Traiçoeiro
18 Capítulo 18
Notas iniciais
A primeira coisa que senti assim que acordei foi desconforto físico.
Meu pescoço estava travado e minhas costas terrivelmente doloridas por conta da posição que havia dormido: sentada no chão com a cabeça tombada na cama de Killian.
Soltei um gemido de dor, me endireitando enquanto passava os dedos nos olhos para limpá-los. Olhei para a cama a encontrando vazia.
Será que Killian teve pesadelos novamente, porém dessa vez eu não acordei? Se caso isso aconteceu que bela ajuda eu era. Deveria ter ficado mais vigilante e não ter desmaiado.
–A cama teria sido mais confortável. – comentou tranquilamente, me dando um pequeno susto.
Me coloquei de pé, coçando a ponta do nariz e me espreguiçando, soltando um gritinho agudo como sempre fazia. Eu não sabia qual era a necessidade do grito, mas na minha cabeça aquilo me fazia despertar com mais rapidez.
–Me desculpe por isso, manias. – pedi ao perceber Killian me observando seriamente. – Bom dia, como foi o resto da sua noite?
–Você é uma péssima companhia. – declarou severamente.
Senti meu rosto indo parar no chão.
–Ah céus! Você teve outros pesadelos? Me desculpe Killian, eu não fiz por mal. Você deveria ter me acordado, eu... Eu não sei o por que não acordei. Não costumo ter um sono tão pesado assim.
–Fique calma Swan. Estou brincando. – puxou a cadeira, indicando que eu me sentasse.
–Você está brincando. Claro que está brincando. – murmurei . – Como foi o resto da sua noite então?
–Foi boa até, sem mais pesadelos. Geralmente eles voltam... Mas claro que poderia ter sido melhor...
–Se eu tivesse me juntado a você. – conclui com uma voz de tédio, revirando os olhos. – Fora o desapontamento de eu não ir parar na sua cama, foi um bom sinal não ter tido mais os pesadelos, não?
Killian aquiesceu, se sentando ao meu lado.
–Faz tempo que está acordado? – instiguei.
–Um tempo. – respondeu. – A senhorita... – começou sem jeito, pegando uma jarra que estava na mesa e servindo o conteúdo em um copo. – Quer me acompanhar no café da manhã? Eu tenho bastante comida aqui que está estragando e Landon comentou comigo uma vez que você é muito boa de boca. – explicou.
Não consegui esconder minha expressão de surpresa com o convite.
–Claro. Obrigada, Killian.
–Pedi para o Cirurgião fazer limonada. Você gosta, não?
– Sim, é minha bebida preferida. Obrigada.
Killian assentiu, parecendo satisfeito consigo. Não consegui evitar o sorriso que surgiu em meu rosto quando ele me entregou um prato feito e o copo de limonada.
–Está certo. Quem é você e o que fez com o Killian que eu conheço? – questionei começando a comer a comida seca e salgada, tomando um gole da limonada para ajudar a descer pela garganta.
–Ele ainda está aqui, porém tentado deixá-la confortável em sua presença depois do que fez noite passada. Obrigado, Emma. E desculpe pelo... – Killian indicou meu queixo, fazendo uma careta.
Fiz um sinal de descaso com a mão.
–Isso aqui não foi nada. E não precisa me agradecer, se lhe ajudou a dormir já significa muito para mim.
–Poderia fazer isso de novo essa noite? – indagou.
–Você quer que eu faça?
Killian assentiu, me olhando.
–Quero sim. – respondeu. – Por favor.- acrescentou com uma careta.
–Então eu estarei aqui essa noite, Killian. – garanti me servindo de mais limonada. – Isso quer dizer que somos amigos agora? – perguntei hesitante.
Killian franziu a testa parecendo achar a pergunta estranha.
–Claro. Acho que isso quer dizer que somos. Mas não se sinta acanhada de se juntar a mim se caso quiser, amor. – ofereceu arqueando a sobrancelha.
–Aí está. – apontei.
–O que eu posso fazer se é natural?
–Nada. A culpa não é sua que o flerte se tornou sua arma de defesa natural. – observei pegando mais comida.
–Defesa?
–Sim. Você o usa para que ninguém chegue até você. O usa para dar a falsa ideia de que é um livro aberto e que você é assim. Acho que se precisar você flertaria com o mastro. – comentei de forma suave, para que ele não ficasse irritado com a observação. – Quando eu acabei de conhecer, mesmo que por alguns minutos na noite passada e agora a pouco quem Killian Jones é por baixo de todo flerte e comentários sarcásticos. E sei pela minha experiência limitada com homens que o elogio “adorável”, não é muito bem vindo, mas esse Killian é sim um homem que parece ser adorável.
Killian soltou uma risada irônica, tentando disfarçar o desconforto que minhas palavras lhe causaram.
–Sinto lhe informar que está enganada. Não me escondo atrás de nada.
–Claro que não. – concordei com sarcasmo. – Está tudo bem, Killian. Você tem seus motivos para precisar de sua defesa e não vou criticá-lo por isso. Todos nós desenvolvemos uma, a minha aparentemente é fugir. Eu sempre fujo quando algo me apavora. – confessei dando de ombros. – Vou ser sincera ao dizer que eu adorei conhecer você por baixo de sua defesa, mas sua armadura também é você. Então por favor, estou aqui querendo lhe ajudar, aja como se sentir mais confortável, não pensando em como eu irei me sentir e acabar ficando desconfortável em minha presença.
Killian ficou em silêncio, os olhos fixos em seu prato enquanto comia, parecendo estar em uma conversa interna. Não tentei puxar assunto, não tinha a necessidade de preencher os minutos com tagarelice sem sentido. Ele conversaria se tivesse vontade, aprendi que era assim que Killian funcionava e aquele era seu espaço. Talvez, poderia forçar um pouco umas perguntas quando estivéssemos no convés, porém ali em sua cabine, rodeada por seus itens pessoais eu respeitaria os seus momentos.
–Quero lhe agradecer pelo o que está fazendo para os homens. Quando eles ficam doentes, digo. – falou de repente me encarando. – Mas não a quero fazendo isso.
–Me desculpe?
–Não a quero mais fazendo isso, pois pode acabar doente. Swan, essas doenças não são brincadeira e duvido que aguente mais de uma semana caso se adoentar.
–Killian, eu venho fazendo isso desde que zarpamos. Diferente dos seus homens eu tento me manter nutrida, talvez você devesse chamar atenção deles para isso ao invés de ficar incentivando que eles encham a cara com rum. Você abastecesse o navio com laranjas e limões e acabam estragando porque eles não consomem.
–Eu sei que você vem fazendo isso há meses. Não sou cego, Swan. Apenas não disse nada porque não estava falando comigo, nesses dois meses. Mas agora posso dizer que não quero mais se arriscando com isso.
–Continuarei me arriscando com cada homem que ficar doente.
–Emma, não é sua obrigação.
–Se não é minha é de quem então? Sua tripulação não tem um medico a bordo, coisa que você sabe ser obrigatório até mesmo para piratas. Por acaso prestou atenção no café da manhã deles?- instiguei.
–Mingau e o suco que você geralmente prepara. Como já mencionei não sou cego e estou vendo o que está fazendo, Emma. Esse é meu navio, eu tenho que saber o que acontece.
–Desde que comecei a fazer isso, seus homens estão ficando doentes com menos frequência, Killian.
–Eu sei. Tenho percebido. – concordou me estudando atentamente. – Por que está fazendo isso, Swan?
Dei de ombros.
–Porque eu me importo com eles. Porque não consigo ficar de braços cruzados ignorando quando sei que posso ajudar. Já fiquei ignorando quem precisava por muito tempo, não é uma coisa que quero continuar fazendo. – expliquei calmamente. Limpei meus dedos no guardanapo. – Obrigada por me chamar para tomar café da manhã com o senhor.
–Não me agradeça. – se colocou de pé. – Eu irei subir. Melhor subirmos separados para não dar motivos para falarem mais.
–Acho uma ótima ideia. – concordei. – Ainda estou tentando me recuperar de uma conversa que ouvi sem querer uns dias atrás.
–Eles têm uma boa imaginação.
–Ah, admiráveis sem dúvida. – atalhei sarcástica. – Bocage sentiria inveja deles, assim como Lord Byron.
Killian abriu a porta, me encarando com olhos divertidos.
–A senhorita se faz de puritana e virginal, horrorizada com certas coisas, mas lê Bocage?
Abri a boca para respondê-lo, porém não consegui articular nada, sentindo minhas bochechas esquentarem.
–Não me faço nada, senhor. Apenas repeti o que escuto nas conversas dos salões de baile. – respondi rapidamente.
–Pela cor que seu rosto ficou, devo dizer que não acredito que esteja falando a verdade.
– O senhor não estava para subir? – indaguei, minha voz ficando aguda.
Killian fechou a porta e eu pude escutar sua risada diminuindo conforme ele se afastava.
Sacudi a cabeça e peguei a jarra de água limpa que Killian havia deixado para mim, despejando na bacia. Lavei o rosto e limpei os dentes.
Arrumei a mesa, juntando os pratos sujos e os equilibrando com a bacia de água, abrindo a porta subindo para o convés.
Landon assim que me viu lançou um sorriso de bom dia o qual retribui. Logo um dos marujos veio ao meu encontro retirando a bacia da minha mão para jogar fora a água.
Desci para a cozinha, junto com Cirurgião.
–Precisa de ajuda em alguma coisa?- indaguei colocando os pratos dentro da tina.
–De jeito nenhum, senhorita. – respondeu animadamente. – Na verdade, já estávamos para chamar-lhe.
–O que aconteceu? – perguntei preocupada.
–Anthony piorou essa noite. Disenteria lhe atacou também. – explicou e eu fechei os olhos fazendo uma careta. – Ele gemeu a noite toda de dor e bem... A senhorita sabe.
Assenti.
– Faça um chá com a casca da laranja, por favor? – lhe pedi, pegando água limpa em um balde. – E coloque um pouco de mingau, tentarei fazer com que coma. – orientei indo para o alojamento.
Antes de chegar até ele peguei as antigas roupas de Graham que eu usava e as vesti por cima das minhas, para não ter perigo de sujar.
–Olá. – cumprimentei baixinho, me ajoelhando ao lado dele e observando seu rosto pálido e suado. – Pode me dizer o que está sentindo? – indaguei suavemente, molhando um pano e começando a passar em seu rosto, lutando contra o cheiro azedo de vômito e fedor de fezes que me atingiam com força. Ele estava todo sujo, assim como sua rede.
Anthony gemeu em resposta, se encolhendo, apertando o estômago. Levei meus dedos a sua boca, levantando seus lábios e encontrando sua gengiva com pontos negros e sangue.
Fui até a despensa procurando por roupas limpas e um recipiente extra, voltando para Anthony rapidamente. Consegui o colocar sentado, se escorando em meu corpo tirando com dificuldade sua camisa. Joguei-a no chão e comecei a passar o pano úmido em seu peito, costas e braços, tentando ignorar seus grunhidos de dor e rezando para que ele não vomitasse em mim.
O deitei em meu braço, usando minha mão livre para jogar a água limpa que sobrara em seus cabelos, tentando limpá-los da melhor maneira possível.
Bae parou ao meu lado, observando em um silêncio contemplativo. Olhei para ele sugestivamente, pedindo auxilio ali.
–Claro. O que precisa?
–Vamos trocá-lo de rede, essa está suja de vomito e outras coisas. – fiz uma careta, acho que nunca havia ficado tanto tempo sem respirar como naquele momento. Já tinha feito aquilo outras vezes ao decorrer dos meses, porém nenhum dos homens havia pegado escorbuto, infecção e disenteria de uma única vez.
–Você vai para o céu, Emma. – comentou. – Ninguém se dispõe a fazer isso.
Sorri para ele, passando um dos braços de Anthony por meus ombros e o levantando junto com Bae.
–É sempre difícil ser o primeiro a fazer uma boa ação. – respondi com esforço. – Posso pedir um favor? Poderia trocar as calças dele? Eu realmente não queria ter que fazer isso.
– Sem problemas, apenas pegue mais água para que eu possa limpá-lo. – pediu.
Assenti, saindo rapidamente para pegar mais água. Andei a passos cuidadosos para não derrubar e tomei cuidado para não ver o que não devia. Bae sempre me ajudava naquela parte, sem nunca reclamar.
–No que eu posso ajudar? – escutei a voz baixa e cuidadosa de Killian e tentei o enxergar com minha visão periférica.
Bae demorou um pouco para responder.
–Segure-o para que eu consiga limpá-lo.
Esperei pacientemente de costas até que eles terminassem, prestando bastante atenção para poder escutá-los trabalhando juntos em silêncio.
–Terminamos aqui, Swan. – Killian avisou e eu me virei para eles. – Acho que deveríamos levá-lo para cima. O ar fresco vai fazê-lo se sentir melhor.
–Qualquer lugar fará o se sentir melhor. Eu sou incapaz de respirar aqui. – Bae rebateu. – Vamos me ajude, caso contrário quem vai ficar doente sou eu se passar mais tempo aqui embaixo além do necessário. Daí você terá que limpar minhas partes intimas, Killian. –provocou passando um dos braços de Anthony por seus ombros.
–Eu o deixo morrer antes de me sujeitar a limpar suas partes intimas Baelfire.
Bae arqueou as sobrancelhas.
–Deixa nada. Você me ama Killian, pode admitir. Sabemos guardar segredos, não é mesmo Emma?
–Sim. Não se preocupem que eu não vou contar sobre esse sentimento que o senhor tem por Bae. Seu segredo está a salvo comigo. – concordei os seguindo escada acima.
Killian revirou os olhos segurando o riso. Cirurgião apareceu ao meu lado com o caneco de chá e mingau que eu pedi que fizesse. Agradeci e me sentei ao lado de Anthony, que fora colocado sobre um amontoado palha.
–Vai precisar de ajuda aqui, Em?- Bae perguntou me observando.
Neguei com a cabeça, levando uma colherada de mingau na boca de Anthony.
–Eu consigo alimentá-lo. Muito obrigada. Aos dois. – agradeci olhando de um para o outro. – Podem ir para suas obrigações, começarei as minhas assim que terminar aqui. – garanti.
Anthony estava tão fraco que mal conseguia engolir. Fiquei um bom tempo o alimentando e mais uma meia hora para fazê-lo tomar o chá. Sua pele estava quente e ele estava tremendo.
Tentei me lembrar como era feita a mistura de láudano, para que pudesse aliviar um pouco as dores e a febre que estava o atacando, porém não me lembrava dos ingredientes e muito menos quantidades. Eu deveria ter me atentado melhor quando a tutora me ensinou a prepara remédios caseiros.
–Landon. – o chamei quando passou por mim.
–Emma! Como foi sua noite? Você e Killian são amigos agora, não?
–Foi tudo bem e eu acho que sim. Viu por acaso você não saberia como fazer láudano, saberia? Queria dar um pouco para Anthony, porém não me lembro dos ingredientes, tirando o ópio.
–Vou ver se temos o que precisa para fazer, lhe trago o mais rápido possível, tudo bem? – prometeu. – E Emma, Killian me contou que fará companhia para ele essa noite novamente.
–Sim. E?
–Nada. Apenas já queria deixar avisado que é para os dois se comportarem lá dentro. Nada de acompanhá-lo na cama, me ouviu?
Arregalei os olhos, perplexa.
–Landon! – exclamei acanhada o vendo começar a rir.
–Sua reação é sempre engraçada. – comentou antes de sair andando.
[...]
Eu estava em uma luta de espadas com Bae e Landon quando Colm, um dos marujos, se aproximou com uma expressão pesarosa.
–Senhorita... — começou sem olhar para mim. – O capitão pediu para informá-la que Anthony faleceu uns minutos atrás. – avisou.
Meu braço que estava empunhando a espada desabou, a lâmina da espada batendo com força no chão e me causando dor por conta do baque.
–Sinto muito, Em. – Bae apertou meu ombro, ele pareceu querer me dar um abraço, mas pensou melhor, optando por um tapinha em minhas costas. – Contudo tenha em mente que você fez o melhor que pôde.
–Sim Emma. Você não irá conseguir salvar todos por mais que queira. E essa cena irá se repetir mais vezes enquanto estiver a bordo.
–Eu sei. Acontece que... Ele tem uma família, filhos o esperando. Anthony estava sempre contando sobre eles e como mandava o dinheiro que conseguia com os saques para a família. Eles dependiam dele. O pai da esposa não anda e não há ninguém mais para prover... Ah meu Deus. – eu não queria chorar, mas era impossível quando me lembrava das coisas que ele me contara. Como ficava feliz em falar sobre cada um dos cinco filhos quando eu perguntava. Como ele me dissera que a vida em um navio nunca foi a que ele quis.
–Nós iremos realizar o enterro agora. – Colm informou e se virou nos deixando sozinhos.
–Como assim? Nós não podemos jogá-lo no mar. Temos que levá-lo para sua família.
–Emma não há tempo para levá-lo a lugar nenhum. Estamos longe de casa, esqueceu? Vamos. – Lando tirou a espada de minha mão e me puxou consigo.
Fiquei parada entre Bae e Landon, observando fixamente os homens terminando de enrolar o corpo de Anthony em um pano.
Era estranho pensar que quando morremos não somos mais “a pessoa”, mas sim apenas um corpo com um nome. Era como se quando morresse você não fosse mais você. É sempre “observei o corpo” e nunca “observei Anthony”.
Acredito que fazíamos isso porque era difícil demais imaginar “a pessoa” sendo enterrada, cremada ou jogada no mar. Era mais fácil se despedir quando começávamos a tratá-la como o “corpo”.
Um dia eu também deixaria de ser Emma Swan, para ser O corpo de Emma Swan. Todos nós iremos ser corpos com um nome.
Como dizem: “todos são iguais quando estão mortos”, o que te diferencia é o nome.
–Você está bem, Em? – Bae questionou estudando meu rosto. Olhei para ele e abri um sorriso leve.
–Estou sim. Estava apenas pensando. – respondi, acompanhando com o olhar Anthony sendo erguido pelos homens. Killian me encarava e lhe dei um sorriso amarelo.
Jones suspirou e se aproximou do parapeito, o corp... Anthony fora colocado sobre a prancha (Landon havia me explicado que a única utilidade da prancha era para ajudar na hora que fossem jogar os corpos no mar) e comprimiu os lábios pensativo.
–Anthony Micheltosh você serviu bem esse navio e... Serei grato por tê-lo tido como marujo. Você é uma perda que será sentida, era um dos homens que estava como parte da tripulação desde o começo. Apoiou e seguiu um jovem inexperiente que decidira tomar um navio e se tornar capitão. Obrigado pelo voto de confiança até o fim. Estamos o entregando para o lugar onde decidira viver... Mesmo que não tenha tido outras opções. – Killian terminou fazendo uma careta e o rosto parecendo levemente corado.
Estava claro em sua voz que ele não se sentia à vontade em fazer aquilo. Dizer palavras bonitas de despedias, mesmo que fossem para um de seus tripulantes mais antigos.
Me aproximei de Anthony, abaixando a cabeça e pousando uma mão em seu peito, fechando os olhos e fazendo uma pequena prece por seu espírito.
–Eu lhe prometo Anthony que vou cuidar para que sua família não passe dificuldades. Farei o que estiver ao meu alcance. Você era um bom homem e espero que seja acolhido de braços abertos quando chegar ao céu. Saiba que não acredito por um momento que irá para outro lugar. – murmurei. – Me desculpe por não ter conseguido reverter a situação. Fiz o melhor que pude.
Killian segurou em meu cotovelo e assentiu para os marujos, autorizando que o jogassem e eu assisti Anthony deslizar pela prancha... E foi simples assim. Eu passara uma semana toda cuidando dele para vê-lo deslizar para o esquecimento.
Eu estava sentada perto de Bae e Smee, observando os homens jogando. O clima parecia abalado, quase não se ouvia os risos que todas as noites ocupavam o ambiente e não havia música aquela noite.
E nunca mais teria já que no acordeonista não estava mais ali.
–A senhorita irá ler está noite? – Ian indagou olhando para mim. Pisquei voltando para o presente.
–Posso ler se estiverem interessados. Irei pegar o livro, aguardem um momento. – pedi me levantando e indo até o bote. Procurei Tristão e Isolda, mas lembrei que havia o levado para a cabine de Killian na noite passada. Peguei um que Bae havia me dado “o centavo do terror” como chamavam em Londres. Livros de contos de terror que eram vendidos por um centavo.
Quando voltei os homens já estavam sentados em um semicírculo me esperando, meu lugar no meio já a postos.
–Muito bem. Nada de romance hoje. – avisei. – Vamos ver se esses contos são realmente assustadores. – me sentei e percebi Killian no tombadilho superior nos observando. – Não quer se juntar conosco capitão e ouvir uma história?- o chamei. Os homens olharam para trás para ver qual seria a resposta. – Vamos, não seja tímido... – o incentivei.
Killian assentiu seus olhos parecendo estarem contentes com o convite. Olhei para Landon que sorria para mim parecendo satisfeito com a minha atitude.
Jones se ajeitou ao lado de Landon, os braços cruzados. Pigarreie antes de começar a leitura.
Quando faltavam alguns minutos para o horário deles se recolherem, fechei o livro me sentindo entediada, mas sem querer demonstrar. Os homens pareciam ter gostado de alguns dos contos que havia lido já que comentavam animadamente, enquanto eu havia os achados detestáveis.
Não era a toa que custavam um centavo, porque eu não gastaria mais que isso com aquilo.
Desejei boa noite a todos e fui para o meu bote, acompanhada de Bae para que pudéssemos conversar como fazíamos todas as noites. Estava ansiosa na verdade para ir para a cabine de Killian para saber como seria a noite de hoje, porém eu não podia deixá-lo de lado apenas porque havia voltado a falar com Jones.
–Eu perdi alguma coisa? – Baelfire indagou assim que se sentou ao meu lado. Olhei confusa para ele. – Você e Killian. Só estou curioso, afinal você estava o evitando até ontem.
–Eu pedi desculpas. Voltamos a conversar ontem depois que você foi se deitar. – expliquei. – Foi muito besta o motivo pelo qual parei de conversar com ele.
–Fiquei sabendo que tomou café da manhã com ele. – comentou.
–Sim, ele me convidou... Por acaso está com ciúmes senhor? – instiguei.
Baelfire me lançou um olhar de desdém.
–De Killian sim, de você não. – respondeu soando ofendido. – Eu deveria ser chamado para tomar café da manhã com ele, não uma qualquer como você. Pelo céus ele roubou a minha mãe, sou praticamente filho dele! – exclamou com uma falsa indignação.
Não consegui evitar, de rir de seu drama. Bae olhou para mim sorrindo.
–Aí está o som que senti falta essa noite. – comentou.
–Eu estou bem, apenas fico um pouco emocional quando se trata de morte. Agora voltando aquele assunto de Killian ser como seu pai...
–Um segundo pai. – me corrigiu.
–Um segundo pai, é?
–Claro. Afinal minha mãe fugiu com ele, isso o faz ser meu pai.
–Engraçado como eu nunca o ouvi chamando assim. E eu duvido que o chame.
Baelfire arqueou uma sobrancelha, fazendo ar de ofendido.
–Isso está me soando como um desafio, senhorita. Uma aposta, talvez?
–Apenas me diga o que quer senhor.
Baelfire pensou por uns minutos.
–Se eu fazer isso você terá que me deixar dormir no seu bote por uma semana.
–Um pedido justo. Aposta feita. – concordei apertando sua mão.
–E o que a senhorita vai querer? – questionou olhando para trás.
–Não sei. Irei pensar e lhe aviso. O que foi Bae?
–Acho que Killian quer falar com você. – avisou. Eu tombei a cabeça para trás para conseguir enxergá-lo e sem dúvida ele estava parado no meio do caminho. – E pela expressão dele é um assunto particular. Tudo bem, eu vou ir deitar. – Bae deu um beijo em minha cabeça e se levantou saindo do bote. – Boa noite, pai. – ele se despediu ao passar por Killian.
–Boa noite, Bael... Do que raios ele acabou de me chamar? – perguntou indignado.
Tentei esconder o riso, dando de ombros.
–Não consegui entender, senhor. Está pronto para dormir?
Jones assentiu me oferecendo seu braço. Coloquei minha mão na parte interna de seu cotovelo o acompanhando.
–Vim ver se demoraria. Eu... eu vou ir trocar.
–Claro, eu vou esperar aqui com Landon. – aquiesci.
Landon abriu um sorriso nos encarando.
–Juízo vocês dois. Posso ouvir quase tudo daqui.
Escondi meu rosto com as mãos, não acreditando que ele, Landon a última pessoa que eu esperaria algo do gênero, estava zombando de mim.
–Infelizmente não existe mulher com mais juízo que a senhorita Swan. – Killian respondeu divertido. – Nem apenas se deitar comigo ela quis.
–Se continuar não irei lhe fazer companhia. – ameacei apontando o dedo para ele.
–Onde está aquela conversa “não o quero desconfortável em minha presença”? – indagou com sarcasmo.
–Vá se trocar agora! – ordenei aborrecida. Killian arqueou as sobrancelhas e desceu para a cabine dando risada. Me virei para Landon, as mãos na cintura. – E quanto a você, eu achava que era confiável.
–Estava apenas brincando, Emma.
–Ah eu sei, mas não gosto desse tipo de brincadeira. Não quando insinua coisas que sabe que não tenho conhecimento completo e que não deva ter até estar casada. Não gosto dessas brincadeiras em que diz que irei fazer coisas... – engasguei, incapaz de completar a frase, sentindo meu rosto esquentar.
–Me desculpe Emma. – pediu com sinceridade. – Não irei fazer mais brincadeiras desse gênero.
–Muito obrigada. – ouvi Killian me chamando da cabine. – Irei descer. Boa noite.
Bati na porta avisando que estava entrando e encontrei Killian de pé, servindo duas taças de vinho.
–Gosta de vinho? – indagou sem olhar para mim.
–Gosto sim, mas não tenho o costume de beber muito. A não ser nos bailes para fazer a social.
Jones ficou parado um tempo, antes de pousar a garrafa na mesa.
–Sente-se. Beba um pouco, você está precisando relaxar depois do dia de hoje. – mostrou a cadeira, indo se sentar na cama, tomando um gole de vinho.
–Não está tentando me embebedar, está? – questionei desconfiada.
Gancho abriu um sorriso.
–Isso nem se passou pela minha cabeça. –respondeu. – É sempre difícil, quando eu perco um dos meus homens. Principalmente um dos mais antigos. Eles dizem que você se acostuma, mas isso nunca acontece. Você sempre fica imaginando quando será sua vez e se irá sobreviver. – refletiu tomando outro gole de vinho. – Estou surpreso que ainda esteja insistindo nisso, que não esteja com medo depois de tudo que já viu aqui e ainda irá ver.
Soltei uma risada hesitante, levando a taça à boca.
–Mas eu tenho medo, senhor. Às vezes eu sinto tanto medo que até me esqueço de respirar. – confessei. – Contudo eu tenho certeza do que estou fazendo aqui e tento controlá-lo. Nem pense por um único momento que não sinto medo.
–Entendo como se sente. – Killian estendeu a taça e eu me levantei para servir mais vinho para ele. – Achei que havia dito que iria começar Tristão e Isolda para os homens hoje. – mudou de assunto me encarando.
–Eu ia, mas decidi deixar essa história apenas para o senhor... Isso é, se lhe interessar, já que dormiu ontem no primeiro parágrafo.
–Eu estava cansado, Swan. – deu de ombros. – Prometo não dormir hoje.
–Posso perguntar uma coisa sobre o senhor?- questionei voltando a me sentar.
–O que quer saber?
–Não é nada pessoal. Quero apenas saber como fez para estancar o sangramento quando perdeu sua mão. – indiquei, observando onde costumava ficar. O gancho já estava do lado da cama.
Killian observou seu braço com desgosto.
–Cauterização com ferro e fogo. – explicou. – Não sei definir qual dor foi pior, a de ser amputado ou a de ser queimado para fechar o machucado. Achei que iria morrer quando infeccionou.
–Posso ver?
–Eu não me sinto confortável quando as pessoas tocam, é estranho e isso daqui... – levantou. – É para inspirar nojo e pena.
Assenti, colocando um pouco mais de vinho para mim.
–Não me inspira nojo e nem pena se quer saber. Isso é coisa de sua cabeça.
–Eu vejo como as pessoas me olham Swan. “Olha coitado um inútil. Pobrezinho não tem uma mão.”
–O senhor é um coitado inútil?- instiguei. – É um pobrezinho por que não tem a mão? O senhor acha isso de si mesmo?
Killian pensou por um momento.
–No começo sim. Agora sei que ainda sou capaz de fazer o que fazia antes, foi apenas questão de me acostumar, amor.
– Quando eu o vi pela primeira vez, eu senti medo. – falei.
–Medo de mim?
–Claro! Um pirata entra em minha carruagem com um gancho no lugar da mão e você quer que eu sinta o que? – indaguei com exasperação. – Essa é sua marca, Killian.
–Preferia ainda ter minha mão. – rebateu. – Escute Emma, acabei ouvindo sua conversa com Landon, o que me lembrou que não me contou sua experiência com Bocage.
Suspirei, me esparramando na cadeira, desconfortável com o novo assunto.
–Não tem nada para contar, Killian. Como lhe disse mais cedo apenas repeti o que escuto as pessoas falarem. – dei de ombros. – Vi um exemplar uma vez, no quarto de Graham, fiquei tentada a pegá-lo para descobrir o que teria ali dentro, já que horroriza as mulheres e fascina os homens. Mas não tive coragem, com medo do que encontraria.
–Então por que ficou tão nervosa mais cedo?
–Porque eu escuto as coisas, Jones. Fiquei incomodada que você pensou que eu havia lido. Lord Byron todos conhecem sua reputação, não tem como esconder das mulheres. Já Bocage, eu não sei o que ele escreve que... Perguntei para Graham sobre o livro, o que dizia e se eu poderia lê-lo. Nunca o vi tão furioso e envergonhado, Killian.
–Ele te deu alguma resposta? – indagou curioso.
–Ah, claro. “Emma Swan, esse não é um livro para mulheres de sua idade. Pensando bem, para nenhuma mulher. Esse não é um assunto que deva ter conhecimento neste momento. Sua mãe irá conversar com você quando for a hora certa. Um dia antes de se entregar para o seu marido. Francamente, Emma, você tem cada pergunta que não são apropriadas para uma dama”.- o imitei, revirando os olhos, ao mesmo tempo que sentia meu coração reclamando da falta que sentia de meu amigo.
–Emma... Você sabe o que acontece...? Não sabe?– questionou, parecendo um pouco constrangido.
Abri a boca, um pouco surpresa com a pergunta, meu rosto esquentando.
–Killian, não acho sensato termos essa conversa. – respondi.
–E você acha sensato ficar na ignorância? Não percebe o quanto é errado esconderem de vocês como é feito? Apenas um dia antes do casamento, como se fosse algo abominável quando é uma coisa natural. – Killian estava aborrecido. – O que você sabe Emma?
–É muito gentil da sua parte senhor, mas prefiro ficar com minha ignorância.
–O que você sabe? – insistiu irritado.
–O suficiente para saber que tenho que temer se caso algum homem forçar. – garanti. Killian arqueou uma sobrancelha, mostrando que não estava satisfeito com a resposta. Bufei começando a ficar agoniada. Cocei minha nuca desconfortável. – Sei como se chama, pelo jeito vulgar, escuto bastante aqui no navio, e quando duas pessoas que se amam fazem. O homem e a mulher tem que ficar sem roupas... na cama. – eu gesticulava nervosamente, evitando olhá-lo. – É assim que são feito os bebês, o homem planta uma sementinha na mulher. – comprimi os lábios, tentando me lembrar de mais alguma coisa que Granny havia me dito depois de eu muito insistir, ela me contou o principal. Como ela naquele dia que me contara, eu estava sentindo dificuldade para respirar. – A mulher tem que ficar bem parada enquanto o homem... você sabe. Granny me disse que algumas gostam, mas que é errado gostar. Depois que acaba a mulher vai para seu quarto e apenas volta quando solicitada pelo marido se caso tenha necessidade de fazer outra tentativa para conceber um bebê. Ela também me disse que não posso deixar homem nenhum tentar nada do gênero. Como eu disse sei o suficiente.
Terminei encarando minhas mãos, sentindo todo o meu corpo quente de vergonha. Se jogar no mar nunca foi uma opção tão tentadora.
–Meu Deus! – Killian exclamou horrorizado. Levantei os olhos para ele que me encarava incrédulo. – Eu nem sei o que dizer. Eles fazem parecer algo horrível, eu me senti desconfortável agora. Se eu fosse uma mulher igual a você, sentiria medo também.
Killian se levantou, resmungando para si mesmo enquanto procurava algo pela cabine, coisas como “Onde já se viu isso? Pelo amor de tudo” ou, “O homem planta a sementinha na mulher? Essa é a maior besteira que já tive o desprazer de ouvir”. E a clássica “A mulher tem que ficar bem parada? Se eu quisesse alguma coisa parada ia fazer sexo com uma pedra! Deve ser detestável fazer amor com uma mulher que não corresponde”.
Eu fiquei apenas sentada, o observando, sem saber se achava a cena cômica ou embaraçosa.
–Não deve ser uma coisa agradável. – comentei para quebrar os longos minutos de silêncio, enquanto Killian continuava buscando algo. – Quando estávamos em Nassau tive a infelicidade de ouvir algumas coisas. Os gritos não me pareceram algo... bom.
Killian me lançou um olhar descrente, voltando a sua busca. Ele era homem, eles gostavam de fazer aquilo, não?
–O que está procurando?
–Saberá quando eu encontrar.
–Killian...
–Shh Swan. – pediu impaciente, então soltando uma risada estranha. – Eu sabia que eu o tinha em algum lugar.
–O que? – instiguei curiosa.
Killian parou ao meu lado, me esticando um livro.
–Aqui. Leia e depois vamos discutir o que você achou. – hesitei um pouco, antes de pegar o livro nas mãos.
O olhei com confusão, começando a folheá-lo. Abri a primeira pagina para ler o nome do autor e joguei o livro longe no mesmo instante.
–Está louco!? Eu não irei ler isso, Killian!
–Por que não?
–Por que não? – perguntei incrédula, minha voz saindo esganiçada. – Fanny Hill: Memórias de uma mulher de prazer. Acho que apenas pelo titulo eu já lhe respondi o motivo que não irei ler. E não vivo em uma caverna senhor, sei que esse livro foi proibido de continuar sendo publicado. Para isso acontecer coisa boa não deve ter aí dentro.
Killian se abaixou pegando o livro.
– Eu insisto para que leia, Emma. É um absurdo o que sua sociedade a faz pensar sobre isso. Apenas leia, não precisa comentar nada. Se caso se interessar tenho outros livros do gênero perdidos por aqui. Milah gostava de lê-los.
Virei o rosto, cruzando os braços, me recusando a pegar o livro mesmo que estivesse morrendo de curiosidade para saber mais coisas. Para saber por que agradava tanto os homens fazer aquilo.
Apenas a nível de curiosidade e acadêmico, é claro.
–Bem, eu não sou Milah, senhor. Gosto de outros gêneros de livros, caso queira me indicar algo de decência ficarei feliz em ler e comentar com o senhor. Caso contrário nem chegue perto de mim com isso. Já sou obrigada a ouvir o suficiente quando fico muito perto dos homens.
–Swan... Você verá que não há nada demais aqui.
–Killian, não. – respondi resoluta. – Do mesmo jeito que não se sente confortável quando tocam em seu braço, eu não me sinto confortável com esse assunto.
–Tudo bem. – concordou contrariado. – Eu o deixarei aqui na mesa, caso mude de ideia e se interesse. Não há necessidade de ficar carrancuda por causa disso.
–Eu não estou.
–Está sim. Venha, comece o seu Tristão e Isolda novamente, ficarei acordado até o fim do segundo parágrafo.
Lhe lancei um olhar zangado e peguei a cadeira indo para o lado da cama. Killian se ajeitou na cama, me encarando com um sorriso, até que revirei os olhos sorrindo contra a minha vontade.
Jones estava falando sério quando disse que ficaria acordado até o fim do segundo parágrafo, na verdade ele aguentou até o fim do primeiro capítulo, quando pediu para eu parar que já estava com sono.
–Terei que rezar novamente, mãe? – indagou divertido.
–Apenas se quiser, hoje não irei insistir para que faça nada.
Killian parecia indeciso, se deveria rezar ou não.
–Você vai, amor?
–Eu sempre rezo Killian. Todas as noites, desde que aprendi. Acredito que me ajuda a dormir melhor. Se está hesitando é porque acho que quer rezar novamente e isso não é vergonha nenhuma. Vamos fazer igual ontem, me dê sua mão, filho. Francamente eu sou mais nova que você. – resmunguei me ajoelhando ao lado da cama.
–Doze anos não é tanta diferença assim.
–Para ser sua mãe é sim – rebati. – Agora fique quieto que eu quero rezar.
–Você está um pouco áspera hoje, senhorita.
Olhei torto para ele, fechando os olhos o ignorando.
Sussurrei minha prece como de costume, adicionando algumas palavras e agradecimentos pelo dia, e pedi que continuasse cuidando de meu pai e Graham, para que eles soubessem que eu estava bem.
Abri os olhos. Killian havia soltado de minha mão e estava deitado de costas.
–Boa noite, senhor. – me inclinei, afagando sua bochecha.
Me afastei com a intenção de ir dormir, mas ao invés disso me vi parada ao lado da mesa segurando o exemplar que Killian havia pedido para que eu lesse.
Fale com o autor