Traiçoeiro
8 Capítulo 8
Notas iniciais
Respirei fundo antes de ir até o leme,onde Killian me esperava. Endireitei os ombros e fui de encontro a ele.
Killian não disse nada, apenas virou a cabeça em minha direção e me olhou da cabeça aos pés, e então refazendo todo o percurso. Achei ter visto seu olhar ficar opaco,como se algo tivesse coberto o brilho malicioso que sempre estava ali,mas foi até vê-lo se demorar um pouco mais em meu busto.
–Huh huh- pigarreie para chamar sua atenção, ele levantou o olhar encontrando o meu e deu um sorriso mínimo, deixando bem claro que não se sentia arrependido de ter sido pego olhando.- Você é sempre assim? Tarado?- quis saber.
–Você não seria se fosse eu?- perguntou dando um passo a frente.- E não sei o que você pensa que eu estou fazendo,mas estou apenas verificando se as roupas ficaram bem em você. Nenhum pensamento impuro se passou pela minha mente. Palavra de pirata.- ele levantou a mão como se estivesse fazendo um juramento.
Não consegui evitar rir.
–Claro, e palavra de pirata vale muito.
Killian apontou para mim.
–Você tem razão. Venha, vou conversar com os homens sobre sua estadia a bordo. Já vou avisando que muitos não vão concordar e por isso, no começo, não aconselho a sair do meu lado ou tentar socializar com eles.- ele terminou de falar e pensou um pouco.- Não que você pareça uma pessoa muito social.
Levantei a mão,pronta para dar um tapa em seu braço, exatamente como eu fazia com Graham quando dizia algo que eu não concordava.
–Tudo bem. Acredite, não irei a lugar nenhum. – garanti.- E só para deixar bem claro, sou uma pessoa muito sociável.
–Claro que é.- o ouvi murmurar quando se virou.- Homens!- ele os chamou com toda autoridade na voz, rapidamente os homens pararam o que estavam fazendo e se aproximaram- Acho que já devem saber que temos uma garota a bordo...- Killian começou e eu meio fiquei escondida atrás dele,com medo da reação dos marujos. Pude ouvir o burburinho de todos começando a falar ao mesmo tempo.- Silêncio! Não terminei de falar. Conversei com ela e decidi que ela irá ficar à bordo,como parte da tripulação.- anunciou finalmente.
Um silêncio mortal se instalou no navio, podia ouvir as batidas rápidas e falhas do meu coração. Sentia o vento passar pela minha pele,como se sussurrasse algo que eu não era capaz de compreender. Killian não me olhou para dizer se aquele silêncio era uma coisa boa ou não.
–Desculpe senhor, mas não estou de acordo.- alguém,depois de alguns minutos quebrou o silêncio, a voz um pouco hesitante.
Me inclinei para saber quem era o infeliz que não estava de acordo. Meu olhar encontrou o de Ian,que rapidamente o desviou como se eu fosse uma besta soltando fogo pelas ventas.
Killian respirou fundo. Acho que ele não faz o tipo que gosta de ouvir opiniões alheias.
–E por quê não,marujo?- indagou se mostrando indiferente ao que ele disse e iria dizer.
–Quem nos garante que ela seja confiável.- Ian apontou para mim.- Ela mentiu para todos nós.
–Swan mentiu para que pudesse fazer parte da tripulação. E não venha você,marujo falar de honestidade. Veja bem o que está fazendo e onde está. Ela mentiu para achar uma pessoa, você mente todo dia pois não suporta viver com o que você é.
Killian terminou de falar. E eu fiquei boquiaberta com tudo o que ele disse. Se eu fosse o Ian,me jogaria ao mar neste exato momento.
Ou ele já devia ter ouvido pior,aparentemente Killian era uma pessoa muito dócil.
–Alguém tem mais alguma coisa contra? E um bom argumento do por quê devemos dá-la de comida aos tubarões.- Killian falou sarcástico e se virou para me encarar. O olhei de forma séria, mostrando que não achei graça de seu comentariozinho infeliz.
–Senhor, ela é uma mulher...- começou um senhor,que eu não me lembrava o nome.
Killian olhou para mim novamente, da cabeça aos pés e deu uma piscadela.
–Sim, eu estou vendo.- respondeu.- Obrigado por me informar sobre isso.
–Não.- continuou o velho.- Quero dizer... sei porque caiu nos encantos dela, de fato é uma moça muito bonita...
–Quer dizer que se eu fosse feia ele não me deixaria ficar?- não aguentei me segurar e questionei encarando todos,tamborilando os dedos na cintura.
Killian riu e o encarei.
–Que foi? É mais que certeza que eu não te deixaria ficar se fosse feia. Já não basta eles.- apontou para sua tripulação. Cruzei os braços e revirei os olhos.
–Posso continuar?- o velho perguntou,torcendo um pano imundo nas mãos parecendo quase arrependido de ter começado a falar.
–Prossiga.- Killian e eu falamos ao mesmo tempo. Ele me olhou bravo mas o ignorei, prestando atenção ao velho.
–Ela é uma mulher e todos sabemos que dá azar ter uma mulher à bordo.
–Ahhh,pelo amor de tudo!- Killian explodiu impaciente.- Eu peço um bom argumento e é isso que eu recebo? Isso é besteira. Já tivemos uma mulher à bordo aqui, anos atrás e nunca aconteceu nada de ruim a esse navio. Não quero saber se estão de acordo ou não, já tomei minha decisão e a Swan fica. Vocês gostando ou não, irão ter que aprender a conviver com ela nos próximos meses. Ou então podem abandonar o navio no próximo porto em que atracarmos. Entendidos?- perguntou olhando para todos, os homens assentiram com a cabeça.- Ótimo, voltem ao trabalho.- ordenou se virando e assumindo o leme.
Fiquei parada,sem saber o certo o que fazer no momento. Deveria ir para o lado dele e conversar ou ir limpar alguma coisa longe dos marujos? Eu poderia limpar a cabine dele...
Porém minha curiosidade de saber quem era a mulher antes de mim foi mais forte e me postei ao lado de Killian. Tinha tanta coisa para perguntar e ao mesmo tempo nada,que não sabia o que dizer primeiro.
–Quem era?- comecei olhando para o seu rosto que estava concentrado olhando a bússola.
–Quem era quem?- perguntou distraído.
–A mulher que morou aqui antes de mim. Essas roupas eram dela?- quis saber.
Killian bufou.
–Não é da sua conta. E sim, essas roupas pertenceram a ela.
Mordi a parte interior da minha bochecha. Por que será que ele guardou as roupas dela? Será que a mulher era aquela dos desenhos em sua cabine?
Então as peças se juntaram na minha mente.
–Você gostava dela?- arrisquei.- A dona desses roupas.
–Você não tem nada melhor para fazer,não?- indagou irritado.
Dei de ombros.
–Você me mandou não sair do lado de você e como você não me mandou fazer nada... Você gostava dela?- insisti.
–Meu Deus, Swan! Por que quer saber?- Killian se segurou para não gritar comigo.
–Você gostava.- afirmei.- Como ela chamava?
–Já estou me arrependendo de ter deixado você ficar.- murmurou para si mesmo irritado.
Percebi então que a mulher misteriosa era um assunto delicado para Killian e vi que a cada pergunta uma pontada de dor passava pelos seus olhos. Estava curiosa mas não o suficiente para lhe infligir dor.
Mas eu queria saber mais, decidi por uma pergunta mais leve.
–Como você perdeu sua mão?
–Meu Deus,Swan!- dessa vez ele realmente explodiu, batendo no leme e me olhando raivoso. Me encolhi diante de seu olhar.- Não se deve perguntar para as pessoas como elas perderam partes do corpo.
–Não?- perguntei confusa. Estava esperando que ele travasse uma conversa de como perdeu sua mão em uma batalha cheia de emoções pelo tesouro.
–Não. – respondeu em um tom seco- Por que você não vai para a cabine? Vai ler um livro, comer alguma coisa, tirar um cochilo. Prepare um banho para si.- ele sugeriu,voltando a segurar o leme.
–Posso?- indaguei tímida,com medo de outro ataque. Killian não me respondeu,apenas balançou a cabeça em afirmativa.- Tudo bem. Obrigada.- agradeci e me virei,praticamente correndo para a cabine e fechando a porta ao entrar.
Tomar um banho seria realmente uma coisa ótima,mas eu teria que prepará-lo, o que não era tão ótimo assim,já que não tinha forças para carregar baldes cheios de água para encher a banheira . De qualquer jeito,parecia que estávamos próximos de descer em algum porto,onde eu poderia alugar um quarto em uma pensão e poder tomar um verdadeiro banho,porém isso significava mais alguns dias fedendo. Ou poderia pedir para o Killian me ajudar a encher a banheira,se caso ele não estivesse mais bravo comigo.
Sim, era isso que eu iria fazer.
A ideia de poder tomar um banho me animou tanto,que comecei a arrumar a cabine ao mesmo tempo que eu fuçava . Achei o baú onde Killian guardava as suas roupas, e ali havia apenas peças de couro. Imaginei o calor infernal que ele passava naquelas peças e me perguntei se valia a pena apenas para ficar com boa aparência.
Depois comecei a correr os dedos pelos livros, a maioria sobre navegação, nada que me interessasse. Nunca entendi mapas, mesmo com papai e Graham tentando me ensinar. Para mim,era um monte de linha sem sentido nenhum. Doía minha cabeça só de olhar.
Abandonei os livros e abri um armário onde tinha uma coleção de espadas de todos os tamanhos. Olhei para a porta,para ter certeza que ainda estava sozinha e peguei uma das espadas. Assim que tentei erguer a derrubei no chão, era mais pesada do que parecia e eu não tinha força para erguê-la. Nunca que eu conseguiria levantar uma espada para lutar, acho que morreria se caso precisasse lutar com uma para salvar a minha vida.
Mais uma coisa para adicionar a lista de coisas para se aprender enquanto estivesse ali.
Com cuidado a guardei de volta no lugar e peguei outra que parecia ser mais leve. Essa consegui erguer e a empunhei,erguendo a cabeça.
–Acho melhor não dar mais nenhum passo.- ameacei o nada estreitando os olhos.- Ah, não está acreditando? Acho melhor não duvidar de mim... não terei piedade quando enfiar isso em você.- estiquei meu braço como se estivesse acertando alguém e então comecei a rir.- Emma Swan, você está tão patética fazendo isso.- falei para mim mesma,puxando a espada para poder analisá-la.
–Sem dúvida. Ainda bem que você tem noção disso- a voz de Killian veio da porta e eu me virei assustada batendo no armário. Fechei os olhos ao ouvir o barulho de coisas caindo. Quando tudo ficou em silêncio,abri apenas um olho para ver a bagunça.
Todas as armas que estavam no armário caíram .
Mordi o lábio inferior,envergonhada da bagunça feita.
–Vou arrumar tudo, prometo. Do jeitinho que tava.- falei antes que ele começasse a ficar nervoso, já me agachando para colocar tudo no lugar.
Mas para minha surpresa ele riu. Aquele riso meio rouco,meio arrogante que só ele tinha e que causava uma coisa estranha em minha pele.
–O que você estava fazendo?- perguntou divertido entrando e indo me ajudar com as armas.
Pelo menos o humor dele já havia melhorado. Era isso ou ele sabia esconder muito bem seu mau humor .
–Lutando contra alguém... invisível- expliquei meio envergonhada.- Desculpe eu não deveria ter tirado nada do lugar, é que quando eu abri não resisti a pegar uma para testar.
Ele continuou a rir, balançando a cabeça.
–Bom saber que eu divirto você.- comentei começando a me irritar com aquelas risadinhas.
–O mínimo que você poderia fazer. – Killian terminou de guardar as armas e fechou o armário.- Não mandei você descansar?
–Você me mandou vir para cabine fazer alguma coisa. Eu pensei em tomar um banho,mas não tenho força para encher a banheira. Então comecei a ler,porém você só tem livros referente a navegação e não é por nada, eu só não gosto disso. E não iria me deitar em sua cama porque... bem ela é sua. E você é homem.- constatei o obvio.
–Reparou que eu sou homem como? A falta de seios ou...?
–Killian! Não é certo eu me deitar na cama de um homem, a não ser que seja meu marido. Todo mundo sabe disso.
–Querida, você está em um navio pirata... quer mesmo seguir as regras da sociedade aqui?
Assenti com a cabeça.
–Já perdi muito de mim mesma quando decidir embarcar. Quero manter o pouco que posso do que aprendi.
Ele deu de ombros.
–Se assim deseja... Tenho um trabalho para você.- anunciou.
Fiquei animada ao saber que iria fazer alguma coisa além de fuçar nas coisas dele. Era divertido mas ao mesmo tempo eu estava invadindo a privacidade de Killian e isso não era nem um pouco educado.
–Quero que você traduza essas cartas para mim.- ele as tirou de uma pequena caixa de madeira.
Peguei de suas mãos os envelopes e os estudei.
–Mas...- o olhei de olhos arregalados.- São cartas com o selo real!
Killian me olhou como se eu fosse louca.
–Eu sei, não precisa gritar.
–Mas... por quê?
Ele revirou os olhos.
–Você gosta de perguntar.
–Gosto de saber onde estou me metendo.- rebati.- Se não me contar, não irei traduzi-las.
–Ô mulher complicada. O rei da Espanha está interessado em um carregamento de preciosidades e essas coisas que os reinos ficam brigando para conseguir. Preciso saber onde interceptá-los e está nestas cartas todas as informações que eu preciso,mas não sei francês e acredito que uma dama como a senhorita saiba.
–Mas...
–Sem mais, senhorita Swan. Ao trabalho. E se não souber francês,aqui tem um dicionário para lhe auxiliar.- jogou um livro grosso na mesa e se virou para sair.
–Não! Eu não vou fazer isso. Não é certo.
–Não estou perguntando, estou ordenando que faça, não entendeu?
–O que você vai ganhar fazendo isso que você não ganha nas pilhagens?- exigi saber me colocando em seu caminho para que ele não saísse.
–Sério, Swan. Não é da sua conta.
–Pare de responder isso! Me dê uma resposta de verdade ou eu não irei fazer isso. O que diabos você esta me escondendo?
Killian soltou uma risada sem humor nenhum e apertou a ponte do nariz. Então me encarou com um sorriso maldoso no rosto.
–Você não tem direito de exigir nada. Nenhuma explicação. A única coisa que tem a fazer é agradecer.- ele sussurrou aproximando seu rosto do meu.- E tire esse seu ar de arrogância do seu lindo rostinho, comigo ele não funciona.
–Eu. Não. Vou. Fazer.Isso.- pontuei cada palavra, usando o mesmo tom que ele usara para falar comigo e sai da frente dele,jogando as cartas na mesa.
Senti um puxão no meu braço e trombei no peito de Killian. Ele estava furioso novamente.
–Você vai fazer o que estou mandando! Eu sou seu capitão e você faz parte da tripulação, tem que obedecer minhas ordens.- ele falava tão próximo ao meu rosto que sentia gotículas de sua baba atingir meu rosto enquanto ele vociferava.- Faça o que eu mandou ou caia fora.
–Você não teria...
–Ah, teria sim. Não me subestime, Swan.- Killian se endireitou, se afastando de mim mas sem aliviar o aperto em meu braço.- Quero essas cartas traduzidas até amanhã de manhã.- ele ordenou e me empurrou,finalmente soltando meu braço.
Esperei até que ele fechasse a porta para que eu pudesse chorar. Eu queria poder brigar com ele, gritar e poder bater nele. Porém não podia fazer nada disso, se eu quisesse ficar ali teria que aguentar todas as humilhações calada. Teria que ser boazinha.
Mas eu não saberia dizer por quanto tempo aguentaria ouvir os gritos. Quando alguém eleva a voz para mim é a coisa mais humilhante que pode me acontecer.
Segurei o choro depois de um tempo, me recusando a derramar mais alguma lagrima. Eu precisava ser uma pessoa forte,melhor do que eu sou,ainda que alguns soluços escapassem de minha boca. Puxei a cadeira e me pus a trabalhar na esperança de acabar com aquilo logo.
Já era noite quando a porta da cabine se abriu e um Killian com aparência cansada entrou, tirando o casaco de couro.
Terminei a carta que estava traduzindo e me levantei em silêncio,pegando a vela que estava usando para me auxiliar e passei por ele, indo para a saída.
–Onde está indo?- quis saber.
Parei na porta olhando para ele,o rosto livre de emoções. Tinha que me lembrar que ele não era meu amigo, apenas meu capitão.
–Dormir.- respondi simplesmente.- Consegui terminar as cartas hoje.- avisei me virando para sair dali. Ainda me sentia extremamente humilhada.
–Swan.- me chamou e eu girei nos calcanhares para olhá-lo.- Você não está pensando em ir dormir no...
–Não.- o cortei.- Não vou dormir lá. Eu me acho em algum lugar. Boa noite, capitão.
–Swan!- me chamou novamente.
–Sim?- reprimi um suspiro exasperado.- Tem mais alguma coisa que posso fazer pelo senhor?
Ele pareceu meio sem graça enquanto coçava a nuca e me olhava.
–Pode ficar aqui, se quiser. Aquele sofá é bem confortável.- apontou para o sofá que estava no canto da cabine, ele tinha um leve sorriso nos lábios como se perguntasse se estávamos bem.
Não sei por quê senti meu coração afundar e meu estômago se mexer de um jeito estranho.
–Não,obrigada. Você é meu capitão e eu faço parte da tripulação. Não é certo dormimos no mesmo espaço. – pude jurar que seu rosto caiu ao ouvir a resposta, aposto que não era a que ele esperava.- Boa noite.- anunciei pela última vez e ele não me impediu de subir.
Eu tinha que acatar as ordens dele, porém ainda tinha meu orgulho. Ou ele achava que poderia gritar comigo e praticamente me agredir mas se falasse comigo em um tom mais suave ou me oferecer um pouco de conforto eu iria esquecer?
Eu era boa mas não era como um cachorro que esquece quando seu dono o maltrata.
Não mesmo. Eu estava muito longe de ser um cachorro.
Landon estava no leme,assobiando uma canção que parecia muito melancólica.
–Olá.- o cumprimentei, queria ter conversado com ele porém com os acontecimentos do dia fora impossível.
–Veja só quem fala.- me respondeu em um tom divertido.
–Me desculpe por ter mentido para você e te colocado em problemas.
Landon deu de ombros.
–Está tudo bem,menina. Você deve ter um motivo nobre para estar aqui,já que você não parece nem um pouco do tipo miserável.
–Estou procurando a minha mãe.- contei para. Se eu sabia que teria algum amigo aqui, esse seria o Landon. Ele não me olhava de maneira estranha,nem parecia prestes a gritar comigo ou com raiva de mim.- Eu achava que ela estava morta, mas descobri recentemente que não. Eu preciso achá-la. Meu pai é governador de um condado da Inglaterra.- fiz um resumo rápido.
–Wow .-Landon assobiou.- Você não é nem um pouco miserável mesmo.
Ri da reação dele.
–Não mesmo. Mas sou uma negação para qualquer coisa... Você acha que vão me aceitar aqui?- eu realmente queria saber aquilo, teria perguntando para Killian se ele não estivesse tão estressado.
–Com o tempo sim... O que está fazendo aqui encima?
–Vim procurar um lugar para dormir, acho que no momento não sou bem vinda no porão.
–Não mesmo.- concordou.- O capitão ele...
–Ele...?- incentivei porém Landon balançou a cabeça.- Nada. O que senhorita sabe fazer?
–Por favor,me chame de Emma.- pedi.- E eu sei dar ordens em casa, falar de laços de fita que combinam com vestidos,sapatos, um pouco de bordado, sei tocar um pouco de arpa e piano...Também sei conversar sobre coisas banais com Graham mas não sei se esse último conta.- murmurei pensativa.
–Ou seja: nada que a ajude a sobreviver aqui.- concluiu me encarando.
–Exato.- concordei com a cabeça sorrindo. Eu passava a gostar cada vez mais de Landon por ser tão legal.
–Eu posso lhe ensinar alguns golpes com seu punhal e umas defesas pessoais. Percebi que você faz o tipo briguenta. Ajudaria muito saber as técnicas certas.
–Isso é sério?- perguntei animada com a ideia de que poderia aprender a me defender.- Eu adoraria, de verdade Landon. Muito obrigada.- reprimi a vontade de abraçá-lo de tão feliz que eu estava.
–Sim,sim. Mas por que você não vai achar um lugar para descansar agora? Foi um dia e tanto para você.
Assenti com a cabeça e já ia indo para o convés quando me contive.
–Onde está...?
–Ramirez? O capitão ordenou que o colocássemos na prisão.
Balancei a cabeça e desci as escadas que levavam ao convés. Parei ali no meio olhando onde eu poderia me deitar até que meu olhar caiu no bote onde eu ficava sentada.
Ali serviria até eu poder voltar para o porão.
Soltei meus cabelos e os esparramei pelos ombros com a intenção de usá-lo para me cobrir um pouco, já que fazia frio. Me arrependi de não ter pego as roupas que estava usando antes,pelo menos serviriam como cobertor. Mas também não iria voltar na cabine.
Não mesmo.
Suspirei cansada, sentindo cada parte do meu corpo escorregar para a exaustão. Fiquei observando as estrelas até que minha visão começou a ficar embaçada.
–Obrigada, Meu Deus, por mais esse dia que me proporcionou. Não foi um dia fácil, mas pelo menos estou viva e isso já me é suficiente.- balbuciei fechando os olhos que já fechavam e minha voz ficava mole.- Peço que proteja aqueles que deixei para trás e que em seu interior eles saibam que estou bem para que não se angustiem. Amém.- fiz o sinal da cruz e me virei para me ajeitar.- Mamãe,estou indo lhe encontrar.- prometi antes de escorregar para a escuridão da inconsciência.
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