Training days

20 O sábado do festival


Em algum canto da cidade, em um bar qualquer e desconhecido, era possível ouvir o barulho dos próprios passos dela ecoando pelo corredor escuro. Todos iriam gostar de saber o que havia descoberto — e como iriam! Era a bolada do mês. Estava há um tempo observando a U.A., suas movimentações, seus alunos e funcionários, e finalmente havia sido recompensada. Depois de tanto tempo, poderia parar de ficar só olhando e partir para a ação. A animação era inevitável.

Quando chegou ao final do corredor, abriu a porta sem cautela alguma e a fechou com força, chamando a atenção de todos que estavam por ali. Deu mais alguns passos, se colocando no meio do ambiente, e abriu um sorriso de orelha a orelha — que se não fosse pela aura macabra que carregava, chegaria até a ser bonito.

— Eu consegui — disse simples, colocando as mãos na cintura, orgulhosa de si mesma.

— Conseguiu o quê? — uma voz entediada perguntou.

— Saber um jeito de conseguirmos o que tanto queríamos, oras. — Revirou os olhos, como se a resposta fosse óbvia. — Depois de todo esse tempo só olhando para todo aquele sangue que poderia ser melhor aproveitado, eu consegui uma informação muito útil: os alunos vão para um festival amanhã de tarde.

O clima da sala mudou claramente. Se antes estavam na dúvida se o que ela tinha a dizer era realmente importante, agora estavam começando a ter certeza. Todos a olhavam com muita expectativa, esperando que mais informações valiosas fossem reveladas. Até Kurogiri, que estava servindo uma bebida à Shigaraki, parou para ouvir a loira.

— Todos sabem que eles têm que voltar antes das dez da noite, mas aparentemente foram liberados a ficar até mais tarde. E o melhor de tudo: All Might irá com eles.

— Explica melhor, Toga. — A voz antes entediada de Dabi até adquiriu uma certa animação.

— Pelo que ouvi a Mina-chan contando pra Ochako-chan, ele acredita que pode ir disfarçado e que não chama mais a atenção como antes.

— Ele acha que só porque o All for One acabou com ele ano passado não temos mais a intenção de ir atrás dele ou da turma dele? — Twice se pronunciou. — Nós não temos! Mas nós temos e vamos!

— Sim, nós vamos — Shigaraki se pronunciou, um sorriso satisfeito se abrindo. — Vamos nos preparar.

— Ah, vou rever minhas grandes amigas! — Toga sorriu. — Vou preparar minhas melhores facas! Vai ser um encontro de amigas super empolgante! E eu vou poder rever... Izuku-kun! — Ela deu um gritinho e saiu saltitante.

Dabi apenas revirou os olhos e saiu do recinto também. Aos poucos, todos foram se dispersando para se prepararem para o dia seguinte. Seria, no mínimo, empolgante.

xxx

Uraraka acordou cedo no sábado, pois queria adiantar a lição de casa para antes que saíssem, assim não precisava passar o domingo fazendo também. Se espreguiçou e saiu da cama ainda um pouco sonolenta, decidindo tomar um banho para tentar acordar. A água quente do chuveiro realmente a ajudava a despertar e saiu do banheiro renovada, se trocando com rapidez.

Sentou-se na escrivaninha e suspirou alto enquanto organizava seu material para começar as lições. Seria uma longa e tediosa manhã. Checou a hora no celular e se lembrou de que precisava avisar Bakugou que não correria com ele. Mandou uma mensagem curta, pois sabia que o garoto não gostava de muita enrolação e excessos de explicações. Colocou o celular pro canto da mesa, mas ele logo vibrou. Estranhou alguém a mandar mensagem, mas se surpreendeu quando percebeu que o garoto a respondeu. Ele nunca respondia nada, ela só sabia que ele tinha visto porque marcava que ele visualizou. Abriu a mensagem, curiosa, e leu que ele também não iria, pelo mesmo motivo que ela: lição. Mas mais surpreendente ainda, foi a mensagem que veio em seguida:

Bakugou-kun [07:52]: O Kirishima tá falando pra você fazer a lição com a gente lá embaixo, daqui 10 minutos.

Ochako piscou uma, duas, dez vezes... Ela estava dormindo ainda? Demorou um pouco para a morena perceber que não estava ficando louca e que a mensagem realmente estava ali. Já não fosse estranho o suficiente ele a responder, ainda havia passado recado pelo Kirishima? Parece que o dia ia ficar estranho logo cedo.

Cara Redonda [07:55]: Vejo vocês lá embaixo!

Do outro lado do andar, Bakugou sorriu ao ver a resposta. Estava ficando mesmo um idiota com toda essa história de estar apaixonado. Suspirou alto e se levantou da cama, caminhando até a escrivaninha e pegando suas coisas. Saiu do seu quarto e bateu na porta ao lado, chamando o amigo para descerem juntos.

— Chamei a Uraraka pra fazer a lição com a gente — comentou enquanto desciam no elevador.

— Aí sim, bro! — Ele deu um sorrisão de tubarão e fez um jóinha com a mão.

— Mas eu falei que foi você que falou pra ela ir. Então vê se não dá fora.

— Ah... Ok? — Ele franziu o cenho. — Por que não deixou você mesmo a chamando?

— Porque não — respondeu com um bico.

As portas do elevador se abriram e a dupla saiu. Andaram em direção à sala, já encontrando Uraraka ali sentada no chão, organizando seu material em cima da mesa de centro para começar as lições. Os dois se aproximaram, sentando-se perto dela. Kirishima fez questão de fazer o loiro sentar bem do lado da morena, o fazendo olhar feio. Se apressou em sentar do outro lado dela, para evitar que o sem noção do Kaminari sentasse ali.

— Obrigada por me chamar, Kirishima! — Ela o olhou sorrindo. — Eu só não entendi porquê não me mandou mensagem do seu celular.

— Ahn... De nada. — Ele sorriu amarelo. — É que eu... Tava sem bateria! Mas que bom que o Bakugou te passou o recado, né, bro? — Ele olhou pro amigo, ainda sorrindo sem graça.

— Ah, sim! — Ela virou para encarar o loiro, aquele sorriso que o matava ainda estampado na cara. — Obrigada, Bakugou!

O garoto não respondeu nada, só estalou a língua e abaixou a cabeça, começando a abrir seus cadernos. Uraraka já estava acostumada a não obter muitas respostas, então só deu de ombros e voltou a organizar seu material também, sem deixar de ficar conversando, claro. Pouco tempo depois, Kaminari e Sero se juntaram ao grupo, e eles puderam começar com os deveres.

O ritmo deles não era muito diferente do que Uraraka estava habituada em seu outro grupo de amigos, então foi muito fácil acompanhar o desenvolvimento dos exercícios. Bom, com seus outros amigos ela não precisava ficar preocupada com o bem-estar deles como ela ficava com Kaminari, pois não tinha um Bakugou para olhar feio ou dar um pescotapa a cada pergunta boba que fosse feita... Mas mesmo assim, era divertido e fazia a lição ficar menos chata.

A hora do almoço já estava se aproximando, mas eles já estavam quase terminando. Só faltava terminar de conferir a última lição da Midnight e estariam livres. Sero estava lendo a resposta que havia colocado na questão e, enquanto todos acenavam com a cabeça, Uraraka ficava confusa, pois não tinha respondido aquilo.

— Minha resposta tá muito diferente! — ela se pronunciou com o cenho franzido.

— Deixa eu ver. — Bakugou se aproximou do caderno dela, lendo a resposta. O loiro olhou para o livro de perguntas e depois para o caderno de novo, revirando os olhos ao respondê-la de volta: — Você pulou a pergunta, cara redonda.

A morena olhou atenta pro caderno e para o livro. Ela havia colocado a numeração certa das perguntas, mas na hora de responder confundiu com a pergunta de baixo. Bufou alto, um pouco irritada com a própria falta de atenção. Pegou a borracha e começou a apagar a folha, mas estava ficando marcado e feio.

— Cacete, viu — resmungou, mais irritada com o trabalho feio que estava executando. Arrancou a folha sem dó nenhuma e começou a escrever tudo de novo.

A garota só não percebeu que todo mundo parou o que estava fazendo e ficou a encarando. Até mesmo Bakugou estava um pouco assustado com o palavrão repentino, mas dava pra ver um resquício de um sorriso orgulhoso estampado no seu rosto. Os outros garotos olharam entre si e depois para o loiro explosivo, e então começaram a rir. Isso pegou a morena de surpresa, que levantou a cabeça para olhá-los, sem entender nada.

— Que foi, gente?

— Bem que falam que a convivência muda as pessoas, né? — Sero ria.

— E o amor também. — Kaminari ergueu as sobrancelhas freneticamente, como se tivesse jogando indiretas.

— Quê? — Ela fez uma careta confusa. Não estava entendendo nada do que os garotos estavam dizendo e, ao olhar pro lado pra tentar perguntar para Bakugou, só ficou mais confusa com o rosto corado dele. — Do que vocês tão falando?

— Esquece o idiota do Denki. — Kirishima tentou disfarçar a situação pro amigo explosivo, empurrando o rosto do loiro com a mão. — A gente só tava rindo do palavrão que você soltou.

A morena fez uma expressão de surpresa e estava prestes a se desculpar, mas foi interrompida.

— Nem se preocupa em pedir desculpas, Uraraka — Sero disse, erguendo a mão.

— É! A gente já tá bem acostumado a ouvir palavrão por aqui. — Kaminari lançou um olhar pra Bakugou. — E a falar de vez em quando também, né, fazer o quê.

Uraraka sentiu-se acolhida. Lembrou da vez que soltou um palavrão com os outros amigos e eles começaram as acusações contra Bakugou, subestimando sua capacidade e tudo o mais. Agora foi diferente. Todos já estavam acostumados com o loiro explosivo e bem... Realmente, a convivência muda as pessoas. Se não achasse loucura, poderia até mesmo jurar que sua gentileza estava passando para o garoto loiro aos poucos. Beeeem aos poucos, mas é.

O grupo esperou Uraraka passar suas respostas a limpo e, pouco tempo depois, conseguiram terminar todas as lições. Cada um subiu para seu respectivo quarto para guardar o material escolar e descer logo em seguida, pois o almoço começava a ser servido. E claro que Kirishima insistiu que a morena almoçasse com eles de novo, mas dessa vez ela nem ligou tanto por não conseguir almoçar com os outros amigos. Mais tarde todos sairiam juntos e ela passaria bastante tempo com eles.

Depois de uma boa refeição, a garota subiu de volta para o seu quarto. Trancou a porta atrás de si e esticou os braços pra frente, estalando os dedos das mãos. Aproveitaria que acabou a lição cedo para ajeitar a bagunça e descansar um pouco antes de sair. Respirou fundo e pôs-se a trabalhar, guardando tudo que estava fora do lugar. Cadernos abertos na escrivaninha, roupas jogadas numa cadeira, lençóis emaranhados na cama... Bom, no fim não é como se tivesse muita bagunça também, mas era sempre bom manter tudo organizado. Em menos de meia hora estava tudo na mais perfeita ordem, deixando a morena satisfeita consigo mesma.

Já que ainda faltava um tempinho até a hora combinada de sair, Uraraka se jogou na cama e decidiu descansar um pouco. Programou um alarme no celular e fechou os olhos, pegando no sono com facilidade.

No outro lado do dormitório, dois andares para baixo, o garoto de cabelos verdes estava a ponto de roer todas as unhas da mão em nervosismo. Nem ele sabia dizer o que estava acontecendo ao certo, mas parecia que seus olhos estavam tampados por muito tempo e, de repente, se abriram. Uma explicação relativamente vaga, mas era isso.

Deku sempre soube que havia um carinho a mais pela controladora da gravidade, mas sempre foi tímido e lento demais para perceber que estava gostando dela. Sempre gostou, na verdade, só nunca conseguiu ver isso com a clareza que via agora. Essa ausência dela durante a semana só serviu para ele perceber o quanto sentia falta das conversas, dos sorrisos e da gentileza dela. Quando percebeu, já estava pensando que seria legal se pudesse ficar sempre com ela, causando seus sorrisos e conversando as mais diversas banalidades. E daí pra imaginar um beijo não foi um caminho muito distante. E agora lá estava ele, tentando juntar toda a coragem que gostaria de ter para ir falar com ela no festival.

Olhou no relógio, se dando conta de que já estava na hora de começar a se arrumar. Foi em direção ao banheiro e começou seu banho, ainda pensando em maneiras de abordar Uraraka sem parecer desesperado ou enérgico demais. E, claro, apesar de ter a impressão que seus sentimentos eram correspondidos, ainda havia o receio em ser rejeitado. Tinha que se preparar pra isso também. Desligou o chuveiro e terminou de se arrumar com rapidez. Respirou fundo e saiu do quarto, indo em direção ao térreo se encontrar com os outros. Daria o seu melhor.

A maioria dos alunos já estava no térreo quando Midoriya chegou lá, incluindo a Uraraka. Aproximou-se dela, puxando conversa e dizendo o quanto havia sentido a falta dela naquela semana. Ele se sentia com o rosto queimando de vergonha de falar algo assim, mas não se importava muito, porque jurava que a garota estava ficando corada também. Entre conversas e risadas, todos logo chegaram, incluindo um disfarçado All Might — que, na verdade, havia apenas colocado uma roupa preta, chapéu e óculos escuros. Ninguém sabia ao certo se disfarçava tanto assim, mas se o ex-Símbolo da Paz acreditava que aquilo era suficiente, quem iria o contradizer, não é mesmo?

Sob as ordens de voltarem assim que os fogos acabassem, a turma A deixou o dormitório rumo ao festival. Todos estavam visivelmente empolgados, conversando sobre o quão legal seria se distrair um pouco. Uraraka ainda conversava com Deku, tendo os outros amigos do grupo se juntado a eles há pouco tempo. Um pouco mais atrás, vinha Bakugou e seu grupo. O loiro estava com as mãos no bolso e uma expressão de poucos amigos bem conhecida, enquanto encarava indiscretamente Deku e Uraraka.

— Bro, relaxa aí — Kirishima sussurrou, lhe dando uma cotovelada de leve.

— Me deixa — ele resmungou em resposta.

— Só tô tentando ajudar. Você tá encarando tanto que daqui a pouco a menina até tropeça e cai.

— Eu sei. — Bufou alto e revirou os olhos. — Que que aquele merda tá grudado nela? Vai se foder!

— Sei lá, bro. Mas faz o que te falei e relaxa. Chegando lá a gente dá um jeito de chamar ela pra cá. — O ruivo deu uma piscadela pro amigo, que só estalou a língua em resposta.

A caminhada não durou muito, pois o parque não era tão longe assim. Em menos de meia hora o grupo havia chegado lá e se dispersado, o que fez Kirishima pensar que talvez fosse mais difícil do que pensava conseguir chamar a Uraraka pra ficar com eles. O ruivo tentava a procurar pela multidão, mas era difícil de encontrar alguém ali. Desistindo por hora, ficou por perto dos amigos. Aizawa havia sido muito específico na regra de não ficarem sozinhos.

— Ah, olha só! — Mina deu um gritinho e apontou para uma barraca de tiro ao alvo que tinha pelúcias como prêmios. — Que unicórnio mais lindo!

— Legal mesmo — o ruivo respondeu simples, sem saber ao certo como reagir àquilo. — Você... Quer tentar pegar ou...

— Quero! — ela respondeu empolgada e o puxou pelo braço.

Kaminari e Sero começaram a fazer piadinhas sobre o casal, mas eles nem ouviam da distância que estavam. Bakugou só revirava os olhos, sem paciência para aqueles dois idiotas.

— Eu vou andar por aí.

— A gente vai junto! — o outro loiro se manifestou.

— Eu tô indo andar justamente pra me livrar de vocês — ele respondeu com uma expressão entediada.

— Mas a gente não pode sair sozinho! — Kaminari tentou convencer, recebendo um olhar mortal de Bakugou como resposta. — Ou então a gente se encontra aqui depois, pra voltarmos juntos, né?

— Que seja.

Bakugou não sabia ao certo o que queria. Bom, ele sabia que queria poder estar aproveitando um pouco com a Uraraka, tentando ser gentil e conversando com ela ou até mesmo jogando juntos nas barracas como o casal de idiotas. E como se seus pensamentos ganhassem vida, ele avistou a morena sozinha e com cara de perdida.

— Tá fazendo o que sozinha? — perguntou ao se aproximar da garota, que deu um pulinho de susto ao ouvir uma voz vindo de trás de si.

— Ah, Bakugou! Oi! Eu... tinha ido no banheiro, mas acabei me perdendo do pessoal e deixei o celular no quarto. — Sorriu sem graça, coçando a nuca.

— Não sabe que não é pra sair andando sozinha?

— Você não tá sozinho? — ela perguntou ao olhar em volta e não ver nenhum dos outros amigos do loiro por perto.

— Foda-se — ele respondeu e começou a andar, sendo seguido pela morena.

— Minha ideia era ficar com o Deku o tempo todo. — Ela suspirou. — E se ele não falasse nada até os fogos, tava juntando coragem e forças pra ir falar com ele...

— Tô com cara de quem quer saber? — Bakugou sentiu uma pontada no coração. É, talvez as chances dele fossem realmente nulas e devesse só desistir de uma vez. Ou será que ele deveria aproveitar a oportunidade que a vida estava lhe dando e tentar alguma coisa? Argh, estar apaixonado era complicado demais.

— Desculpa. — Ela levantou as mãos. — E aí, tá se divertindo?

— Não.

— Como assim? — Ela se fingiu indignada. — Não acredito que Bakugou não está se divertindo num passeio ao ar livre! Vamos, precisamos mudar isso!

A morena o pegou pelo braço e saiu o arrastando, igual a rosada havia feito com Kirishima poucos minutos atrás. Bakugou nem ao menos sentiu vontade de lutar, só se deixou ser levado. A proximidade de Uraraka e a naturalidade com a qual ela o agarrava só faziam com que sua mente trabalhasse a mil por hora e suas bochechas queimassem.

— Onde podemos ir primeiro? — ela perguntou mais para si do que pra ele. — Ah, olha todas aquelas pelúcias ali!

Uraraka o levou até uma barraca que ele reconheceu ser a que o casal de amigos foi antes. Considerando que não avistou nenhum unicórnio, imaginou que Kirishima havia mesmo conseguido o tal prêmio pra garota. Deu uma olhada ao redor e viu uma pelúcia de estrela, que aparentemente acendia quando apertava uma das pontas dela.

— Vamos apostar ver quem ganha alguma coisa?

— Se prepare pra perder, Cara Redonda!

Cada um pagou seu ticket e os dois começaram a competição. Uraraka foi primeiro e não conseguiu pontos suficientes pra ganhar algo melhor do que um chaveiro, fazendo um bico infantil e frustrado que fez o loiro ter ainda mais vontade de beijá-la. Já na vez de Bakugou, ele estava focado em conseguir aquela estrela pra morena e se esforçou ainda mais que o normal para conseguir. Seus pontos foram suficientes até para bichinhos maiores, mas ele sabia que aquele era perfeito.

— Eu quero aquela estrela — ele pediu ao rapaz, que logo o entregou. O loiro se virou para a morena e lhe ofereceu o prêmio que havia recebido. — Toma.

— Pra mim? — Ela se assustou.

— Sim, ué. Você gosta das estrelas, não é? — Bakugou fez um esforço pra conseguir falar sem se atropelar igual um idiota, mas o rosto envergonhado ainda o denunciava.

— A-ah, sim...

— Então pega logo esse negócio.

— O-obrigada... — Ochako sorriu sem graça e pegou a estrela das mãos dele. — Ela é muito linda.

O garoto sorriu levemente, o que causou espanto na morena, porque convenhamos que Bakugou não sai distribuindo sorrisos assim. Por outro lado, Uraraka só conseguiu sorrir de volta e sentir todo o seu corpo se encher de calor e ansiedade. A controladora da gravidade abraçou a estrela com força nos braços e o chamou para irem em outras barracas, o que foi estranhamente aceito de bom grado pelo loiro.

O casal andava distraído, sem nem ao menos perceber que estavam sendo vigiados e que uma estranha movimentação começava por ali.

Notas finais
Só pra avisar: lembrem do último parágrafo do capítulo 9. Demorou pacarai, maaaas teremos as consequências dos dois estarem sendo vigiados faz tempo.