Traição.

15 Uma nova vida.


Notas iniciais
Antes de tudo, gostaria de pedir imensas desculpas pela demora. Aconteceram várias coisas, entre elas a saída de Cote do NCIS e a morte de Cory Monteith, coisas que me abalaram muito e me deixaram sem vontade nenhuma de escrever. E é o último capítulo, que já é difícil por si só. Mas porém, está aqui. Espero que gostem, e desculpas, novamente, pelo atraso na postagem. Enjoy!

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– Caitlin! Pare de correr! Dinozzo, faz alguma coisa! – Ziva dizia do alto de uma escada, eu pude ver pela janela do carro quando estacionei. Comecei a rir assim que ouvi a resposta dele.

– Estou fazendo algo! Estou fazendo cookies! Se eu parar, vou queimar tudo de novo!

– Ela vai se machucar, Tony, eu to falando! Ela vai cair, não sabe nem andar direito, como vai CORRER?

– Fraldas amortecem as quedas, Ziva! Além do mais, ela não vai cair porque é muito inteligente, certo Kate? Eu sei.

Eu entrei pela porta, e os dois me olharam aliviados. A pequena Caitlin correu até mim com os bracinhos levantados e sorrindo. Eu a peguei no colo e Ziva se virou para mim pedindo que eu olhasse ela por alguns minutos. Fomos para o quarto de Abby, e eu a sentei na cama. Quando me virei, procurando o controle da televisão, ela já estava no chão, indo em direção aos albuns de fotos. Ela era apaixonada por fotos. Foi até um grande album, mas não conseguiu andar com ele e caiu no chão, se sentou ali mesmo e abriu a capa. Eu me sentei do seu lado, e a coloquei em meu colo. Ela virou a primeira página, onde havia uma foto dela no colo da mãe, no dia em que nasceu. Eu me lembrava daquele dia como se fosse ontem...

Ziva me ligou enquanto eu estava trabalhando, Dinozzo e ela já estavam de licença esperando pelo grande dia. Ela nos pediu para que fossemos ao hospital, e disséssemos a todos o que estava acontecendo. Dinozzo estava louco procurando pelas chaves do carro. Pânico. Pegamos uma van emprestada do NCIS, e fomos até lá com a sirene ligada. Era um caso especial. Nunca vi Gibbs dirigindo daquele jeito.

Tony estava sentado em uma cadeira na sala de espera, com as mãos no rosto. Eu coloquei a mão em seu ombro, e ele se virou pra mim.

– Não me deixaram entrar com ela na sala. Disseram que eu poderia deixa-la nervosa.

– Aconteceu a mesma coisa comigo – Gibbs riu, e todos nós nos sentamos para esperar. Dinozzo não parava de bater o pé e olhar inquieto para trás.

Então veio o choro.

O médico saiu de uma das salas, e sorriu para nós.

– Deu tudo certo! Sua filha e sua mulher estão te esperando.

Nós o seguimos, mas o médico nos parou.

– Desculpe, ele pode trazer a bebê para que vocês a vejam depois, mas agora não podem entrar lá. Ela precisa de descando.

Nós voltamos e esperamos por uns minutos, quando ele voltou com um pequeno cobertor nos braços, e algo dentro dele se mexeu. Vimos uma mãozinha, tão pequena que parecia que se encostassemos, ela quebraria. O neném fazia um barulho engraçado, e não parava de franzir a testa, como se quisesse saber o que estava acontecendo. Ele não conseguia desviar o olhar dela. Era o olhar mais apaixonado que eu já vi na vida, me lembrou o jeito que ele olhou para Ziva quando ela chegou na festa, como se tudo o que o segurava na terra estava ali, na sua frente.

– Como vai chama-la? – Abby perguntou, e esticou o dedo para tocar na bochecha gordinha da criança.

– Não sabemos ainda – ele disse enquanto a levava para o berçário. Ela precisava de cuidados, exames e coisas do tipo. Vi a dor no olhar dele ao entrega-la para a enfermeira, mas ela disse que poderíamos todos ficar do lado de fora, vendo pelo vidro.

– Você poderia chama-la de Rachel. Eu amo esse nome – Abby disse, abraçando Mcgee, que estava batendo no vidro de leve, tentando chamar a atenção de outro bebê.

– Nós... Quer dizer... Ziva pensou em um nome. Ela queria chama-la de Caitlin. Mas eu não sei.

– Por que não? – eu perguntei, e ele abaixou a cabeça por um instante.

– Não quero que minha filha cresça e pergunte “Papai, como escolheu meu nome?” e eu diga “É o nome de uma amiga do papai que morreu”. Ela ficaria traumatizada. Mas Ziva gostou do significado.

– O que significa? – Andrew estava sentado atrás de nós, e perguntou.

– Pessoa charmosa, amavel e expressiva, muito criativa e um tanto curiosa. Tem uma certa dificuldade na concentração e como gosta de compartilhar tudo com os outros é o tipo de pessoa que não consegue guardar suas idéias só para si – ele deu de ombros.

– É uma mistura sua e dela. A parte de compartilhar tudo com os outros então, nem se fala.

Todos riram e começaram a conversar sobre nomes, e a enfermeira a colocou a pequena no berço. Eu olhei pra ela, os olhinhos quase abertos. Mal podia esperar pra ver se os olhos seriam verdes como os de Tony, ou castanhos como os da Ziva. Então do nada, ela virou o rosto diretamente para Mcgee.

– O que você falou? – eu perguntei.

– Eu disse que Kate ia adorar azucrinar o Dinozzo pra ele colocar como nome da bebê, o nome de uma mulher histórica, tipo Joana D’arc.

Todos me olharam confusos. Eu cheguei perto do video, e disse “Kate” bem baixinho. Ela se virou pra mim instantaneamente. Dinozzo colocou as mãos na boca e fez o mesmo. Ela desviou os olhinhos pra ele.

– Essas janelas são a prova de som – Andrew disse, colocando a mão na minha cintura – não é possível.

– Se isso não é um sinal – eu disse, virando me para ele – não sei o que pode ser.

Tony foi até o quarto da Ziva imediatamente e contou a ela o que havia acontecido. Seria Caitlin.

Ziva entrou pela porta e me tirou de meus devaneios.

– Ela está aprontando? – disse sorrindo, com algo na mão.

– Até que não – eu sorri – está vendo fotos sem parar.

– Normal – ela deu um beijo no rosto da filha, e arrumou a pequena franja que se formava no cabelo encaracolado – segura isso pra mim? – ela me entregou suas alianças – estou ajudando Dinozzo com os cookies, e você sabe bem como ele é. Quase perdeu a dele no meio da massa.

Eu ri, e ela saiu deixando a porta aberta. A pequena Kate olhou pra mim, querendo pegar um deles da minha mão.

– Não, mocinha. Se você engolir isso, seus pais me matam. Ela virou o rostinho de lado, confusa, e ameaçou fazer beicinho – não, não, não – eu comecei a repetir. Então vi no canto do quarto de Abby, uma caixa com as lembranças que sobraram do casamento de Tony e Ziva. Haviam milhares de tiarinhas, pulseiras e cisas coloridas. Peguei uma tiara com orelhas de urso e coloquei nela. Sua feiçao mudou na hora. Gibbs entrou pela porta, de mãos dadas com Lauren. Eu me lembro do choque quando descobri que eles estavam juntos, mas agora, eu gostava da idéia de ele ter alguém. E ela se mostrou muito legal, apesar de me lembrar um pouco a Jenny e isso me deixar meio triste. Mas Jethro estava feliz, então eu também estava. Ele me deu um abraço, e começou a brincar com Caitlin. Andrew me ligou e disse que estava voltando do hospital com Abby e Mcgee. Quando me virei para correr a cozinha e avisar Ziva, não pude conter uma gargalhada. Gibbs estava usando o arco com orelhas de urso, e fazendo caretas para Caitlin. Ela também gargalhava. Então Dinozzo chegou para ver o que estava acontecendo, e ficou sem reação. Gibbs o olhou sério. Gibbs olhando sério com orelhas de urso felpudas. Não era de se esperar que todos começassem a rir ao mesmo tempo. Ziva começou a limpar a cozinha de Abby, e eu a ajudei. Gibbs pegou Kate no colo e colocou o arco de novo nela. Então todos apagamos a luz e esperamos. Quando Abby entrou, com um pequeno rolo de cobertor em seus braços, todos nós sussuramos surpresa e acendemos a luz. Ela sorriu e descobriu um pedaço do cobertor. O pequeno garotinho se mexeu lentamente, e Caitlin agarrou a camisa de Gibbs, com um pouco de cíumes.

– Hey – ele sorriu, pegando a mãozinha dela e colocando no braço do neném – os dois.

Nenhum de nós entendeu, mas ela pareceu compreender perfeitamente e alisou o braço dele com toda a delicadeza de uma bebê de dois anos. Ziva sorriu e a pegou.

– Como ela se chama, titio? – eu perguntei para Andrew, e ele deu de ombros sorrindo.

– Ele se chama Luke.

– Não vá me dizer... – Tony disse, levantando um dedo.

– Star wars. Sim. Mas eu gostei do nome, então – Abby parecia cansada.

– Ok, vamos deixar os papai descansarem. Fizemos cookies – Dinozzo mostrou a bandeja, orgulhoso.

– Obrigada – Abby deu um abraço em todos nós, e Mcgee levou Luke para o berço. Todos nos despedimos rapidamente, e fomos para nossos respectivos carros. Pude ver Dinozzo ajudando Ziva a colocar Kate na cadeirinha do carro, já dormindo. Ela estava dirigindo. Depois que ela nasceu, Ziva aprendeu a dirigir perfeitamente. Achamos que ela já sabia, mas gostava de causar pânico em todos por diversão. Andrew pegou minha mão no carro, e eu olhei pra ele. Era incrível as mudanças que dois anos podiam fazer. Ele agora estava quase formado da faculdade, e havia se tornado muito mais maduro. Mas seu jeito palhaço de ser ainda estava ali. Pelo jeito que ele me olhava, percebi que tinha que me dizer algo importante. Eu apenas esperei.

– Eu quero isso.

– O que? – eu perguntei, levantando minha mão levemente, mas ele a segurou.

– Isso — Ziva buzinou quando passou pela gente, e nós acenamos de volta – eu quero uma vida assim. Quero morar junto com você, mas em uma casa. Talvez a gente tenha filhos. Talvez não. Talvez a gente fique cuidando de Kate e Luke enquanto os pais deles vão passear. Eu quero saber se você támbém pensa assim.

– É lógico que penso! – Eu sorri e o beijei. Ele soltou minha mão pra segurar meu rosto.

Ligamos o carro, e enquanto ele dirigia, eu encostei minha cabeça em seu ombro. Desta vez eu realmente soube que estava tudo bem. Eu soube que não importa o que acontecesse, eu estaria segura. Eu teria o meu cientista forense para me proteger. E ele teria sua agente especial. Eu agradeci em silêncio por termos sobrevivido em primeiro lugar a explosão, então pensei: Mas não foi só isso. Eu sobrevivi a um tiro. A perda de uma amiga. Pessoas perderam a vida por minha causa. Mas em compensação, eu ganhei coisas. Ganhei amor, ganhei uma família, ganhei um emprego, ganhei uma nova vida. Uma nova vida, que estava apenas começando.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!