Traiçoeiro
24 Capítulo 24
Notas iniciais
Eu estava em um lugar escuro. Conseguia diferenciar uma luz, talvez vinda da lua, mas fora isso tudo se encontrava em um breu. Me abracei tentando esquentar meu corpo,estava tão, tão frio ali...
Uma vela foi acesa, me permitindo visualizar a silhueta de uma mulher de onde eu estava.
Sussurros.
Sussurros rápidos em uma língua estranha.
Tentei me aproximar, porém quando me mexi não sentia nada. Nada além do chão frio e da poça que me encontrava.
Tentei mais uma vez, me apavorando ao perceber que estava afundando, a água tocando a minha boca...
Sangue.
Era sangue que me enchia a boca. Estava afundando em meu sangue. Me afogando no meu próprio sangue.
Uma porta foi aberta.
Granny.
“Por favor, me ajude. Me puxe para a superfície. Livre meus pulmões de meu próprio sangue, eu não quero morrer afogada nele. Por que você não ajuda, Granny? Por que você não me enxerga aqui? Não é capaz de ouvir minhas suplicas?” gritei mentalmente, incapaz de proferir algum som.
–Enquanto eu estiver aqui você não vai fazer mal nenhum a ela. – Granny grunhiu com seriedade.
A mulher soltou um riso cruel, se virando para encará-la.
Minha mãe! A mulher é minha mãe.
“Mãe, por favor, estou aqui. Me salve, eu estive procurando a senhora. Me tire daqui para que possamos ir embora, apenas nós duas. Eu irei ser a dama que sempre quis, irei cuidar da senhora. Só me puxe para fora desse buraco, não me deixe afogar em meu próprio sangue.”
–E o que uma velha como você irá fazer para me deter?- minha mãe indagou com deboche.
–Sou capaz de lutar com um demônio como você, Cora. Se afaste da cama da menina agora! – Granny ordenou, dando um passo em direção a minha mãe, peito estufado.
Cora soltou um riso de escárnio, segurando o pescoço de Granny.
Tentei gritar, mas foi inútil. O gesto apenas me fez sentir o gosto metálico descendo e enchendo os meus pulmões.
–Sua velha tola, não percebe que é inútil lutar contra mim? – minha mãe relanceou um olhar de desprezo para a cama. – A garota não irá me ser útil se estiver morta, nada acontecerá com ela... Ainda.
Minha mãe largou Granny que despencou no chão. Nesse momento ela olhou diretamente para mim, para os meus olhos apavorados e tentou me acalmar com o seu olhar determinado e tranquilo.
–Emma, desista enquanto pode. Volte para casa e esqueça isso. – sussurrou com urgência. – Volte para casa, você não está segura. Não confie em palavras gentis, ignore seus sentimentos.
Eu estava zonza e sem ar. Não aguentaria muito mais tempo, não teria tempo para perguntar o que tudo aquilo significava.
Minha mãe se afastou da cama e eu consegui enxergar, mesmo com a visão embaçada, o que Granny tentava proteger dela.
Uma versão mais nova minha. Uma agulha em meu braço enquanto escorria meu sangue para um recipiente depositado no chão. Tinha algo de ferro em meu rosto, impossibilitando minha respiração.
–Volte Emma. – Granny pediu mais uma vez, quando tudo voltou a se tornar escuro.
Gritos, muitos gritos. Mãos me puxando.
“Quando a troca for feita, finalmente teremos tudo.”
Abri os olhos instantaneamente, puxando o ar com desespero para me certificar que ainda poderia fazer aquilo, porém sem conseguir levar até meus pulmões sem sentir dor.
–Emma?- ouvi uma voz me chamando, soando alarmada.
Olhei desnorteada, tentando identificar onde estava, porém minha visão não parecia ter voltado ao normal, como se eu ainda estivesse naquele quarto escuro. Minha respiração estava falha e superficial, fazendo meu peito descer e subir rapidamente, meu coração batendo tão rápido e assustado que podia senti-lo reverberando por todo meu corpo.
Tentei me mexer, contudo meus ossos estavam paralisados. Eu precisava me movimentar sair correndo dali e ir para um lugar seguro, contudo não conseguia. Meu corpo se recusava a me obedecer, fazendo eu me sentir apavorada e vulnerável.
Senti braços me fazendo sentar para então me aconchegar, apertando meu ombro de leve, friccionando a mão em meu braço, trazendo algum calor para o lugar, lábios pressionando minha cabeça, como que para me mostrar que eu estava bem.
Quem estava fazendo isso queria mostrar que iria me proteger.
– Casa. – consegui sussurrar sem emoção, achando maravilhoso o fato de poder pronunciar alguma coisa.
–O que disse amor?
–Preciso voltar para casa. Granny pediu para que eu voltasse. – expliquei com a respiração entrecortada.
–Emma sinta minha respiração e tente imitá-la. – a voz suave pediu, me abraçando e me encostando de encontro ao seu peito.
Tentei fazer o que havia me pedido, fechando os olhos e apenas me concentrando em respirar. Sentindo o descer e subir em minhas costas e fazendo o mesmo, sendo aninhada com cuidado e paciência.
–Swan, olhe para mim. – falou após tantos minutos em silêncio, apenas respirando comigo até que se normalizasse, segurando em meu queixo e virando meu rosto. Encontrei os olhos de Killian me fitando com preocupação. – O que aconteceu?
O terror do sonho foi sumindo aos poucos, me fazendo ter consciência de onde me encontrava e quem estava me aparando aquela vez.
O que era estranho porque a última vez que havia falado com Jones, ele mal falou comigo.
–Não foi nada. Foi apenas um sonho ruim, já passou. Eu estou bem. – garanti querendo me afastar. – O que está fazendo aqui? – indaguei, soltando meu rosto de seus dedos.
–Eu vim verificar se estava bem. – respondeu. – Sempre faço isso, desde o primeiro dia que começou a dormir aqui. – abriu um meio sorriso. – E voltei a fazê-lo agora que não quer mais ficar na cabine comigo. Sem falar que está doente, estou vindo de minuto em minuto. – confessou parecendo sem graça.
Assenti, tirando seu braço que estava me rodeando.
–Obrigada, é muita gentileza.
–Sei que não está morrendo de amores por mim no momento e que não me considera mais seu amigo, mas quer conversar?
Neguei com a cabeça, lhe dando um sorriso amarelo.
Killian deu um suspiro, segurando minha mão e a levando até seus lábios, depositando um beijo demorado em meus dedos, enquanto mantinha seus olhos azuis nos meus.
O encarei receosa, quando soltou-a, meu peito se agitando com o gesto simples que Granny costumava fazer.
–Por mais que não acredite, eu lhe respeito e vou cuidar de você, Swan. – prometeu se levantando. – Estou apenas esperando o momento que irá me deixar fazer isso. E quando ele chegar, eu estarei aqui. – garantiu. – Você está queimando, irei pegar o láudano. – avisou me deixando sozinha.
Fiquei sentada me sentindo mole, me perguntando se aquilo teria realmente acontecido ou eu estava alucinando. Fazia tempo que eu não era atacada por pesadelos desse gênero, e não fazia sentido Jones ali, se preocupando em me confortar durante um sonho ruim.
Granny me advertira para ignorar meus sentimentos e voltar para casa. Vovó Libélula dissera que meu coração já encontrara um lar, que era para eu ter paciência com Killian, porém também me aconselhou a voltar para casa.
E algo me fazia sentir que Jones estava envolvido de alguma forma mais do que ele me permitia saber. Tinha algo além que eu ainda não conseguia enxergar. Algo que escondia, porque parecia estar arrependido.
Desabei no bote sentindo dor ao inspirar profundamente.
Tomei o láudano no caminho da inconsciência, e voltei a dormir sem maiores problemas, apesar de tudo.
[...]
–O que diabos Emma esta fazendo aqui? – Landon tentou controlar a voz para não soar irritado.
Estremeci, abrindo os olhos e observando Killian, Bae e Landon lado a lado sem olhar para mim.
Jones deu de ombros com desdém.
–Ela quis vir para cá. Não podia forçá-la a ficar na cabine. – respondeu calmamente.
Bae revirou os olhos olhando para mim e sorrindo ao perceber que eu os estudava com certa sonolência.
–Bom dia, Emma. Como está se sentindo?
–Tudo bem. – respondi reprimindo uma tosse e sentindo gosto de sangue descendo por minha garganta.
Um arrepio percorreu meu corpo ao me lembrar do pesadelo que tivera. E de como Jones cuidara de mim.
Ele tinha feito aquilo mesmo ou eu tinha imaginado tudo?
Baelfire colocou a mão em minha testa.
–Meu Deus, Emma! Você está queimando.
Landon se aproximou tocando minha testa, Jones deu um passo a frente, com os lábios franzidos, olhando de Landon para mim.
–Eu não entendo... Era para estar melhor. – comentou recolhendo a mão.
–Eu dei láudano para ela no meio da noite. Estava alucinando com a febre alta. – Killian avisou, parecendo um pouco preocupado, porém não tinha certeza, era apenas uma pontinha.
Virei para o lado, tossindo e sentindo dor em meu peito com o ato.
–Será que ela contraiu malária? – sugeriu Bae.
–Cale a boca, Baelfire. – Killian mandou com rispidez. – Não deve ser algo tão grave assim. Sem falar que malária se contrai por causa do ar sujo. Nós estávamos na ilha dos mouros.
–É apenas um mal estar, não preocupem comigo. – assegurei outra crise de tosse me atacando.
–Podemos deixá-la no porão. – Landon fingiu não me ouvir. – Os homens não vão se importar com a presença dela sabendo que está doente.
Bae negou com a cabeça.
–O porão é muito úmido, vai ser pior.
–O que é isso em sua mão, Swan? – Jones questionou parecendo desconfiado, me olhando de soslaio.
Fechei a mão com força, abaixando para o meu colo. Bae e Landon me olharam com curiosidade, esperando pela resposta.
–Eu acabei de tossir sangue. – ergui a mão, mostrando a gosma vermelha que saíra de minha boca. – Mas sério, não dever ser nada tão grave, não é mesmo? Com toda certeza não é nada para se preocup...
Nesse momento agarrei o balde, vomitando mesmo sem ter nada no estômago.
–Puxa... Isso foi embaraçoso. – observei tentando fazer graça, ao ver os três me olhando. — Geralmente não gosto de platéia quando estou vomitando.
–Ela disse que não tem com o que se preocupar. Sendo assim levante-se e vá fazer suas obrigações. – Jones ordenou sem alterar a voz.
Landon e Bae olharam de para Killian perplexos.
–Ficou louco? Ela está tossindo sangue! – Bae apontou para mim. – Achei que soubesse o que era melhor para Emma.
– E eu achei que você respeitasse as vontades dela. – rebateu cruzando os braços com arrogância. – Srta. Swan está dizendo que não tem motivos para nos preocuparmos e ela não é diferente de ninguém que está neste navio.
Assenti, ficando de pé e cambaleando um pouco por minha visão escurecer.
–Capitão está certo. – falei depois de uns minutos quando me estabilizei em minhas pernas. — Eu não sou diferente de ninguém.
–Só pelo fato de que é uma mulher, criada em um ambiente totalmente distinto e que nem deveria estar a bordo de um navio pirata para inicio de conversa. – atalhou Bae me ajudando a sair do bote.
–Vou continuar com o tratamento com láudano e o elixir da casca de salgueiro. E ver se consigo achar roupas quentes para você. – Landon avisou saindo andando.
Jones me encarava com os olhos duros.
–Tenho um trabalho para a senhorita em minha cabine. Venha comigo.
Olhei para Bae que me entregou o balde e saí seguindo Killian até a cabine. Fiquei aguardando na porta, observando-o pegar livros da prateleira e colocando sobre a mesa, enquanto tentava ignorar minha barriga reclamando alto demais de fome.
–Obrigada por me vigiar noite passada. – agradeci sem jeito.
–Não foi nada. Você não calava a boca e já estava me dando nos nervos. – me lançou um sorriso enviesado e frio, voltando a se concentrar nos livros.
Assenti me abraçando.
Com toda certeza a conversa no bote havia sido uma alucinação. Com exceção de Jones enfiando o láudano em minha goela abaixo.
Quando se sentiu satisfeito das duas pilhas que havia formado, ele se virou para mim.
–Quero que traduza todos esses livros. – informou apontando com o gancho.
Olhei dos livros para ele, me sentindo irritada.
–Está tentando me punir? – indaguei me aproximando da mesa e vendo os volumes grossos que colocara ali.
Killian abriu um sorriso doce, se apoiando nos livros, o rosto próximo do meu.
–Tentando puni-la? Por que eu faria isso, amor? – instigou com uma inocência forçada.
–Eu nunca o tratei mal, nem fui desrespeitosa com o senhor. –o lembrei com a voz contida.
A expressão de Jones se tornou sarcástica.
–Apenas irritante e intrometida, não é mesmo? Talvez eu a tenha deixado mal acostumada, porque eu sempre a tratei exatamente desse jeito. Comece, quero no mínimo três livros traduzidos até o horário do almoço. Se divirta. – saiu apertando meu queixo, fazendo eu me livrar de seu toque.
Me sentei pegando a pena e molhando na tinta, pensando que eu poderia facilmente fazê-lo engolir aqueles livros.
E o faria com o maior prazer.
Landon apareceu umas duas horas depois com o láudano e o elixir, revirando os olhos ao ver qual era o trabalho que Killian havia me mandado fazer. Ao sair, ele me disse que não era para me preocupar e fazer apenas o que eu conseguisse que era besteira Jones me fazer mexer com aqueles livros empoeirados.
Os ouvi discutindo no tombadilho superior.
Acordei assustada com um estrondo, dando de cara com Jones me olhando com repreensão. Limpei a baba de minha bochecha e a que escorreu para o livro que usei como travesseiro.
–Me desculpe. O remédio me deu sono. – expliquei voltando a escrever. – O que é isso? — perguntei ao ver um prato de sopa a minha frente e pão branco ao lado.
–Ora Swan. Achei que fosse mais inteligente. É um prato de sopa e pão branco.
–Sim, estou vendo a sopa. Quero saber do pão. O pão nosso é diferente. – apontei.
–Se não quer o pão eu o guardo. – rebateu bravo, pegando-o e levando para o armário.
–Eu não estava reclamando, estava apenas questionando. – murmurei pegando o prato de sopa.
Killian me olhou rapidamente, fechando o armário.
–Como está se sentindo?
"Doente". Pensei comigo enquanto levava a colher a boca.
–Bem. – menti. Seu olhar foi para o lenço manchado de sangue e instintivamente o peguei, escondendo em meu colo. – Não é tão ruim quanto parece, senhor.
–Está com frio? – indagou parando ao meu lado.
–Apenas um pouco. Aqui é mais quente que qualquer outro lugar do navio. Por que?
–Está com os lábios azuis. – informou. Instantaneamente toquei minha boca como se adiantasse alguma coisa.
–Não sei o por que disso, mas não deve ser nada, senhor. — garanti
Ele assentiu indo se sentar na cama. Terminei de comer tentando fazer o mínimo de barulho possível para não irritá-lo e pousei o prato na mesa, voltando a escrever, sentindo seus olhos cravados em minhas costas.
–Quer me perguntar alguma coisa?- questionei me virando para ele, sendo atingida por uma crise de tosse.
Killian me olhou com ar de insolência.
–Por que acha que eu gostaria de perguntar alguma coisa a você? — cuspiu.
Virei de volta ao meu trabalho, começando a odiá-lo por estar sendo um asno comigo, quando só estava tentando ter uma conversa.
–Sua mãe a fazia beber vinagre mesmo?- perguntou após longos minutos em silêncio.
–Achei que não quisesse perguntar nada a mim. — retruquei com frieza, levando o lenço a boca.
–Aparentemente eu quero.
–Aparentemente isso o torna um intrometido, pois ouviu minha conversa com Baelfire. — falei sem levantar a cabeça.
Jones bufou e se levantou com raiva indo para porta.
–Sim. Ela fazia. — respondi por fim, o olhando parado à porta de costas para mim. — Um copo, antes de toda refeição. Essa é a sociedade em que vivo, onde ter uma aparência de doente é considerado um padrão de beleza.
–Bem... Sua sociedade é estúpida.
–Eu sei. Também acho. — concordei o vendo sair sem dizer mais nada.
[...]
Depois do quarto dia sem apresentar melhoras comecei a tentar esconder que não estava dando resultados. Durante as semanas que se seguiram eu mesma administrava o láudano e aprendi a preparar o elixir.
Costumava ficar na cabine de Killian pelo dia fazendo alguma tarefa inútil que ele me passava, então fazia o meu melhor para ir ajudar na limpeza do navio. À noite eu dormia na cozinha, onde eles acendiam o fogo e Bae improvisou uma cama para que eu não dormisse com os ratos que viviam ali.
Eu era a única que tinha várias roupas para tentar me aquecer e ainda assim não era suficiente. Como não adiantava, distribui para os homens, ficando com apenas algumas peças, o que causou várias reclamações vindas de Bae e Landon.
Jones continuava me tratar como um asno. Não era como antes, que havia as brincadeiras e provocações. Gancho era simplesmente grosseiro o tempo todo em que tentava falar com ele como antes. Até que cansada de levar coices, parei de gastar minhas forças.
Se Killian não queria conversa, não tinha o por que eu ficar insistindo.
Seria melhor assim, embora eu sentisse falta dele.
Conforme íamos aproximando do lugar o tempo ia ficando mais instável. Éramos atingidos por constantes rajadas de vento e a maior parte do dia ficava chovendo, fazendo a temperatura cair ainda mais e o mar ficar mais agitado.
Eu passava os dias lutando para não ficar batendo os dentes de frio.
Comecei a testar os outros remédios que os mouros havia me dado. Vovó sabia que eu iria precisar, sendo assim algum deles tinha que dar um resultado satisfatório. A maioria deles eram folhas, que eu preparava chás para beber durante a noite, quando ficava sozinha na cozinha.
Grande parte da minha luta para que Landon e Bae não percebessem que eu não estava melhorando era porque eu não queria deixá-los preocupados e também porque não gostava de ser tratada diferente dos outros. Eu fazia parte da tripulação mesmo sendo mulher, tinha que conseguir agüentar e passar pelas mesmas coisas que eles sem reclamar ou ficar choramingando pelos cantos.
Tudo estava indo relativamente bem até que aconteceu.
Um dia teria que acontecer.
Acordei no meio da noite com a água gélida invadindo a cozinha e me molhando. Demorei uns segundos para relacionar que os gritos e a água que entrava no navio eram da tempestade que estava nos atingindo.
Sai correndo, sendo jogada de um lado para outro e tendo que me segurar quando uma onda invadiu os aposentos com força, até conseguir chegar ao convés.
Nunca tinha presenciado uma tempestade como aquela na minha vida.
O céu era iluminado por relâmpagos a cada segundo, com trovões ensurdecedores. Gritei quando um raio atingiu uns caixotes que estavam próximos de mim, me despertando e me impulsionando para frente, junto com os homens.
Agarrei uma das cordas que estavam segurando com força para manter a vela. O navio foi erguido por uma onda imensa, no mesmo momento que outra onda apoderou-se do convés, nos derrubando como se fossemos nada.
Puxei a corda, tentando ir para esquerda, quando outro raio atingiu o mastro nos fazendo pular para sair do caminho.
Tive que fechar os olhos com força quando percebi que Colm não havia conseguido sair a tempo e mesmo que tentei chegar até ele, uma nova onda alagou tudo, me jogando para trás.
Tossi engasgada pela água, indo engatinhando até ele.
–Colm!- berrei com toda força que tinha. – Colm, por favor, fale comigo. Olhe para mim. – implorei segurando sua mão e puxando seu rosto para baixo e vendo seus olhos abertos, as pupilas dilatadas e com riscos vermelhos. – Colm! – o chacoalhei com força, enrijecendo o corpo quando percebi que seríamos atingidos mais uma vez.
–Emma! – Bae gritou, vindo com dificuldade até a mim. – Emma o que está fazendo aqui encima?
–Bae o Colm... Me ajude a tirá-lo daqui. Me ajude. – repeti freneticamente o puxando.
–Emma, Emma. – Bae me levantou. – Não tem jeito.
Pisquei não querendo chorar, as gotas grandes e pesadas de chuva batendo em meu rosto com raiva, como se fossem pedras.
Claro que aquilo iria acabar acontecendo.
–Eu vim aqui para ajudar. – falei. – Por favor, me deixe ajudar. – implorei começando a tossir e respingando sangue em Bae. – Me desculpe. – falei rapidamente, os dentes cerrados, voltando a engolir o sangue que estava em minha boca.
–Emma... – ele olhou em choque para mim. – Eu achei que havia melhorado. Você escondeu isso de mim? – questionou acusadoramente.
–Agora não é hora Bae. – me soltei de seu braço tentando encontrar um lugar onde seria útil, e não seria ali, discutindo com Baelfire sobre minha doença.
Eu simplesmente pensava que se fosse algo grave, eu já teria morrido.
Estava apavorada. Sentia que seria incapaz de agüentar a cada onda que nos atingia e eu tinha que me segurar com força para não ser levada, tendo meus pulmões recheados de sal, dificultando ainda mais minha respiração.
Fui jogada para o parapeito do navio, sentindo desespero por não conseguir respirar por conta da água que se recusava a sair de cima de mim, o navio se encontrando em uma depressão de duas ondas, de no mínimo uns nove metros de altura. Eu não queria nem imaginar qual seria a sensação quando elas quebrassem encima de nos, até que senti alguma coisa me içando.
–O que diabos você pensa que está fazendo aqui, Swan? – Jones gritou com raiva.
–Estou ajudando a manter o navio. – gritei também para que ele me ouvisse.
–Vá para a cabine agora! – ordenou irritado.
–Mas...
Tive que me segurar fortemente, esticando a mão para pegar o casaco de Killian quando mais água entrava no convés.
Jones se colocou de pé e me olhou angustiado e em pânico, antes de me puxar e se jogar encima de mim, segurando o mastro, me envolvendo em seus braços no exato momento que outra onda, pior que a anterior nos atingiu.
–Emma, por favor. Vá para a cabine e fique quieta. – falou em meu ouvido, ainda me protegendo. – Por favor, obedeça, eu não suportaria se algo lhe acontecesse.
Estudei seu rosto molhado e assustado, o cabelo caindo sobre os olhos, enquanto ainda me segurava daquele jeito. Um raio fez eu me encolher.
–Mas...
–Eu terei que trancá-la? – perguntou cansado. – Só não me faça passar por essa situação novamente. – pediu, olhando em meus olhos com tanto pavor e me apertando contra o mastro quando fomos atingidos com ondas vindo dos dois lados.
Assenti com a cabeça freneticamente, me lembrando que ele perdera Milah em uma tempestade.
Killian pareceu relaxar e saiu me puxando com força, me segurando sempre que uma onda desabava encima de nós, tentando nos esmagar com seu peso, como se fossemos insetos insignificantes.
E então o navio despencou no ar. Berrei escorregando e escapando da mão de Jones, sem conseguir me segurar a nada. Tive certeza que iríamos naufragar naquele instante, quando a onda quebrou e senti o Jolly Roger em queda livre, atingindo a água com tanta força que tirou o meu fôlego, como se meu corpo não tivesse peso nenhum e eu fosse apenas ar, tamanho o impacto e a rapidez com que caiu.
Killian se levantou novamente olhando em pânico ao redor, seus olhos escrutinando o convés.
–Jones. – berrei me segurando em um pedaço de corda. – Killian!
Ele me encontrou seus olhos carregados de medo e veio em minha direção, tendo dificuldade para andar.
–Segure firme, Swan.
Eu queria. Queria conseguir agüentar por muito mais tempo, porém eu estava fraca e meus braços doíam.
Eu estava exausta.
Jones se segurou quando a onda bateu enraivecida no Jolly Roger fazendo-o balançar com violência e minhas mãos escaparam da corda, me jogando para fora do navio.
Pude escutar Killian me berrando antes de ser envolta pela confusão de águas nervosas, que pareciam competir para ver quem conseguiria quebrar meus ossos primeiro.
Fui jogada para a superfície e puxei o ar com desespero, sendo atingida pelo casco do navio com força.
Senti a dor terrível e então tudo ficou escuro.
[...]
Me sentei de supetão, meus pulmões ardendo, tossindo sem parar e todo meu corpo doendo. Estranhei a falta de água. Toquei o chão com as mãos sentindo a madeira molhada e olhei ao redor, encontrando Killian ajoelhado ao meu lado, batendo os dentes de frio.
–Aqui. Beba. – ordenou me entregando a taça com vinho.
Obedeci sentindo a acidez e o doce do álcool descendo por minha garganta e abrandando o fogo que ardia.
–Eu estava no mar. – afirmei.
–Sim, estava... – Jones ficou em silêncio olhando para o meu rosto como se eu tivesse desenvolvido uma segunda cabeça. – Eu fui atrás de você. – confessou.
Segurei em seu gancho com força, totalmente aterrorizada de saber daquilo.
–Ficou louco? – gritei parecendo uma gralha
Jones engoliu.
–Eu não podia. — foi tudo que me respondeu.
–Killian você poderia ter morrido! – exclamei horrorizada com essa possibilidade. – Tem noção disso? Não acredito que tenha feito uma coisa tão estúpida como essa. – me coloquei de pé, começando a andar de um lado para outro, mesmo estando com dor. Não conseguia ficar parada. – Meu Deus Jones! E se algo acontecesse com você? Será que não pensa nas conseqüências? Isso foi muito idiota. Não deveria ter feito isso!
–Eu acabo de salvar a sua vida e você está brigando comigo? – indagou incrédulo a respiração entrecortada.
–Eu não estou brigando. – falei com a voz mais branda. – Estou pedindo que não faça mais isso. Estou dizendo que não deveria ter se arriscado por mim. Achei que havia dito que não pularia no mar para me salvar se houvesse uma segunda vez.
Jones me olhou sério, como se não acreditasse no que estava ouvindo.
–E você acreditou Emma? – perguntou.
Neguei com a cabeça.
–Para falar a verdade, não... Como? – questionei realmente curiosa. Não havia chance de nós dois voltarmos a bordo.
–Amarrei uma corda em meu corpo. Os homens puxaram de volta. – explicou dando de ombros.
–Por que fez isso, Killian?
–Eu me importo com você, Emma. Achei que estivesse bem óbvio. – respondeu sem graça. — E você ainda não me agradeceu. – lembrou.
Me joguei encima dele, o abraçando com toda força, sentindo seus braços retribuindo. Coloquei minhas mãos em seu rosto e o puxei para mim, o beijando e sentindo seus lábios salgados e gelados. Era inefável como mesmo assim eram capazes de me fazer esquentar com o mínimo roçar deles nos meus.
Meu coração começou a bater com uma certa violência que fiquei desconcertada. Enlacei meu braço direito em seu pescoço, continuando afagar seu rosto com minha mão esquerda, querendo guardar a textura de sua barba e pele em minha memória.
Jones me apertou, me beijando de volta como se estivesse esperando por aquilo durante todas aquelas semanas em que ficamos afastados, nos tratando como dois desconhecidos.
Me separei dele, encostando minha testa em seu nariz, sentindo sua respiração resfolegante em meu rosto.
–Obrigada por me salvar. — sussurrei me soltando dele, a realidade do que eu havia feito me atingindo e curiosamente não me afetando em nada. — E me desculpe por isso. — pedi quando Jones não disse nada.
–Não vai gritar comigo ou dar um ataque dizendo o quanto isso foi errado? — indagou incerto.
–Não dessa vez. Não se acostume. — sorri acanhada para ele.
Killian aquiesceu, um sorriso mínimo surgindo.
–Eu preciso voltar lá para cima. — informou. — Você fique aqui.
–Tudo bem. Eu ficarei... E por favor, tome cuidado.
–Eu terei. — garantiu, hesitando antes de sair. — Ah que se dane. — praguejou se virando para mim e me agarrando, tomando minha boca com desespero, antes de me abraçar, depositando um beijo em meu ombro. — Tenha paciência, Emma. Uma hora vai acabar, mas até lá, fique quieta aqui. – pediu saindo e batendo a porta.
Fiquei parada, pensando que eu o havia beijado duas vezes...
E não estava nem um pouco arrependida.
O melhor de tudo: aquilo significava que estávamos bem novamente.
[...]
Apesar da euforia da consciência de que eu havia beijado Killian dessa vez, ela logo foi substituída pela preocupação.
Foi ànoite mais longa da minha vida. As horas que fiquei naquela cabine, sendo jogada de um lado para o outro foram as mais torturantes. Eu tinha vontade de subir e me certificar que estava tudo certo. Estava com medo de ficar ali sozinha e quando subisse descobrir perdas que não estava preparada para sofrer.
Estava com medo do momento que perceberia que o navio estava naufragando e que eu morreria sozinha naquela cabine.
Eu rezei durante cada minuto interminável que passei ali, por cada homem que estava no convés.
A primeira coisa que cessou foi às gotas da chuva torrencial que tinha nos atingido a noite toda, para depois os trovões irem embora, então aos poucos, muito lentamente as ondas foram acalmando, até que se tornaram inofensivas.
Estava prestes a subir quando Killian irrompeu pela porta, transtornado e com uma cara horrível, se sentando na cama sem dizer nada.
–Killian? – chamei me aproximando dele que estava segurando a cabeça com a mão. – O que aconteceu? Você está machucado?
Ele estava encharcado e tremia. Agora não sei se era de frio ou de alguma outra coisa.
–Perdemos... – ele teve que respirar fundo – Perdemos sete homens. – contou, passando a costa da mão no nariz, olhando para mim. Seu rosto estava pálido e abatido. – Sete dos meus melhores homens. – comprimiu os lábios, lutando contra a vontade de chorar.
Afinal aquela era sua família.
–Ah Killian. – o abracei com força, o qual ele retribuiu escondendo seu rosto em minha barriga, seu corpo sendo atingido por espasmos.
Fiquei abraçada com Killian daquele jeito por um bom tempo, passando a mão em seu cabelo, cantarolando alguma música, até que ele estivesse pronto para me soltar.
–Me desculpe Swan. –ele se afastou, coçando a nuca sem graça. – É que...
–Eu sei, não precisa se explicar. – falei indo até o baú e pegando roupas secas para ele. – Se troque, detestaria que ficasse doente. Estarei no convés.
–Emma... – Killian segurou meu braço, me puxando para ele. Meu coração deu um pulo e meu corpo já ficou em expectativa quando encontrou os olhos azuis dele, carinhosos e ternos. Ele deu mais um passo, inclinando a cabeça em minha direção.
A lembrança dos lábios de Killian sobre os meus voltou.
–Obrigado por ter ficado aqui. Me deixou mais tranqüilo. – falou por fim, seus olhos desceram para minha boca, me causando uma sensação gostosa no estômago.
Assenti sem dizer nada.
–E me desculpe por tê-la tratado mal.
–Você quer dizer por ter agido como um asno? – instiguei. Jones me olhou surpreso. – Sim, você agiu como um asno, porém eu meio que mereci.
–Não. Você estava tentando se proteger.
–Bem sim...
–E estava doente.
–Ainda estou. – informei rapidamente, esperando que ele não percebesse. Durante a tempestade eu perdi todos os meus remédios. Era só uma questão de tempo até os sintomas voltarem a me atacar e todos descobrirem que eu estava mais doente que semanas atrás.
–Você o que?
–Ainda estou doente... Pior, eu acho. Os remédios não estavam fazendo efeito, apenas controlando então eu simplesmente fiquei quieta para não preocupar ninguém. Por isso disse que não havia necessidade de me salvar. É apenas uma questão de tempo. Eu não sei o que eu tenho e estou no meio do nada.
–Não. Não, Swan! Você não podia... Não podia ter escondido isso... Se eu soubesse não teria agido como um asno. A teria prendido aqui até ter certeza que estava boa.
Sorri para ele, sentindo os olhos ardendo.
–Ainda tenho forças para uma última aventura. E dependendo de como for, já fico por lá mesmo. — brinquei.
Jones me repreendeu com um olhar.
–Isso não tem graça, Emma. Eu não quero perdê-la. – murmurou me abraçando. — Você está quente. A febre está voltando.
–Eu sei. Não estou com medo. Na verdade, estou ansiosa para ver essa ilha.
–Você não vai. – declarou sisudo, me soltando.
–Até parece, Jones. Eu vou sim, tenho tanto direito quanto vocês.
Killian suspirou exasperado.
–Tem algo que possa lhe fazer mudar de ideia?
Balancei a cabeça sorrindo.
–Não.
Jones respirou fundo, apertando os lábios, voltando a se aproximar.
–E se voltarmos para a ilha dos mouros? Ficamos lá até que melhore e então retornamos a procurar a ilha...
–Não Killian... Não vou deixar a morte desses sete homens terem sido em vão.
–Eu sei Emma... Mas...
–Nada de "mas", Killian. Não vamos voltar atrás por minha causa. Não quando está tão perto de conseguir suas respostas.
Killian desviou o olhar, encarando o cofre onde havia guardado o baú que estava escondendo de mim.
Eu havia me esquecido dele durante aquelas semanas, de tão entretida que fiquei tentando me curar e esconder de todos.
E agora minha curiosidade havia voltado com força total. Eu queria saber o que tinha lá dentro e que era relacionado a mim.
–Jones... Tem algo que queira me contar agora? – questionei.
Killian voltou a me olhar e negou com a cabeça.
–Aquilo não é nada sério, amor.
–Jones você não vai me perder se contar. Continuarei conversando com você, sendo sua... Amiga.
Ele afagou meu rosto com delicadeza.
–Eu não tenho tanta certeza disso, Swan.
–Então se dúvida é porque é algo sério. – constatei segurando em sua mão e gancho.
Killian olhou para minha mão que segurava o gancho, e então voltou a olhar meu rosto.
–Apenas não me pergunte mais nada. Nós estamos bem de novo. O que tem ali dentro não importa mais. Deve ser esquecido.
Bufei, deixando bem claro que não concordava com ele, mas que estava disposta à dar um tempo com o assunto.
–Por enquanto. – falei dando um beijo em sua bochecha. – Vou lhe dar esse tempo. Agora troque suas roupas. – mandei, escapando pela porta.
Assim que pude ver o céu cinzento, me senti apavorada pensando no que Killian havia dito. Que ele havia perdido sete de seus melhores homens.
E se Landon estivesse entre esses sete? Ou Smee?
Desci para o convés observando a bagunça que se encontrava. Cordas emboladas, caixotes espalhado, mantimentos e munições expostas e que foram provavelmente estragadas pela água.
–Bae! – o chamei aliviada ao encontrá-lo bem. – Como está?
–Bem, Emma. Apenas encharcado até a próxima vida e cansado.
–Onde está Landon? – indaguei preocupada, morrendo de medo de ouvir a resposta.
–Estou bem, menina. – ele respondeu as minhas costas. – Não se preocupe.
–Ah Landon! Fiquei tão preocupada quando Killian disse que ele perdeu sete de seus melhores homens. Temi que estivesse no meio.
–Não dessa vez, Emma. – apertou meu braço. – Perdemos o Cirurgião. – me contou pesaroso.
–Não acredito!
–Viorel, Alec, Jack, Colm, Ramin e Raoul. –me passou os nomes. – Todos estavam conosco desde o começo praticamente. – então seu olhar se tornou sombrio. – Acho que deveria olhar ao redor, Emma. Olhe com bastante atenção e me diga o que vê.
Fiz o que Landon pediu, achando estranho. Olhei com atenção para fora do convés, ignorando os rostos exaustos dos homens.
Uma camada espessa de névoa cobria a frente, se estendendo até uma ilha ao longe, onde se podia avistar um tronco largo.
– É ali não é? – perguntei, sem tirar os olhos da ilha. – Nós a encontramos. Killian já percebeu?
Landon assentiu.
–Ele desceu tão transtornado para a cabine que nem olhou além da destruição que está aqui no navio. Acredito que a tempestade de ontem não foi por acaso. E aquela árvore que conseguimos enxergar daqui, creio que seja o tronco da Yggdrasil. Você se lembra como o reino de Hel também é chamado?
Aquiesci. Claro que me lembrava, eu havia pedido para Landon me contar aquela história mil vezes enquanto ia escrevendo cada detalhe, com medo de deixar passar alguma coisa.
–Reino da nevoa. – respondi desanimada. – Parece que você estava certo. Quanto tempo até chegarmos até lá?
Landon olhou para o céu algum tempo e então para os homens no convés.
–Vou pedir que vejam a que velocidade estamos e se as velas agüentarem vou tentar aumentar para que cheguemos mais rápido. Se o vento ajudar conseguiremos ancorar no fim da tarde.
Pensei por uns instantes.
–Consegue atrasar nossa chegada em um dia? – instiguei.
Landon pareceu confuso, mas assentiu.
–Ótimo, faça isso. – ordenei. – Quero que os homens consigam descansar. Killian precisa descansar e eu preciso dar uma olhada na profecia novamente. Nos atrase o máximo que puder. Volto logo para auxiliar aqui encima. – avisei indo para o tombadilho superior, me virando quando ouvi Landon soltar uma risada. – O que foi? – questionei curiosa.
–Nada capitã. – respondeu. Revirei os olhos, sorrindo e continuei meu caminho até a cabine.
Bati na porta por precaução. Não queria encontrar Killian em uma posição embaraçosa.
–Entre.
–Está vestido adequadamente?- perguntei.
Killian abriu a porta.
–Sim, estou vestido adequadamente. – respondeu sarcástico.
–Está se sentindo melhor? – entrei indo mexer nos papeis que havia anotado cada palavra e suposição sobre aquela ilha.
–Posso pensar em um jeito de me sentir melhor, Swan. – provocou.
Levantei os olhos, o encarando séria.
– Nós encontramos Killian – informei, me sentando.
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