Transcendental
26 Lost In Paradise
Notas iniciais
Acordei e notei que o palpite da noite anterior estava certo, porque dormindo sobre mim não estava mais um lobo, e sim um homem, em seus vinte e um anos, cabelos escuros como seu pelo e, aparentemente, nu. Seu semblante estava pacifico, e eu realmente estava com pena de acorda-lo, mas eu tinha que acordar... então...
–Bom dia, raio de sol, hora de acordar! – Desculpa, mas não resisti, se eu não fizesse isso, eu piraria, tinha que dar um apelido!
–Hummm... – Ele apenas murmurou, e eu realmente estava me divertindo com isso. Não me julgue, você iria achar engraçado também.
–Vamos lá, levanta, você tem que ver isso!
–E isso seria??? – Ele perguntou sonolento
–Abra os olhos – Disse simplesmente
E ele abriu os olhos
–O que foi?
–Não notou?
–Notei o que? – Não resisti, comecei a rir, quase convucionando, estava sem ar quando ele falou em um tom mais desesperado
–O que foi?
–Sério? Presta atenção! – Falei tentando parar de rir – Você está falando...
–E??? – Ele ainda não entendeu, estava fazendo uma cara de cachorro que não tinha entendido nada
–E eu estou ouvindo perfeitamente!!!???
Na boa... demorou um século para ele entender, e a ficha cair, mas a reação dele foi impagável! Ele pulou e saiu pulando como se o corpo dele estivesse pegando fogo... E eu não fazia nada além de ficar no chão morrendo de rir, bolando no chão. Não me julgue, você teria feito o mesmo.
–O que? Como? Quando? Porque? – Ele estava muito confuso
–Calma aí, garotão, uma pergunta de cada vez... – Disse levantado, Indo para próximo dele e colocando a minha mão em seu ombro e dando um aperto reconfortante.
–Mas o que aconteceu? Como?
–Não sei, deve ter sido instintivo... minha teoria é que quando você ficou muito perto, por muito tempo, minha magia deve ter achado essa maldição nociva, então deve ter agido feito um anticorpo...
–E agora? Será que é permanente?
–Bem... acho que sim... que tal você tentar se transformar? Quem sabe funcione.
Ele acenou com a cabeça e tentou se transformar... Deu certo, mas ele voltou a ter aquela forma... Ele ficou com a cabeça baixa, olhando para as mãos peludas...
–Agora tente voltar ao normal
Mas dessa vez, deu certo. O pelo regrediu e a altura diminuiu. Ele não tinha se livrado daquela forma, mas agora a controlava.
–Agora, Lobinho, está na hora de me levar para casa...
[...]
E ele levou... com muita insistência e debate...
E ele me fez prometer que eu o iria ver ele de novo... será que seres sobrenaturais nunca ouviram falar de Facebook? Já é o segundo Lobo que eu prometo de encontrar...
–Oh, droga! – Praguejei
–O que foi? – Ele me perguntou... estávamos quase cruzando a linha de arvores do meu quintal... desse modo ele poderia me encontrar caso precisasse.
–Tenho que encontrar alguém...
–Ah, ok.
–Pronto, chegamos, é ali.
–Então... até mais?
–Sim... E pelo amor do universo, caso queira me visitar, venha ao mínimo vestido...
E sim, esse tempo todo ele não estava vestido, pelo menos fomos andando pela floresta.
–Não quero minha mãe me perguntado porque tem um homem nu no nosso quintal... – Eu terminei
–Vou fazer o possível – Então ele se afastou, se transformou e foi...
Ah, isso vai ser complicado de explicar...
Sequer pisei na varanda antes de ser atingido por repreensões de uma mãe furiosa...
–Onde você estava?
–Longa história
–Conte-a Porque você vai ter muito tempo...
Bem... eu contei, uma versão resumida, obviamente retirando fatos de como ele andou diversos quilômetros comigo sem roupa na floresta...
–Fico feliz por ter desenvolvido seus poderes a tal ponto, mas se envolver com lobisomens é perigoso... eles são extremamente voláteis...
–Não foi isso que eu notei nas vezes que encontrei algum... me repreendi antes que terminasse a frase, mas foi tarde demais. Ela tinha captado...
–Vezes!? Foi mais de uma, explique-se!
E la se foi mais uma história resumida... Mas logicamente, ocultei o fato de que meu novo professor de história era o tal alpha... mas ninguém precisa saber disso, não é?
–Um Alpha!!!! Perdeu o juízo garoto? Tem algum desejo Suicida? – Dessa vez era meu pai que estava esbravejando — isso já passou da linha da insanidade! Isso não pode...
Então ele parou deu um olhar para a minha mãe e começou a negar com a cabeça
–Não, não pode ser...
–As peças se encaixam... – Minha mãe falou
–Mas ele é tão jovem...
–Quem é o que? Do que vocês estão falando? – Perguntei confuso
–Nada! E não mude de assunto! Já para o seu quarto! Está de castigo – A sentença final foi dada pela minha mãe... E eu subi para o meu quarto. Mas não sem antes passar no banheiro, passei muito tempo sem tomar banho, estava me sentido pegajoso. Puxei o meu celular do bolso, o mesmo que eu tinha esquecido da existência, estava intacto, felizmente, desbloqueei a tela... E vi mais um milhão de mensagens... oh droga, eu estava esperando por isso, mas não deixou de ser angustiante!
[...]
Depois que respondi milhares de mensagens desesperadas, fui me deitar... A luz da lua adentrando pela janela do meu quarto, era tão persuasiva, eu saí para a sacada do meu quarto... e olhei para a lua acima de mim. Tão pálida e fria, mas ao mesmo tempo tão reconfortante. A Luz me banhava, e me dava uma espécie de energia que eu simplesmente desconhecia, mas não deixava de ser boa...
Voltei a passos lentos para a cama, desejando que essa energia pacífica continuasse comigo quando eu acordar
[...]
E outro dia há de nascer... meus olhos ofuscados pela luz do sol que passava pelas minhas pálpebras, estava tão claro, tão brilhante, tão vivo... tão verde??? Espera! Como assim tem algo errado! Isso aqui não é meu quarto! Espera! Aqui é a floresta! O que raios eu faço na floresta a essa hora da manhã!? Levantei bruscamente, para descobrir que eu estava deitado sobre um prado de capim macio, e ao me redor, havia... bem... como posso explicar??? Vários lobos, lobos mesmo, do tipo, você sabe, naturais?
–O que raios está acontecendo aqui – Grunhi, e gritei, num tom baixo. Mas alto o suficiente para todos os lobos levantarem a cabeça, para logo em seguida baixar, olhando para o chão em quanto eu olhava ao redor... como que uma reverência
–Ai cara, eu tenho que parar de fazer isso – Coloquei minhas no rosto e gemi. Estava cansado. Senti uma cutucada no me braço, um lobo que decidiu se aproximar... eu passei lentamente a minha mão pelo seu pelo macio, e logo, um a um, todo o resto decidiu se aproximar, logo estava no meio de uma multidão lupina almejando contato.
–Só mais um dia normal de trabalho – Suspirei, e continuei a passar a mão através dos pelos macios dos meus novos admiradores...
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