Transcendental
6 Monster
Notas iniciais

Depois de mais semanas do que eu esperava, eu finalmente tive alta, e finalmente tinham me liberado do hospital. Como Chris tinha me dito antes, todos vieram me visitar, cada um por vez, sem um padrão definido, até o Sam vinha com um ou outro dos gêmeos, e em ocasiões mais raras, o Luke vinha também. Meus pais disseram que eu realmente precisaria a aprender a controlar os meus poderes, que se manifestaram algumas vezes, e quase criaram uma confusão, como por exemplo no dia que eu quase quebrei a porta na enfermeira quando ela estava saindo do meu quarto. Juro que foi um acidente!
E quando saio do carro dos meus pais, e olho para a fachada da minha... Não, da Nossa casa, sinto que esses vão ser meses demorados.
Meu pai sai na frente, abrindo a porta da casa, e depois entra minha mãe, e por fim eu. Vejo aquele olhar de nostalgia deles olhando para as paredes, quadros e objetos. Mas esse momento passa rápido demais, porque eles se viram me encarando e logo falando:
–Seria bom você ir se arrumar, tomar um banho, trocar de roupas, vou estar preparando algo pra você comer, depois vamos começar o seu treinamento filho – Minha mãe fala com aquele brilho maternal nos olhos – e de preferência, escolha roupas leves – Ela completou sorrindo e indo pra cozinha.
Subi as escadas, e fui em direção ao meu quarto, mas parando no corredor, pensando onde é que meus pais estavam dormindo. Logo me vem na cabeça que, quem fez o quarto deles de hóspedes fui eu, então provavelmente eles foram pra lá, sorte minha que realmente ninguém realmente usou aquele quarto.
[...]
Desço as escadas vestindo uma bermuda jeans até os joelhos e uma camisa regata fina e chinelos, o que era minha definição de roupa leve. Estava me esperando na cozinha minha mãe vestida com um top preto, cabelo amarrado com um coque feito com uma precisão cirúrgica, e uma calça preta, que parecia mais uma segunda pele. Me esperando na mesa, um prato cheio de panquecas, cobertas com chocolate, do eito que eu gosto. Meu pai também estava comento panquecas, ele estava com uma camisa de algodão fina, e uma bermuda também de algodão, só que com um par de tênis meio desgastados. Eles estavam rindo provavelmente de algo que ele tinha falado.
Cheguei dizendo bom dia, que foi alegremente retribuído, me sentei e fiquei observando minha mãe fazendo mais panquecas, provavelmente para ela, até que ela se virou de costas com um sorriso amoroso.
–Não Vai comer, querido?
Apenas dou um sorriso e pego o gafo e a faca e começo a devorar minhas panquecas
[...]
Já saímos de casa há um tempo, estávamos andando por uma pequena trilha que tinha por traz da casa. Depois de uns dez minutos andando floresta à dentro, meu pai, que estava à frente nos guiando, virou para a direita abruptamente, e com mais um minuto de caminhada pra fora da trilha chegamos a uma pequena clareira, com uma pedra meio cônica no centro. A pedra tinha no máximo 1 metro e 70 de altura e 1 e 80 metros de largura. Minha mãe ficou de frente a pedra e começou a tateá-la, até que perto do topo, sua mão parou, e fez um pouco de força, e um pequeno pedaço de pedra deslizou lateralmente, mostrando um painel de pedra que parecia um quebra-cabeça, que ela moveu algumas peças esse afastou. A pedra começou a deslizar pra traz, e revelou uma escada subterrânea. Minha mãe desceu um pouco as escadas, parou, estendeu os braços para as paredes, e liberou uma rajada das sobrenaturais faíscas, só que dessa vez, de uma cor branca, e como se as luzes ascendessem, houve um brilho do final da escada.
Quando eu desci a Sala Subterrânea SuperSecreta (ou S4X como eu apelidei carinhosamente) eu só pude exclamar – Nossa! Isso é tão X-men – e minha mãe apenas riu. Eles se posicionaram no meio do S4X, que era uma enorme sala circular, totalmente branca, dividida em quatro partes, uma é só o piso comum, outra com o que eu acho que são aparelhos de treinamento, outra com um piso acolchoado, e outra com o que também parecia ser apenas piso normal, mas tinha a parede revestida de armas, algumas medievais, outras mais comuns, e algumas até com uma aparência meio alienígena... Que cena mais Homens de Preto!
–Agora, o mais básico de tudo, é algo meio complicado de ensinar, e geralmente os Transversais já começam sabendo, chamar a Aura e realizar a Mudança. É algo instintivo, que é descoberto na Convergência aos dezoito anos, mas como você não passou por isso, você terá que achar esse instinto só. Por isso que viemos aqui, para que você possa aprender a como fazer e a como se controlar, porque você pode acabar machucando seriamente alguém caso se descontrole. – Isso me colou num estado de reflexão – Porque a Mudança pode ser iniciada por coisas além da força de vontade, como Sentimentos fortes, situações de perigo e essas coisas
Eu apenas assenti em resposta, apenas para demonstrar como estava prestando atenção
–Ok, agora você pode começar a tentar, apenas se sente e se concentre, tente se conectar com sua Aura Transversal e apenas faça.
Assenti novamente e me sentei no piso branco e frio de pernas cruzadas. Comecei a tentar, mas é difícil procurar se você não sabe o que exatamente o que está procurando. Só testei todos os instintos que eu conhecia e nada funcionou apenas não conseguia sentir essa Aura.
–Isso não vai funcionar assim, se eu nunca senti isso, eu não consigo fazer nada a respeito! – finalmente verbalizei minha desistência e frustração
–Certo, eu achei mesmo que talvez você fosse precisar de alguma ajuda, então lá vamos nós com as armas.
–Espera! Como assim Armas?! – falei espantado
–Todas as nossas armas têm um pouco da Aura, para que apenas Transversais possam usa-las, é uma espécie de sistema de segurança, ou uma ótima forma de treinar iniciantes que não estão no Outro Plano... Então, vamos lá, você que tem que escolher.
Levantei e a segui, até o outro lado da sala, o que acreditem ou não, demorou dois ou três minutos, num passo acelerado. Quando chegamos, vi que realmente eram várias armas mesmo, de todos os tamanhos, formas e cores. Minha mãe apenas disse “Escolha” e eu fiquei procurando... e procurando... e procurando mais... e procurando mais um pouco... até que eu a encontrei, uma Espada Katana, com o cabo com uma traça de algo que parecia couro branco, sem nenhuma imperfeição, a Bainha era Branca com desenhos em cor prata, daqui dava para ver que tinha algo na guarda, mas não dava para saber o que. Eu apenas apontei para ela e disse “Aquela!” minha mãe se aproximou da parede, e começou a levitar um pouco, até que conseguisse atingir a altura da espada, que estava a uns três metros de altura, ela segurou a espada com as duas mãos com um cuidado enorme, e desceu, virando para mim com a espada em mãos, apenas dizendo “Vamos Voltar”.
Depois que voltamos, me virei para ela, que estava dando um olhar bastante significativo para o meu pai. Apenas disse que eu estava pronto, e antes que me entregasse a espada, me avisou – Tome cuidado, essa é a Espada da Lua, ela já faz um bom tempo que não sai daquela parede. Ela é muito poderosa – olhei pra espada – Certo – Eu respondi.
Assim que a espada tocou minhas mãos, pude sentir a Aura de que tanto falavam, foi algo forte, algo poderoso, e eu apenas deixei que tudo se espalhasse, Finalmente iniciando a Mudança.
Um brilho emanou da espada, e eu a tirei da bainha, puxando-a e revelando a lâmina de prata, que emanava um brilho invisível, senti uma energia me invadir, senti minhas células mudarem, senti minha roupa mudar, senti até meu cabelo mudar. Tudo sendo envolvido por um brilho branco.
Ao final, eu só estava olhando pra frente. E eu percebi o rosto dos meus pais, com uma mistura de choque e felicidade. Eu apenas perguntei
–O que foi? Eu estou diferente?
–Sim meu filho, eu estava errada, você está diferente, você está lindo! Veja por si só – E com isso, ela fez um movimento circular com a mão, e começou a se materializar uma placa te terra na minha frente, fiquei me perguntando o que ela estava fazendo, até que a camada superficial da placa começou a ficar espelhada, até que se transformasse em um espelho enorme. Nele eu pude ver que realmente mudei muito
Minhas roupas tinham mudado para uma calça branca, e uma camisa polo com mangas até as mãos de mesma cor. Pés com um sapato também branco, até ai, tudo normal, a não ser por alguns detalhes, por exemplo o fato de meu cabelo estar maior – até o ombro – continuava preto, mas liso e espetado. Meus olhos estavam totalmente brancos, exceto pela pupila, que continuava normal. Mas esse não foi o maior detalhe crucial: Nas Minhas costa apareceram asas!!! Grandes – a ponta batia no chão – e plumadas. Agora fazia todo o sentido as cócegas que eu estava sentindo nas minhas costas.
O choque foi tanto, que a única coisa que eu pude fazer, foi falar:
–Nossa!
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