Traitor

1 U: you betrayed me


Notas iniciais
Gostaria de agradecer às adms do Pride, vocês são incríveis, sério ♥ É incrível estar em contato com autoras como vocês e uma honra participar desse projeto tão necessário e gostoso ♥

Boa leitura!

Você se diz tão grifinório, tão diferente dos sonserinos da sua família. Tão corajoso, tão nobre… Tão leal. Suponho que seja mesmo... Exceto comigo, por algum motivo que eu talvez jamais compreenda.

Você acha graça de como eu me anulei vergonhosamente sobre quando você armou para Snape naquela noite dos meus pesadelos? E de como eu repeti incontáveis vezes para a minha mente atormentada que você nunca quis me magoar? Não, você estava tentando me proteger, eu sei disso. Sim, era apenas uma brincadeirinha para assustar o Ranhoso o suficiente para que ele nunca mais metesse o enorme nariz na minha vida. Foi isso o que me disse, não foi? Foi isso o que me contou depois, e não antes, de permitir que o show de horrores acontecesse. Foi isso o que você passou semanas tentando fazer James compreender, até que ele te desculpasse — como se fosse ele quem lhe devesse a clemência.

Quanto a mim, o perdão que me pediu veio em murmúrio, olhos relutantes em me encarar e um toque no braço — o único vindo de você a me causar repulsa. O resto das suas explicações fiquei a saber por entrecortes, nos momentos atordoantes em que você e James brigavam e a minha mente insistia em gritar que eu quase matei alguém. No entanto, assim que você se esgueirou pelas cortinas ao redor da minha cama, quando julgou que já seria apropriado, meu corpo tenso pela aflição noturna se desfez em seus braços, porque você queria que eu voltasse a ser seu e, ainda, distraísse-lhe das suas mágoas. Oportunidade perfeita para dissipar a tempestade dos meus pensamentos e me reconciliar com você, eu cri.

Ao meu modo, eu te amei, Sirius Orion Black, na sua pior fase. Eu te amei quando deveria ter me priorizado. Fragilizado, amedrontado e culpado, eu te amei como deveria ter me amado. Mas como poderia, afinal? Um monstro como eu, feito para assustar colegas enxeridos... Digno da sua atenção, fonte do seu consolo quando seu próprio melhor amigo lhe virou as costas por seu comportamento transgressor de regras, valores e laços afetivos. Tudo o que eu queria, entretanto, era te dar o conforto que eu nunca achei que poderia dar a alguém — e que, definitivamente, não poderia direcionar à criatura sombria que eu mesmo era.

Embora nada disso tenha importado, não é mesmo? De que adiantou para que você não quebrasse o meu coração, sem dó nem piedade, nem remorso ou ao menos consideração? Você me traiu, Sirius, de inúmeras formas, e você nunca vai pedir desculpas pelo sofrimento que me causou. Você se acha bom demais para isso ou é apenas cego de sentimentos?

Engraçado como eu não quis acreditar… Seus pequenos flertes públicos voltados para ela, no fim das contas, não eram só disfarces para o nosso tórrido caso secreto. E, ainda assim, a culpa nunca fora algo em questão para você, de modo que você dormia à noite sem peso algum. Enquanto eu estava à mercê de pesadelos, você sonhava tranquilamente com o quê?

Você disse que eu estava paranoico… Afirmou que não daria certo, que eu estava exagerando, pois não éramos o que eu achava. Eu poderia me perguntar o quanto disso foi desculpa para se livrar de mim, mas agora já estou convicto de que era a sua mais pura verdade. Você não se importava comigo como eu sonhei que alguém, apesar das minhas luas, faria algum dia. Por Merlin, como eu gostaria que você tivesse deixado isso claro antes de eu ir e me apaixonar por você...

Mas agora é tarde… Tarde da noite e eu me encontro despejando, sobre o papel, rancor, mágoas e um amor destroçado. Tarde da noite e você se encontra em algum canto escondido de Hogwarts com Marlene Mckinnon, dando-lhe toques e beijos que outrora eram para mim.

Tarde demais para não estar apaixonado e quebrado por você.

Embora, por outro lado, ainda seja cedo — cedo demais para um sentimento profundo passar. Como o meu. Não se reconstrói um coração estilhaçado num passe de mágica, por mais poderoso que seja o bruxo. Logo, acho que o fato de você já ter me superado reforça a minha tese de que você nunca foi realmente sincero com seus gestos de afeição para comigo. Eu só queria entender o que você quis dizer com eles…

Porque você demonstrou gostar de mim no início da gente, não foi? Lançou-me olhares carinhosos, elogiou-me, deu-me pequenos presentes de idas furtivas a Hogsmeade… Até nos preparou um encontro especial na Sala Precisa, na noite em que eu me deitei pela primeira vez para você. No entanto, pouco a pouco, o afeto que me dirigia reduziu à metade, como se tudo não tivesse passado de uma armadilha na qual eu pateticamente caí. E eu, iludido, fiquei quieto para poder manter você e a sua meia-paixão.

Tudo isso apenas para, duas semanas depois de me largar, você aparecer com aquela que era alvo de brincadeiras só de amigos. Seu rosto nem ardeu ao confessar indiretamente que seu interesse por ela era antigo. O que fazia comigo, então, por ciclos e mais ciclos lunares?

Se você pensou que só conseguiria me foder se me conquistasse de corpo e alma, você acertou no método e teve sucesso nos diversos sentidos da palavra-objetivo. Eu te devo congratulações por superar suas expectativas? Pois não espere isso — e nem mais nada — de mim.

Na verdade, estou muito mais interessado é numa resposta: era mesmo necessário fazer isso comigo, Black? Era imprescindível para o seu lado sádico que você deixasse marcas dentro de mim? Você não se contentaria em me usar até que conquistasse o seu novo troféu, não? Você precisava gravar suas iniciais em mim como uma criança faria num tronco de árvore? Cortes profundos e permanentes... E, então, ir embora, deixando-me a derramar sangue e lágrimas descontroladas.

Bem, agora que destroçou o meu, faça o que quiser com seu coração, Sirius Black — ele aparentemente nunca me pertenceu mesmo... Contudo, enquanto estiver com a outra, não se esqueça do jeito como você me traiu com suas meia-verdade, meia-atenção, meia-amizade e meia-paixão. No fim das contas, você pode nunca ter ficado com ela enquanto me usava, mas não deixa de ser um traidor.

Notas finais
Não me matem nem matem o Sirius dos seus corações hahah Espero que notem que, por essa fic ser exclusivamente um desabafo angustiado e aborrecido do Remus, fica difícil ver o lado do Sirius (que não deixa de ser um irresponsável emocional, mas é também um ser humano, com erros e defeitos)
Obrigada, Olivia Rodrigo, por me inspirar e me fazer entender um pouquinho mais do que eu já senti em relação a exs tóxicos (e que superei faz tempo, aleluia) hahah
Espero que tenham gostado (de sofrer?) e, por favor, deixem seus comentários sobre o que acharam ♥
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!