Notas iniciais
Oi? Tem alguém aí?

“Estive com seu irmão.” Disse Len, em seu colete preto e seu colarinho meio desabotoado – um cavalheiro desleixado. “Para o chá.”

“Ah.” A prima tinha o tom apropriado de uma pequena surpresa. “Ele não me disse nada sobre isso.”

“Ele estava preocupado.”

As agulhas da garota pararam por um instante, e logo retornaram ao trabalho dos florais.

“Não poderia imaginar o motivo.”

“Ah, certamente que poderia.” Ele sorriu, apenas porque a garota despejara as palavras rápido demais. “Poderia estar preocupado com sua mãe descobrindo sobre o caso com aquela empregada, ou com seu time de rugby, por exemplo.”

“E estava?”

“Hm?”

“Preocupado com Lenka ou com o time de rugby?”

“Não.” Sorriu, embora ela estivesse fitando as rosas no pano. “Contigo.”

Rin baixou a cabeça, deixando de lado a agulha e o tecido na mesinha de canto.

“Len…”

“Você anda pensativa demais, pode acreditar nisso? Pensativa demais!” Ele apertou o braço da poltrona, falando rápido através de um sorriso mecânico. “Que Deus livre uma mulher de pensar, eu suponho, na próxima estarão lendo… ou escrevendo – o sacrilégio que isso seria-“

“Len!”

Ele soltou uma pequena risada estrangulada.

“Com certeza estava pensando no casamento, eu lhe disse, mas ele insiste que você está preocupada com algo. Ora, Rin, eu me pergunto se esperei demais. Se agora você-“

“Len, pare!” Ela gritou. O rapaz arregalou os orbes azuis, focando-os no rosto da prima, enquanto ela marchava impetuosamente até ele.

Ela se curvou apertou seu rosto entre as mãos, não sem delicadeza. “Está me assustando!”

“Certo.” Sussurrou, com os olhos completamente presos pelo brilho determinado da loira. “Certo, minha querida, desculpe-me. Não… Não poderia suportar a ideia de algo a estar perturbando… tão perto do casamento, eu não-“

“Tem razão. Não fui completamente honesta.” Ela abriu um sorriso doce, pequeno. “Mas nem você, meu querido. Diga-me; realmente acredita naquilo que disse na modista?” Soltou um suspiro. “Não acredita no meu amor?”

Len congelou-se completamente por um segundo, parecendo analisa-la. Era uma situação sublime, aquela, de imenso risco. Ele não podia arriscar um erro. Não podia arriscar uma mentira.

“Eu não acredito na eternidade do amor, é verdade.” Ele se ergueu da poltrona, tomando as mãos da prima nas suas. “Mas essa eternidade é verdadeira para nós. Eu não creio- ou melhor, não vou permitir que nos separem. Você é minha, Rin, para sempre.”

Naquele momento, ela parecia completamente arrebatada. Levada por uma onda de sentimentos, como se nunca pudesse estar tão aliviada e feliz na vida.

“Len…”

Ele a beijou. Encostou os lábios em sua testa quente e deixou que a garota o abraçasse, correndo os dedos pelos curtos fios dourados.

“Eu o amo.” Soava tão feliz…

“Eu também.”

Ouvindo o som de uma porta destrancando no corredor, e sabendo quem poderia ser, o casual separou-se com naturalidade e cada um retornou ao seu posto. Rin sentou-se do seu lado da sala, costura em mãos, e Len jogou-se desleixadamente na confortável poltrona vermelha.

Assim que adentrou o recinto, Ann lançou um olhar frio na direção do sobrinho. Ela nunca deixou de olha-lo se uma maneira que gritava ‘você não está se portando bem’ – mas ele supunha que nunca estava se portando bem.

Era um esforço, a principio, e depois se tornou costume.

“Meu caro, não lhe foi oferecida uma xícara de chá?” Agora fitava Rin.

“A bebi mais cedo com seu filho, obrigado, mas me foi oferecida sim.”

“Deve estar entediado, eu suponho, assistindo minha filha bordar.”

“Tia Ann, a senhora vai estar sempre agindo assim agora que estou noivo da sua filha? Confesso que isso me assusta. Éramos tão mais íntimos. E assistir sua filha bordar sempre foi meu melhor passatempo.” Sorriu languidamente, observando a linha dura da boca da mulher retesar-se.

“Se assim o deseja, que seja.” Ela cedeu, com um aceno rígido de uma mão. “Vou ter de pedir, então, que se sente como é devido. E vou ter de insistir no melhor entretenimento. Rin, toque para nós.”

A garota, como em um choque, tratou de rapidamente livrar-se dos aparatos de costura. Ela sentou-se ao piano com a postura ereta, deixando que os dedos pairassem no ar por sobre o teclado antes de começar a toca-lo.

Len permaneceu exatamente na mesma posição em que estava, embora houvesse fechado os olhos.

A sala se preencheu com uma melodia doce, agradável. O rapaz deixou-se mergulhar nos próprios pensamentos.

Pensou em flores esmagadas, pulmões escurecidos e sorrisos de anjo.

Logo, porém, ouviu-se o barulho da porta destrancando e batendo novamente. Quando Rinto passou pelo corredor, Ann pareceu querer chamá-lo para se juntar a eles, mas foi ignorada quando o filho disparou escadas acima; ela meneou para que Rin continuasse a tocar – o único sinal de desagrado na sua boca um pouco mais dura.

Rinto prensou sua criada favorita contra a parede do corredor, chacoalhando levemente a moldura pendurada logo ao lado de suas cabeças. O som do piano os embalava.

“Você está linda.” Ele disse, porque era a verdade. Lenka mostrou-lhe um sorriso embaraçado. “Lindíssima.”

Ela se esquivou conforme ele se inclinava para o beijo, lançando-lhe um olhar reprovador.

“E quanto a sua mãe?” Ela perguntou. “E quanto a sua irmã, e o noivo dela?”

O estômago do loiro revirou.

“Ele está aqui?”

Mas é claro que estava. Disse que estaria, não disse?

“Veio vê-la. Sem aviso, novamente. É um pouco rude, mas ele sempre o faz.”

“Ele é só um garoto estranho.” Ele disse, e dessa vez era um tanto mais difícil de se fazer acreditar nisso. “Ele vem desde que somos crianças. Costumava assistir enquanto Rin e eu brincávamos juntos, e nunca se juntava a nós.”

“Posso concordar que isso é estranho, com certeza…”

“Mas por que estamos falando de Kagamine Len?” Ele precisava esquecer aquilo, aquela sensação.Desesperadamente. Ele puxou um dos fios da garota para trás da orelha. “Vamos falar de canções, e de amor. Eu a amo, sabia?”

“Não.” Ela discordou, como sempre. “Você ama o afeto sem compromisso que eu proporciono.”

Ele suspirou, resignado, e se afundou no pescoço de Lenka. Ela soltava pequenos gemidinhos adoráveis que se misturavam ao som do piano no andar abaixo.

Era uma melodia que ele conhecia. Nada de corvos, nada de terríveis segredos e sensações de pavor inerte.

Aqui, as rosas são cítricas. Aqui, rosas não morrem.

Notas finais
Ok, eu tive um bloqueio ridículo e depois esquecimento e depois problemas e- enfim, me desculpem. Não tem desculpa, realmente, mas é isso -q Principalmente você, Rin-chan, foi mal mesmo. Eu tive um problemão tentando simular o estilo usado nessa fic, e falhei miseravelmente - me parece. Então vão ter que perdoar por isso também. E ainda ficou curto, ai... Mas dessa vez voltei pra terminar, ok? Ok.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.