Transformação
16 Novos Objetivos
O castelo parecia diferente quando a primeira semana de aulas chegava ao fim.
Talvez fosse apenas impressão de Rose, mas havia algo no ar que fazia o último ano parecer mais importante que todos os anteriores. Não havia mais tempo para indecisões. Em menos de um ano Hogwarts deixaria de ser sua casa.
Enquanto caminhava pelos corredores rumo à biblioteca, ela segurava um pequeno pergaminho onde havia escrito seus objetivos para aquele ano.
Sorriu ao relê-lo.
Formar-me como a melhor aluna da turma.
Conquistar a Taça de Quadribol para Sonserina.
Conseguir uma vaga nas Harpias.
Aproveitar cada segundo do meu último ano em Hogwarts..
Dobrou o pergaminho cuidadosamente e o guardou novamente na bolsa.
Não havia espaço para distrações.
— Você realmente fez uma lista? — Lyra perguntou, divertida, assim que Rose lhe mostrou o pergaminho durante o café da manhã.
— Fiz.
— Você é oficialmente a pessoa mais organizada que eu conheço.
Rose riu.
— Eu só... não quero olhar para trás depois e pensar que desperdicei meu último ano.
A loira sorriu orgulhosa.
— Você vai conseguir tudo isso.
— Espero que sim.
— Eu sei que vai – Lyra olhou para a mesa da grifinoria e viu que seu irmão olhava sua amiga. – e você e o Scor, já conversaram novamente?
— Algumas vezes. – Rose respondeu tranquilamente.
— Não estou falando de assuntos banais. Estou falando da confissão dele pra você.
Rose negou com a cabeça.
— E você não pretende conversar com ele sobre isso.
— Quando seu irmão estiver pronto para entender o que sente e decidir o que quer fazer em relação a isso, ele vai me procurar. Aí nós conversamos.
Lyra olhou para a amiga sem saber o que dizer, Benedict Bridgerton aproximou-se da mesa da Sonserina.
Era um rapaz alto, de cabelos castanhos escuros cuidadosamente penteados e um jeito calmo que contrastava com a agitação do Salão Principal.
— Weasley.
Rose levantou os olhos.
— Bridgerton.
— Encontrei aquele livro sobre estratégias ofensivas no Quadribol de que você comentou.
Ele colocou um exemplar grosso sobre a mesa.
Os olhos de Rose brilharam.
— Você conseguiu?
— A bibliotecária quase não quis emprestar.
Ela sorriu.
— Muito obrigada.
— Depois quero saber o que achou do capítulo sobre formações em losango.
— Combinado.
Ele fez um pequeno aceno para Lyra antes de voltar para sua mesa.
Lyra observou o rapaz se afastar.
— Ele é muito educado.
— É.
— Inteligente.
— Muito.
Lyra inclinou a cabeça.
— E bonito.
Rose pensou por um instante.
— Acho que sim.
— "Acho que sim"?
— Nunca parei para pensar nisso.
Lyra arqueou uma sobrancelha.
— Claro que não.
— Não tire nenhuma conclusão precipitada – Rose disse olhando a amiga – Bridgerton tem se transformado em um amigo.
— Só amigo?
— Sim – Rose sorriu – acho que nós dois precisávamos de alguém que nos escutasse sem querer nos aconselhar.
Lyra olhou para a amiga sem saber o que dizer
Do outro lado do Salão Principal, Scorpius tentava tomar o café da manhã sem olhar para a mesa da Sonserina. Não estava conseguindo.
— Você está olhando para eles faz uns cinco minutos.
Ele nem precisou virar para saber que era Alvo.
— Não estou.
— Está sim.
— Só estou tentando entender uma coisa.
— O quê?
Scorpius continuou olhando discretamente para a mesa da Sonserina.
— Eles são só amigos?
Alvo sorriu.
— Você quer que eu responda como amigo...
Fez uma pausa proposital.
— ...ou com sinceridade?
Scorpius finalmente desviou o olhar.
— Idiota.
Al apenas riu.
Naquela tarde a biblioteca estava quase vazia naquela tarde. Rose espalhara vários livros sobre uma mesa. Poções. Transfiguração. Defesa Contra as Artes das Trevas. E um volume enorme sobre legislação mágica que parecia capaz de causar uma concussão se caísse da mesa.
Benedict chegou alguns minutos depois equilibrando duas xícaras de chá.
— Achei que você gostaria.
Ela sorriu.
— Obrigada.
— Em troca quero sua ajuda naquela questão de Poções.
— Fechado.
As horas passaram depressa. Os dois discutiam fórmulas, estratégias para os N.I.E.M.s e, vez ou outra, acabavam rindo de algum comentário. As horas passaram depressa entre fórmulas, estratégias para os N.I.E.M.s e comentários que precisavam ser abafados para não atrair a atenção da bibliotecária. Estudar juntos era fácil. Nenhum dos dois precisava fingir que se interessava pelo assunto ou diminuir o próprio entusiasmo para não entediar o outro. No corredor, a caminho do dormitório dos monitores... Scorpius parou sem perceber.
Rose e Benedict vinham logo à frente. Conversavam animadamente. Ela ria. Ele segurava alguns dos livros dela para que pudesse ajeitar a bolsa. Quando chegaram à escada, Benedict devolveu os livros.
— Até amanhã.
— Até.
Rose continuou andando sozinha. Scorpius permaneceu parado observando o rapaz seguir pelo corredor oposto. Ela o viu apenas quando já estava perto. Sorriu como sempre fazia.
— Oi, Scorp.
— Oi.
Ela continuou caminhando ao lado dele.
— Como foi seu treino?
— Normal.
— Conseguiu seu artilheiro?
— Não foi preciso – ele sorriu – seu irmão e seu primo convenceram a Dominique a permanecer no time.
— Droga – ela disse sério.
— Queria que fosse fácil né.
— Claro – ela deu de ombros.
— E você já completou seu time?
— Já sim. E posso te garantir que não será fácil pra vocês – respondeu ela sorrindo.
Ele sorriu, mas ele não conseguia parar de pensar no que via a pouco. Depois de alguns segundos ele perguntou, tentando parecer casual:
— Então... quem era aquele?
Rose o olhou confusa.
— Quem?
— O garoto que estava com você.
Ela sorriu.
— Benedict Bridgerton.
— Ah...
Alguns passos depois...
— Vocês estão juntos?
Rose soltou uma pequena risada.
— Não.
Ele respirou discretamente.
— Então vocês são...
Ele hesitou.
— Só amigos?
Rose riu.
— Só amigos.
Ela respondeu com tanta naturalidade que Scorpius deveria ter se sentido tranquilizado.
Não se sentiu.
Eles chegaram ao dormitório dos monitores antes que Scorpius encontrasse outra coisa para dizer. Rose se despediu e subiu para tomar banho. Ainda precisava terminar um resumo de Poções.
Scorpius permaneceu sozinho na sala comum. Sobre a mesa havia um pergaminho com a lista das matérias daquele semestre. Ele ficou alguns segundos pensando nas notas que costumava tirar. Nunca foram ruins. Mas também nunca exigiram muito esforço.
Pensou nas conversas que ouvira Rose tendo com Benedict. Sobre livros. Poções. Política mágica. Estratégias de Quadribol.
Sempre que ela tentava conversar com ele sobre esses assuntos...
ele fazia uma piada.
Mudava de assunto.
Ou simplesmente dizia que aquilo era complicado demais. Pela primeira vez, aquilo o incomodou. Pegou um livro de Poções. Depois outro de Defesa Contra as Artes das Trevas. Abriu o primeiro. Leu duas páginas. Não entendeu metade. Respirou fundo.
Voltou ao começo. Talvez... talvez estivesse na hora de começar a se esforçar de verdade.
Não porque algum professor exigisse. Nem porque seus pais esperassem aquilo dele. Mas porque, pela primeira vez na vida, percebeu que gostar de alguém talvez não fosse suficiente.
Queria conversar com Rose sobre as coisas que faziam os olhos dela brilharem. Queria entender por que eram importantes para ela.
E, naquele momento, não tinha certeza de que conseguiria.
Essa dúvida era muito mais difícil de enfrentar do que qualquer prova que Hogwarts pudesse lhe aplicar.
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