjos do Céu. A Deusa acredita nisso, por isso matem os anjos transformados unidos a si e descemos quando há necessidade.
— Vocês vão ficar trancados com ela? – Indagou Vee com as sobrancelhas unidas em dúvida.
— Sim, no Mundo do Além junto a Deusa. Ajudando os anjos, verificando os caídos de lá, todas as coisas típicas de Céu, mas junto a Deusa no Mundo do Além.
— Credo. Serão privados de tudo isso aqui. – Shaunee concluiu.
— Ela nos entregou a qualificação, porque sabia que seríamos capazes de pensar nisto. Em ficar “trancados” lá. – Disse Gabbe novamente.
As informações estavam vindo com força. Isto significava que Stevie partiria para o Mundo do Além, ficaria longe de mim... Longe de todos. Olhei para sua figura e a mesma parecia ainda não acreditar no que teria que ocorrer para que ela definitivamente se tornasse anjo.
— Você tem asas? – Vee praticamente ronronou na direção de Gabbe que sorriu para a mesma fazendo um pequeno movimento em positivo com a cabeça.
— São brancas também? – Agora era Shaunee quem perguntava.
— Não. São prateadas. – Respondeu emitindo felicidade com as perguntas que lhe eram lançadas.
— Tá. Para o que exatamente você serve? – Indagou Aphrodite cruzando os braços.
— Aphrodite! – Repreendeu Vee.
— O que é? Ele sabe destas coisas, mas tem que ter alguma importância, principalmente dentre a horda de nerds. – Devolveu Aphrodite.
— A importância é que estou dois anos adiantados de Stevie, e com isso sei mais coisas que ela. Como por exemplo, em um círculo mágico, posso ajudar a mesma a fazer os questionamentos. A quem perguntar. O importante já ocorreu.
— O que? – Indaguei olhando em seus olhos verdes escurecidos.
— Ela reconheceu que aquele não era o Arcanjo mais alto.
— De cara! – Comentou Stevie.
— Como conseguiu isso? – A voz de Patch soou rouca, como se não falasse há muito tempo.
— Simples. Deu para ver que o primeiro Arcanjo de Deus tinha de ter a essência de antiguidade, Daniel Grigori não tem essa tal essência. – Ela respondeu sem pestanejar e sem erro nas palavras.
Patch respondeu com um aceno de cabeça, ele notou meu movimento e o lado direito de sua boca se curvou em um meio sorriso... Aquilo causou arrepios satisfatórios de reconhecimento, de sentimentalismo. Amava ele e não havia como ficar brava com o mesmo por muito tempo. Lhe devolvi um meio sorriso.
— A intenção é formular outro círculo mágico. – Começou Aphrodite. – Para lhe perguntarmos mais algumas coisas. Mas, lembre-se Stevie de sempre perguntar em nome de Jev. – Patch se remexeu. – Nunca diretamente para Daniel Grigori, digamos que quem está nos ajudando é Jev. Legal. Um Arcanjo que praticamente não existe. – Concluiu.
— Dizem, quem uma vez Arcanjo, sempre Arcanjo. – Interveio Gabbe.
— Continue com seu raciocínio. – Incentivou Scott.
— Há algumas aulas separadas para mim que são como particulares. Lá consta que uma vez Arcanjo sempre Arcanjo. Há história de Jev e sua queda, mas seu rosto nunca é apresentado. Jev era o Arcanjo mais importante para Deus. Os outros Arcanjos e até mesmo Deus parecem entender o motivo real de sua queda. O motivo que nos é escondido.
Meu sétimo ponto estava se repuxando, mas após as palavras doces pareceu se dissolver em lamentações e memórias... A sensação se dissipou.
— Teria como Stevie participar destas aulas, não teria? – Indaguei por fim.
— Claro toupeira. – Respondeu Aphrodite. Franzi as sobrancelhas em sua direção como se aquilo fosse completamente desnecessário.
— Sim, Nora. É necessário. – A voz de Gabbe respondeu. – Na verdade, é essencial.
— Tá legal! E quando ela começa com estas novas aulas? – Indagou a voz de Damien animada. Ele gosta de um estudo, até demais.
— O mais rápido possível. Na segunda feira após suas aulas, você poderia vir comigo. – Gabbe convidou Stevie que olhou em seus olhos e sorriu, concordando.
— Estão esquecendo-se de algo. – Começou Scott. – Lembra que não queríamos que Laurel descobrisse? Assim vai ficar na cara e muito mais fácil de ela descobrir Stevie.
— Mas, ela não é a professora. – Defendeu Gabbe. – É outra pessoa e não tem como a mesma entrar na sala. Não pode, não tem permissão. Só pessoas com pontos proclamados do Céu podem entrar ali; a própria Deusa não permite.
— Legal. Então Stevie pode participar das aulas. – Concluiu Vee.
— E sobre o círculo. – Eu iniciei. – Quais dúvidas exatamente vocês pretendem tirar? Já descobriu seu ponto e já sabe que precisa de um Círculo Mágico direcionado ao Céu para pedir autorização da morte de Mão Negra, mas pensem, não pode ser assim tão simples. Deve ter algo mais. Acham mesmo que Mão Negra já não sabe disso? – As palavras vieram como um jato, elas se materializaram na minha mente e eu – com necessidade de falar – as disse em voz alta.
“Boa jogada Anjo” ouvi a voz de Patch em meus pensamento e de início – apenas de início – eu me assustei, mas depois eu tive a mesma sensação que sempre tenho com Patch; sensação de conforto. De estar em casa.
De soslaio Cameron estava sorrindo com os olhos brilhando. Olhei profundamente em seus olhos e vi também suas sobrancelhas erguendo-se e uma piscada de olho. Ele estava com orgulho? Eu havia descoberto algo...
— Nora tem razão. – Disse Scott. – Mão Negra já estava esperando que algo ou alguém tirasse sua imortalidade para lhe matar. Está cada vez mais apressando seus planos...
— Você pode dizer os planos. – Interrompeu Patch sem olhar o mesmo nos olhos. Seu olhar negro permaneceu fitando o chão, apenas escutando.
— Ele quer encontrar sua filha biológica para fazê-la como líder de seu enorme exército de nefilins e quer encontrar a nova nefilim puro sangue para prendê-la e não atrapalhar qualquer coisa que tenha em mente.
— Porque ele simplesmente não coloca essa nefilim puro sangue em seu exército? Ela poderia ajudar. – Indagou Damien, sempre sobre um pensamento em que nunca chegamos.
Mão Negra poderia ter a necessidade de me utilizar dentre eles, não que eu quisesse, mas ele poderia, não poderia?
— Mão Negra não gosta e não permite concorrência e esta nefilim puro sangue... é algo que atrapalha as coisas que ele planejou há muito tempo. Ela não é apenas nefilim é qualificadora também.
— Sim ela é Nora. – Disse Aphrodite ríspida. – Não tem como negar, depois do que fez com Laurel na arena. Se ela está com ele, já sabe seu novo ponto e provavelmente tá correndo feito uma cadelinha para contar de uma vez por todas. – As palavras que Aphrodite usou significou pressa em contar e, eu sabia daquilo. Talvez por isso tivesse acordado um pouco desanimada com tudo ao meu redor.
— Temos de pensar em outra coisa? – Indagou Vee repentinamente.
— É óbvio Dona Sereia. – Respondeu Aphrodite.
— Quieta maldita! – Esbravejou Shaunee.
— Ai, calem a boca! Mas, que irritante! – Esbravejei e já estava irritando mesmo, pensando nas consequências em que nos encontrávamos, havia coisas maiores ali...
— Há coisas maiores em jogo. – Patch falou. E disse em voz alta o meu pensamento. Como uma troca de informações, sorri internamente.
— Ok. Primeiro Laurel não é quem pensamos ser; Mão Negra é ultra perigoso e está atrás de sua filha biológica a qual escondemos e também está atrás de Nora que é a nefilim puro sangue, que também escondemos; Mão Negra tem um exército de nefilins e recém-criados; Laurel deu as costas a Deusa; Laurel disse de um exército... – Damien parou, raciocinando. Estávamos compartilhando o mesmo pensamento, soube de súbito quando olhei em seus olhos com um brilho de reconhecimento.
— Exército de Mão Negra... – Sussurrou Vee. – Como não pensamos nisto?
— Descobrimos a primeira coisa. – Vociferou Stevie e encaminhei meus olhos para onde os seus estavam fixos. Um mestiço e dois caídos com sorrisos ocultos estampados em suas expressões. Cam apenas fez um meneio com sua cabeça, indicando que havíamos conseguido. Segundo mistério resolvido.
— Laurel tem pavor e nojo dos humanos, por ela somente os qualificadores existiriam. Ela mesma já disse para mim, tipo um desabafo. – Informou Aphrodite.
— Então a possível guerra seria contra os humanos? – Pensou Shaunee.
— Só pode ser. – Disse Stevie Rae. – Se fosse contra quaisquer outras espécies o Céu não demonstraria tanta preocupação. A guerra é de Laurel, que virou as costas para a Deusa e está com Mão Negra, contra os humanos. Gente! Estava na cara!
— Vocês têm que entender mais sobre o Céu e porque eles não se preocupam com outra espécie. – Informou Scott. – Não estou revelando nada, só alertando vocês dois. – Terminou indicando Stevie e Gabbe.
— Não ouviram? Vocês dois tem tarefa! Vai caipira, você tem lição para fazer. Provavelmente o nerd-gay vai querer acompanhar. – Brincou Aphrodite.
— E vou mesmo, gosto de informações novas, querida. – Respondeu Damien ao mesmo nível.
Gabbe, Stevie e Damien saíram porta afora já conversando a respeito do assunto.
— Eu preciso pensar em uma forma de tirar Ariane de onde está...
— Ariane Alter? – Indagou Cameron em uma forma desesperada. – Tirá-la dos vermelhos? É impossível!
— Porque Cam? – Aphrodite foi mais rápida e todos o olhávamos com atenção.
— Não sabem o ponto dela, não é?
— Claro que não. – Respondeu Aphrodite.
— Ela é caída. Caída não é um ponto que se conquista, ele já vem com você. Deusa a marcou por alguma razão; você não pode destruir esta razão. – Seus dentes estavam travados em raiva.
— O que estou fazendo de errado? – Eu indaguei.
— Ele quer dizer que um nefilim não pode passar seu ponto para salvar um caído, sangues misturados? Ambos mortos. – Respondeu Scott por Cameron que ergueu uma sobrancelha como quem diz: “viram?”
— Mas... – Eu tentei iniciar olhando para Aphrodite e me lembrando de nossa conversa há muito tempo.
— Eu não sabia! – Interrompeu Aphrodite. – É sério, nunca iria brincar com isso. Eu que salvo aqueles novatos vermelhos, eles são minha responsabilidade. Os que querem a Luz e não as Trevas, é claro.
— É claro que não brincaria. – Começou uma voz rouca que há muito não era ouvida. Patch estava falando. – Você salvou Nora, mesmo não querendo, salvou. Não sabia desta pequena informação, coisas que acontecem. – Patch usou palavras tão doces, tão distintas do último dia que todas as garotas presentes sorriram em aprovação.
— Você não pode tirar ela. – Concluiu Cam.
— Você pode. – Disse Scott. – Sabe muito bem que ambos têm uma relação.
— Não nos falamos há algum tempo. – Ele disse.
— Mas, você pode tirar. Não há outra pessoa que possa; não há outra que ela seja próxima. – Disse Aphrodite.
— Tem que tirar ela Cameron, não somente por Ariane, mas... por mim, eu prometi para ela. Preciso de sua ajuda, por favor. – Eu implorei com voz e olhos e sei que ele escutou a minha pressa e dor no timbre de voz, eu precisava salvar Ariane, antes que Laurel quisesse usá-los contra a humanidade, precisávamos salvar a quantidade necessária de vermelhos. Puxá-los para a Luz seria o primeiro passo para a salvação.
Notas finais
Geeeeente! Preciso de músicas como A Thousand Years que Evellyn me indicou, alguém me indica uma?
Bem vinda de volta, KamilaPaesLeme e boa sorte com Black Wings, ♥.
E, obrigada Stella pelo esforçozinho de comentar aqui. Adoro tu!!!!
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