Traição.
3 Victoria.
Nós chegamos ao endereço de Natalie, e tocamos a campainha. Ouvimos os passos até a porta, e então ela se abriu.
– Olá, me desculpem pela demora. Estou tentando fazer Jonah dormir. Ele tem dificuldades desde que... vocês sabem.
– Mas são 16;00 da tarde, não é meio cedo pra dormir? – Tony perguntou
– Ele normalmente dorme as 18;00. Mas eu tenho que conversar com ele, ler histórias, distraí-lo... Leva um tempo – ela olhou pra mim – o pai dele costumava ligar todos os dias para desejar boa noite, e ele ainda espera, mesmo sabendo que...
Ela começou a chorar.
– Está tudo bem, não se preocupe – eu disse.
– Ok, vamos entrar. Vocês tem perguntas, certo? – ela disse, secando os olhos rapidamente.
– Certo – Dinozzo e eu entramos, e nos sentamos.
– Você sabe se ele teve algum desentendimento ultimamente? Alguma briga, discussão... – Eu perguntei.
– Que eu saiba não. Ele me contava tudo, e não disse nada sobre brigas. Ultimamente ele andava estranho, sempre hesitando, parecia que queria me dizer algo mas que não podia.
– Isso pode parecer estranho, mas vocês se falavam todos os dias, pelo que eu vejo se davam muito bem. Por quê se separaram? – Tony perguntou.
– Ele se envolvia demais nos casos em que trabalhava. Eu sempre soube que ser um “dedo-duro profissional” não acabaria bem. Ele só pensava em investigar esse tipo de coisa, e delatar depois. Eu pensei que com o divórcio, ele veria o que perderia se um dia isso tudo desse errado. Mas continuávamos amigos, muito amigos.
– Você se lembra de alguem em particular, algum dos acusados de algum caso dele, que possa ter se tornado vingativo de uma maneira mais agressiva?
– Ele não me disse nada, mas eu percebi que ele estava estranho, como se estivesse com medo de me dizer algo.
Conversamos mais um pouco, mas eu percebi que realmente ela queria ajudar, porém não sabia de nada útil.
– Ok, acho que está bom – eu olhei para Tony, e ele se levantou – obrigada pelo seu tempo, voltaremos a ligar e te atualizaremos com o caso.
Ela foi conosco até a porta, e depois entrou. Nós fomos até o NCIS conversando sobre o caso, e eu tive todo o cuidado de não tocar no assunto casamento. Até porque, ele poderia muito bem mudar de idéia e eu não queria elevar minha esperanças, e muito menos as da Ziva.
Chegando ao NCIS, começamos a juntar todas as informações que tínhamos. Mcgee e Ziva passaram metade da tarde investigando os casos e selecionando algumas pessoas que poderiam ser os potenciais suspeitos, aqueles que realmente deram a entender que tinham assuntos pendentes a tratar com Richard. Começamos a analisar alguns, e tentar algumas ligações, mas devido ao horário, conseguimos apenas descartar três suspeitos.
– Com licença? – uma voz fininha disse atrás de nós, e todos nos viramos – poderiam me dizer onde fica o escritório do – ela checou a mão, onde aparentemente havia anotado algo – Vance?
Era uma moça. Seu cabelo era ruivo, mal cortado. Suas unhas rosa neon poderiam iluminar o escritório se algum dia faltasse energia ali. Suas feições eram dignas de uma garotinha rebelde de 15 anos. Mas seu rosto estava sério.
– Logo ali em cima – Dinozzo disse, apontando as escadas, e estendendo a mãos para se apresentar – Tony.
– Victoria – ela disse, apertando a mão dele e subindo as escadas rapidamente. O barulho das botas fazia eco.
Todos se viraram novamente, menos Ziva, que continou encarando a garota até que ela chegou a porta do escritório.
– Ziva? – eu disse, apertando seu ombro – algum problema?
– Nada – ela disse. Mas eu pude ler claramente nos seus olhos, que ela não havia gostado nada daquela misteriosa garota.
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