Traição.
6 Surpresa.
– Jess, espera! – eu ouvi do estacionamento.
– Oi Zi, bom dia – eu disse, pegando minha bolsa. Ela segurou meu braço.
– Preciso falar com você, e é sério – ela disse ainda me segurando.
– Claro, o que foi?
– Tony está muito estranho comigo. E quando eu digo muito, eu digo realmente estranho. Ontem ele não quis voltar pra casa, disse que ficaria aqui ajudando o Mcgee e tal. Mas hoje é nosso aniversário de namoro, e não combinamos nada, e eu não entendo porque eu não fiz nada.
Tony estava estranho, e eu sabia o motivo. Ele, pelo jeito, havia decidido pedi-la em casamento. Me segurei pra não pular em cima dela e desejar todas as felicidades do mundo. Ela me olhava com cara de quem estava aguardando uma resposta.
– Olha, eu acho que ele realmente deve estar ocupado, esse caso está exigindo muito de nós, Ziva.
– Eu sei – ela disse, brincando com as chaves do carro – mas sei lá.
Subimos juntas para o escritório, e Dinozzo estava digitando algo no computador. Assim que eu cheguei perto com ela, ele fechou tudo e olhou pra nós duas. Ela se inclinou para dar um beijo no rosto dele, e ele sorriu. Eu dei um abraço em Mcgee, e me sentei. Dinozzo estava online pelo email, então mandei uma mensagem para ele.
Eu sei o que está acontecendo. E ela vai descobrir se você não souber disfarçar.
Pude ver ele me olhando do outro lado da sala, com dúvida no olhar. Eu continuei digitando.
Se você for realmente pedir, peça hoje. Se passar disso, ela vai descobrir antes.
Ele pareceu pensar por um momento, e depois percebeu do que eu estava falando. Ele acenou para mim com a cabeça. Antes de eu perguntar como ele faria o pedido, uma moça loira entrou no escritório. Ela usava um terno, tinha olhos tão azuis que eu olhei duas vezes para ver se não eram lentes, e não eram. Ela carregava uma caixa que parecia pesada. Mcgee se levantou para ajuda-la, mas ela colocou a caixa na mesa da Ziva e ajeitou o cabelo, em seguida, olhou em volta e sorriu.
– Meu nome é Lauren. Eu sou da CIA.
Nós nos apresentamos, e ela perguntou pelo Agente Gibbs.
– Estou bem aqui – ele disse, com dois cafés na mão. Eu sempre me perguntava como ele sempre sabia que tinha que estar em algum lugar, como se tivesse um sexto sentido. Ele foi entregar o café para nossa convidada, mas antes parou e a analisou. Ele sorriu meio de lado, fazendo charme. Gibbs. Fazendo. Charme.
– Eu peço desculpas a vocês por ter que bloquear os arquivos, é que nós tivemos um sério problema com isso antes, então...
– Pode nos dizer mais sobre a conexão entre os dois? – eu disse, me aproximando. Ela abriu a caixa e pegou um arquivo.
– Richard vivia para o trabalho – Lauren disse, enquanto abria a pasta – sempre que ele via algo que poderia ser suspeito, não conseguia evitar a curiosidade e começava a investigar. Em maio do ano passado, ele percebeu uma movimentação estranha perto da escola de Jonah. Dylan Cole, de 16 anos, estava participando de uma organização que vendia drogas para menores, drogas de todos os tipos. Ele denunciou o garoto, e se voluntariou para vigiar e conseguir mais evidências enquanto não tinhamos com o que continuar. Quando o garoto finalmente foi preso, os pais ficaram desolados. Disseram que o garoto não faria isso, que ele não tinha motivo. Mas ele foi preso e – ela suspirou – foi morto na cadeia algum tempo depois. A mãe do garoto, Stella Lewis, aceitou o fato como qualquer mãe, mas o pai, Oscar lewis, ficou louco. Ele tentou até mesmo agredir o oficial que foi informar o que aconteceu. Eles se separaram logo depois que o garoto foi enterrado. E é isso.
– Bom, isso explica a morte de Richard, com certeza. Mas e quando a Susan? – Tony perguntou, de braços cruzados.
– Ela era a promotora.
– Oh – todos exclamaram – isso deixa bem claro que temos que achar esse cara, e rápido.
– ISSO É INACEITÁVEL – Todos nós nos viramos enquanto uma Abby muito zangada andava em nossa direção.
– O que houve Abby? – Mcgee perguntou, indo na direção dela.
– As evidências, sumiram! – ela disse, colocando a mão na cintura – algum novato deve ter assinado e mandado para o lugar errado. Eu sei que elas não foram para o meu laboratório! – ela dizia, super irritada.
– Nós vamos encontrar – Ziva disse, tentando acalma-la. Ela não parava de bufar.
Eu me levantei e a abracei, e ela pareceu se acalmar. Então todos pareceram se lembrar que Lauren não devia estar acostumada com esse tipo de coisa. Enquanto eu abraçava Abby, pude ve-la soltando sorrindo e pegando mais arquivos na caixa. Ela nos contou sobre outro caso onde Susan e Richard haviam trabalhado juntos, mas esse não parecia ter sido tão grave quanto o anterior.
– Bom, escolha uma mesa – Vance apareceu em cima da escada, como sempre fazia quando queria falar algo que ele julgava ser importante. Ali era um tipo de pedestal para ele.
– Quê? – Lauren perguntou e se virou, quando viu com quem estava falando, se endireitou – O senhor quis dizer isso pra mim?
– Sim. Você trabalhará conosco por um tempinho – ele disse – até que tenhamos resolvido esse caso. É um problema?
– Nunca – ela pegou a caixa e se dirigiu a uma mesa vazia atrás da mesa do Gibbs. Eu sorri quando vi que ele a ajudou a carregar a caixa até lá.
– Não gosto disso – Abby me disse enquanto Lauren foi buscar um café. Ela era viciada em café.
– Do que? – Mcgee perguntou, passando as mãos de leve em seus ombros.
– Mudanças. Ducky está de férias, e essa nova garota está aqui. E agora uma outra nova garota. Eu odeio essa sensação de que tudo está mudando.
– As vezes, mudanças são boas, Abby. Ela fazem com que as coisas melhorem. Olhe você e o Mcgee por exemplo – eu disse, dando de ombros – e Tony e Ziva. Andrew e eu. Nunca poderíamos imaginar!
– Você tem razão. Eu só espero que Ducky volte logo e que tudo volte ao normal novamente – ela pulou da mesa onde estava sentada e olhou para Mcgee.
– Tudo certo pra hoje a noite, certo? – ela disse, sorrindo.
– Claro – ele respondeu, e ela o beijou. E ele beijou de volta. Quando as mãos começaram a descer, eu pigarrei forte e Gibbs entrou. Como sempre, um timer excelente.
– Então, eu vou descer e te espero lá no estacionamento. Não demora.
– Ok – ele sorriu e acenou de volta.
– Planos pra hoje, Tim? – Gibbs perguntou
– Sim, nós completamos alguns meses de namoro – ele sorriu – então vamos sair pra comemorar.
– E vocês? – ele se virou para Dinozzo e Ziva, e Ziva disse que ia fazer o mesmo – Jess?
Eu suspirei. Estava tentando não pensar no fato de que iria passar meu aniversário de namoro sem meu namorado, de novo.
– Andrew está na faculdade, então, vou passar a noite tentando achar pistas de onde o pai de Dylan está.
– Eu cuido disso pra você – Tony me disse.
– Você tem planos. Eu não. Pode deixar Dinozzo, muito obrigada, mas não precisa.
Eu voltei para meu computador. Quando a porta do elevador abriu, Abby apareceu dizendo que havia esquecido sua bolsa.
– Deve estar no laboratório – eu disse, mas ela não saiu dali.
Silêncio.
Quando olhei pra cima, pra verificar porque todos estavam quietos demais, vi rosas. Um buquê. Eu me levantei assim que reconheci as mãos que o seguravam.
– Andrew! – eu gritei e o beijei. Até mesmo me esqueci que estava dentro da agência.
– Oi, amor – ele sorriu e me entregou as rosas.
– Abby, você! E você – eu apontei para Mcgee, com uma das minhas mãos. A outra simplesmente não conseguia soltar das costas dele.
– Tem planos pra hoje, no final das contas – Dinozzo disse sorrindo, e eu sorri também.
Eu olhei pra Gibbs, ainda segurando as mãos de Andrew.
– Pode ir, Jess. Fica tranquila. Todos vocês podem ir. Lauren disse que me ajudaria com os detalhes do caso.
– Eu vou ficar um pouco – Dinozzo disse, olhando pra Ziva – é rápido.
– Dinozzo, some daqui – ele disse, e todos riram.
Cada um foi pra sua casa. Andrew e eu tínhamos muito o que conversar, e nada planejado. Então resolvemos ir pra casa, tomar um vinho e simplesmente contar todas as coisas que aconteceram enquanto estavamos longe um do outro. Dois copos de vinho depois, ele me abraçou sem dizer nada e só ficou ali, me segurando.
– Eu senti saudades – ele disse segurando meu rosto entre as mãos.
Eu o beijei. Ele devolveu o beijo com entusiasmo. Eu sentia falta daquilo. Ele tirou a taça que eu estava segurando, e a colocou na mesa com cuidado. Eu o puxava pra mim e ele não resistia. Nós não resistiamos. Então, meu celular tocou.
– Não atende – ele disse, me puxando de volta.
– Eu tenho que atender, sou uma agente, lembra? – eu falei sorrindo, e vi o nome de Ziva no meu visor.
MEU DEUS, eu tinha esquecido completamente .
– Ziva! E aí? – eu disse, praticamente gritando.
– Oi Jess – ela disse, e pelo tom de voz ela parecia ter chorado – você parece feliz, não quero atrapalhar.
– Eu estou feliz. Por que você não está? – eu comecei a imaginar se ela teria dito não.
– Dinozzo.
– O que ele fez? – eu perguntei, quase não aguentando de tanta ansiedade.
– Ele terminou comigo.
Não. Eu só podia ter ouvido errado.
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