Transcendental
14 Ghost Story
Notas iniciais
Eu estou passando por um bloqueio criativo de proporções apocalípticas!!! Não consigo escolher nada para vestir! Do jeito que a coisa está indo o Luke vai chegar e vai me encontrar pelado... pensando bem, não é uma ideia tão ruim... Mas essa não é a hora! Ok, bem onde estava mesmo? Ah, na parte em que eu vou ter um outro derrame! Ahg! se qualquer tipo de divindade existir, por favor, me salve!
...E como se fosse combinado, adivinha quem liga? Sim, Isso mesmo, a minha BFF, Vulgo Personal Style, Christina Montana. Coincidência? Não. Essa mulher parece que sabe ler meus pensamentos!
–Chris, pelo amor de tudo que é mais sagrado e valioso, e isso inclui as várias toneladas de purpurina já usadas pela Gaga, Me salve!
–O que foi que aconteceu? Foi grave? Bem, se você tocou no nome da Gaga deve ser terrível!
–Simples! Não consigo achar nada para vestir! Pelos cílios da Madona me ajude!
–Calma! Não criemos uma tempestade intertropical em copo d’agua. Primeiro, respire. Segundo, Você tem alguma coisa separada ou vou ter que iniciar do zero?
–Espera, vou transferir para o Skype, e você me diz – Desgrudei o celular da orelha e cliquei no botão de ligar para o Skype – Ok agora você me diz! O que você acha qual eu devo escolher? – Falei apontando a câmera do celular para algumas roupas que com muita dificuldade consegui separar do resto.
–Bem... Vamos ao trabalho... Bem, Definitivamente aquela caça jeans preta... e vejamos... aquela camisa vermelha ali... ou aquela outra Cáqui no canto.
–Aquela Vermelho-Carmesim?
–Sim, essa mesmo!
–Acho melhor essa do que a Cáqui... Então, mas alguma coisa Mademoiselle?
–Acompanhamento... Deixe-me ver... Bom com esse conjunto seria bom aquele tênis novo que você comprou naquele dia comigo no Shopping... aquele preto e vermelho!
–Sim, claro! Aqueles ainda estão na caixa. Não tive tempo de usar.
–E ainda tem um Plus! Sabe aquele conjunto de prata que você comprou daquela mulher?
–Sim aquele negócio custou o olho da cara! Tem certeza?
–Absoluta! Agora para de ser fresco. E vista-se logo. Quando terminar de se vestir me manda uma foto ok?
–Ok. Até mais! – Estava prestes a desligar quando...
–Espera ai apressadinho... O Seth te mandou uma mensagem... Ele disse algo sobre que “Hoje à noite vai ter Show” Ele disse que você entenderia... – Não consegui deixar de dar uma risada cumplice – O Que vocês vão aprontar, Posso saber?
–Mais tarde você saberá, me aguarde. Recado recebido, até logo!
Desliguei antes que ela pudesse me perguntar ais alguma coisa...
–Tsc, Seth você tem uma mente maléfica, mas gostei muito. Então tenho que me apressar, tenho certeza que se eu não aparecer ele vai arrancar meu pinto com uma tesoura de podar arvores... Se eu tiver sorte talvez ele escolha uma que não esteja cega.
[...]
–Onde raios foi que eu enfiei aquela coisa! – já começava a praguejar.
Depois que Chris desligou, fui separar o que ela carinhosamente ordenou que eu usasse... Mas depois que eu separei tudo e fui procurar o conjunto que ela mencionou eu não achei, já estava procurando fazia uns vinte minutos e nada! Tinha certeza que eu guardei dentro de uma gaveta... Mas a questão é que eu praticamente revirei todos os cantos do meu quarto... Bem, esse conjunto continha uma corrente de prata, com um pingente, que era um círculo fino, do mesmo material, dentro dele tinha quatro pedras, de cores diferentes, três triângulos (Um Azul-Cobalto, outro Verde-Esmeralda e o ultimo Vermelho-Rubi) cada um sustentado por uma fina moldura também de prata. Todos as três pedras Apontavam pra o centro, que possuía uma pedra transparente, com uma fenda no centro – Que fazia a pedra parecer um olho de um gato. A pedra central era perfeitamente circular, com uma moldura também perfeitamente circular, sustentada pela ponta dos três triângulos. O que sempre tinha chamado a atenção é que por mais que o pingente fosse pequeno – acho que dois centímetros de diâmetro – ele era feito com tanta precisão que eu não via nem uma marca de cola, ou solda, nem nada que segurasse as pedras no lugar, mas tudo aparentava ser irrefutavelmente solido, como se tudo fosse uma única peça. Já o anel só apresentava uma única pedra transparente no topo, sem fenda, mas com um leve brilho iridescente. As vezes a pedra parecia preta, as vezes dava para ver a pele através da pedra. E o resto do corpo do anel e adornado por ranhuras feitas no metal, desenhos ou palavras, não sei, mas aos meus olhos pareciam letras de uma linguagem bem antiga.
A história desse conjunto é a seguinte, Chris estava comigo numa excursão da escola... Visitar as ruinas de um antigo castelo, não lembro exatamente onde, mas só sei que a viajem demorou bastante. Quando o professor responsável por nossa turma nos liberou um pouco, nós pegamos uma estradinha de terra que tinha aos arredores das ruínas. Caminhamos um pouco, até que avistamos uma senhora, na beira da estrada, numa barraca cheia de velharias – provavelmente numa venda de tralhas para arrecadar dinheiro – e claro que a Chris me arrastou pra lá, quando chegamos a Chris quase me deixou surdo com o grito que ela deu quando avistou um par de brincos dourados – Porque eu não achava que a senhora venderia joias verdadeiras na beira de uma estrada – e começou:
–Eu quero! Eu Quero! – Chris gritou pra ninguém em especial – Quanto é? Ela perguntou a velha.
–Pra você, minha querida, vou dar-te por Cem Dólares – a voz da senhora tinha um timbre que pareciam a que tinha vivido por mil anos, cheia de sabedoria e tempo.
–Ah Claro! Espera... – ela puxou a bolsa do ombro, e puxou os cem dólares e entregou a mulher... depois a senhora entregou os brincos na mão dela, logo em seguida, a velha fechou a mão de Chris e disse "Agora isso pertence a você". São simples palavras mas na voz dela foi como se estivesse falando uma profecia ou um encanto. Chris simplesmente respondeu com um obrigado e a mulher soltou a mão dela. Quando a mão das duas se abaixaram eu vi, dentro de uma caixa de madeira destampada, o referido colar e o anel. Parecia que estava brilhando para mim assim que eu os vi, não conseguia tirar os olhos.
Ao que parece, quando Chris ia falar para irmos em bora, ela me viu olhando pra o conjunto.
–vai lá, compre! – ela falou de repente
–O que? — Perguntei olhando lentamente para ela
–isso ali que você estava olhando, esse colar com anel, é bonito, além disso você não. Tem nenhum acessório, nem sequer um relógio! pra que serve todo o seu dinheiro se você não faz absolutamente nada com ele?
–Você sabe que eu só uso o dinheiro dos meus pais para coisas necessárias, e você sabe que eu acho joias perda de tempo.
–vai lá, por mim! Se você fizer isso eu faço o que você quiser!
–ok, mas só se você fizer qualquer atividade minha até o final do mês – ela estava prestes a protestar, mas algo a fez mudar de ideia e ela simplesmente concordou. Olhei para a mulher e perguntei:
–Quanto é aquilo ali?
–O colar com o anel? – ela perguntou e eu acenei.
–isso aqui – ela falou pegando a caixinha – é pra proteção. Feito a muito tempo atrás foi decisivo para salvar uma pessoa muito importante a um tempo atrás. Mas infelizmente essa pessoa um dia deixou roubarem isso e acabou vulnerável, e foi morto por alguém que ele achava que era um amigo – ela disse como quem conta uma história a uma criança – ele é feito de prata também. Eu venderia por mil dólares... Mas pra você – ela parou e olhou no fundo dos meus olhos, como se lesse toda a minha alma – você é especial criança, vou lhe oferecer por setecentos dólares.
Quando ela falou o preço eu engoli em seco, mas quando olhei de lado par Chris o olhar dela me ameaçava me matar se eu não comprasse. Então puxei a carteira do bolso, que tinha mil Dólares, que estavam lá pra caso eu achasse algo interessante para comprar. Bem... Essa é a chance! Entreguei o dinheiro a mulher, que sequer olhou pra as notas quando colocou na mesa. Olhando pra mim, fechou a caixa e entregou nas minhas mãos e disse “Isso agora é seu, e nada tirará de você” e juro que pude sentir uma energia passando da caixa pra mim, mas só ignorei. Me despedi da senhora junto com Chris, e Começamos a voltar... Mas quando dei dez passos e virei a cabeça para olhar novamente para a velha não tinha mais nada. Sem mulher, sem barraca, sem nada que ao menos dissesse que um dia ela esteve lá. Chris nem percebeu, e fiquei calado, só continuei andando e não mais olhei para trás. Também não cheguei a usar... Só guardei em um compartimento em cima do guarda roupa...
É isso!
Subi em cima de uma cadeira, e tateei em busca da falha na moldura superior, quando a achei simplesmente a empurrei e o pedaço de madeira cai na minha mão. Revelando o espaço onde guardo coisas realmente importantes. Enfiei a mão no buraco e de lá puxei a caixinha de madeira. Coloquei de volta a tampa do compartimento guardei a cadeira e a abri a tampa da caixinha e presenciei o colar. Mas lembrei que estava um pouco em cima da hora, então coloquei o anel no dedo, e coloquei a caixinha em cima da cama, vesti a roupa, coloquei os calçados, e abri cuidadosamente a caixa em cima da cama e peguei o colar, abrindo o fecho, passando por meu pescoço e rosqueando o fecho novamente. Bagunço o cabelo um pouco e desço as escadas e a campainha toca, abro e vejo ele, em uma camisa branca simples que se agarra aos seus músculos com uma precisão cirúrgica, uma calça que aperta exatamente nas partes certas, e... (Surpresa, Surpresa!) um tênis preto, mais escuro que a noite. Os cabelos levemente espetados e um sorriso muito convidativo no rosto dele.
–Vou saindo! – Gritei para os meus pais.
Olhei mais um pouco pra ele e perguntei a ele:
–Vamos lá?
Fale com o autor